Estas características não foram comparadas estatisticamente com os resultados da cirurgia.
6.3.1 Tamanho
O tamanho variou de 0,5 à 9 DD, com média de 2,71 DD. Em se tratando do tamanho das lesões ativas, deve-se lembrar que as lesões menores cicatrizam com mais facilidade e rapidez, enquanto as maiores levam mais tempo (NUSSEMBLATT & PALESTINE 1989). Se estas lesões permanecem mais tempo ativas, leva-se a pensar que induzem uma maior e prolongada reação inflamatória na cavidade vítrea e subseqüente formação de complicações vitreo-retinianas.
ORÉFICE & BAHIA-OLIVEIRA (2005) encontraram 67,3% das lesões ativas de tamanho inferior a 1 DD. CATTAN (1991) encontrou em seu estudo predominância das lesões entre 1 e 2 DD e
predominância das lesões maiores em pacientes que receberam corticoterapia periocular sem medicação específica concomitante. Em nenhuma das séries de casos estudados, este dado também foi levado em consideração.
O presente estudo apresentou média de 2,71 DD de tamanho das lesões, superior ao
encontrado por CATTAN (1991) e ORÉFICE & BAHIA-OLIVEIRA (2005). Apesar desta observação ter sido relevante neste estudo, não se pode afirmar nada devido ao fato de não se ter avaliado a presença de correlação estatística com os resultados da cirurgia.
Outro dado observado neste estudo, que se deve levar em consideração, é que dentre os dois pacientes que receberam corticoterapia isolada, um tinha lesão de 4 DD (caso # 54) e o outro de 1 DD (caso # 12). Este dado não confirma a observação de CATTAN (1991) de que lesões maiores estão presentes em pacientes que utilizaram corticoterapia isolada, e não permite tirar conclusões no presente estudo.
6.3.2 Localização
Quanto à localização das lesões, 40 olhos (74,1%) apresentaram a lesão de RC em zona 2, sete olhos em zona 1 (13%), seis olhos nas zonas 1 e 2 (11,1%), e um olho na zona 3 (1,9%). Esta classificação da distribuição topográfica das lesões utilizadas neste estudo (HOLLAND et al. 1989), não foi empregada em trabalhos da literatura específicos sobre este tema em questão. Foram utilizados, por exemplo: área central e periférica (FRIEDMANN & KNOX 1969; CATTAN 1991; ATMACA, SIMSEK, BATIOGLU 2004); macular e extra-macular (AREAS & DOLDAN 1971); e macular, peridiscal, equatorial e
periférica (HOGAN, KIMURA, O’CONNOR 1964).
A principal preocupação dos autores em relação ao acometimento macular, zona 1, é com a acuidade visual final. Embora esta localização seja a preferida pelo parasita, nenhum artigo revisado mostrou a preocupação com a localização da lesão como fator indutor de complicações vitreo-retinianas.
Como 85,2% dos pacientes tinham lesão em zona 2, não se sabe até que ponto esta localização seria importante para a formação de complicações vitreo-retinianas. Devido aos achados deste estudo e à falta de correlação estatística, não se podem tirar conclusões acerca desta variável. Poderia se pensar que a zona 3, por questões anatômicas de proximidade à base vítrea, pudesse ter estreita relação com descolamentos tracionais e regmatogênicos, porém este fato tornou-se insignificante diante de apenas um caso neste estudo. Outro dado relevante quanto à localização em zona 3, é o fato da grande maioria dos olhos apresentarem lesões predisponentes (tipo lattice e buracos) e roturas e iniciarem os DR, seja
tracional e / ou regmatogênico, nesta localização. Acredita-se que isto seja importante na indução de DR tanto em olhos uveíticos, como não uveíticos.
6.3.3 Atividade
Quanto à apresentação da lesão de retinocoroidite no momento da cirurgia, encontrou-se seis lesões ativas (11,1%) e 48 lesões cicatrizadas (88,9%). Difere muito dos achados de BOSCH-DRIESSEN et al. (2000), que encontraram 10 lesões ativas (63%) e seis lesões cicatrizadas (37%) em seus casos de DRR ou RR; de FRAU et al. (1997) que encontraram cinco pacientes com lesões ativas (71,4%) e dois com cicatrizadas (28,6%) em sua série de DRR e de LUCIER (1974) com sete lesões ativas (58,3%) e cinco inativas (41,7%) em sua série de DRR.
No presente estudo foram encontradas três lesões ativas (30%) e sete inativas (70%) nos casos de DRR, e três ativas (20%) e 12 inativas (80%) nos casos de DRT. Encontrou-se, assim, uma diferença grande entre estes resultados e o observado na literatura. Pode-se justificar esta diferença pelo fato desta amostra ter tido muitos pacientes com complicações caracteristicamente tardias na evolução clínica da RCST, como ocorrido nos casos de OV persistente (13 olhos), de membrana epiretiniana (14 olhos), nos casos de DRT (12 olhos) e de hemorragia vítrea (dois olhos). Nestes olhos, em sua grande maioria, a lesão de RCST já se encontrava totalmente cicatrizada. Como esta variável também não foi
correlacionada estatisticamente com os resultados da cirurgia, não se pode tirar conclusões acerca desta apresentação.
Em se tratando apenas de casos de DR, pode-se salientar que os estudos de BOSCH-DRIESSEN et al (2000) (com dois pacientes em seis), de FRAU et al. (1997) (com cinco pacientes em sete) e de
SABATES, PRUET, BROCKHURST (1981) (seis pacientes em sete), tiveram pacientes que fizeram o uso da corticoterapia isolada e apresentaram os episódios de DR durante as lesões de RCST em
atividade. Pode-se esperar que o tratamento inadequado tenha sido um fator indutor de DR nestes olhos durante o episódio ativo, já que a literatura reforça esta idéia (O’CONNOR & FRENKEL 1976;
NICHOLSON & WOLCHOK 1976; SABATES, PRUET, BROCKHURST 1981; BOSCH-DRIESSEN & ROTHOVA 1998).
No presente estudo, como a maioria de nossa amostra foi tratada em Hospital Universitário e de referência, este tratamento eficaz pode certamente ter minimizado o aparecimento destas complicações vítreo-retinianas durante a fase ativa da lesão de RCST. O dois casos observados de corticoterapia isolada (em um paciente foi utilizado o albendazol associado) apresentaram-se com as lesões cicatrizadas no momento do diagnóstico de DRT. Fato também observado nos pacientes que desconheciam o último episódio de RCST ativa ou não foram tratados anteriormente.
6.3.4 Número de Lesões Cicatrizadas
Observou-se também o número de lesões cicatrizadas presentes no olho estudado, que foram em média de 1,46 cicatrizes, variando de uma até quatro lesões. Embora seja uma lesão focal, a RCST pode
apresentar mais de uma lesão no olho afetado, principalmente se considerar-se como pelo menos mais uma a retinocoroidite satélite. Em nenhuma das séries de casos estudados, os autores levaram em consideração o número de lesões cicatrizadas existentes. Este dado pode ser relevante em vislumbrar-se o número de episódios ativos anteriores e o papel destes episódios na desorganização, opacificação e retração vítrea e subseqüente formação de complicações vitreo-retinianas. Como não foi correlacionada estatisticamente esta variável com os resultados da cirurgia, novamente não se pode tirar conclusões quanto ao número de lesões cicatrizadas ter algum significado estatístico.