• No results found

4. ANALYSIS

4.2.3 Challenges of an eventual peace

A partir dos stakeholders fixados foram estabelecidos os métodos para obtenção das informações. Essas escolhas foram decididas com base no tipo de conteúdo a ser coletado com os indivíduos considerando-se a viabilidade técnica e de tempo, para sua aplicação. Os métodos para cada stakeholder são apresentados no Quadro 8, a seguir:

STAKEHOLDERS MÉTODOS

Crianças usuárias de óculos Storytelling

Prototipar para empatia

Cuidadores Questionário impresso

Oftalmopediatras Entrevistas individuais

Atendentes das óticas Entrevistas individuais

QUADRO 8 - Métodos definidos para a coleta de dados com os Stakeholders.

Com a definição dos métodos pertencentes à metodologia adotada foi necessário selecionar os referenciais teóricos, sobre cada um, para que pudessem ser aplicados. Iniciando com o questionário, que foi utilizado com os cuidadores. Conforme Quivy & Campenhoudt (1998), este método consiste em definir um conjunto de pessoas que representam um grupo e uma série de perguntas relativas à situação social, profissional ou familiar e às opiniões desse grupo. Ainda conforme os autores, o inquérito por questionário de perspectiva sociológica visa à verificação de hipóteses teóricas e à análise das correlações que essas hipóteses sugerem. Para auxiliar na elaboração do questionário foi utilizada a bibliografia de Leedy & Ormrod (2005) que apresenta uma aplicação prática de como estruturá-lo.

O método de entrevista individual foi aplicado com os oftalmologistas e com os atendentes das óticas utilizando-se os procedimentos das metodologias de HCD e UCD comentados por Abras, Maloney-Krichmar & Preece (2004), Suri (2003) e a IDEO(2009) que apresenta este método intitulando-o de entrevista com especialistas. Conforme Gaskell (2012), a entrevista individual é uma técnica que auxilia na descoberta de diferentes pontos de vista sobre determinado fato utilizada para obter experiências individuais detalhadas, a exemplo de escolhas pessoais e biografias. A partir de tópicos guias foram elaboradas perguntas seguindo um padrão de questionário semiestruturado para conduzir as entrevistas tentando ir além da

coleta de informações dos tópicos, ou seja, possibilitando que os entrevistados também relatassem dados que não os previstos nas perguntas mas igualmente importantes.

Para os métodos aplicados com as crianças foi definido inicialmente o storytelling considerado uma ferramenta de narrativa, utilizada atualmente em vários campos do conhecimento, da pedagogia até o marketing, estando presentes também nas metodologias de HCD e UCD, a exemplo de IDEO (2009) e Suri (2003). Segundo Parrish (2006), o storytelling é um processo que une análise e síntese. As estórias são sempre baseadas em fatos extraídos da vida tanto de experiências particulares quanto de observações, devido a essa característica; o autor ainda afirma que o storytelling é, também, o processo de descoberta do narrador que conta a estória. As estórias podem ser tidas como forma de investigação a qual, além das análises possíveis, traz elementos do mundo, juntos com imaginação; esta fonte de informações é passível de ser utilizada pelos designers no desenvolvimento de seus projetos.

Em se tratando do storytelling relacionado ao produto, Battarbee (2003) afirma que as estórias de produtos podem propiciar um entendimento de como a vida e o produto interagem juntos, em relações duradouras e significativas e como essas relações podem corroborar através do design. A autora ainda ressaltou que o storytelling pode ser muito útil nas primeiras etapas do projeto de produto. Para o presente estudo optou-se por utilizar o método de forma escrita, sendo o usuário do produto o autor das estórias. Lin et al.(2011) sugerem que a própria pessoa que vivenciou a história a relate (oralmente ou escrevendo) pois se observarem em experiências anteriores que outra pessoa, recontando a história, mesmo com veracidade e emoção, é perceptível para o público ouvinte de que a história não reflete uma experiência vivida por aquele narrador.

O segundo método aplicado com as crianças foi denominado 'prototipar para

empatia', pois sua essência se assemelha ao método presente na referência do

Institute of Design at Stanford (2013) no qual é possível obter empatia do usuário através da prototipagem desenvolvendo protótipos ou criando situações específicas projetadas para ganhar empatia sem, necessariamente, testar uma solução, o que pode ser chamado "empatia ativa" de vez que o pesquisador não é um observador

de fora; ele cria condições para que surjam novas informações; assim, como o protótipo de uma solução ajuda a entender um conceito o protótipo empático ajuda no entendimento sobre o espaço do design e a forma de pensar das pessoas sobre determinadas questões. Adequando, para a presente pesquisa, o método consistiu em apresentar partes dos óculos para as crianças com o intuito de que as mesmas fizessem a combinação que mais lhes agradasse e, posteriormente, justificassem esta preferência, de forma escrita. O intuito do método foi observar as preferências formais do produto do ponto de vista do usuário considerando-se itens, como: materiais, formatos, cores e estilos.

Posteriormente, a aplicação dos métodos e os resultados obtidos com cada um, foram analisados e discutidos separadamente. Como etapa final e objetivando definir as diretrizes para os projetos de óculos infantis, todas as informações foram sistematizadas através de triangulação. Dentre os tipos de triangulação existentes foi adotada, para esta pesquisa, a denominada Triangulação Metodológica que é definida como a utilização de mais de dois métodos para estudar o mesmo fenômeno sob investigação; este tipo é amplamente utilizado nas ciências sociais no nível de coletas dados, conforme comentado por Hussein(2009). A triangulação metodológica pode, portanto, ser concebida como o uso de diferentes tipos de métodos para responder a diferentes questões decorrentes de uma única teoria (RISJORD, MOLONEY & DUNBAR, 2001).