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Esta situação procura identificar os efeitos gerados por uma determinada política que emprega o uso de derivativos para proteção das exposições cambiais das empresas analisadas durante todos os trimestres do período de análise.

É importante esclarecer, neste momento, o conceito de exposição financeira que é definido por Campbell e Kracaw (1993) como “toda transação gerada pela empresa, no âmbito de seus negócios, cuja moeda seja diferente daquela utilizada para fins de reporte de resultados”. No caso específico deste estudo, ambas empresas selecionadas como estudos de caso possuem o real como moeda de reporte e as demais transações que geram exposição cambial são denominadas em moeda estrangeira, em dólares americanos.

Segundo Campbell e Kracaw (1993), a exposição cambial das empresas pode ser analisada sob duas maneiras:

• exposição transacional: ocorre quando uma companhia possui uma transação futura que será liquidada em moeda estrangeira. Tais transações

podem envolver receitas, compras e transações financeiras, denominadas em moeda estrangeira, que podem gerar efeitos cambiais nos resultados dos negócios à medida que são incorridas ou quando representam ativos ou passivos de curto prazo liquidados no fluxo de caixa da companhia. É importante destacar que, dada a natureza das exposições presentes em uma companhia, as mesmas podem se compensar em função de apresentarem tendências opostas em relação às variações da moeda estrangeira ou caracterizar a existência de hedge natural, devendo, portanto, ser analisadas conjuntamente a partir de seus saldos líquidos como, por exemplo, receitas e despesas financeiras denominadas em dólar;

• exposição no balanço: refere-se à existência de posições de ativos e passivos, denominados em moeda estrangeira, num dado período, valorizados por uma taxa de câmbio, geralmente definida no fim do período de fechamento contábil, gerando impactos nos resultados através de variação monetária. Da mesma forma como ocorre nas exposições transacionais, as exposições de balanço devem ser analisadas a partir de seus saldos líquidos resultantes. De acordo com as regras contábeis brasileiras, ativos e passivos denominados em moeda estrangeira devem ser convertidos em moeda local pela taxa cambial de fechamento de balanço, com impacto nos resultados contábeis1.

Segundo Allayannis et al. (2006), para se implementar uma estratégia que visa proteger o negócio contra movimentos adversos dos fatores de mercado, alguns passos devem ser avaliados:

1. “Quantificação das exposições de mercado e seus respectivos fatores de risco”.

1Além dos dois tipos de exposição apresentados, um terceiro tipo denominado exposição econômica não será considerado como escopo deste estudo. Por definição, segundo Brealey e Myers (2003), a exposição econômica não está limitada a transações específicas incorridas pela empresa mas, em um contexto mais amplo, por exemplo, a desvios de fatores de risco em diferentes países que podem afetar os negócios de uma empresa em outro país.

É importante destacar que, no processo de identificação de exposições à taxa de câmbio, a correlação inversa que pode existir entre diferentes exposições gera a oportunidade de hedges naturais cujos efeitos cambiais se anulam entre si, reduzindo a necessidade do uso de derivativos.

Neste estudo, estratégias de hedge foram implementadas apenas para as exposições cambiais identificadas para cada uma das empresas. Adicionalmente, foram exploradas todas as oportunidades de hedges naturais que poderiam existir em cada trimestre do período de análise, restando, apenas, os saldos líquidos remanescentes, ativos ou passivos, a serem protegidos.

2. “Determinar o apetite para risco através da decisão sobre qual parcela de risco merece ser mitigada ou reduzida com o uso de instrumentos financeiros”.

O objetivo foi promover estratégias de hedge cambial que cobrissem integralmente as exposições cambiais das empresas analisadas através do uso de instrumentos derivativos sobre as exposições identificadas na situação “Realizado”. O intuito foi avaliar claramente os efeitos do uso destes instrumentos sobre os resultados operacionais das empresas definidas como estudos de caso.

Segundo estudo desenvolvido por Kimura (2003), com o uso de pesquisa realizada com empresas não-financeiras brasileiras usuárias de instrumentos derivativos para hedge, os hedges cambiais mais utilizados envolvem a proteção de exposições on-balance, isto é, obrigações cuja exposição está diretamente associada a contas de balanço ou do demonstrativo de resultados como, por exemplo, empréstimos em moeda estrangeira.

Adicionalmente, Kimura (2003) também constatou que existe um maior índice de hedge para transações on-balance onde mais de 60 % dos respondentes da pesquisa mencionaram que, tipicamente, fazem hedges para o intervalo entre 75% a 100% das exposições de suas empresas, o que, de certa forma,

valida a premissa de hedge para 100% das exposições das empresas avaliadas neste estudo.

3. “Desenvolver estratégias de hedge apropriadas baseadas num compromisso de Gestão de Riscos de longo prazo ao invés de oportunidades esporádicas de curto prazo; no entanto, a implementação dos contratos de derivativos deve seguir uma lógica coerente com as condições de mercado vigentes no momento da contratação dos hedges”.

Neste estudo, para exposições transacionais e de balanço, o horizonte de tempo utilizado para implementação de estratégias de hedge foi equivalente a 3 meses e as cotações obtidas foram coerentes com as condições de mercado vigentes no momento da contratação.

No entanto, tal estratégia tem fundamento no trabalho de Kimura (2003) que constatou que 90% das empresas utilizam derivativos com prazos entre 1 e 3 meses. Além disso, observou, também, que cerca de 55% das empresas não utilizam derivativos com maturidade superior a 1 ano, mostrando a preferência destas empresas por instrumentos de curto prazo.

Segundo o Citi FX First Annual Corporate Risk Management Survey (Out 2005), com um estudo realizado com 100 empresas, apenas 13% reportaram a realização de hedges baseados em previsões superiores a 1 ano.

Neste estudo, a estratégia utilizada foi baseada em forwards de câmbio que representam dados históricos obtidos através da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e cujas curvas cambiais foram vigentes ao fim de cada um dos trimestres do período de análise; estes hedges foram implementados por prazos determinados coerentes com a lógica aplicada para cada tipo de exposição.