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4. RESULTADOS Y DISCUSIÓN

4.1. Reacción de la piridoxamina con el radical hidroperoxilo, • OOH

A cultura é uma estrutura complexa composta por hábitos, preferências, crenças, valores, saberes e normas que estruturam a vida social em contextos territoriais e históricos. Essa estrutura evolui através de transmissão cultural dos seus componentes e características entre as diferentes gerações de indivíduos (BOYD; RICHERSON, 1985). Neste processo, a cultura não permanece incólume nem passiva aos processos econômicos que interligam os diferentes contextos e territórios. Portanto, conforme Gardner e Lewis (1999) afirmaram, a cultura é, ao mesmo tempo, um fator determinado pelas injunções exógenas ao território e um fator determinante das trajetórias econômicas dos grupos sociais locais.

Os aspectos socioculturais são concebidos como estruturas institucionais endógenas que orientam as reações dos camponeses às injunções exógenas aos seus sistemas

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socioeconômicos – UPC e comunidades, modificando sua estrutura para manter a sua organização (MATURANA, 2000). Essa conjectura pode ser extrapolada para os seus diversos segmentos sociais, inclusive os sistemas produtivos dos camponeses que reagem às intervenções e pressões provenientes do ambiente natural e institucional. Portanto, pode-se analisar a mudança econômica nessas estruturas produtivas através do modo como suas reações concretizam-se em decisões e ações e, por outro ângulo de observação, do modo como as pressões e intervenções exógenas modificam seus aspectos socioculturais.

O estudo deste fenômeno, no caso populações camponesas da Amazônia brasileira, exige uma abordagem em perspectiva histórica da formação sociocultural dessa região. Neste sentido, tais processos prolongam-se desde as ocupações pré-colombianas, passando pela colonização europeia, a incorporação da região pelo Estado brasileiro e até à globalização vigente. Neste interregno longo, populações diversas ocuparam os ecossistemas amazônicos, adaptando-se às suas especificidades bem como modificando alguns dos seus aspectos fundamentais (BALEÉ, 1989). A importância deste pressuposto está no fato de atribuir à cultura uma função ativa na evolução econômica das populações amazônicas. Assim, a trajetória evolutiva dos sistemas socioeconômicos regionais não é totalmente condicionada pela dinâmica dos ecossistemas, mas resulta da interação entre as populações e o meio natural mediados pela cultura.

O esquema explicativo proposto nesta tese associa a mudança econômica dos sistemas socioeconômicos amazônicos a dois fatores: i) as interações dos povos primevos que ocuparam a região com os recursos naturais, criando conhecimentos sobre estes recursos e tecnologias para o uso e o manejo dos mesmos, que se incorporaram nas suas socioculturas; ii) à evolução destes aspectos socioculturais e institucionais das populações quanto aos modos de interação com os ecossistemas e uso dos recursos disponíveis. Nessa perspectiva, há três fases sócio-históricas relevantes para a formação cultural das populações amazônicas que se prolongam desde os primórdios da ocupação humana da região, influenciando os aspectos socioculturais das famílias camponesas contemporâneas.

A primeira etapa pode ser demarcada no início da ocupação dos ecossistemas amazônicos por populações oriundas de outros territórios da América pré-colombiana. Autores com Baleé (1989) e Levi-Strauss (1997) sustentaram que estes grupos sociais interagiram profundamente com os ecossistemas, criando conhecimentos e modos de manejar os recursos naturais. Estes elementos socioculturais acumularam-se na medida em que eram criados e transmitidos entre as gerações e grupos humanos que habitavam o ecossistema.

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Estas sociedades desenvolveram regras morais, padrões éticos, tabus alimentares e saberes que lhes permitiram criar e manter sistemas produtivos eficientes nos ecossistemas amazônicos. Assim, construíram os saberes para manipular a matéria e a energia e obter os meios para assegurar sua reprodução física e sociocultural. Estes elementos constituíam arranjos institucionais que viabilizavam o acúmulo e difusão de informações no continuum de gerações, assegurando as mudanças socioeconômicas necessárias à perpetuação e crescimento dessas sociedades.

As hipóteses de degradação dos ecossistemas pelo modo de uso dos seus recursos, bem como o declínio de determinadas sociedades não está descartado neste esquema explicativo. O importante é o pressuposto de que os ecossistemas amazônicos foram manejados e sustentaram sociedades demograficamente significantes antes do início da colonização europeia, no século XVI (ROOSEVELT, 1998, 1991, 1989, 1985). O início dos contatos entre as sociedades amazônicas pré-colombianas e os colonizadores europeus iniciou uma segunda etapa de mudança sociocultural marcada pela interculturalidade e a hegemonia ocidental.

A segunda etapa da formação cultural da Amazônia teve seu início a partir do contato entre as sociedades amazônicas e europeias através da expansão territorial do sistema colonial europeu, no século XVI. Dois aspectos são importantes neste contato: a miscigenação entre os elementos locais e exógenos – etnodiversidade, bem como a consequente interação cultural – sociodiversidade e interculturalidade. Estes aspectos modificaram profundamente os aspectos socioculturais amazônicos e, deste modo, modificaram os modos de uso dos recursos naturais e humanos.

O modo de produção capitalista, então na sua fase mercantil, passou a regular os usos dos recursos amazônicos em função não mais da reprodução social, mas da acumulação do capital. Essa etapa contempla todo o período colonial e a consolidação da incorporação da maior parcela da Amazônia pelo Estado brasileiro, nas décadas de 60 e 70 do século XX15. A intensa mudança sociocultural, o reordenamento das populações no espaço e a reorganização da socioeconomia foram características marcantes deste período no qual se produziu grande parte dos modelos atuais de usos dos recursos e organizações econômicas16.

A terceira etapa teve inicio no final do século XX, quando a globalização econômica repôs os problemas do desenvolvimento socioeconômico na Amazônia dessa vez

15 Comentários e estudos interessantes sobre o modo como se deu este processo e o seu elemento estencial e

permanente – o autoritarismo etnocêntrico – encontram-se em Oliveira (1994) e Silva (2000 e 2004).

16 A discussão em maiores detalhes sobre a formação sociohistórica da Amazônia encontra-se no Capitulo 3,

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na condição de território estratégico para a sustentabilidade econômica e ambiental. Neste instante, a importância atribuída às populações camponesas trouxe à tona as problemáticas inerentes às condições socioambientais e econômicas em vivem as famílias residentes no Bioma Amazônia. Ao aceitar que tais indivíduos e grupos sociais são usuários diretos dos recursos naturais e, portanto, a sua condição socioambiental e econômica influencia diretamente as decisões e estratégias que criam para obter os recursos para sua reprodução social, as estruturas institucionais foram impactadas pela demanda de soluções para as causas dos problemas enfrentados por essas populações.

Deste modo, esta etapa histórica envolve a trajetória de um grupo social específico: os produtores camponeses. Estes agentes econômicos resguardam grande parte dos elementos socioculturais herdados das duas primeiras etapas de formação sociocultural e são orientados por tais aspectos em suas interações com o ecossistema e com as estruturas institucionais que implementam as ações de desenvolvimento econômico. Essa interação produz dois efeitos importantes: i) as instituições modificam os aspectos socioculturais ao apresentar e experimentar novas tecnologias de produção e gestão econômica; ii) as instituições são modificadas através do aprendizado decorrente dos resultados das suas intervenções sobre os sistemas produtivos camponeses. Tal causalidade circular ressalta a importância dos aspectos socioculturais na evolução socioeconômica, especialmente no plano das rotinas de trabalho.