8.2 Modeller for fjern(syns)undervisning via satellitt
8.2.1 Rekkevidde
6.4.1 Tempo Entre o Último Episódio Ativo e a Cirurgia
O tempo decorrido entre o início do último episódio ativo de retinocoroidite e a cirurgia (em meses) variou de 1 a 41 meses, com a média de 11,10. Em relação às características da lesão de RCST, no momento da cirurgia, estando as lesões cicatrizadas (88,9%) na sua grande maioria, a média de tempo mostra a tendência das complicações vitreo-retinianas surgirem em média de 11 meses após o início do episódio da RCST e com a lesão já cicatrizada.
BOSCH-DRIESSEN et al. (2000) também estudaram esta variável e encontraram variação
de zero a 120 meses, com média de 12,5 meses. Cerca de 75 % (12 em 16) dos olhos desenvolveram RR ou DRR dentro de 2 anos após o primeiro ataque de toxoplasmose ocular, ressaltando-se o fato de que 10 pacientes estavam com lesão ativa e o valor deste tempo foi zero em todos estes olhos.
Baseado nestes achados de ambos os estudos, com médias de tempo similares diante de lesões cicatrizadas de RCST, novamente confirma-se esta tendência das complicações cirúrgicas surgirem em média 11 a 12 meses após o episódio ativo. Estes resultados mostram a necessidade de se manter observação rigorosa e permanente destes olhos após um episódio ativo de uveíte posterior por toxoplasmose.
Esta variável não se mostrou estatisticamente significativa quando comparada aos resultados da cirurgia. Foram encontrados os seguintes resultados de p: reativação de lesão (p = 0,788), sucesso anatômico (p = 0,760), complicação pós-operatória (p = 0,570), outras cirurgias realizadas (p = 0,202) e acuidade visual final (p = 0,339).
6.4.2 Vitreíte Grave
Ao graduar-se a vitreíte durante o último episódio ativo da RCST, encontrou-se 18 olhos (36%) classificados como não-grave e 32 olhos (64%) como grave [grau 3+/4+ (25 olhos) e grau 4+/4+ (sete olhos)]. Destes 32 olhos com vitreíte grave, foram 13 no grupo de OV (dez olhos com 3+/4+ e três com 4+/4+), seis (60%) com DRR (todos com 3+/4+), sete (46,6%) com DRT (quatro olhos com 3+/4+ e três com 4+/4+) e seis (42,9%) com membrana epiretiniana (cinco olhos com 3+/4+ e um com 4+/4+). Dentre estes olhos com membrana epiretiniana, apenas um estava associado ao buraco macular.
BOSCH-DRIESSEN et al. (2000) estudaram esta questão e dentro de sua amostra, 50% (oito em 16) tiveram o episódio de DRR (seis olhos) ou RR (dois olhos) precedidos por uma vitreíte grave. LUCIER (1974), SABATES, PRUET, BROCKHURST (1981) e FRAU et al. (1997) também fazem menção ao episódio intenso de vitreíte anterior ao DRR. Poderia se esperar que uma grave reação inflamatória do corpo vítreo pudesse levar a retração e tração retiniana com subseqüente DRR e DRT nestes olhos. Este fato seria ainda mais importante especialmente em olhos com fatores de risco adicionais como são as degenerações retinianas miópicas (BOSCH-DRIESSEN et al. 2000). Estes autores encontraram em 50%
(oito em 16 olhos de oito pacientes) de sua amostra a presença de miopia, com média de 2
dioptrias (D) e variação de 1 a 4 D, fato estatisticamente significativo (p < 0,05) quando comparado com a amostra total de olhos em pacientes com RCST e sem DRR ou RR (35 em 134 pacientes e 49 de 191 olhos).
Devido às limitações de todos os estudos retrospectivos, não se pôde verificar o estado refracional destes pacientes e confirmar este achado anterior da presença de miopia e de degenerações periféricas da retina, mas compartilha-se do achado de 64% destes olhos terem tido vitreíte grave, ou 52% dos olhos com DRR e DRT.
Não se mostrou estatisticamente significativa a relação entre esta variável e os resultados e indicações da cirurgia. Foram encontrados os seguintes resultados de p: reativação de lesão (p = 1,000), sucesso anatômico (p = 0,231), complicação pós-operatória (p = 0,768), outras cirurgias realizadas (p = 0,797) e acuidade visual final (p = 0,627). Já para as indicações cirúrgicas, foram: OV (p = 0,000), membrana epiretiniana (p = 1,000), DRT (p = 0,695) e DRR (p = 0,371). Para as indicações cirúrgicas de hemorragia vítrea e buraco macular associado à membrana epiretiniana não foi feita correlação estatística devido ao número reduzido da amostra.
6.4.3 Tratamento Sistêmico Realizado
Ao avaliar-se o tratamento clínico sistêmico prévio a cirurgia, o corticosteróide sistêmico foi utilizado por 48 pacientes (88,9%), e apenas seis não fizeram o uso desta medicação (11,1%). Cerca de cinco pacientes não foram tratados ou desconheciam o tratamento com corticosteróide e outro o utilizou associado ao antibiótico sulfadiazina. Dentre estes pacientes que utilizaram o corticosteróide, um o utilizou isoladamente e outro em associação ao albendazol.
Alguns autores demonstraram em seus estudos o papel catastrófico da corticoterapia isolada na indução de inflamação intra-ocular grave com subseqüente doença fulminante (O’CONNOR & FRENKEL 1976; NICHOLSON & WOLCHOK 1976; SABATES, PRUET, BROCKHURST 1981; BOSCH-DRIESSEN & ROTHOVA 1998). Também foi demonstrada a influência da corticoterapia isolada no desenvolvimento de tração vitreo-retiniana e DRR (FRAU et al. 1997; BOSCH-DRIESSEN et al. 2000).
Cinco dos sete pacientes no estudo de FRAU et al. (1997) utilizaram corticoterapia isolada, e dois dos seis pacientes no estudo de BOSCH-DRIESSEN et al. (2000) também o fizeram. No estudo de
SABATES, PRUET, BROCKHURST (1981), todos os sete pacientes tiveram como tratamento inicial apenas corticoterapia, sendo que em um foi utilizada a via periocular (retrobulbar), e todos tiveram uma evolução fulminante (seis DR e uma palidez do nervo óptico).
Apesar deste estudo apresentar apenas um caso de corticoterapia isolada (o outro estava associado ao albendazol) e não ter demonstrado relação estatisticamente significativa desta variável com os resultados da cirurgia, a literatura estudada mostra o grande risco que pacientes portadores de RCST têm em
desenvolver graves complicações vítreo-retinianas quando submetidos a tratamento destas lesões apenas com corticoterapia isolada. Foram encontrados os seguintes resultados de p: reativação de lesão (p = 0,397), sucesso anatômico (p = 0,580), complicação pós-operatória (p = 0,189), outras cirurgias realizadas (p = 0,653) e acuidade visual final (p = 0,856).
Com relação às drogas anti-infecciosas utilizadas, 47 pacientes (87%) fizeram uso de várias delas e sete pacientes (13%) não as utilizaram (ou não foram tratados ou desconhecem tratamento). Dentre as drogas utilizadas, 42 pacientes (89,4%) usaram a associação de pirimetamina, ácido folínico e
sulfadiazina, dois (4,3%) a associação de sulfametoxazol e trimetoprima, um albendazol (2,1%), um sulfadiazina (2,1%) e um a associação de clindamicina, sulfametoxazol e trimetoprima (2,1%). A grande maioria dos pacientes (42 pacientes) utilizou o tratamento preconizado no SU/ HSG/ HC/ UFMG, sendo que apenas cinco não seguiram a estas recomendações. Deve-se salientar o caso (# 54) da paciente que utilizou o albendazol, pois apresentava lesão periférica (zona 3) sugestiva de granuloma por toxocaríase.
Acredita-se que embora os resultados deste estudo não tenham demonstrado dados estatisticamente significativos correlacionando esta variável com os resultados da cirurgia, quanto antes for controlado o curso do episódio ativo e menor for a reação inflamatória intra-ocular, menos complicações cirúrgicas vitreo-retinianas poderão advir. Foram encontrados os seguintes resultados de p: reativação de lesão (p = 0,436), sucesso anatômico (p = 1,000), complicação pós-operatória (p = 1,000), outras cirurgias
realizadas (p = 0,660) e acuidade visual final (p = 0,723).