CHAPTER 4: FINDINGS AND DISCUSSION
4.2 What are the reasons behind police corruption in Mogadishu?
A preocupação em se distinguir conhecimentos de dados e informações é comum a muitos autores. Para Spender (2001, p. 39), dados são sinais sem significado, enquanto informação “é um sinal cujo significado pode ser procurado no sistema em que está incorporado”. Davenport e Prusak (1998, p. 2-3) também entendem que dados não têm significação própria, descrevendo-os como “registros estruturados de transações [... os quais] não fornecem julgamento nem interpretação”. Já informações são entendidas por esses autores como mensagens, estas sim com significado; a informação “forma” o receptor, acrescenta algo ao seu discernimento ou julgamento (“dar forma a” é o significado original da palavra informar). Esses mesmos autores afirmam ainda que, por meio de certas operações, dados podem tornar- se informações que, por sua vez, podem transformar-se em conhecimento. Mas uma distinção
9 A edição original das citadas obras de Berger e Luckman e de Nonaka e Takeuchi são, respectivamente, 1966 e
1995.
assim rígida seria apenas didática, haja vista que definem conhecimento como “[...] uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações” (Ibid., p. 6).
Setzer (1999, p.2) define dado como “uma seqüência de símbolos quantificados ou quantificáveis”. Puramente sintáticos, portanto, passíveis de serem formalmente descritos. Por essa definição, um texto, uma imagem, sons gravados e animação seriam exemplos de dados. Segundo esse autor, uma informação pode ser armazenada num computador se for reduzida a dados; estes podem ser processados, mas não a informação, porque o processamento é uma operação puramente sintática (estrutural), que não dá conta da semântica (significação):
[Na frase “Paris é uma cidade fascinante”,] “fascinante” teria que ser quantificado, usando-se por exemplo uma escala de zero a quatro. Mas então, a nosso ver, isto não seria mais informação.
[...] Por outro lado, dados, desde que inteligíveis, são sempre incorporados por alguém como informação, porque os seres humanos (adultos) buscam constantemente por significação e entendimento. Quando se lê a frase “a temperatura média de Paris em dezembro é de 5º C”, é feita uma associação imediata com o frio, com o período do ano, com a cidade particular etc. (Ibid., p. 2).
Em certo sentido, a distinção entre dados e informações tem a ver com objetividade– subjetividade. Como pondera Setzer (Ibid., p. 6), “um dado é puramente objetivo não depende do seu usuário. A informação é objetivo–subjetiva no sentido que é descrita de uma forma objetiva [...], mas seu significado é subjetivo, dependente do usuário”; este precisa interpretar a mensagem, o que por sua vez é função do contexto dele, usuário (ou receptor). Um mesmo dado pode gerar informações diferentes, dependendo da interpretação. Seria um erro considerar a informação como algo completamente objetivo. Devlin (1999) menciona casos trágicos, como desastres aéreos, ocorridos em função da interpretação errada de dados ou da representação ambígua de informações (descritas na forma de dados).
Comentando a relação entre informação e conhecimento, Nonaka e Takeuchi (1997, p. 63) asseveram que “a informação proporciona um novo ponto de vista para a interpretação de eventos ou objetos”, donde concluem ser a informação um meio necessário para extrair e construir conhecimento, acrescentando-lhe algo ou reestruturando-o. Esses autores afirmam ainda que
[...] a informação é um fluxo de mensagens, enquanto o conhecimento é criado por esse próprio fluxo de informação, ancorado nas crenças e compromissos de seu detentor. [Sendo distintos, informações e conhecimentos teriam em comum serem] específicos ao contexto e
relacionais na medida em que dependem da situação e são criados de forma dinâmica na interação social entre as pessoas (Ibid., p. 64).
Numa publicação posterior e também em parceria, Nonaka parece contradizer a afirmação de que também a informação é específica ao contexto:
Por exemplo, “Rua ABC, no 1.234” é apenas informação. Sem um contexto, não significa nada. Contudo, quando colocado num contexto, torna-se conhecimento: “Meu amigo David mora na Rua ABC, no 1.234, que fica perto da livraria” [...] A informação se transforma em conhecimento quando é interpretada por indivíduos, ganha um contexto e é ancorada nas crenças e compromissos dos indivíduos (NONAKA et al, 2002, p. 42-43).
O sentido do termo informação no texto acima é muito semelhante àquele que vários autores dão para dado. O que não mudou nos citados textos de Nonaka e Takeuchi (1997) e de Nonaka et al (2002) é a afirmação de que o conhecimento provém da informação ancorada nas crenças e compromissos dos indivíduos. Inclusive, nas duas referidas obras aparece a mesma frase: “Em nossa teoria da criação do conhecimento organizacional, adotamos a definição tradicional de conhecimento como ‘crença verdadeira justificada’ ” (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p. 63; NONAKA et al, 2002, p. 42).
Numa espécie de síntese, Krogh et al (2001, p. 40) propõem que
[...] informação é dado contextualizado; relaciona-se com outros dados. [...] Informação tem a ver com significado, e constitui a base do conhecimento. No entanto, o conhecimento vai um passo adiante: abrange as crenças de grupos ou indivíduos, e se relaciona intimamente com a ação. Crenças, comprometimentos e ações não são captados e representados da mesma maneira como as informações.
Kogut e Zander (1992, p. 386) vêem a informação como um dos componentes do conhecimento de uma empresa, juntamente com o know-how. Para esses autores, a informação seria o “conhecimento que pode ser transmitido sem a perda de integridade, dado que as regras sintáticas requeridas para decifrá-lo são conhecidas”. Fleury e Oliveira Jr. (2001, p. 18), por sua vez, definiram conhecimento “como informação associada à experiência, intuição e valores”.
A distinção entre dado, informação e conhecimento pode parecer bizantina, mas tem reflexos práticos. Como observam Krogh et al (2001, p. 40), “em muitas abordagens à gestão do conhecimento, informação e conhecimento são equivalentes. Assim, denotando alto grau de miopia, a gestão do conhecimento tem sido interpretada como simples gestão da informação”. Sveiby (1998), como outros autores, chama a atenção para uma das conseqüências dessa “miopia”: o gasto excessivo com tecnologia da informação visando alavancar a geração e a
difusão do conhecimento, com resultados bem aquém do esperado. Além disso, abordar dados, informações e conhecimentos torna o estudo e as intervenções práticas no campo da gestão do conhecimento mais “palpáveis”.