Em função da identificação dos fatores de risco transacionais da Empresa A, a seguinte estratégia de hedge é proposta como forma de reduzir o efeito do risco cambial sobre os resultados do negócio.
Como premissa inicial na definição da estratégia de hedge, as receitas em moeda estrangeira, no caso da Empresa A, não foram utilizadas como hedge para o saldo resultante da exposição líquida entre compras de matéria-prima e despesas financeiras, pelo fato de não ser possível utilizá-las como hedge natural. O volume de receitas também representa exposição comprada em moeda estrangeira o que acentuaria ainda mais o saldo comprado exposto.
Assim, foi definida uma estratégia que buscava proteger o saldo líquido entre as 2 posições acima mencionadas que se compensavam parcialmente. Algumas considerações devem ser realizadas:
• compras de matéria-prima importada: o fato de se buscar proteção para o efeito do câmbio de tais compras que afetam os estoques gerou uma estratégia de hedge que visa proteger as compras já realizadas num período e que afetarão o custo das vendas em períodos seguintes, de acordo com os giros de estoque desta empresa, e em linha com os conceitos apresentados de Cash Flow Hedge. Assim, o hedge só foi contratado, neste caso, após as
transações de compras efetivamente firmadas, no final do trimestre, representando, portanto, uma estratégia de hedge a posteriori, que não foi aplicada exatamente no momento da realização destas compras. As liquidações financeiras ocorreram nos períodos de vendas dos materiais acabados em estoque cujos custos geraram impactos nos resultados de cada período. Os períodos de vendas foram estimados em função dos giros de estoque, sendo estes, os períodos de exposição que foram protegidos. As posições de hedge contratadas associadas a saldos de estoque ainda não vendidos no final de um determinado período foram marcadas a mercado pela taxa cambial de fim de período cujos ajustes, desde que negativos, afetaram os resultados dos períodos em que tais posições estavam em aberto.
• despesas financeiras: ao contrário das compras de matéria-prima importada, as despesas financeiras foram protegidas a priori, ou seja, antes do período do desembolso financeiro, sendo o hedge contratado no final do período imediatamente anterior ao da exposição e liquidado no período de desembolso destas despesas. Como tais despesas são originadas a partir de contratos de empréstimos previamente firmados entre a empresa e instituições financeiras e que, portanto, representam exposições firmes e certas, as contratações de hedge a priori implicam em dizer que, diferentemente das compras de matéria-prima importada que transitam pelos estoques, tais despesas impactam o resultado no momento em que são desembolsadas e, para isto, é necessário a contratação de hedge em algum momento anterior à efetiva realização destas despesas no resultado.
Desta forma, a estratégia de hedge para a Empresa A foi estruturada na contratação de forwards asiáticos, ou seja, taxas de câmbio futuras calculadas em função de curvas de mercado avaliadas no momento da contratação, com liquidação pela taxa média de câmbio do período contratado. O hedge foi contratado com liquidação pela média das taxas cambiais realizadas pois entende-se que a utilização dos estoques de matéria-prima e desembolsos com despesas financeiras são realizados linearmente em cada trimestre, sem a determinação de uma data específica para a realização destas transações.
A Figura 4 procura mostrar, de maneira resumida, o fluxo operacional da operação de hedge transacional proposta neste estudo. O fluxo pelos estoques das compras de matéria-prima importada é representado pelas compras trimestrais C(n) associadas a um determinado giro de estoque GE(n). A exposição vendida em moeda estrangeira, por sua vez, é caracterizada pelas despesas financeiras trimestrais D(n).
Desta forma, ao final de cada período, o saldo líquido entre compras de matéria- prima importada já realizadas e despesas financeiras a realizar no período seguinte constitui o montante a ser contratado como hedge H(n), no final do período, e que será liquidado no período seguinte à contratação.
Trim. (1) Trim. (2) Trim. (3) Trim. (n) Trim. (n+1)
Exposição Comprada em $ ... ... Exposição Vendida em $ ... ... C(1) - D(2) C(2) - D(3) C(3) - D(4) C(n) - D(n+1) C(n+1) - D(n+2) Exposição Líquida em $ ... ... H(1) H(2) H(3) H(n) H(n+1) Liquidação Liquidação D(n+1) D(1) D(2) D(3) D(n) Liquidação GE (1) GE (2) C(n) GE (n) GE (3) C(n+1) C(1) C(2) C(3) ' ' '
Figura 4 – Resumo da estratégia de hedge transacional – Empresa A Fonte: Elaboração própria
Onde:
C(n) = compras de matéria-prima importada realizadas no período n; GE(n) = giro de estoque das compras realizadas no período n; D(n) = despesas financeiras realizadas no período n;
H(n) = contratação de hedge no final do período n.
As liquidações dos forwards asiáticos ocorrem, via de regra, no trimestre seguinte à contratação dos hedges, salvo em alguns trimestres em que o giro de estoque é superior a 90 dias e as liquidações ocorrem parte no trimestre seguinte à contratação e parte no trimestre subseqüente.
Os hedges foram contratados como venda de forwards asiáticos em função da característica comprada da exposição transacional líquida identificada para a Empresa A. Na pratica, isto significa que as exposições foram protegidas contra a queda da variável de mercado para os períodos contratados.
As liquidações destas transações utilizam a seguinte metodologia de cálculo que se baseia na comparação das taxas de câmbio contratada e realizada para um determinado período sobre a exposição transacional líquida comprada, em moeda estrangeira, para o mesmo período:
(Forward Asiático do Período (R$/$) – Taxa Cambial Média Real do Período (R$/$)) * Exposição Transacional Líquida do Período ($)
(1)