A área, faz parte do núcleo histórico, Figura 5.29, e é também conhecida como ‘Estação’, por se tratar do local onde se encontra a estação ferroviária de 1888. É um trecho de ferrovia pertencente ao Ramal de Ponte Nova, foi aberto para ligar a então capital de Minas Gerais na época, Ouro Preto, à capital do Império a cidade do Rio de Janeiro.
Figura 5.29 - Localização do bairro São Cristóvão no Distrito Sede do Município de Ouro Preto/MG
A estação ferroviária de Ouro Preto, que está situada às margens do ribeirão do Funil, na parte mais baixa da cidade, induziu à expansão urbana e atraiu novos usos para a região, formando novos focos de povoamento, Feres (2002). Em 1980, este ramal foi desativado, mas ainda havia movimentação de passageiros que utilizavam os trens mistos, que são conjuntos compostos de carros de passageiros e vagão de carga.
Na área de interesse deste estudo, também se encontra o casarão tombado pelo patrimônio, intitulado Solar Baeta Neves, Figura 5.30. O casarão foi erguido no final do século XIX por uma tradicional família de comerciantes da região. O mais antigo registro sobre o imóvel indica que o terreno foi adquirido em 1890, pela família Baeta Neves. O casarão foi construído nos dois anos seguintes, às margens do Córrego do Funil. IPHAN (2018).
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Figura 5.30 - Solar Baeta Neves do Século XIX na praça da ‘Estação’. Fonte: A autora (2018)
A setorização da CPRM (2016), Figura 5.31, coloca toda a área do casarão Baeta Neves em risco alto, devido a encosta instável a montante da edificação. Se encontram também no local imóveis comerciais.
Figura 5.31 - Detalhe do mapa de Setorização CPRM (2016). Bairro ‘Estação’
O zoneamento urbano na área em análise é acentuado no recorte , conforme a Figura 5.32. Como área histórica, a delimitação é a ZPE.
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Figura 5.32 - Detalhe do Mapa de Zoneamento do Distrito Sede, Lei nº93/2011– Bairro ‘Estação’
Registros Históricos de MGM
O banco de dados obteve um registro de 33 eventos em todo o centro histórico de 1979 a 2017, acredita-se que este número é mais elevado, como em todos os outros bairros. A ausência de informações precisas e consistentes também se encontra neste núcleo da cidade.
O maior registro de eventos na área se trata do ano de 1979, conforme relatórios, conforme relatórios TECNOSOLO (1979), a cidade sofreu um grande evento devido a índices pluviométricos elevados, sem dados exatos, em que ocorreram vários movimentos por todo o município.
O talude a montante do casarão é chamado Morro da Forca, e é um dos mais importantes pontos de referência histórica da cidade de Ouro Preto. Foram encontrados 3 registros de eventos nos anos de 1979, 2011 e 2012. Estes dados foram analisados através da Tecnosolo (1979) onde ocorreu o maior evento na área e registros da Defesa Civil e IGEO (2014). A Figura 5.33 apresenta os eventos de MGM na área em análise.
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Figura 5.33 - Disposição de imagens referentes à encosta do morro da forca e os even- tos registrados. (A) Imagem atual, 2018 da cicatriz do movimento e altura da encosta. Fonte: A autora/2018. (1) Evento registrado em 1979. Fonte: TECNOSOLO (1979). (2) Evento registrado em 2011. Compdec (2011). (3) Evento registrado em 2012. Fonte: IGEO (2014). (4) Situação atual do maciço. Fonte: A autora (2018).
Contexto Geológco e Geomorfológico
A encosta aqui em análise compreende o terço inferior do flanco sudoeste do Morro da Forca. A altura estimada via Google Earth Pro é cerca de 60 m, e conforme aborda relatórios técnicos IGEO (2014) a cicatriz de escorregamento está estimada em 15 metros de extensão vertical. A orientação do mergulho das camadas, seguem a direção NNW/SSE e mergulho moderado para SSW (195/37).
A partir das análises in loco do maciço e, segundo o recorte do mapa geológico da Folha Ouro Preto apresentado no Capítulo 2, a área está inserida dentro do domínio de rochas pertencentes à Formação Sabará. De um modo geral, esta unidade é composta por uma sequência metapelítica dominada por filitos, xistos, metaritmitos e metavulcânicas, com raras lentes de quartzito intercaladas.
Os dados de mapeamento geológico feitos pelo IGEO (2014), indicam, quanto ao arcabouço estrutural, que o maciço de filito no Morro da Forca é compartimentado por três estruturas principais: uma foliação penetrativa e duas foliações espaçadas.
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A foliação penetrativa constitui o plano de reorientação mineral mais conspícuo no filito. Via de regra, apresenta direção NNW/SSE e mergulho moderado para SSW (195/37). Com relação à condição das descontinuidades paralelas a este plano, em geral, ocorrem fechadas, lisas, preenchidas por óxidos e hidróxidos de ferro e ou material brando, com persistência da ordem métrica e espaçamento centimétrico.
A foliação espaçada, por sua vez, se caracteriza por apresentar domínios de clivagens insipientes e esparsos. Na área da encosta, foram identificadas duas famílias, sendo uma com direção NW/SE e mergulho alto para NE (037/76) e outra com direção NE/SW e mergulho alto para NW (330/80). Com relação à condição das descontinuidades paralelas a estes planos, em geral, ocorrem abertos (cerca de 1 mm), preenchidos por óxidos e hidróxidos de ferro e com persistência e espaçamento centimétricos.
Contexto Geotécnico
A encosta é dominada por um maciço de filito muito alterado, saprolítico, extremamente fraturado e de cor castanho avermelhada. Observa-se na sobreposição do maciço, uma camada com, aproximadamente 0,30 m de espessura coluvionar. Através da textura do material averiguada em campo, infere-se que esta unidade geotécnica apresenta elevada permeabilidade.
Segundo relatório técnico IGEO (2014), foram observados dois tipos de mecanismos de ruptura deflagrados na porção sudoeste do morro da Forca e no evento registrado em 2011/2012, as tipologias registradas tratam de um movimento do tipo rotacional e outro do tipo planar. O primeiro ocorreu no terço inferior da encosta, mobilizando cerca de 120 m³ de rocha e solo. Exibe superfície de ruptura com forma circular, configurado por meio da coalescência de vários pequenos planos de ruptura desenvolvidos em diversas direções. O segundo é de natureza planar, condicionado pela descontinuidade paralela ao plano da foliação. Ocorreu logo a montante da ruptura rotacional, no contato entre o saprolito e o maciço rochoso alterado.
As edificações instaladas no pé do talude em análise, foram inseridas com cortes em torno de 70º. Este corte em um maciço com características tão complexas quanto a sua estabilidade, é o que fomenta o desconfinamento das camadas do maciço, e, em cenários de índices pluviométricos elevados, tanto a água superficial como a elevação do lençol freático no talude, podem favorecer o início do processo de escorregamento planar e/ou rotacional.
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Ainda existe no maciço, a locação de galeria da mineração do século XVII e XVIII, que pelo que se apresenta na Figura 5.34, colaborou com a abertura de uma grande trinca no maciço e colocou um grande bloco em instabilidade, podendo afetar a edificação a jusante e o leito do rio que passa na área. Uma das grandes preocupações neste processo, é o movimeto gerar um acúmulo de material na calha do rio e impedir o fluxo normal do mesmo.
Figura 5.34 - Disposição de situações de instabilidade do maciço. Fonte: IGEO (2014) e a autora (2018)
Tipologias construtivas e infraestrutura urbana
A área em estudo, por se tratar de um local inserido no núcleo histórico, apresenta uma infraestrutura típica destas cidades. Pavimentação em blocos poliédricos, sistemas de drenagem urbana em estruturas arcaicas e que demandam manutenções constantes. As edificações se encontram em estruturas mistas, como os casarões do Século XVII e XVIII na cidade e as edificações mais recentes, em tijolos cerâmicos.
Constam a jusante do talude em sua base inicial uma edificação comercial, o casarão Baeta Neves, uma edificação em forma galpão (antigo varejão da estação) e o leito do rio, Figura 5.35. Salienta-se que todos estes imóveis se encontram interditados pela
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Defesa Civil e existem, constantemente, ações para reocupação de todos estes estabelecimentos, que em períodos de seca, colocam em questionamentos as considerações técnicas dos agentes municipais da Secretaria de Defesa Social e nos períodos de chuva, estas medidas quase não são discutidas.
Figura 5.35 - (A) Vista ampliada da área em estudo. (1) Estabelecimento comercial e casarão solar baeta neves (2) Antigo varejão da estação. (3) Proximidade do talude às edificações e ausência de dispositivos de drenagem e sistemas de contenção no talude. Localização do leito do rio. Fonte: A autora 2018.
O talude não apresenta nenhum dispositivo de drenagem ou contenção e sua instabilidade é agravada pela abertura de trincas por enraizamento de vegetação e por, prováveis vibrações provenientes do alto fluxo de tráfego na área.