• No results found

3. DOMESTIC AND EXTERNAL CHALLENGES

3.1 A DJUSTMENT TO POST -C OLD W AR REALITIES

3.1.2 Regional level

Este capítulo apresenta a abordagem metodológica empregada na pesquisa e os métodos definidos para a coleta de dados; desta forma, o mesmo é composto de duas partes em que a primeira é uma revisão bibliográfica sobre a metodologia adotada composta por diversos estudos que consideram o indivíduo no centro do processo do design, enquanto a segunda parte, que apresenta os procedimentos metodológicos adotados na pesquisa especificando o público abordado, os referenciais teóricos dos métodos escolhidos e os detalhes dos procedimentos para a aplicação de cada um deles.

2.1. O Indivíduo no centro do Design

No mundo contemporâneo é possível observar que no desenvolvimento de produtos e artefatos estão sendo considerados cada vez mais diversos fatores e preocupações, que extrapolam aqueles relativos às funções e ao desempenho dos artefatos, mas que não eram recorrentes em décadas passadas.

Ao escrever o livro Design para um mundo complexo, Cardoso (2012) comenta que a fabricação industrial, que na década de 1960 era produzida em massa, atualmente caminha na direção da produção flexível buscando atender à demanda por diferenciação. O movimento funcionalista profetizava que a evolução tecnológica levaria cada artefato a uma forma ideal, denominada “forma-tipo”; assim, Cardoso (2012, p.107) argumenta que “o ser humano parece se deleitar com a variedade, por motivos psicológicos profundos [...] A ideia de “formas-tipo” e produtos padronizados em sua aparência ficou relegada historicamente à matriz de origem soviética- ou seja, a um modelo de fabricação deficiente incapaz de suprir a demanda.”

Atualmente, há estudos e abordagens em relação ao design que envolvem fatores diversos, como os psicológicos e antropológicos. O design emocional, um dos exemplos dessas novas abordagens, é apresentado por Norman (2008) com três dimensões, visceral, comportamental e reflexiva que, entrelaçadas, combinam, ao

mesmo tempo, emoções e cognições no design. Em estudo sobre os fatores emocionais nos produtos, Iida & Muhlenberg (2006, p.2) comentam que:

O pensamento racional rejeita as soluções advindas da intuição e da emoção, considerando-as como elaborações de segunda ordem. Contudo, desenvolvimentos recentes em design colocam a emoção e o prazer como foco de uma metodologia, tirando-os da marginalidade a que estavam relegados.

O pensamento racional abordado acima é definido como a forma de pensar de engenheiros, físicos e também dos designers funcionalistas. Sobre este pensamento, os autores ainda comentam que já existem muitas metodologias estabelecidas para solucionar aspectos racionais dos produtos; entretanto, pouco se conhece em referência às emoções que os produtos exercem.

Outro exemplo é a aproximação, apresentada por Damazio, Lima & Meyer (2008, p.77) que relaciona emoção e a antropologia do consumo, na afirmação de que “os produtos projetados pelo design só tomam sua forma final a partir da interação com as pessoas e desempenham funções culturais, ‘comunicam’ quem somos e nos ajudam a estabelecer relações sociais”.

Ainda comentando sobre as vertentes do design atual, é válido mencionar a customização e a personalização dos produtos que, conforme mencionado por Cardoso (2012) com o desenvolvimento da tecnologia, principalmente a digital, do mercado e do design, proporcionaram um amadurecimento e uma diversidade maior de formas, conduzindo o desejo dos consumidores para produtos mais individualizados e customizados. Norman (2008) apresenta este conceito comentando que o avanço da tecnologia proporcionará a customização em massa na qual os artefatos poderão ter todas as suas configurações especificadas para serem produzidos de maneira personalizada.

Analisando essas mudanças é possível observar que, em sua maioria, as mesmas estão vinculadas a aspectos relacionados ao usuário ao qual se destinam e também

às relações entre pessoas e objetos; diz-se, então, que o desenvolvimento de produtos está cada vez mais considerando aspectos humanos em seus projetos. Para este trabalho, que busca definir diretrizes necessárias para o projeto dos óculos infantis, considerou-se que as recentes áreas de estudo que abordam o foco no ser humano e nas suas interfaces com os produtos como sendo fundamentais para o projeto, são adotadas como a base metodológica para tal estudo; assim, foram estudadas e levantadas as metodologias do Design Centrado no Humano, o Design Centrado no Usuário, a Experiência do Usuário e a Experiência do Produto para definir os métodos a serem utilizados na pesquisa.

2.1.1. Precursores na abordagem humana

No decorrer do histórico e do desenvolvimento do design é possível considerar alguns precursores da abordagem centrada no humano cujos conteúdos serviram de alicerce para as atuais áreas de estudo e metodologias.

Dentre os primeiros estudos está o livro "Designing for People", publicado em 1955, por Henry Dreyfuss; nele o autor enfatiza a atenção do designer industrial para com o usuário além de outros quesitos já recorrentes naquela época como, por exemplo: comercialização, segurança e eficácia do produto. O autor ainda acrescenta que uma parte importante da atribuição do designer industrial é ajudar a conservar o tempo e minimizar o esforço e prevenir danos às pessoas. Ao descrever suas experiências com projetos em diferentes áreas, Dreyfuss demonstra os cuidados e a relevância com fatores humanos incluindo o prazer proporcionado pelos produtos. O conceito utilizado por ele em seu escritório reflete tal atenção:

Nós temos que ter em mente que o objeto que está sendo desenvolvido será montado, sentado, olhado, conversado, ativado, operado ou, de alguma maneira, usado por pessoas individualmente ou em massa. Se o ponto de contato entre o produto e a pessoa se torna um ponto de atrito, então o designer industrial falhou. Se, por outro lado, a pessoa se sente segura, confortável, anciosa pra comprar, mais eficiente - ou apenas se sente feliz, o designer foi bem sucedido5(DREYFUSS, 1955, p.23-24)