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No tocante às respostas estratégicas, a tipologia proposta por Oliver (1991) segue uma escala de respostas que aderem mais fortemente – ou passivamente – aos padrões institucionais, até respostas que não aderem, e até rejeitam ativamente, os padrões institucionalizados, havendo a possibilidade de que a adesão se dê num plano apenas ou predominantemente simbólicos – o comportamento de evasão ou de evitar. Nesse sentido, aquela tipologia se aproxima das orientações de Weick e colegas (1969; 1976; 1990) para análise da relação entre organizações e ambientes. Deste modo, respostas estratégicas do tipo aquiescência e comprometimento, em Oliver (1991), parecem ter sua correspondência com o alto grau de conexão das práticas com critérios definidos institucionalmente. Já respostas do tipo evasão compreendem um padrão semi ou frouxamente conectado, enquanto as respostas de oposição e manipulação implicam baixo grau de conexão – ou, até, quando possível, desconexão – com aqueles padrões.

Mas no modelo de respostas, proposto por Oliver (1991), a conexão se dá em relação ao ambiente objetivo: há ou não conexão – aceitação ou rejeição – em relação às características factuais do ambiente. A tipologia daquela autora é, portanto, relacionada com o grau de conexão real entre estratégias e orientações ambientais externas.

O que se sugere, neste estudo, é que tais graus de conexão – e, portanto, as diferentes respostas estratégicas – possam também (ou mais fortemente, talvez) serem relacionadas não com ambientes objetivos, mas com os ambientes que servem como referência para os atores organizacionais, especialmente aqueles que ocupam papel mais importante no processo decisório das organizações. As proposições deste estudo são feitas, portanto, considerando principalmente essa possibilidade, isto é, de que haja circularidade entre as respostas estratégicas e o ambiente (no caso, ordenado ou, em termos institucionais, ambientes de referência), e que essa circularidade tenha nos esquemas interpretativos e interesses o seu mecanismo de ocorrência.

Nesse sentido, parece possível admitir-se que, se a resposta estratégica da organização sob análise puder ser identificada como do tipo aquiescer ou do tipo comprometer (portanto, predominantemente de aceitação de padrões institucionalizados), os esquemas interpretativos e interesses nela predominantes deverão apontar para a interpretação dos padrões institucionais (no caso deste estudo, parâmetros oficiais de qualidade de ensino propostos pela legislação educacional brasileira) como fonte de eficiência em termos de qualidade de ensino, uma vez que aquelas formas de resposta estratégica implicam forte

apego às regras institucionalizadas (OLIVER, 1991). Isso parece se justificar a partir da idéia de que em contextos sociais modernos, o processo de racionalização implica que razões técnicas sejam sempre preferidas a razões de outras ordens (WEBER, 1998; 1985; BRUBAKER, 1984), o que sugere que o esforço para justificação daquela forma de apego venha a convergir para o desenvolvimento de visão predominantemente substantiva (nos termos de ROBERTS e GREENWOOD, 1997; TOLBERT e ZUCKER, 1998; WESTPHAL e ZAJAC, 2001, entre outros) daqueles padrões institucionais ou, em outros termos, uma concepção positiva que resulta na sua internalização.

Decorrente desta forma de interpretação parece possível também admitir que a definição do contexto ambiental predominante nas organizações com tais respostas estratégicas tenderá a indicar a univocidade (e não multiplicidade) em relação ao grau de complexidade ambiental (aqui com referência apenas ao aspecto do número de constituintes percebidos como atuando no ambiente, em relação às questões institucionais mais relevantes); a alta dependência da organização para com constituintes ambientais; a consistência entre demandas ambientais e objetivos organizacionais (no que concerne ao conteúdo institucional do ambiente), a aceitação espontânea como forma de difusão dos padrões institucionais e, finalmente, de segurança em relação à estrutura do ambiente.

Deve-se ter atenção para com o fato de que se está utilizando aqui idéia semelhante à noção de preditores das respostas estratégicas, conforme delineados por Oliver (1991), mas eles são aqui tomados de uma perspectiva que os admite não como características ambientais externas à organização e sim como produto interpretativo-cognitivo dos decisores, no seu esforço por mapear e definir a situação com que se deparam. Desta variação, necessária para este estudo, decorrem também as alterações deste modelo de definição ambiental, em relação ao modelo de preditores delineado por Oliver (1991).

Finalmente, em relação às organizações cujas respostas são caracterizadas como aquiescência ou compromisso, parece possível admitir que a cúpula decisora estará pondo foco sobre aspectos normativos e cognitivos do ambiente institucional, e mesmo que certos aspectos de ordem legal possam vir a ser definidos, no âmbito daquelas organizações, como possuindo algum valor normativo ou mesmo representando a forma correta ou única de se promover avanço qualitativo no ensino superior. Elas deverão, portanto, estar constituindo ou decretando para si ambiente institucional peculiar (aqui chamado de ambiente institucional de referência, no que toca ao conteúdo ambiental a que se referem os dirigentes das organizações sob estudo) que em certos aspectos não terá correspondência com os aspectos mais generalizados e externos mas que, mesmo assim, é entendido como se tivesse realidade

objetiva e externa (da perspectiva dos atores organizacionais) e, portanto, como sendo o parâmetro a ser utilizado para a elaboração estratégica.

Já quando a resposta estratégica da organização sob análise puder ser identificada como de evasão, oposição ou manipulação (onde predomina, portanto, graus variados de rejeição dos parâmetros institucionais), os esquemas interpretativos e interesses predominantes nas organizações deverão apontar para interpretação dos padrões institucionais como fontes de legitimidade em relação à demanda por qualidade de ensino.

Tais respostas estratégicas implicam a busca pela conformidade apenas parcial aos padrões institucionais ou mesmo a não conformidade. Entretanto, pressupõe-se aqui que o fato de ter ocorrido alguma forma de resposta, por menor ou meramente formal que seja, indica que o padrão foi definido como de algum modo inescapável. Em especial em relação a leis, mesmo quando não se concorda com sua validade moral ou técnica, é geralmente difícil escapar de alguma aparência de conformidade. Assim, se ocorre alguma resposta, ela não deverá ter como razão a crença ou confiança na sua validade moral ou técnica (como no caso das respostas dos dois tipos anteriores – aquiescência e compromisso), mas sim porque de algum modo se quer obter ou não perder legitimidade.

Parece possível também que num tipo de resposta extremo, como a manipulação, conforme definida por Oliver (1991), isso também ocorra em grau muito pequeno, enquanto se busca alterar os padrões institucionais de modo a conforma-los às necessidades ou desejos da cúpula organizacional. Em todos esses casos, o que se sugere aqui é que o esforço de justificação daquela forma de conformidade apenas ou predominantemente simbólica venha a convergir para o desenvolvimento de uma visão que enfatiza a sua inadequação técnica para o modelo ou processos organizacionais e, simultaneamente, a necessidade de cumprir requisitos supostamente externos e inescapáveis à vontade dos decisores, requisitos de natureza político- legal, sociais ou de mercado22.

Então, em decorrência, admite-se também que a definição ou cognição predominante naquelas organizações tenderá a mapear ou definir a situação como circunstância de multiplicidade de constituintes, de não existência de alto grau de dependência da organização para com aqueles constituintes, de inconsistência com os objetivos organizacionais, de coerção como mecanismo de difusão e de incerteza como característica ambiental, em conseqüência dos padrões impostos.

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Também em função dessa observação, parece plausível admitir que dificilmente se pode identificar respostas de radical rejeição de padrões institucionalizados, quando estes se referirem à estrutura legal vigente. O mais provável é a identificação de padrões parciais de rejeição, quando ela aparece.

Finalmente, parece possível admitir que a cúpula decisora, nestes casos, estará pondo foco sobre os aspectos legais do ambiente institucional, e mesmo os aspectos normativos e os padrões institucionalizados de cognição, relativos à questão específica sob estudo, tenderão a ser vistos como se difundindo por meio de sanções sociais aplicadas sobre os agentes que não aderem a eles, à semelhança do que ocorre com a lei. Nestas organizações o ambiente de referência tenderá a ser predominante coercitivo, onde a questão da qualidade de ensino será vista como mal determinada mas em relação à qual a organização também não detém total autonomia, mesmo que a deseje.

Finalmente, um padrão duplo também parece possível em termos empíricos. Considerando-se que tal pureza de formas de resposta estratégica seja uma construção teórica e que em termos empíricos as respostas nem sempre (ou quase nunca) possam ser identificadas de modo tão distinto, parece pertinente e prudente admitir interpretações ambíguas ou duplas entre busca por eficiência e por legitimidade e nas definições ambientais. Nesses possíveis casos os demais aspectos da análise deverão se apresentar de forma mesclada, com diferentes combinações de definição e ordenação do ambiente institucional. Espera-se que com dados empíricos, essas análises sejam melhor exploradas e que, pelo menos, se possa identificar predominâncias, se não as relações aqui propostas de forma altamente puristas. Em resumo, o modelo derivado destas considerações feitas ao longo deste capítulo, é um modelo eminentemente teórico. O modelo que se tem com a consecução do estudo completo (teórico-empírico), indica (como se verá nos capítulos posteriores), tanto os pontos de limitação do modelo quanto os aspectos em que se pode aceitar, e até estender, as relações teóricas aqui propostas.

Essas proposições de estudo, aqui delineadas, são resumidas no Esquema 4 abaixo e, também, são novamente reproduzidas sinteticamente na parte destinada à explicação da metodologia utilizada neste estudo (o próximo capítulo), onde as proposições são reapresentadas na forma de hipóteses de pesquisa.

Interpretação Definição da Situação Resposta Estratégica Amb. Inst. Referência Ambiente - Univocidade

Institucional Eficiência - Alta depend. Aceitação Pressões

- Consistência (Aquiesc.) norm.-cog.

Padrões legais- - Difusão (Comprom.) (papel social

Regulativos. - Segurança e/ou ident.)

(LDB e legislação

Complementar). - Multiplicidade Rejeição Pressões lê-

Legitimidade - Baixa depend. (Evasão) gais (evitar

- Limitação (Oposição) sanções)

- Coerção (Manipul.)

- Incerteza