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Regulation of abscission by the balance of ethylene and auxin

1.3 Hormonal control of abscission

1.3.2 Regulation of abscission by the balance of ethylene and auxin

O indivíduo com lesão medular sofre uma mudança no sentido psicológico do self. As mudanças podem ser tão significativas que perturbam a auto-estima, a capacidade de amar e de ser amado e a capacidade de se relacionar com o mundo. O sofrimento é visto como um estado que ocorre quando o sujeito percebe uma iminente destruição de si mesmo. Este sofrimento pode prolongar-se até à adaptação, momento em que o sentido do self é restaurado e ocorre mais frequentemente em relação à dor e aos sintomas cor- porais (Young & Woolsey, 1995).

É comum o sujeito sentir-se humilhado pela situação da nova dependência e pode expe- rimentar sentimentos de vergonha, levando-o à indiferença e ao evitamento social, bem como ao estado de negação. Esta imagem contrasta com o estado irritado e ansioso, em que o sujeito responde com raiva e hostilidade em relação aos que o rodeiam (Young & Woolsey, 1995).

A resposta individual à lesão é, em grande parte, dependente da personalidade do sujeito antes do evento traumático. A sua estrutura de personalidade e o seu tipo de locus de controlo determinará os estilos de coping utilizados para fazer face a uma nova condi- ção física. Os sujeitos tendem a minimizar a ansiedade e o stress através de mecanismos psicológicos de defesa que podem desempenhar um papel útil na adaptação (defesas maduras) ou levar a dificuldades na adaptação (defesas imaturas) (Anaut, 2005).

Do ponto de vista intrapsíquico, o processo psíquico da resiliência do sujeito dependerá de dois factores: a) a inflexibilidade ou maleabilidade dos mecanismos de defesa do ego para enfrentar os custos do traumatismo; b) a capacidade de elaboração mental, ou seja, o trabalho de mentalização que se traduz na expressão do trauma e das emoções associ- adas (Anaut, 2005).

Berry, Elliott e Rivera (2007) referem três protótipos de personalidade para os doentes com lesão medular: o resiliente, o controlado e o descontrolado. O controlo do ego defi- ne-se como uma característica que o indivíduo possui, que traduz a inibição versus a expressão de impulsos emocionais e motivacionais. A resiliência do ego refere-se às estratégias flexíveis e adequadas para a auto-regulação em resposta à incerteza, à mu- dança e às exigências ambientais e pode ser entendida como a regulação eficaz do con- trolo do ego. Sem uma resiliência do ego eficaz, os sujeitos são caracterizados como tendendo ao controlo exagerado, ou por outro lado, ao descontrolo.

A caracterização dos protótipos da personalidade apontados por Berry et al. (2007) são descritos como úteis em termos da adaptação às mudanças e às exigências ambientais, servindo de quadro conceptual para a intervenção terapêutica. Neste sentido, também Galhordas, Lima e Encarnação (2007) apontam a agressividade como sendo um com-

Albrecht e Devlieger (1999) criaram o termo deficiência paradoxal para descrever a persistência de diversos indivíduos com deficiência grave em relatarem ter uma vida boa ou excelente, incluindo indivíduos com lesão medular, quer paraplégicos, quer te- traplégicos. Este fenómeno demonstra que o bem-estar subjectivo é uma dimensão está- vel, ligada aos traços de personalidade extroversão, que se relaciona com o bem-estar subjectivo, e ao neuroticismo, que se relaciona com as emoções negativas e menor bem- estar psicológico e que constituem fortes preditores de níveis emocionais positivos e negativos, respectivamente.

Migliorini e Tonge (2009) reforçam a robustez da descrição do bem-estar subjectivo feito pelos doentes com lesão medular, o que está de acordo com a deficiência parado-

xal, já que se observam muitos indivíduos nesta condição física que não apresentam

uma boa qualidade de vida. Será, então, para estes sujeitos que a reabilitação psicológi- ca é mais adequada e útil (Albrecht & Devlieger, 1999; Migliorini & Tonge, 2009).

Não é incomum que os indivíduos com lesão medular apresentem patologias do foro psiquiátrico decorrentes do evento traumático e os estados depressivos e a ansiedade perante novas realidades, são os achados mais comuns descritos na literatura.

2.5.1. Estados depressivos e de ansiedade

Apesar de os estados depressivos e de ansiedade serem apontados como sendo as per- turbações de ordem psicológica com maior prevalência entre os doentes com lesão me- dular (Krause, Kemp, & Coker, 2000), dado que se encontram directamente associadas a outras complicações, como a dependência funcional, as complicações orgânicas se- cundárias e uma integração social pobre, persiste uma lacuna em investigações com medidas de fiabilidade que dificultam a sua identificação objectiva de indivíduos com lesão medular (Kalpakjian, Bombardier, Schomer, Brown, & Johnson, 2008). Para além disso, encontram-se diferenças de estudo para estudo, dependendo do tipo de medidas utilizadas, da própria definição de depressão e de ansiedade e, especialmente, do tempo decorrido para a sua avaliação, ou seja, se foi efectuada durante o período de reabilita- ção, imediatamente depois ou bastante mais tarde (Krause et al., 2000).

No entanto, e apesar das controvérsias, os sintomas quer de uma perturbação, quer de outra, após uma lesão medular, são reportados pelos doentes e pelos profissionais de saúde directamente ligados à patologia (Craig, Hancock, Chang, & Dickson, 1998), e devem ser considerados como uma área emergente de intervenção, com foco de atenção diferencial de acordo com factores como a etnia, a idade, o género, a educação e a con- dição socioeconómica, e ainda, com outros achados psicopatológicos, nomeadamente, a perturbação de stress pós-traumático (Nielsen, 2003).

Krause et al. (2000) encontraram, no seu estudo, resultados que indicam que a depressão entre lesionados medulares tem maior prevalência em grupos de pessoas com idade mais avançada e cultural e economicamente mais desfavorecidos, e a alta prevalência de sintomas associados a um quadro depressivo persiste prolongadamente no tempo (Nico- tra, Critchley, Mathias, & Dolan, 2006).

Numa investigação longitudinal, Dorsett e Geraghty (2004) referem que, apesar de a sintomatologia depressiva não ser uma consequência inevitável nestes doentes, existem diferenças nos resultados encontrados de acordo com o tempo da avaliação: os sintomas depressivos aumentam significativamente após a alta hospitalar, para decrescerem no primeiro semestre seguinte. No entanto, após 3 anos de alta hospital, o número de lesio- nados com sintomatologia depressiva aumenta significativamente.

Embora a literatura não seja clara relativamente à significância estatística de lesionados medulares com sintomas de depressão major, apresentando um intervalo variável entre os 16% e os 30% (Weingardt, Hsu, & Dunn, 2001; Richards, Kogos, & Richardson, 2006), esta patologia pode representar um problema substancial para o sujeito pelo pro- cesso de luto que enfrenta depois de tal perda. Reacções à lesão do foro depressivo, an- sioso e de revolta e/ou negação, devem ser objecto de vigilância, tendo em conta o risco de suicídio encontrado nestes doentes (Soden et al., 2000) e a avaliação do estado men- tal do doente passa pela determinação do significado que este dá à lesão e à natureza do seu sofrimento (Young & Woolsey, 1995).

os lesionados medulares passam. Porém, Richards, Kogos e Richardson (2006) referem que, tal como encontrado na literatura sobre a depressão nos lesionados medulares, tam- bém os achados sobre a ansiedade são variáveis relativamente à sua prevalência (entre 10% e 60%, em que os valores mais elevados são encontrados imediatamente antes da alta hospitalar). No entanto, os níveis de ansiedade são mais elevados nestes sujeitos do que na população em geral.

Quer seja para avaliar a existência de depressão, quer seja para determinar os níveis de ansiedade, diversos autores estão de acordo que existe a necessidade de objectivar os instrumentos de avaliação especificamente direccionados para os doentes com lesão medular, em detrimento da utilização de instrumentos gerais, que provocam resultados enviesados e com uma pobre validade (Kennedy & Rogers, 2000; Richards et al., 2006).

Craig et al. (1998) sugerem que a terapia cognitivo-comportamental de grupo de curta e longa duração diminui os níveis de ansiedade e o humor depressivo em doentes com lesão medular, pelo que, consequentemente, pode diminuir a taxa de reinternamentos e de abuso de substâncias ilícitas, prática encontrada nestes doentes (Weingardt et al., 2001).