1 Mandat and summary
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Flávia Leite Bezerra
Universidade Federal do Amazonas [email protected]
Elem Simas Fonseca
Faculdade Salesiana Dom Bosco
Álefe Lopes Viana
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas
Nelson Felipe de Albuquerque Lins Neto
Faculdade Salesiana Dom Bosco
RESUMO
A presente pesquisa buscou diagnosticar a percepção ambiental de 50 moradores com faixa etária entre 18 a 63 anos de idade, residentes no bairro Zumbi dos Palmares da cidade de Manaus. Na área especificamente escolhida para a aplicação desse estudo, encontra-se a uma ONG, que tem um foco relevante nessa pesquisa, visto que um dos objetivos específicos consistiu em identificar se são realizadas atividades de Educação Ambiental no bairro em questão. A coleta de dados e avaliação do nível de percepção ambiental dos moradores selecionados foi realizada através da aplicação de um questionário com 10 perguntas, fechadas e abertas. Foi possível observar que a percepção ambiental teórica e empírica dos moradores estão bastante evidenciadas, e muitas vezes, são divergentes. Apesar disso, a percepção ambiental geral de todos os moradores está dentro do esperado. Todos tem noção da problemática ambiental e sofrem com ela, demonstrando preocupação, principalmente com os problemas relacionados ao desmatamento do bairro onde vivem e a falta de saneamento básico.
Palavras-chave: Desenvolvimento; Sociedade; Meio ambiente urbano.
1. INTRODUÇÃO
O termo “ambiente”, segundo Ferreira (2010), no dicionário Aurélio, é conceituado como aquilo “que cerca ou envolve os seres vivos ou coisas, por todos os lados”. Tem sido vinculado exclusivamente ao pensamento ecológico, biológico e naturalista, mas na realidade, não se resume apenas a essas concepções. Para Dulley (2004), “ambiente” é composto pelo meio ambiente humano e o meio ambiente das demais espécies conhecidas. Em outras palavras, o autor afirma que “o conjunto dos meios ambientes de todas as espécies conhecidas pelo homem constituiria o ambiente, ou seja, a natureza conhecida pelo homem” (Dulley, 2004, p. 25). É o lugar, em sua totalidade, que pode ser percebido, e onde os aspectos naturais e sociais estão em relação dinâmica e em constante interação.
Atualmente, os assuntos relacionados ao meio ambiente tem sido discutidos globalmente, deixando de ser um tema exclusivo de ambientalistas e estudiosos da área. A preocupação com os problemas ambientais vem afligindo o mundo todo, sejam eles por intervenção humana ou não. É devido ao aumento do interesse pelos assuntos ambientais, que o conhecimento atual sobre o tema é maior se comparado ao conhecimento de décadas passadas.
De acordo com Leal, Farias e Araújo (2008), os maiores problemas ambientais encontram-se nas áreas urbanas, onde observa-se constantemente poluição do ar, sonora, visual e hídrica; destruição dos recursos naturais; desintegração social e descaso com o tratamento dos esgotos e com a destinação final do lixo coletado. Grande parte dos problemas sanitários que afetam a população urbana e rural também estão intimamente associados ao meio ambiente. A diarréia, por exemplo, é uma consequência séria da falta de saneamento básico, que pode levar à desnutrição e à morte (Lazzaretti, 2012).
Os problemas ambientais e de saúde pública fizeram a humanidade buscar soluções de saneamento para a coleta e o tratamento de esgotos e resíduos sólidos, e para o abastecimento apropriado de água para o consumo humano. Entretanto, a situação se torna desproporcional com o crescimento da população, e os problemas de saneamento tornam-se cada vez mais difíceis de serem resolvidos (Ribeiro; Rooke, 2010).
Na maioria das vezes, os moradores de um determinado local, podem ser considerados, concomitantemente, como causadores e vítimas de parte dos problemas ambientais. Talvez sejam os maiores interessados em resolver tais problemas com urgência, pois convivem constantemente com eles (Marcatto, 2002). Para que se chegue a esse ponto, ocorre, inicialmente, a percepção desses problemas. Kuhnen (2009, p. 47) define percepção como: [...] a captação, seleção e organização das informações ambientais, orientada para a tomada de decisão que torna possível uma ação inteligente [...] e que se expressa por ela. A percepção do ambiente permite atuar.
Ribeiro (2003, p. 38 ) menciona que “falar de percepção ambiental significa [...] verificar como os sentidos do ser vivo apreendem a realidade em que ele está imerso. Como o ambiente é compreendido a partir desta apreensão”.
De acordo com Pacheco e Silva (2006), a percepção ambiental é hoje, um tema recorrente e relevante, de modo que seu estudo auxilia a compreender melhor as interações entre o homem e o ambiente, suas expectativas, julgamentos e condutas. Tuan (1980) defende a ideia de que há diversas maneiras de se perceber as paisagens, e isso acontece porque quando se entra em contato com o meio ambiente, as pessoas fazem uso dos seus cinco sentidos, que são essenciais no processo de percepção ambiental, mas visto que a visão é o sentido mais aguçado e evoluído entre os animais, acaba sendo, portanto, o mais utilizado no processo de percepção dos indivíduos e das suas sensações relacionadas ao ambiente em que vivem.
Atualmente, vários estudos sobre percepção ambiental tem sido realizados, com o intuito de investigar as relações que uma sociedade tem com seu ambiente vivencial e buscando entender os fatores que levam os indivíduos a terem opiniões e atitudes sobre as mudanças no dado ambiente em que vivem. No Brasil, as pesquisas sobre
esse tema ganhou espaço no meio acadêmico e nas instituições envolvidas na elaboração de políticas públicas. Por ser uma questão complexa, a percepção ambiental deve ser estudada agregando-se aos aspectos em sua totalidade, e não de forma isolada (Bay; Silva, 2011; Sotero, 2013). Dentre os métodos mais eficazes para se trabalhar a percepção ambiental, destacam-se os questionários, que podem ser semi-estruturados, estruturados e mistos (Alencar, 2004).
Levando em consideração esses aspectos, a presente pesquisa teve como principal objetivo diagnosticar a percepção ambiental de moradores do bairro Zumbi dos Palmares da cidade de Manaus, mais especificamente da subdivisão Zumbi II. Além de avaliar o conhecimento que os moradores têm sobre o ambiente em que vivem, esse estudo buscou identificar se são realizadas atividades de Educação Ambiental no bairro em questão, bem como verificar qual a atuação de órgãos públicos, empresas e ONG’s no que tange a promoção de atividades de Educação Ambiental.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
O Bairro Zumbi dos Palmares – situado na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas – está localizado na Zona Leste da cidade, conforme mostra a Figura 1. É um dos bairros mais populosos da Zona Leste de Manaus.
Figura 1 – Localização do bairro Zumbi dos Palmares.
(Fonte: Google Earth, 2016)
Na área especificamente escolhida para a aplicação desse estudo (Zumbi dos Palmares), encontra-se uma ONG que tem um foco relevante nessa pesquisa, visto que um dos objetivos específicos do presente estudo consistiu em identificar se são realizadas atividades de Educação Ambiental no bairro em questão. A OELA – Oficina Escola de Lutheria da Amazônia baseia-se em uma entidade de direito privado sem fins lucrativos (ONG), desenvolvendo ações que visam o desenvolvimento sustentável, a formação cidadã e educacional do público com o qual trabalha.
A pesquisa foi aplicada com os moradores dos arredores da ONG, especificamente nas ruas Vinte e Dois, Dois e Primeiro de Junho (Figura 2), pois acredita-se que a entidade tenha considerável influência no comportamento da comunidade, já que trabalha com projetos voltados à Educação Ambiental e procura auxiliar seu público na percepção ambiental do meio em que vivem.
Figura 2 – Ruas onde foi realizada a pesquisa.
(Fonte: Google Earth, 2016)
A coleta de dados e avaliação do nível de percepção ambiental dos moradores selecionados foi realizada através da aplicação de um questionário com 10 perguntas, abertas e fechadas. Foi desenvolvida com 50 moradores do bairro Zumbi dos Palmares da cidade de Manaus. Os moradores selecionados consistiram em jovens e adultos com faixa etária entre 18 a 63 anos de idade, dentre homens e mulheres. O questionário foi o método utilizado, pois é um dos instrumentos mais eficazes para recolher informações em um intervalo de tempo relativamente curto. Segundo Marconi e Lakatos (1996, p. 98), “questionário é um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”.
Dependendo dos tipos de perguntas, os questionários podem ser de 3 tipos principais: fechados, abertos e mistos (Richardson, 2012). Na presente pesquisa, apesar de, em sua maioria, o questionário elaborado ter fornecido em algumas questões apenas respostas fixas, com alternativas “Sim” ou “Não”, possibilitou-se também aos moradores expandir suas respostas em determinadas questões.
Durante a aplicação dos questionários, não ocorreu qualquer tipo de orientação específica com os moradores, como forma de não influenciar nas respostas dos mesmos. Não houve estabelecimento de limite de tempo para o preenchimento do