5.5 Stress related to job demand, support and control
5.5.1 Job demand
Além do modelo de estratégias genéricas de Miles e Snow (1978), outro modelo de respostas estratégicas a ser destacado, em especial por ter sido desenvolvido no âmbito da teoria institucional de organizações, é o proposto por Oliver (1991). Partindo de vasto resgate da teoria institucional em organizações, Oliver (1991) reconhece naquela abordagem – em especial nas suas versões iniciais – ênfase na explicação das formas pelas quais as organizações se tornam imersas e fortemente influenciadas pelo contexto social que as cerca. Por outro lado, ela também sugere a ausência de “[...] atenção explícita aos comportamentos estratégicos que as organizações empregam em resposta direta aos processos institucionais que as afetam” (OLIVER, 1991, p. 145). Conjugando premissas da teoria de dependências de recursos (PFEFFER e SALANCIK, 2003) com diversas abordagens da teoria institucional, aquela autora se propõe a contribuir para a superação dessa ausência, elaborando uma tipologia de respostas estratégicas aos processos institucionais que circunscrevem as organizações. O modelo de Oliver (1991) busca também propor hipóteses sobre quais características do ambiente institucional determinarão quais tipos de respostas estratégicas e, nesse sentido, revela sua natureza contingencialista no que concerne ao pressuposto que sustenta quanto à relação ambiente-organização.
Aparentemente seguindo a tipologia de adaptação comportamental individual a objetivos culturais e meios institucionais desenvolvida por Merton (1970), Oliver (1991) propõe igualmente cinco tipos de respostas estratégicas aos processos institucionais: aquiescência, comprometimento, evasão, oposição e manipulação. Essas diferentes respostas ou reações preenchem uma escala que compreende a natureza passiva ou ativa das possíveis reações. Também cada uma dessas possíveis respostas estratégicas se pronuncia mediante uma série de alternativas de comportamentos táticos e são explicadas, por sua vez, por conjunto de combinações de fatores preditivos.
Assim, a estratégia de aquiescência é representada, no modelo de Oliver (1991), pela aderência a pressões institucionais, e se manifesta em comportamentos que buscam seguir normas sociais compartilhadas e tomadas como certas, ou mimetizar modelos institucionais ou ainda obedecer a regras e normas socialmente aceitas.
A estratégia de compromisso se manifesta na busca por equilibrar múltiplas expectativas institucionais, ou acomodar diferentes elementos institucionais, ou ainda negociar com stakeholders institucionais. Isso implica que tais respostas “[...] são empregadas
dentro do espírito de conformação e acomodação de regras, normas ou valores institucionais, mas em contraste com a aquiescência, a submissão institucional é apenas parcial e as organizações, neste caso, são mais ativas em promover seus próprios interesses” (OLIVER, 1991, p. 154).
Em continuidade, a estratégia de evasão – definida como “[...] esforço organizacional para prevenir a necessidade de conformidade” (OLIVER, 1991, p. 154) – compreende dissimular a não conformidade, ou construir vínculos frouxos [loosely coupled] em relação às demandas institucionais, ou mesmo mudar objetivos, atividades e domínios de atuação para escapar do controle institucional.
A estratégia de oposição, por sua vez, compreende ignorar regras e normas, ou contestá-las, ou ainda promover alguma forma de ataque contra as instâncias que dão origem ou representam as pressões institucionais. Em termos gerais, Oliver (1991, p. 157) a define como “[...] rejeição inequívoca das normas e expectativas institucionais”.
A estratégia de manipulação, por fim, se manifesta no esforço por cooptar, influenciar, ou controlar os agentes ou forças institucionais relevantes, e é definida como esforço proposital e oportuno ou oportunista para afetar constituintes institucionais e os padrões de avaliação presentes no ambiente.
No tocante aos preditores dessas diferentes respostas estratégicas a padrões institucionais, o modelo de Oliver (1991) mantém um pressuposto realista, típico do contingencialismo em teoria organizacional, ainda que agregue alguns aspectos interpretativos como variáveis intervenientes no processo de resposta organizacional. Como a autora observa: “a razão teorética subjacente à conformidade ou resistência a regras e expectativas institucionais se refere tanto ao desejo quanto à habilidade da organização em se conformar com o ambiente institucional” (OLIVER, 1991, p. 159).
Deste modo e ainda que o modelo inclua ´desejo´ como dimensão importante, ou mesmo a consciência dos decisores (como a autora também reconhece em seu artigo), a lógica central continua a ser a adaptação da organização a elementos ambientais externos e relativamente concretos, que a autora resume mediante as seguintes questões: “[...] porque essas pressões estão sendo exercidas, quem as exerce, quais são essas pressões, como e por quais meios elas são exercidas e onde elas ocorrem” (OLIVER, 1991, p. 159). Portanto, é um modelo misto, que tem no ambiente organizacional (institucional) um conjunto relativamente objetivo de pressões, algumas delas afetando de modo direto a ação organizacional e outras cujo impacto não se dá de modo direto mas condicionado por fatores cognitivos e
interpretativos (e nisso essa perspectiva se diferencia das abordagens clássicas e evolucionárias, anteriormente apresentadas).
Em resumo, as diferentes respostas estratégicas têm sua origem em cinco conjuntos de fatores, que se referem à causa ou objetivos da pressão institucional (legitimação e eficiência), ao número e tipos de relação entre a organização e os diversos agentes ou constituintes presentes no ambiente institucional (multiplicidade e dependência), à relação entre as pressões institucionais, os objetivos organizacionais e o poder discricionário da organização para decidir quanto aos meios para atingir seus objetivos (consistência e limitação), aos meios pelos quais as pressões institucionais são exercidas (coerção e difusão voluntária) e, finalmente, às condições gerais do ambiente da organização (incerteza e interconexão).
Salvo pelo primeiro desses fatores, relativo à causa das pressões institucionais, em relação ao qual a autora constrói hipóteses de estudo que podem ser definidas a partir da noção de interpretação dos agentes organizacionais, os demais fatores preditivos são entendidos como forças objetivas do ambiente institucional, a exercer pressão sobre a organização. Apesar dessa perspectiva mista adotada, a própria autora sugere que outros estudos considerem o modelo de forma mais fortemente embasada em explicações de natureza cognitiva e interpretativa: “Estratégias de pesquisa para investigar o processo de escolha entre conformidade e resistência precisam incluir medidas perceptivas de muitas das variáveis propostas” (OLIVER, 1991, p. 172).
De qualquer modo, a proposta de Oliver (1991) constitui marco importante na construção de teorias menos deterministas a respeito da relação entre características ambientais – especificamente no âmbito da teoria institucional – e respostas organizacionais, constituindo-se mais recentemente numa via crescentemente expressiva de aplicação da teoria institucional, tanto nos termos mistos ou ainda contingencialistas, quanto em estudos que adotam de modo mais evidente estratégias interpretativas de análise. O Esquema 1 apresenta uma reprodução esquemática e simplificada do modelo proposto por Oliver (1991), segundo o entendimento que aqui se procura apresentar.
O estudo de Oliver (1991), portanto, segue orientação já delineada por autores como Selznick (1966), Zucker (1987), Scott (1987), DiMaggio (1988), entre outros, de agregar variáveis interpretativas no processo de entendimento da relação entre padrões institucionais e respostas organizacionais. Vários outros autores seguem, posteriormente, esta linha, constituindo forte ênfase atual nos estudos institucionais em teoria organizacional.
AMBIENTE