População e amostragem.
População: A primeira fase do estudo abrangeu organizações de ensino superior (IES)
privadas do Estado de São Paulo, academicamente organizadas como Centros Universitários, Centros de Educação Tecnológica, Faculdades Integradas, Faculdades, Institutos ou Escolas de Ensino Superior. O total de IES envolvidas nessa primeira fase foi de 420 organizações.
A segunda fase abrangeu as organizações de ensino superior que responderam afirmativamente à primeira fase, num total de 44 organizações.
Em todas as etapas, foram excluídas as IES organizadas academicamente como Universidades, em razão da dificuldade de identificação das categorias analíticas envolvidas no estudo em estruturas acadêmicas e organizacionais tão grandes e complexas quanto a das Universidades, mesmo em se tratando de Universidades privadas. Ainda, como não houve resposta de qualquer Centro Acadêmico à primeira fase do estudo, as organizações classificadas sob essa categoria administrativa também foram excluídas na segunda fase do estudo.
Amostragem: a escolha das IES privadas do Estado de São Paulo baseou-se em conveniência
(MILES e HUBERMAN, 1994), uma vez que aquele Estado possui elevado número de organizações de ensino superior privadas em qualquer uma de suas várias formas de organização acadêmica e categoria administrativa, fator que em princípio facilitaria a obtenção de respostas, e também em razão de sua localização geográfica. Participaram da primeira fase do estudo um total de 420 IES, cuja relação foi obtida junto ao Website do INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (relação extraída no mês de junho de 2003). Destas, 44 responderam ao questionário inicial utilizado para identificar respostas estratégicas naquelas organizações de ensino.
Das 44 IES que responderam à primeira consulta, extraiu-se uma segunda amostra de 9 IES que se constituíram nos casos para estudo qualitativo. Estas organizações foram selecionadas por meio de escolha proposital (KIDDER, 1987) ou por critério (MILES e HUBERMAN, 1994), conforme as especificações sugeridas tanto pela análise teórico- empírica da temática sob estudo quanto pelas análises estatísticas (abaixo descritas) a que
foram submetidas as respostas obtidas com o questionário inicial. Foram selecionados, então, 5 casos pertencentes ao cluster de IES cuja resposta estratégica predominante seguia um padrão que denominou-se de aceitação dos critérios estabelecidos pela legislação educacional; 3 casos pertencentes a outro cluster cuja resposta estratégica predominante seguia padrão que denominou-se de oposição e, finalmente, 1 caso cujo padrão de resposta foi denominado de cooptação. Informações precisas a respeito dos procedimentos estatísticos e qualitativos que fundamentaram essa divisão dos grupos de organizações e a escolha dos casos são prestadas no capítulo referente à análise dos dados, na parte relativa à análise das respostas estratégicas das organizações sob estudo. Ainda convém ressaltar que, tanto aqui quanto nos demais momentos deste estudo, o nome das IES e de seus dirigentes é omitido para assegurar o sigilo das informações prestadas e o anonimato das pessoas e organizações abordadas no estudo.
Dados genéricos das 420 IES inicialmente relacionadas para a primeira fase do estudo (a população inicial do estudo), das 44 IES respondentes e das 9 IES selecionadas como casos para a parte qualitativa do estudo (como a seguir especificado) são apresentados na Tabela 1.
Uma vez selecionados os casos, as organizações foram consultadas e realizou-se a etapa qualitativa do estudo. Nesta etapa, foram consultados dirigentes das IES, cuja seleção também se deu por escolha proposital: foram entrevistados sempre o ou a dirigente responsável pelas respostas ao questionário inicial e outros ou outras dirigentes por ele ou ela apontados como importantes no processo decisório da organização de ensino (em alguns casos e sempre sob indicação do ou da dirigente principal, foram entrevistados também membros do segundo escalão da direção das organizações). Ainda é importante esclarecer que não se consultaram dirigentes das mantenedoras das IES, mas sempre os dirigentes da própria organização de ensino.
TABELA 1 – Dados genéricos das organizações abrangidas pelo estudo.
População 1ª Amostra (Respondentes)
2ª Amostra (Casos)
Centro de Educação Tecnológica 22 6 1
Organização Centro Universitário 31 2 0
Acadêmica Instituto ou Escola Superior 31 2 1
Faculdade 317 31 7
Faculdades Integradas 47 3 0
Capital 124 16 5
Localização Região Metropolitana 39 7 2
Interior 285 21 2
Particular em sentido estrito 394 41 8
Filantrópica 42 2 0 Categoria Confessional 2 0 0 Administrativa Comunitária 2 0 0 Filantrópica-Comunitária 2 0 0 Filantrópica-Confessional 6 1 1 Antes de 1971 50 7 1 1971 a 1980 55 6 2 Ano de Criação 1981 a 1990 29 3 0 1991 a 2000 161 13 4 2001 e após 158 15 2 TOTAL 448 44 9
Fonte: Dados obtidos junto ao INEP, no período de junho/2003.
Abaixo faz-se constar a relação de pessoas entrevistadas e o número total de dirigentes em cada um dos casos:
TABELA 2 – Número de dirigentes entrevistados em cada Caso. CASO Nº Dirigentes (Primeiro Escalão) Entrevistados (Primeiro Escalão) Entrevistados (Segundo Escalão) 1 3 2 - 2 8 2 - 3 6 2 - 4 2 2 - 5 3 3 1 6 4 2 1 7 Não divulgado 2 1 8 2 1 - 9 3 2 - 18 3 TOTAL 21
Fonte: Dados compilados pelo autor.
Delineamento da Pesquisa.
Este estudo pode ser caracterizado como não experimental (KERLINGER, 1980) porque buscou analisar relações entre categorias analíticas ex post facto e não variáveis manipuláveis. O principal método utilizado foi o de estudo comparativo de casos, que permite estabelecer relações entre variáveis, conceitos e categorias e “[...] fornece meios para uma verificação e ajuda a especificar sob que condições as relações trazidas à luz se verificam” (BRUYNE, HERMAN e SCHOUTHEETE, 1991, p. 229).
Apesar de Bruyne, Herman e Schoutheete (1991) sugerirem que a melhor perspectiva para os estudos comparativos de casos é a longitudinal, este estudo manteve uma perspectiva transversal de análise em função de três limitações: primeiramente, o fato de as categorias analíticas implicadas no estudo serem temporalmente dependentes (era de se esperar que a interpretação dada por indivíduos para as respostas estratégicas de suas
organizações sofresse, ao longo do tempo, influência de fatores intervenientes como a memória, o fato de tais respostas terem sido bem ou mal sucedida e, principalmente, eventos presentes que sempre afetam a significação retrospectiva, como apontam Schutz, 1967; Weick, 1969 e Pfeffer e Salancik, 2003, dentre outros autores).
Em segundo lugar, tal perspectiva foi a opção dada ao estudo em razão do setor organizacional escolhido para o estudo: uma rápida observação prévia do ano de autorização de funcionamento das entidades de ensino superior privadas, no Estado de São Paulo como em todo o território nacional, foi suficiente para apontar que a maioria delas iniciou suas atividades muito recentemente e propor um estudo longitudinal iria excluir do estudo uma significativa parcela de organizações.
Finalmente, a limitação de tempo para conclusão deste estudo sugeria que excluir as entidades mais recentemente fundadas poderia ser bastante problemático, além de que estudos longitudinais, por suas próprias características, demandam maior tempo para estabelecimento de contato com respondentes e para coleta de dados primários e secundários.
Vários são os autores (em geral, MILES e HUBERMAN, 1994; DENZIN e LINCOLN, 1994; YIN, 2002) que apontam como uma das mais fortes características dos estudos qualitativos – e uma de suas maiores vantagens – a flexibilidade em termos processuais, o que significa que vários aspectos metodológicos podem e até devem sofrer ajustes e modificações no decorrer do processo de pesquisa, além de que podem ser desenvolvidos até mesmo para incorporar procedimentos quantitativos como apoio para coleta ou análise de dados. Como se explicará abaixo, este estudo utilizou-se de técnicas quantitativas de análise de dados como forma de escolher casos para posterior análise qualitativa.
Parece ser importante destacar também que, apesar de os estudos de caso do tipo isolado ou do tipo comparativo visarem principalmente aprofundar conhecimento sobre grupos sociais (indivíduos, organizações, entidades, etc) eles também podem ser utilizados para teorizar sobre regularidades de processos e estruturas sociais, como afirma Becker (1997), ainda que não possam ser utilizados quando a intenção é gerar teorias generalizáveis para além do âmbito de sua abrangência específica.
Em relação aos dados utilizados na pesquisa, eles tiveram natureza predominantemente (mas não exclusivamente) qualitativa. De fato e como afirmam Miles e Huberman (1994, p. 9), dados são em muitos sentidos sempre qualitativos, porque se referem “[...] à essência de pessoas, objetos e situações”. Porém os dados podem sofrer ou não processos de quantificação, caracterizando estudos de natureza quantitativa ou qualitativa.
Neste estudo utilizaram-se dados quantificados principalmente na primeira fase do estudo, e dados principalmente não quantificados (discursos), na segunda fase (além de textos escritos, na análise do contexto institucional), configurando uma estratégia quali-quanti para exploração das relações de estudo propostas. Como sugerem Bauer, Gaskell e Allum (2002), a oposição entre tradição quantitativa e qualitativa deve ser enfrentada e superada. Como eles afirmam, não há quantificação sem qualificação nem há análise estatística sem interpretação, tanto quanto a própria natureza dos estudos qualitativos implica flexibilidade de métodos, incluindo até análises quantitativas.
Os dados tiveram tratamento estatístico na primeira fase e tratamento baseado em procedimentos descritivo-qualitativos na segunda fase (RICHARDSON, 1989; MILES e HUBERMAN, 1994; BAUER, GASKELL e ALLUM, 2002), com propósitos sugestivos ou, no máximo, preditivos, dadas as relações entre as categorias analíticas teoricamente construídas. Como afirmam Bento e Ferreira (1983: 9), “as pesquisas que buscam informações sugestivas têm por objetivo sugerir perguntas, não encontrar conclusões definitivas”. Já informações preditivas permitem “[...] formar um quadro geral sobre como, na realidade, se apresenta o fenômeno, em suas múltiplas facetas” (BENTO e FERREIRA, 1983, p. 9), sem afirmar relações causais.
Sobre a natureza predominantemente qualitativa do estudo, Miles e Huberman (1994, p. 10) ressaltam que abordagens qualitativas, “[...] com sua ênfase na ´experiência vivida` das pessoas, são fundamentalmente adequadas para identificar o significado que as pessoas dão a eventos, processos e estruturas de suas próprias vidas”, o que corresponde em grande medida às intenções da pesquisa aqui proposta. Além disso, considera-se este estudo como predominantemente qualitativo em razão dos seus objetivos, que estão vinculados muito mais à compreensão e interpretação de um determinado fenômeno que ao estabelecimento positivo de relações causais (WEBER, 1993; BAUER, GASKELL e ALLUM, 2002).
O nível de análise, por fim, é principalmente organizacional, e a unidade de análise refere-se ao grupo dirigente das entidades de ensino superior privadas participantes do estudo, responsáveis diretos pela elaboração e implementação estratégica naquelas organizações.
Dados: coleta e tratamento.
Coleta de dados:
a) Dados secundários:
Dados secundários relativos ao contexto institucional do setor sob estudo foram obtidos por meio de consulta à legislação nacional relativa ao setor de Educação Superior (relação da legislação consultada é apresentada quando da definição do conceito de Padrões Institucionais Legais-regulativos, anteriormente apresentado).
Também foram utilizados dados secundários para análise e inferência dos esquemas interpretativos e definição da situação ambiental predominantes nos casos sob estudo. Esses dados foram obtidos por meio de publicações das próprias organizações de ensino superior abordadas como casos para esta pesquisa, obtidos por meio de consulta dos
websites das respectivas organizações (documentos como declarações de missão e objetivos,
propostas estratégicas, material de divulgação, entre outros) e também documentos fornecidos pelos próprios dirigentes, nas ocasiões de realização das entrevistas.
b) Dados primários:
Foram obtidos inicialmente mediante questionário estruturado (respostas do tipo escala Likert de cinco pontos) enviado às organizações (informações iniciais necessárias para classificação das organizações e escolha dos casos). Como já se mencionou anteriormente, na parte relativa à Amostragem do estudo, foram enviados 420 questionários, obtendo-se 44 respostas completas.
Tais questionários foram enviados inicialmente no mês de julho de 2003 e, após 3 semanas (já na primeira semana de agosto), enviado novamente para as organizações que não haviam ainda respondido. Obteve-se 23 respostas com a primeira solicitação e mais 21 respostas com a segunda.
Os questionários foram enviados por e-mail (em arquivo anexo) aos dirigentes principais de cada uma das 420 organizações de ensino superior, cujos nomes eram indicados no cadastro disponibilizado pelo INEP. O procedimento foi de encaminhar sempre para o e- mail oficial de cada organização, também disponibilizado naquele cadastro, endereçando a correspondência ao cuidado pessoal do dirigente principal e acompanhado de breve carta
virtual na qual se explicavam os propósitos do estudo e se pedia a colaboração da organização. Ao final da carta, pedia-se que o questionário fosse preenchido e devolvido também por e-mail, ao endereço pessoal do autor deste estudo. De fato, houve a devolução de 54 questionários. Contudo, 10 deles vieram sem ter sido preenchidos e, mesmo após o pedido de que o mesmo fosse preenchido e remetido novamente, não se obteve sucesso, ficando as respostas aproveitáveis limitadas ao número de 44 questionários. Cópia do questionário utilizado, bem como da carta, constam do Apêndice A desta tese.
Foram também realizadas entrevistas semi-estruturadas com membros da cúpula estratégica, selecionados nas organizações de ensino sob estudo. Como ressalta Gaskell (2002, p. 65), a principal finalidade de entrevistas qualitativas para estudos sociais refere-se à “[...] compreensão detalhada das crenças, atitudes, valores e motivações, em relação aos comportamentos das pessoas em contextos sociais específicos”, o que parece justificar plenamente o seu uso neste estudo. As questões efetuadas dividiam-se em dois conjuntos: um, com questões voltadas à verificação dos aspectos relacionados às respostas estratégicas da cúpula dirigente das organizações em face dos critérios de qualidade, identificados inicialmente por intermédio de questionário (conforme anteriormente descrito). O segundo conjunto, com questões vinculadas ao propósito de identificação das interpretações dos entrevistados em relação aos critérios de qualidade e aos procedimentos de avaliação dos cursos e instituições de ensino superior, principalmente.
As entrevistas foram todas realizadas pelo próprio autor desta tese, nos meses de agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, sempre precedidas de contato telefônico no qual se pedia autorização para realização da entrevista e se agendava data e horário que fosse conveniente aos entrevistados. Foram realizadas 17 entrevistas ao todo, sendo 14 delas entrevistas individuais (GASKELL, 2002), duas delas realizadas com dois diretores simultaneamente e uma delas realizada com três diretores ao mesmo tempo. Estas entrevistas tiveram duração média aproximada de 60 minutos.
Parece interessante e pertinente notar, conforme sugere Alvesson (2003), que a linguagem mais do que refletir a realidade, a constrói. Esse é um dos pressupostos subjacentes à coleta de dados por meio de entrevistas neste estudo (e, ao mesmo tempo, implica uma de suas limitações, no que tange às respostas estratégicas, conforme adiante se aponta). Contudo, deve-se notar também que não se supõe aqui essa construção da realidade como absolutamente livre de quaisquer influências. Mais do que centrada no indivíduo, essa construção da realidade é assumida, neste estudo (e como se discute na base teórico- empírica), como socialmente constituída ou, mais, institucionalmente possibilitada.
Em termos dos procedimentos utilizados no processo de entrevista, eles podem ser assim descritos: antes do início sempre se procedeu a uma nova explicação (já fornecida resumidamente quando do contato inicial por telefone, para agendamento das entrevistas) a respeito dos objetivos da entrevista, das questões a serem efetuadas e, principalmente, do objetivo principal que era ouvir os entrevistados a respeito de suas opiniões, ressaltando-se o desejo de que eles falassem livremente, que respondessem às questões da forma que considerassem mais apropriado e pertinente ou mesmo que deixassem de responder a algumas questões, no caso de considerarem isso apropriado. Pedia-se também a autorização para que a entrevista fosse gravada, justificando o procedimento e assegurando, novamente, o anonimato dos entrevistados e o sigilo no tocante às informações prestadas. Mesmo com isso, percebeu- se que em duas ocasiões os entrevistados, mesmo declarando não haver problema quanto à gravação, disseram no transcorrer da entrevista que “iriam prestar determinadas informações tão logo o gravador fosse desligado”. Como isso foi dito, nas duas ocasiões, em tom bastante cordial e de modo aparentemente não consciente quanto à contradição em relação à autorização inicial, restou ao pesquisador a forte impressão de que o procedimento de gravação pode afetar o processo de entrevista e as informações prestadas, com a tendência a que se prestem informações mais correntemente aceitas e reconhecidas, ao menos no âmbito local ou organizacional. Se isso de fato ocorreu, não afeta contudo este estudo, posto que sua intenção era especialmente capturar o pensamento predominante nas organizações-caso, e não necessariamente as idiossincrasias de cada um dos entrevistados.
Em seguida a esse rapport, as questões eram efetuadas e os entrevistados efetuavam as respostas, enquanto o entrevistador fazia pequenas anotações no roteiro de questões, com o intuito de facilitar a escolha de questões a serem efetuadas posteriormente e o registro de questões que, mesmo não tendo sido efetuadas, eram respondidas espontaneamente no transcorrer da entrevista.
Todas as entrevistas foram realizadas em locais isolados, distante de outras pessoas que não o/a ou os entrevistados, e foram sempre realizadas nas dependências das respectivas organizações de ensino, em geral nas salas dos próprios diretores.
Cópia do roteiro de entrevista consta do Apêndice B desta tese.
Por fim, observações não estruturadas foram feitas durante os eventos de entrevista. Para o registro dessas observações utilizou-se diário de campo, onde o pesquisador realizava anotações das impressões colhidas durante as entrevistas, tanto em relação a expressões físicas ou orais dos entrevistados, não passíveis de registro escrito por meio da simples transcrição das entrevistas (por exemplo, mudanças na tonalidade de voz, arranjo
físico das salas, interrupções, etc), quanto também aspectos da própria organização de ensino observadas (por exemplo, condições de bibliotecas visitadas, condições de salas de aula, etc).
Como se pode observar, utilizou-se de procedimentos variados para obtenção dos dados do estudo, recurso conhecido como triangulação. Estratégias de triangulação de dados são altamente recomendadas para garantir a validade das informações obtidas (MILES e HUBERMAN, 1994; STAKE, 1996; YIN, 2001). Assim a natureza variada dos dados a serem utilizados na pesquisa – dados impressos, dados quantificados, dados expressos por meio de linguagem oral e observados - foi aqui utilizada neste sentido. Além disso, pretendeu-se também a triangulação de fontes de dados, utilizando-se de vários tipos de publicações, de mais de um tipo de entrevista (se possível) e de estratégia de observação, bem como triangulação de métodos de análise: análises estatísticas, análise documental, análise de conteúdo e elaboração de mapas cognitivos.
Tratamento dos dados.
Os dados secundários (tanto os dados relativos ao ambiente institucional quanto aqueles relativos aos próprios casos) foram analisados mediante análise documental e de conteúdo (BARDIN, 1977). Os dados primários foram tratados mediante uso de técnicas de estatística multivariada e análise de conteúdo, predominantemente (mas não exclusivamente) qualitativa (MANNING e CULLUM-SWAN, 1994; BARDIN, 1977).
No tocante à análise estatística, as respostas ao questionário inicialmente enviado para as IES privadas do Estado de São Paulo foram submetidas a análise fatorial (com rotação Varimax). Em seguida, os resultados obtidos com a análise fatorial serviram como base para a realização de análise de clusters, do tipo K-Means com 3 clusters. Como recurso tecnológico para tais análises, utilizou-se o programa estatístico SPSS. Os resultados dessas análises são apresentados na primeira parte da Análise dos Dados, no próximo capítulo desta tese.
Já em relação à análise qualitativa de conteúdo, também parece necessário apresentar algumas considerações explicativas. De acordo com Manning e Cullum-Swan (1994, p. 464) o termo análise de conteúdo refere-se a “técnica quantitativamente orientada por meio da qual medidas padronizadas são aplicadas a unidades metricamente definidas e essas são usadas para caracterizar e comparar documentos”.
Entretanto, para Bardin (1977) essa é uma visão demasiadamente limitada das possibilidades da análise de conteúdo, e corresponde apenas às primeiras tentativas de definição do que mais recentemente é melhor entendido não como uma técnica específica, mas como um conjunto de técnicas. Assim, Bardin (1977, p. 42) define análise de conteúdo como “conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objectivos [sic] de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção [...] destas mensagens”. A propósito desta definição, aquele autor ainda esclarece que tal conjunto de técnicas “[...] toma em consideração as significações (conteúdo) [das mensagens], eventualmente a sua forma e a distribuição destes conteúdos e formas...” (pp. 43-44). Não visa, portanto, a análise de conteúdo apenas a padronização ou classificação, mas principalmente a análise dos significados e a construção de inferências. Seu objetivo é triplo: descrever, inferir e interpretar o conteúdo de mensagens (BARDIN, 1977).