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3   Metode

3.9   Studiens kvalitet

3.9.4   Refleksivitet

Nesta se¸c˜ao provamos o resultado central para a constru¸c˜ao de uma fun¸c˜ao de Lyapunov para um semigrupo de tipo gradiente. Tal resultado assegura a existˆencia de uma fun¸c˜ao cont´ınua, com propriedades bastante particulares, associada a um par atrator-repulsor. A demonstra¸c˜ao que daremos, ainda que esteja fortemente inspirada na que se encontra em [12], ´e distinta por v´arias raz˜oes. Estas distin¸c˜oes, em geral, se originam no fato de que n˜ao trabalhamos, necessariamente, com grupos em espa¸cos de fases compactos.

Por outro lado, ainda que em [20] todas as propriedades das decomposi¸c˜oes de Morse estejam apresentadas para semigrupos, l´a n˜ao se encontra uma constru¸c˜ao de qualquer tipo de fun¸c˜ao de Lyapunov para um par atrator-repulsor de um semigrupo. Para cumprir nosso objetivo, ´e necess´ario introduzir os efeitos da fun¸c˜ao dada no lema a seguir.

Lema 4.2.1. Seja {T (t) : t ≥ 0} um semigrupo em um espa¸co m´etrico X := (X, d)

possuindo atrator global A. A fun¸c˜ao h : X → R definida por h (x) := sup

t≥0

d (T (t) x,A) , x ∈ X,

est´a bem definida, ´e cont´ınua e n˜ao crescente ao longo de solu¸c˜oes de T (·) com h(x) = 0

se, e somente se, x∈ A.

Demonstra¸c˜ao: Com efeito, como para todo x∈ X existe tx > 0 tal que T (t) x ∈

O1(A) sempre que t ≥ tx e a fun¸c˜ao real [0, tx] ∋ t 7−→ d (T (t) x, A) ∈ R ´e cont´ınua

definida em um compacto, segue-se que a fun¸c˜ao h est´a bem definida, ou seja, assume valores reais em todos os pontos de X.

Por outro lado, dado ε > 0 seja 0 < ε′ < ε tal que γ+(O

ε′(A)) ⊂ Oε(A) , o que

prova a continuidade de h nos pontos de A.

Consideremos agora x0 ∈ X\A um ponto qualquer, ent˜ao h (x0) > 0. Consideremos

tamb´em Oµ(A) para algum 0 < µ < h (x0) e, pela continuidade da fun¸c˜ao distˆancia

ao conjuntoA, seja V uma vizinhan¸ca limitada de x0 tal que d (x,A) > µ sempre que

x∈ V . Finalmente, seja τ > 0 de modo que γ+

τ (V )⊂ Oµ(A) .

Da´ı conclui-se facilmente a continuidade de h em x0, uma vez que para x∈ V temos

h (x) = sup

0≤t≤τ

d (T (t) x,A) , e como a fam´ılia de aplica¸c˜oes {T (t) : 0 ≤ t ≤ τ} ´e equi- cont´ınua em todos os pontos de V e a fun¸c˜ao distˆancia ao conjuntoA ´e uniformemente cont´ınua, a fun¸c˜ao h|V: V → R resulta cont´ınua, completando a prova da continuidade

Para ver que h ´e n˜ao crescente ao longo de solu¸c˜oes, dados x∈ X e t1 > 0 tem-se h (T (t1) x) = sup t≥0 d (T (t) T (t1) x,A) = sup t≥0 d (T (t + t1) x,A) = sup t≥t1 d (T (t) x,A) ≤ sup t≥0 d (T (t) x,A) = h (x) , como quer´ıamos demonstrar.

Com a ajuda deste ´ultimo resultado e das ferramentas desenvolvidas na se¸c˜ao an- terior, podemos provar o resultado fundamental deste cap´ıtulo, o qual est´a contido na seguinte proposi¸c˜ao.

Proposi¸c˜ao 4.2.2. Seja (A, A∗) um par atrator-repulsor para um semigrupo{T (t) : t ≥ 0}

em um espa¸co m´etrico X possuindo atrator global A.

Existe uma fun¸c˜ao f : X → R satisfazendo as quatro propriedades seguintes: (i) f : X → R ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua (em todo o espa¸co X).

(ii) f : X → R ´e n˜ao crescente ao longo de solu¸c˜oes de T (·). (iii) f−1(0) = A e f−1(1)∩ A = A.

(iv) Dado x ∈ X, tem-se f (T (t) x) = f (x) para todo t ≥ 0 se, e somente se, x ∈

(A∪ A) .

Um fun¸c˜ao f : X → R com as propriedades listadas acima denomina-se fun¸c˜ao de

Lyapunov do par atrator-repulsor (A, A∗) .

Demonstra¸c˜ao: Em primeiro lugar, observemos que sendo A e A∗ fechados disjuntos

relativos deA e sendo A um fechado de X, deduz-se que A e A∗ s˜ao fechados disjuntos

de X, donde a fun¸c˜ao de Uryshon canˆonica associada ao par de fechados disjuntos (A, A∗) , l : X → [0, 1] , dada por

l (x) := d (x, A)

d (x, A) + d (x, A∗), x∈ X,

est´a bem definida, ´e uniformemente cont´ınua em X (pois, pondo d0 := d (A, A∗) >

0, ´e f´acil comprovar que |l (x) − l (y)| ≤ 2

d0d (x, y) , quaisquer que sejam x e y em X)

e, al´em disso verifica-se l−1(0) = A e l−1(1) = A.

Definindo agora a fun¸c˜ao k : X → R por k (x) := sup

t≥0

provemos que k : X → R ´e cont´ınua, n˜ao crescente ao longo de solu¸c˜oes de {T (t) : t ≥ 0} , com imagem contida no intervalo [0, 1] e tal que k−1(0) = A e k−1(1)∩ A = A.

Com efeito, que a imagem de k : X → R est´a contida no intervalo [0, 1] segue do

fato de que l (T (t) x)∈ [0, 1] para todo x ∈ X e todo t ≥ 0. Por outro lado, dados x∈ X e 0 ≤ t1 ≤ t2 vemos que

k (T (t1) x) = sup t≥0 l (T (t) T (t1) x) = sup t≥0 l (T (t + t1) x) = sup t≥t1 l (T (t) x) ≥ sup t≥t2 l (T (t) x) = sup t≥0 l (T (t + t2) x) = k (T (t2) x) ,

provando que ´e n˜ao crescente ao longo de solu¸c˜oes.

Claramente, k (A) ={0} e k (A) ={1} , simplesmente pelo fato de que A e As˜ao

invariantes e a pela defini¸c˜ao de l.

Agora, seja x ∈ X tal que k (x) = 0, ent˜ao l (T (t) x) = 0 para todo t ≥ 0. Em

particular, 0 = l (T (0) x) = l (x) e, portanto, x ∈ A, ou seja k−1(0) ⊂ A, provando

a igualdade k−1(0) = A. Por outro lado, seja x ∈ A tal que k (x) = 1, se x /∈ A,

ent˜ao ω (x)⊂ A. Pela continuidade de l e do fato de que ω (x) atrai x pelo semigrupo, conclui-se que lim

t→∞l (T (t) x) = 0. Logo existe t0 > 0 tal que 1 = k (x) = sup0≤t≤t0l (T (t) x) ,

portanto, existe t′ ∈ [0, t

0] com l (T (t′) x) = 1, isto ´e, T (t′) x ∈ A∗, e por isso,

ω (x) = ω (T (t′) x) ⊂ A, contradizendo ω (x) ⊂ A e assim, se k (x) = 1 para al-

gum x∈ A, obrigatoriamente x ∈ A∗, resultando destes c´alculos que k−1(1)∩ A ⊂ A

e, consequentemente, k−1(1)∩ A = A.

Provemos agora que, se x ∈ A e k (T (t) x) = k (x) para todo t ≥ 0 ent˜ao x ∈

(A∪ A) . Suponhamos, caso contr´ario, que isso n˜ao se verifica, ou seja, que existe

x∈ A\ (A ∪ A∗) com k (T (t) x) = k (x) para todo t≥ 0. Ent˜ao, pelo item (i) do Lema

4.1.7, ω (x)⊂ A. Da difini¸c˜ao de k e do fato de que ω (x) atrai x pelo semigrupo temos k (x) = lim

t→∞k (T (t) x) = 0, logo x deve pertencer a A, pois como vimos, k

−1(0) = A, o

que est´a em contradi¸c˜ao com o fato de que x /∈ (A ∪ A∗) .

Agora, provemos a continuidade da fun¸c˜ao k : X → R, dividindo a demonstra¸c˜ao

nos trˆes seguintes casos:

Caso 1) Continuidade de k : X → R nos pontos de A∗.

Como para todo x ∈ X vale l (x) ≤ k (x) ≤ 1, dados x0 ∈ A∗ e x ∈ X, quaisquer,

temos

|k (x) − k (x0)| = 1 − k (x) ≤ 1 − l (x) ,

donde se vˆe que a continuidade de k : X → R em x0segue diretamente da continuidade

de l : X → R neste ponto.

Neste caso, dado ε > 0, pela continuidade da fun¸c˜ao l : X → R no conjunto compacto A, seja δ > 0 de maneira que l (Oδ(A))⊂ [0, ε). Pelo Lema 4.1.2, ao δ > 0

acima corresponde δ′ ∈ (0, δ) tal que γ+(O

δ′(A)) ⊂ Oδ(A) , donde conclui-se que

k (Oδ′(A))⊂ [0, ε] , pois dado x ∈ Oδ′(A) tem-se que T (t) x ∈ Oδ(A) para todo t≥ 0,

logo l (T (t) x) ∈ [0, ε) para todo t ≥ 0 e assim k (x) = sup

t≥0

l (T (t) x) ∈ [0, ε], o que estabelece a continuidade de k nos pontos de A.

Caso 3) Continuidade de k : X → R nos pontos de X\ (A ∪ A) .

Dado x0 ∈ X\(A ∪ A∗), usando o item (ii) do Lema 4.1.7 tem-se que,

ou lim

t→∞d(T (t)x0, A) = 0 ou limt→∞d(T (t)x0, A

) = 0.

Suponhamos primeiramente que se tenha lim

t→∞d (T (t) x0, A

) = 0. Ent˜ao, em par-

ticular, k (x0) = 1. Agora, dado ε > 0 escolhamos, pela continuidade da fun¸c˜ao

l : X → R no conjunto compacto A, uma vizinhan¸ca V de Aem X tal que

l (V )⊂ (1 − ε, 1]. Seja tamb´em, t0 > 0 de maneira que T (t0) x0 ∈ V. Agora, pela conti-

nuidade da aplica¸c˜ao T (t0) : X → X, seja U uma vizinhan¸ca de x0tal que T (t0) U ⊂ V,

donde segue-se que para todo x ∈ U tem-se k (x) > 1 − ε (pois T (t0) x ∈ V e ent˜ao

1−ε < l (T (t0) x)≤ k (x)), o que nos mostra a continuidade de k em x0 quando ocorrer

lim

t→∞d (T (t) x0, A

) = 0.

Caso seja lim

t→∞d (T (t) x0, A) = 0, como x0 ∈ X\ (A ∪ A

), vem que l (x

0) > 0. Ent˜ao,

seja δ > 0 tal que l (Oδ(A))⊂ [0, l(x20)) e, novamente pelo Lema 4.1.2, seja δ′ ∈ (0, δ)

de modo que γ+(O

δ′(A))⊂ Oδ(A). Sejam tamb´em t0 tal que T (t) x0 ∈ Oδ′(A) para

todo t≥ t0 e mais uma vez, pela continuidade da aplica¸c˜ao T (t0) : X → X, seja U1

uma vizinhan¸ca de x0 em X com T (t0) U1 ⊂ Oδ′(A) , donde segue-se que para todo

x ∈ U1 temos T (t0) x ∈ Oδ′(A) e por isso tem-se T (t) x ∈ Oδ(A) para todo t ≥ t0.

Finalmente, seja, tamb´em pela continuidade de l, U2 uma vizinhan¸ca de x0 em X tal

que l (x) > l(x0)

2 para todo x∈ U2e ponhamos U := U1∩U2, logo para todo x∈ U temos

k (x) = sup

0≤t≤t0

l (T (t) x) , pois para x ∈ U, k (x) ≥ l (x) > l(x0)

2 e T (t) x ∈ Oδ(A) para

todo t ≥ t0. Consequentemente l (T (t) x) < l(x20) < k (x) para todo t ≥ t0. E usando

argumentos j´a utilizados anteriormente conclui-se que k |U: U → R ´e cont´ınua em x0,

o que termina a prova do terceiro caso e, portanto, conclui-se a prova da continuidade da fun¸c˜ao k : X→ R.

Finalmente, seja h : X → R a fun¸c˜ao definida por h (x) := sup

t≥0

d (T (t) x,A) , x ∈ X,

dada no Lema 4.2.1. Nossa fun¸c˜ao f : X → R buscada ser´a dada por

f (x) := k (x) + h (x) , x∈ X.

A continuidade de f : X → R segue simplesmente da continuidade de k, estudada

O fato de que f ´e n˜ao crescente ao longo de solu¸c˜oes segue do fato de que a mesma propriedade verifica-se tanto para k quanto para h, provando (ii) .

Agora, claramente, f (A) = {0} e se, reciprocamente, f (x) = 0 para algum x ∈

X tem-se, em particular, que tanto h (x) quanto k (x) s˜ao nulos, por isso, x ∈ A

e, pela correspondente propriedade para k estudada anteriormente, vem que x ∈ A,

provando que f−1(0) = A. Por outro lado, como f |

A= k |Atemos, pela correspondente

propriedade de k, que f ´e tal que f−1(1)∩ A = k−1(1)∩ A = A, terminando a prova

do item (iii) .

Agora, a propriedade (iv) pode ser provada assim:

Seja x∈ X tal que f (T (t) x) = f (x) para todo t ≥ 0. Se x ∈ A, esta ´ultima igual- dade ´e a mesma que k (T (t) x) = k (x). Como vimos acima, isto implica x∈ (A ∪ A∗)

e ent˜ao n˜ao h´a o que provar. Suponhamos ent˜ao que x ∈ X\A. Afirmamos que

lim

t→∞d (T (t) x, A

) = 0, porque se fosse lim

t→∞d (T (t) x, A) = 0, ter´ıamos, em particular,

que

f (x) = lim

t→∞f (T (t) x) = limt→∞k (T (t) x) + limt→∞h (T (t) x) = 0 + 0 = 0, (4.2.4)

obrigando x a estar em A⊂ A, contrariando que x ∈ X\A, e assim ´e certo que

lim

t→∞d (T (t) x, A

) = 0.

Nestas condi¸c˜oes, afirmamos tamb´em que f (x) = 1, pois aplicando o mesmo raci- oc´ınio que nos deu (4.2.4) , conclu´ımos que

f (x) = lim

t→∞f (T (t) x) = limt→∞k (T (t) x) + limt→∞h (T (t) x) = 1 + 0 = 1.

Mas, este fato ´e uma contradi¸c˜ao, uma vez que, sendo k (x)≥ k (T (t) x) para todo t ≥ 0, vem que 1 = lim

t→∞k (T (t) x) ≤ k (x) ≤ 1, consequentemente k (x) = 1. Entretanto,

f (x) = k (x) + h (x) , for¸cando h (x) ser igual a zero, o que ´e um absurdo, pois estando x fora deA devemos ter 0 < d (x, A) ≤ h (x) e esta contradi¸c˜ao nos faz concluir que, se f (T (t) x) = f (x) para todo t≥ 0, ent˜ao x ∈ A e portanto x ∈ (A ∪ A∗) , completando

a demonstra¸c˜ao do item (iv) e tamb´em da proposi¸c˜ao.

Observemos que o papel da fun¸c˜ao h : X → R (introduzida no Lema 4.2.1) na prova da ´ultima proposi¸c˜ao ´e reconhecer os pontos de X sobre os quais f : X → R ´e constante sobre suas semi´orbitas positivas, como sendo apenas os pontos de A. Propriedade que a fun¸c˜ao k : X → R, sozinha, pode n˜ao possuir1.

1Com efeito, se existir x∈ X \ A tal que limt→∞d(T (t)x, A) = 0, ent˜ao k(T (t)x) = k(x) para

todo t≥ 0, com x 6∈ A ∪ A∗

Devemos destacar tamb´em que, a hip´otese de que cada T (t) : X → X ´e um homeo- morfismo ´e fortemente usada na prova da continuidade da fun¸c˜ao de Lyapunov de um par atrator-repulsor que se encontra em [12]. Por exemplo, por meio desta hip´otese, l´a obt´em-se que, dada uma vizinhan¸ca aberta U de um atrator local A, tem-se imedi- atamente que T (t)U ´e tamb´em uma vizinhan¸ca aberta de A para todo t. Como neste trabalho n˜ao assumimos esta hip´otese de grupo, usamos o Lema 4.1.2 para substituir esta propriedade como, por exemplo, na prova do Caso 2 acima.

Finalmente, notemos que a prova do Caso 3 da proposi¸c˜ao anterior n˜ao aparece em [12], uma vez que l´a o autor n˜ao considera a continuidade em pontos que est˜ao fora do

atrator A , pois sua fun¸c˜ao de Lyapunov ´e definida apenas em conjuntos compactos

invariantes e n˜ao em espa¸cos de fases arbitr´arios como fazemos aqui. Nestas condi¸c˜oes, para incluirmos a continuidade em pontos fora do atrator foi necess´ario estabelecer a conclus˜ao (ii) do Lema 4.1.7.

4.3

Decomposi¸c˜ao de Morse

Agora, apresentamos a no¸c˜ao de decomposi¸c˜ao de Morse para um atrator de um semigrupo em um espa¸co m´etrico. Este conceito funciona como uma ponte que nos permite passar de um semigrupo de tipo gradiente para um semigrupo gradiente.

Comecemos observando que, se A1e A2s˜ao atratores locais para T (·) com A1 ⊂ A2,

ent˜ao, simplesmente aplicando a defini¸c˜ao de repulsor complementar, conclui-se que A∗

2 ⊂ A∗1.

Defini¸c˜ao 4.3.1. Seja {T (t) : t ≥ 0} um semigrupo em um espa¸co m´etrico X pos-

suindo atrator global A .

Dada uma cadeia crescente formada por n + 1 atratores locais da forma ∅=: A0 ⊂ A1 ⊂ · · · ⊂ An−1 ⊂ An:=A,

e considerando a cadeia decrescente de seus repulsores complementares ∅= An⊂ A

n−1 ⊂ · · · ⊂ A∗1 ⊂ A∗0 =A,

pondo, para cada j = 1, 2,· · · , n, Mj := Aj ∩ A∗j−1, a n-upla ordenada

D := (M1, M2,· · · , Mn)

chama-se uma decomposi¸c˜ao de Morse do atratorA e os conjuntos Mj’s chamam-

As considera¸c˜oes que seguem nos mostram como construir uma decomposi¸c˜ao de Morse para o atrator de um semigrupo de tipo gradiente. Para isso, o lema a seguir desempenha um papel fundamental.

Lema 4.3.2. Sejam {T (t) : t ≥ 0} um semigrupo em um espa¸co m´etrico X de tipo

gradiente com respeito `a fam´ılia disjunta Ξ ={Ξ1, Ξ2,· · · , Ξn} de conjuntos invarian-

tes isolados limitados e A seu atrator global. Ent˜ao, algum dos conjuntos invariantes isolados pertencentes a Ξ ´e um atrator local para T (·) .

Demonstra¸c˜ao: Com efeito, em primeiro lugar, afirmamos que existe j = 1, 2,· · · , n tal que para todo δ∈ (0, δ0) existe δ′ ∈ (0, δ) de maneira que

γ+(Oδ′(Ξj))⊂ Oδj) ,

onde δ0 ´e tal queOδ0(Ξi)∩ Oδ0(Ξr) = ∅ sempre que i6= r e Ξi ´e o invariante maximal

contido em Oδ0(Ξi) para i = 1, 2,· · · , n.

Caso contr´ario, existiriam δ > 0 e para cada j = 1, 2,· · · , n uma sequˆenciat(j)k 

k∈N

de n´umeros positivos e x(j)k 

k∈N de pontos de X tais que para todo j e todo k

dx(j)k , Ξj  < 1 k, dTt(j)k x(j)k , Ξj  = δ. e dT (t) x(j)k , Ξj  < δ sempre que t∈ [0, t(j)k ).

Ent˜ao, pondo, para cada j = 1, 2,· · · , n e cada natural k, ξk(j)(t) := Tt + t(j)k x(j)k para t∈ [−t(j)k ,∞), como t(j)k

k→∞ ∞, pelo Lema 3.2.3, podemos supor que para cada

j = 1, 2,· · · , n existe uma solu¸c˜ao global ξj : R → X para T (·) tal que ξ (j)

k →

k→∞ ξj

uniformemente sobre compactos da reta e do fato de que (T (·) , Ξ) ´e de tipo gradiente seguiria que para cada j = 1, 2,· · · , n

lim

t→−∞d (ξj(t) , Ξj) = 0.

Logo, novamente pelo fato de que (T (·) , Ξ) ´e de tipo gradiente, cada solu¸c˜ao ξj

deveria convergir, quando t→ ∞, para algum invariante isolado em Ξ, o que produziria

uma estrutura homocl´ınica em A contradizendo que (T (·) , Ξ) ´e de tipo gradiente,

completando a prova de nossa afirma¸c˜ao.

Agora, levando em conta que nossa afirma¸c˜ao ´e correta, seja Ξj ∈ Ξ para o qual

ela ´e v´alida. Ent˜ao, dado δ∈ (0, δ0) escolhamos δ′ ∈ (0, δ) de maneira que

γ+(O

donde segue-se trivialmente que

ω (Oδ′(Ξj))⊂ Oδj)⊂ Oδ0j) ,

logo, como Ξj ´e o invariante maximal contido em Oδ0(Ξj) e sendo ω (Oδ′(Ξj)) um

conjunto invariante, resulta

ω (Oδ′(Ξj))⊂ Ξj

e como Ξj ⊂ ω (Oδ′(Ξj)) , obt´em-se a igualdade ω (Oδ′(Ξj)) = Ξj, mostrando que Ξj ´e

um atrator local, como quer´ıamos.

Seja {T (t) : t ≥ 0} um semigrupo de tipo gradiente generalizado com respeito `a

fam´ılia disjunta Ξ =1, Ξ2· · · , Ξn} de conjuntos invariantes isolados e A seu atrator

global. Pelo lema anterior, seja Ξσ(1) ∈ Ξ um atrator local para T (·) e Ξ∗σ(1) := {x ∈

A : ω(x) ∩ Ξσ(1) = ∅} seu repulsor complementar, ent˜ao, como os elementos de Ξ s˜ao

fechados invariantes e disjuntos entre si, segue-se que para todo j6= σ(1), Ξj ⊂ Ξ∗σ(1).

Considerando {T1(t) : t≥ 0} a restri¸c˜ao de {T (t) : t ≥ 0} ao conjunto invariante

Ξ∗

σ(1), resulta imediatamente que {T1(t) : t≥ 0} herda de {T (t) : t ≥ 0} as propri-

edades que definem os semigrupos de tipo gradiente, ou seja, que {T1(t) : t≥ 0}

´e de tipo gradiente no espa¸co m´etrico Ξ∗

σ(1) com respeito `a fam´ılia finita disjunta

{Ξj : j 6= σ(1)} de invariantes isolados. Ent˜ao, novamente por aplica¸c˜ao do lema

anterior, seja Ξσ(2) ∈ {Ξj : j 6= σ(1)} um atrator local para {T1(t) : t≥ 0} em Ξ∗σ(1).

Seja, por simplicidade de nota¸c˜ao, Ξ∗

σ(2) := {x ∈ Ξ∗σ(1) : ω(x) ∩ Ξσ(2) = ∅} o re-

pulsor complementar de Ξσ(2) em Ξ∗σ(1). Como antes, temos que Ξj ⊂ Ξ∗σ(2) sempre

que j 6∈ {σ(1), σ(2)} e existe Ξσ(3) ∈ {Ξj : j 6∈ {σ(1), σ(2)}} um atrator local para

a restri¸c˜ao, {T2(t) : t≥ 0} , de {T (t) : t ≥ 0} ao conjunto invariante Ξ∗σ(2), o qual ´e

de tipo gradiente em Ξ∗

σ(2) com respeito `a fam´ılia {Ξj : j 6∈ {σ(1), σ(2)}}. Pondo

Ξ∗

σ(3) :={x ∈ Ξ∗σ(2) : ω(x)∩ Ξσ(3) = ∅} para indicar o repulsor de Ξσ(3) em Ξ∗σ(2), po-

demos prosseguir com o racioc´ınio at´e que se esgotem todos os elementos de Ξ, donde, ao final, obtemos que Ξσ(1) ´e um atrator local para {T (t) : t ≥ 0} em X e para cada

i≥ 2, Ξσ(i)´e um atrator local para a restri¸c˜ao de {T (t) : t ≥ 0} ao repulsor Ξ∗σ(i−1) (no

sentido da constru¸c˜ao acima).

Evidentemente, pondo In := {1, 2, · · · , n}, a aplica¸c˜ao σ : In → In, definida por

meio do procedimento acima (portanto dependendo tanto do semigrupo T (·) quanto

da fam´ılia de conjuntos invariantes isolados Ξ), ´e uma permuta¸c˜ao do conjunto In, ou

seja, uma bije¸c˜ao do conjunto In em si mesmo.

Sejam σ : In → Inuma permuta¸c˜ao como definida acima e D := (Ξσ(1), Ξσ(2),· · · , Ξσ(n))

σ. Ent˜ao, para toda solu¸c˜ao global limitada ξ : R→ X com lim t→−∞d ξ (t) , Ξσ(i)  = 0 e lim t→∞d ξ (t) , Ξσ(j)  = 0, (4.3.5) tem-se i≥ j.

Com efeito, observemos primeiramente que se A ´e um atrator local para T (·) e A

seu repulsor complementar, ent˜ao para toda solu¸c˜ao global ζ : R→ X com ζ (0) ∈ Ξ∗,

tem-se ζ (t) ∈ Ξqualquer que seja t real, simplesmente porque para todo real t vale

ω (ζ (t)) = ω (ζ (0)) .

Agora, notemos que se j = 1 n˜ao h´a nada o que demonstrar. Se j = 2, necessariamente ξ (0) ∈ Ξ

σ(1), porque, como ξ (0) ∈ A, se ξ (0) /∈ Ξ∗σ(1)

ent˜ao ω (ξ (0))∩Ξσ(1) 6= ∅ e portanto ω (ξ (0)) ⊂ Ξσ(1), o que contradiz σ(1)6= σ(2) (ou

seja, contradiz o fato de que σ ´e uma bije¸c˜ao). Desta forma, ξ (0)∈ Ξ∗

σ(1) e portanto,

como observamos acima, ξ (t) ∈ Ξ

σ(1) para todo t ∈ R. Pela defini¸c˜ao da permuta¸c˜ao

σ, Ξσ(k)⊂ Ξ∗σ(1) para todo k ≥ 2, logo i ≥ 2 = j.

Para provar o caso geral, primeiro provemos que, se j ≥ 3, 3 ≤ k ≤ j, (4.3.5) se

verifica e ξ (0)∈ Ξ

σ(k−2), ent˜ao ξ (0)∈ Ξ∗σ(k−1).

Observemos primeiramente que, se k = 3 e ξ (0) ∈ Ξ

σ(1) mas ξ (0) 6∈ Ξ∗σ(2) ent˜ao,

como ξ (t)∈ Ξ∗

σ(1) para todo real t e Ξ∗σ(2) ´e o repulsor de Ξσ(2) (em Ξ∗σ(1)) segue-se que

ω (ξ (0))⊂ Ξσ(2) o que contradiz j ≥ 3, j´a que ω (ξ (0)) ⊂ Ξσ(j) devido a (4.3.5) .

Se k > 3, ξ (0)∈ Ξ

σ(k−2) mas ξ (0) 6∈ Ξ∗σ(k−1), como ξ (t)∈ Ξ∗σ(k−2) para todo t real e

Ξ∗

σ(k−1) ´e o repulsor de Ξσ(k−1) (em Ξ∗σ(k−2)) segue-se que ω (ξ (0))⊂ Ξσ(k−1), obrigando

Ξσ(k−1) = Ξσ(j), ou seja, k− 1 = j contradizendo k ≤ j.

Destes fatos resulta que se (4.3.5) se verifica, 3 ≤ k ≤ j e ξ (0) ∈ Ξ

σ(k−2), en-

t˜ao ξ (0) ∈ Ξ∗

σ(k−1). Assim, em particular, vemos que ξ (0) ∈ Ξ∗σ(j−1) e portanto

ξ (t) ∈ Ξ

σ(j−1) qualquer que seja t ∈ R e como Ξσ(l) ⊂ Ξ∗σ(j−1) sempre que l ≥ j,

necessariamente i≥ j, estabelecendo o caso geral e a prova de nossa afima¸c˜ao.

A seguir provamos que a n-upla ordenada D = (Ξσ(1), Ξσ(2),· · · , Ξσ(n)), obtida

reordenando-se os elementos do conjunto Ξ por meio da permuta¸c˜ao σ, como explicamos

acima, determina uma decomposi¸c˜ao de Morse para o atrator global A do semigrupo

T (·) de tipo gradiente com respeito a Ξ. Primeiro fixemos algumas nota¸c˜oes. Definamos:

A0 := ∅, A1 := Ξσ(1) e para j = 2, 3,· · · , n

Aj := Aj−1∪ Wu Ξσ(j)



. (4.3.6)

Observemoe que, com estas defini¸c˜oes, para j = 1, 2,· · · , n Aj = j [ i=1 Wu Ξσ(i)  ,

donde, em particular, obt´em-se ∅= A0 ⊂ A1 ⊂ · · · ⊂ An= n [ i=1 Wu Ξ σ(i)  =A.

O resultado a seguir pode ser provado usando-se o Teorema 1.8 em [20]. Contudo, resolvemos apresentar uma demonstra¸c˜ao alternativa que explora as propriedades dos semigrupos de tipo gradiente.

Teorema 4.3.3. Sejam{T (t) : t ≥ 0} um semigrupo em um espa¸co m´etrico X de tipo

gradiente com respeito `a fam´ılia finita disjunta Ξ = 1, Ξ2,· · · , Ξn} de conjuntos

invariantes isolados limitados e A seu atrator global.

Sejam tamb´em, σ : In→ In uma permuta¸c˜ao obtida por meio do procedimento que

explicamos acima e D = (Ξσ(1), Ξσ(2),· · · , Ξσ(n)).

Ent˜ao, para cada j = 0, 1,· · · , n o conjunto Aj como definido em (4.3.6) ´e um

atrator local para T (·) em X. Al´em disso, para todo j = 1, 2, · · · , n verifica-se que Aj ∩ A∗j−1 = Ξσ(j).

Ou seja, a reordena¸c˜ao D = (Ξσ(1), Ξσ(2),· · · , Ξσ(n)) dos conjuntos invariantes isolados

de Ξ ´e uma decomposi¸c˜ao de Morse para o atrator globalA.

Demonstra¸c˜ao: Em primeiro lugar, afirmamos que existe δ0 > 0 de maneira que

para todo j = 1, 2,· · · , n − 1 vale Aj∩ Oδ0 ! n [ i=j+1 Ξσ(i) " = ∅. (4.3.7)

Fa¸camos a prova desta afirma¸c˜ao por indu¸c˜ao em j.

O caso j = 1 segue dos fatos de que A1 = Ξσ(1) e que o conjunto Ξ ´e uma fam´ılia

finita disjunta de invariantes isolados.

Suponhamos que a afirma¸c˜ao ´e certa para j − 1 e a provemos para j. Caso nossa

afirma¸c˜ao seja falsa para j, podemos encontrar uma sequˆencia de pontos (xk)k∈N em

Aj tal que para todo natural k

d ! xk, n [ i=j+1 Ξσ(i) " < 1 k.

Do fato de que Ξ ´e finito podemos supor que, na verdade, para todo k tem-se d xk, Ξσ(i0)

 < 1

k, (4.3.8)

Como Aj := Aj−1∪ Wu Ξσ(j)



e estamos supondo a afirma¸c˜ao v´alida para j − 1,

podemos tamb´em supor que xk∈ Wu Ξσ(j)



para todo natural k.

Assim, para cada k ∈ N existe uma solu¸c˜ao global de T (·) , ξk : R → X com

ξk(0) = xk, tal que

lim

t→−∞d ξk(t) , Ξσ(j)



= 0. (4.3.9)

Levando em conta (4.3.8) ´e poss´ıvel, para cada natural k, encontrar um par de n´umeros reais t′

k e tk, com t′k< 0 ≤ tk, de maneira que

d ξk(t′k) , Ξσ(i0)  = δ e d ξk(t) , Ξσ(i0)  < δ sempre que t∈ (t′ k, tk],

onde δ > 0 ´e tal que as δ-vizinhan¸cas dos elementos de Ξ s˜ao disjuntas entre si. Ent˜ao, definamos, para cada k, ζk : R→ X pondo ζk(t) := ξk(t + t′k), t∈ R.

Agora, observemos que, se (passando para uma subsequˆencia se necess´ario) tk −

t′

k →

k→∞ ∞, ent˜ao d ζk(t) , Ξσ(i0)



< δ para todo t > 0 sempre que k ∈ N ´e suficiente- mente grande.

Por outro lado, se a sequˆencia (tk − t′k)k∈N ´e limitada, podemos supor que existe

τ0 ∈ R de modo que tk− t′k →

k→∞ τ0 e, por isso, a sequˆencia (t ′

k)k∈N deve tamb´em ser

limitada pois, caso contr´ario, poder´ıamos supor t′

k →

k→∞−∞ e portanto

t′k = tk− (tk− tk′)≥ −(tk− t′k) → k→∞−τ0,

contradizendo τ0 ∈ R. Assim, podemos assumir t′k → k→∞ t

′ 0.

Agora, nestas condi¸c˜oes, ´e f´acil ver que a sequˆencia (ζk)k∈Npossui uma subsequˆencia

convergindo uniformemente sobre compactos da reta para uma solu¸c˜ao global ζ(1) : R

X que n˜ao est´a contida em Ξσ(i0) e satisfaz

lim t→∞d ζ (1)(t) , Ξ σ(i0)  = 02.

2Isto pode ser visto assim:

(1) No caso onde tk − t′

k k→∞→ ∞, temos que dado t > 0 existe k(t) ∈ N tal que 0 < t < tk − t ′ k sempre que k ≥ k(t), isto ´e, t

k < t+ t ′

k < tk sempre que k ≥ k(t) e por isso d ζk(t) , Ξσ(i0)

 < δ sempre que t > 0 e k≥ k(t) donde, passando ao limite, obt´em-se d ζ(1)(t) , Ξσ(i0)



≤ δ toda vez que

t≥ 0, e agora usando o fato de que o semigrupo ´e de tipo gradiente e a forma com a qual escolhemos

δ >0 conclu´ımos que lim

t→∞d ζ (1)(t) , Ξ σ(i0)  = 0. (2) No caso onde tk − t′ k → k→∞ τ0, podemos supor t ′ k → k→∞ t ′ 0, e ent˜ao, de ζk(−t′k) = ξk(0) = xk , gra¸cas a (4.3.8), resulta que ζ(1)(

−t′

0)∈ Ξσ(i0),donde ζ

(1)(t)

∈ Ξσ(i0)sempre que t≥ −t

′ 0,e portanto, evidentemente, lim t→∞d ζ (1)(t) , Ξ σ(i0)  = 0.

Sendo (T (·) , Ξ) um semigrupo de tipo gradiente, obt´em-se a existˆencia de Ξσ(i1) ∈

Ξ, com i1 6= i0, de modo que

lim t→−∞d ζ (1)(t) , Ξ σ(i1)  = 0. (4.3.10)

Pelo que demonstramos acima, obrigatoriamente i1 > i0.

Por outro lado, para cada natural r podemos encontrar um real τr de maneira que

d ζ(1)(τr) , Ξσ(i1)

 < 1

r. Seja ζr(1) : R→ X dada por ζr(1)(t) := ζ(1)(t + τr), t∈ R.

Levando em conta (4.3.10) conclu´ımos que, para cada natural r, existe um par de n´umeros reais s′

r e sr, com s′r < 0 ≤ sr, de modo que

d ζr(1)(s′r) , Ξσ(i1)  = δ e d ζr(1)(t) , Ξσ(i1)  < δ sempre que t∈ (s′ r, sr],

logo, definindo, para cada r ∈ N, φr : R → X por φr(t) := ζr(1)(t + s′r) , t ∈ R, como

antes, podemos supor a existˆencia de uma solu¸c˜ao ζ(2) : R → X que n˜ao est´a contida

em Ξσ(i1) de maneira que φr →

r→∞ζ

(2) uniformemente sobre compactos de R, com

lim t→∞d ζ (2)(t) , Ξ σ(i1)  = 0

e, novamente pelo fato de que (T (·) , Ξ) satisfaz (G1) e pelo que provamos com rela¸c˜ao a ordem determinada pela permuta¸c˜ao σ : In → In, conclui-se a existˆencia de um

elemento Ξσ(i2) ∈ Ξ, com i2 > i1, de modo que lim

t→−∞d ζ

(2)(t) , Ξ σ(i2)

 = 0.

Agora, observando que o conjunto Ξ ´e finito, este racioc´ınio dever´a parar em um n´umero finito de etapas e na etapa final estaremos obrigados a ter, ou uma estrutura homocl´ınica em A associada a Ξ ou contradizer a ordem definida por σ : In → In, as

quais s˜ao duas situa¸c˜oes imposs´ıveis, terminando a prova de nossa afirma¸c˜ao.

Por outro lado, observemos que (4.3.7) tamb´em nos diz que para o δ0 > 0, obtido

acima, tem-se para cada j = 1, 2,· · · , n − 1 que

! n [ i=j+1 Ξσ(i) " ∩ Oδ0(Aj) = ∅. (4.3.11)

Agora, afirmamos que para todo j = 1, 2,· · · , n e todo δ ∈ (0, δ0) existe δ′ ∈ (0, δ)

com

γ+(O

Com efeito, em primeiro lugar, o caso em que j = n vemos que An= n [ i=1 Wu Ξ σ(i)  = A e portanto a afirma¸c˜ao resulta verdadeira gra¸cas ao Lema 4.1.2.

Suponhamos agora que a afirma¸c˜ao seja falsa para um certo j = 1, 2,· · · , n−1, logo existem δ ∈ (0, δ0) e sequˆencias (tk)k∈N de n´umeros positivos com tk→ ∞ e (xk)k∈N de

pontos de X tais que

d (xk, Aj) < 1 k, d (T (tk) xk, Aj) = δ. e d (T (t) xk, Aj) < δ sempre que t∈ [0, tk).

Da´ı, por argumentos usuais, obt´em-se uma solu¸c˜ao global ξ0 : R → X para T (·)

satisfazendo

d (ξ0(t) , Aj)≤ δ para todo t ≤ 0 (4.3.12)

com

d (ξ0(0) , Aj) = δ. (4.3.13)

Como (T (·) , Ξ) satisfaz (G1) existe Ξσ(i) ∈ Ξ tal que

lim

t→−∞d ξ0(t) , Ξσ(i)

 = 0

e como δ ∈ (0, δ0) , onde δ0 satisfaz (4.3.11) , levando em conta (4.3.12) , resulta que

i ≤ j, mostrando que ξ0(0) ∈ Wu Ξσ(i)



⊂ Aj, o que contradiz (4.3.13) e por isso

nossa segunda afirma¸c˜ao tamb´em ´e correta.

Nestas condi¸c˜oes, dado qualquer j = 1, 2,· · · , n, levando em conta que nossa se- gunda afirma¸c˜ao ´e certa, fixemos δ∈ (0, δ0) e δ′ ∈ (0, δ) de modo que

γ+(Oδ′(Aj))⊂ Oδ(Aj) ,

o que implica

ω (Oδ′(Aj))⊂ Oδ(Aj),

logo se x∈ ω (Oδ′(Aj)), devido a invariˆancia de ω (Oδ′(Aj)), existe uma solu¸c˜ao global

ξ : R → X com ξ (0) = x de modo que ξ (t) ∈ ω (Oδ′(Aj)) para todo real t. Logo

ξ (t)∈ Oδ(Aj)⊂ Oδ0(Aj) para todo t real, donde vemos, segundo a escolha de δ0 em

conjunto com a propriedade (G1) , que obrigatoriamente ξ (t)∈ Aj para todo t real, e

em particular x = ξ (0)∈ Aj, provando que ω (Oδ′(Aj))⊂ Aj.

Reciprocamente, simplesmente pela invariˆancia de Aj, conclu´ımos que Aj ⊂ ω (Oδ′(Aj)) ,

Finalmente, para provar que para todo j = 1, 2,· · · , n tem-se a igualdade Ξσ(j) =

Aj∩ A∗j−1, observemos que para cada j

Aj = j [ i=1 Wu Ξ σ(i)  ,

portanto, dado x∈ Aj∩ A∗j−1 obt´em-se a existˆencia de uma solu¸c˜ao global ξ : R→ X,

passando pelo ponto x, que deve cumprir lim t→−∞d ! ξ (t) , j [ i=1 Ξσ(i) " = 0 e lim t→∞d ! ξ (t) , n [ i=j Ξσ(i) " = 0, (4.3.14)

sendo a convergˆencia indicada `a direita devida `a propriedade (G1) em conjunto com o fato de que x∈ A∗

j−1 e a da esquerda devida ao fato de que x∈

Sj

i=1Wu(Ξσ(i)).

Pela maneira com a qual est˜ao ordenados os elementos da n-upla D, de acordo com a permuta¸c˜ao σ : In→ In, a ´unica maneria de (4.3.14) ser verdadeiro ´e quando

lim t→−∞d ξ (t) , Ξσ(j)  e lim t→∞d ξ (t) , Ξσ(j)  ,

mostrando que x ∈ Ξσ(j), porque ξ n˜ao pode ser uma solu¸c˜ao homocl´ınica, assim

Aj∩ A∗j−1 ⊂ Ξσ(j).

Reciprocamente, se x∈ Ξσ(j)ent˜ao, como Ξσ(j)´e fechado e invariante, segue-se que

ω (x) ⊂ Ξσ(j), donde, em virtude da separa¸c˜ao dada em (4.3.11), ω (x)∩ Aj−1 = ∅,

portanto x ∈ A

j−1 e como Ξσ(j) ⊂ Aj deduz-se que x ∈ Aj, completando a prova do

teorema.

Terminamos esta se¸c˜ao provando a proposi¸c˜ao abaixo, que ´e de grande ajuda quando usamos a decomposi¸c˜ao de Morse, dada no teorema anterior, com a fun¸c˜ao de Lyapunov dos pares atrator-repulsor correspondentes, a fim de construir uma fun¸c˜ao de Lyapunov para os semigrupos de tipo gradiente, como explicamos na pr´oxima se¸c˜ao.

Proposi¸c˜ao 4.3.4. Seja {T (t) : t ≥ 0} um semigrupo em um espa¸co m´etrico X pos- suindo atrator globalA. Ent˜ao, seja qual for a decomposi¸c˜ao de Morse D = (M1,· · · , Mn)

de A, com Mj := Aj∩ A∗j−1 para j = 1,· · · , n, tem-se n [ j=1 Mj = n \ j=0 Aj ∪ A∗j  , (4.3.15) onde ∅= A0 ⊂ A1 ⊂ · · · ⊂ An−1 ⊂ An=A,

´e a cadeia crescente de atratores locais e ∅= An⊂ A

n−1 ⊂ · · · ⊂ A∗1 ⊂ A∗0 =A

´e a cadeia decrescente de seus repulsores correspondentes.

Demonstra¸c˜ao: Com efeito, se x

n

[

j=1

Mj, consideremos j0 ∈ {1, 2, · · · , n} tal que

x∈ Mj0 = Aj0∩ A ∗ (j0−1), ent˜ao x∈ Aj0 ⊂ A(j0+1)⊂ · · · ⊂ An e x∈ A ∗ (j0−1) ⊂ A ∗ (j0−2) ⊂ · · · ⊂ A∗ 0, logo x ! n \ j=j0 Aj " ∩ !j\0−1 j=0 A∗j " ⊂ # n \ j=j0 Aj∪ A∗j $ ∩ #j\0−1 j=0 Aj∪ A∗j $ = n \ j=0 Aj ∪ A∗j  , demonstrando a inclus˜ao n [ j=1 Mj ⊂ n \ j=0 Aj∪ A∗j  . Reciprocamente, se x n \ j=0 Aj∪ A∗j  , pondo K :={0, 1, 2, · · · , n}, definamos I :={i ∈ K : x ∈ Ai} e J := {i ∈ K : x ∈ A∗i}.

Da´ı resulta imediatamente que I∪ J = {0, 1, 2, · · · , n} com I ∩ J = ∅.

Claramente, os dois conjuntos I e J s˜ao n˜ao vazios, ent˜ao pondo i := min I resulta que I = {i, i + 1, i + 2, · · ·, n} e J = {0, 1, · · ·, i − 1} , logo, em particular, x ∈ Ai

e x ∈ A∗

i−1, isto ´e, x ∈ Ai ∩ A∗i−1 = Mi, donde conclui-se a inclus˜ao que faltava n \ j=0 Aj ∪ A∗j  ⊂ n [ j=1

Mj, completando a prova da proposi¸c˜ao.

4.4

Equivalˆencia entre as no¸c˜oes de semigrupos gradi-