1. INTRODUCCIÓN
1.3. Inhibición de los AGEs
1.3.3. Complejación de los metales de transición
Os investimentos camponeses evidenciam o processo de mudança tecnológica em diversificação de atividades e usos dos recursos – humanos, de capital físico e recursos naturais – disponíveis na propriedade. Podem resultar da integração no mercado de fatores –
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capital e crédito – ou da intensificação do uso de recursos – terra e/ou trabalho – a fim de elevar a produção em direção ao ponto de equilíbrio He da eficiência reprodutiva. Entretanto, este processo também revela aspectos da mudança econômica nas UPC em sua trajetória concorrente com os empreendimentos capitalistas e em função do seu esforço reprodutivo.
Os estudos empíricos realizados por Costa (2000) sobre o caso das UPC situadas no estado do Pará constataram uma dinâmica que se acomoda mais facilmente às teses de Chayanov (1986) e Tepicht (1973). Essa constatação sugere ocorrência de trajetórias evolutivas concorrentes e integradas ao sistema socioeconômico envolvente e não apenas relações submissão. Tais trajetórias formam uma totalidade complexa, com diversos equilíbrios probabilísticos atraindo os sistemas produtivos para situações de aprisionamento
lock in em um destes pontos (ARTHUR, 1994; COSTA, 2006b). A fim de explicar a
singularidade observada, Costa (1995) aplica o conceito de eficiência reprodutiva para compreender a lógica do investimento das UPC.
A propensão a maximizar a eficiência reprodutiva h impõe uma dinâmica de investimentos nas UPC entendidos por Costa (1995, p. 96) como dispêndios adicionais de trabalho para obter através do mercado os meios para modificar seus sistemas produtivos, incorporando tecnologias de gestão e de produção. Esse dispêndio adicional é norteado por uma propensão a investir δ que incide sobre a quantidade de força de trabalho disponível na família. Tal processo evidencia uma importante contradição da economia camponesa, pois δ aumenta, fazendo o valor de Hr crescer enquanto a disponibilidade de trabalho Ht sobre a qual δ tende a zero.
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A Figura 3 apresenta as relações intrínsecas ao investimento camponês e a sua dinâmica. A tensão exercida pela propensão δ faz o valor de Hr oscilar entre um ponto de acomodação ideal He onde a satisfação e a penosidade do trabalho se equilibram e um limite
Ht no qual se esgota a disponibilidade de trabalho familiar. À medida que o dispêndio total de
trabalho Hr tende para a esquerda ou para a direita deste ponto máximo, a disponibilidade efetiva de trabalho para investimentos tende a zero.
Esta contradição constrange a propensão e a busca de mudanças tecnológicas UPC:
Se uma unidade camponesa produz sob condições tais que o dispêndio total de trabalho (Hr) para obtenção de sua reprodução faz-se no limite da disponibilidade de força de trabalho (Ht) ela tenderá a ser extremamente conservadora em relação a mudanças: apesar de ter fortes razões para mudar, ela simplesmente não tem como fazê-lo sem correr riscos, de vez que sua capacidade está totalmente comprometida, sem folga para absorver instabilidades decorrentes de experimentações. Se, ao contrário, Hr se aproxima do ponto de acomodação He, não haverá disponibilidade para o investimento porque não haverá razões reais para a sua existência (h tende ao máximo e o funcionamento da unidade produtiva tende a parecer, para os componentes da família em questão, ótimo). (COSTA, 1995, p. 98)
Figura 3: A dinâmica de Hr entre He e Ht. Fonte: Costa (1995, p. 97).
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Este aspecto lógico do investimento em UPC explica a variedade de trajetórias seguidas pelos sistemas produtivos camponeses no ambiente socioeconômico capitalista, oscilando entre tendências à inovação e à extinção. Por outro lado, explica o investimento inovativo que assegura a permanência das UPC no capitalismo, induzida pela relação antitética entre a eficiência reprodutiva h e a tensão reprodutiva δ.
A capacidade de mudança das UPC está associada à disponibilidade de trabalho familiar Ht que regula a reprodução da unidade produtiva e a sua capacidade inovativa (COSTA, 2000). Há uma tensão entre as necessidades reprodutivas, que induzem à intensificação do trabalho, e a penosidade do trabalho que induz à sua aversão e substituição pelo lazer. Essa tensão encontra equilíbrio em um ponto de acomodação, em um padrão reprodutivo correspondente ao volume de trabalho He, menor ou igual que Ht. Este volume de trabalho He desdobra-se em Hv, equivalente aos bens consumidos pela família, e Hc, essencial para a manutenção dos bens de produção das UPC.
As UPC encontram-se inseridas na socioeconomia capitalista através de relações mediadas pelos sistemas de mercado que estabelecem as condições de realização de He através do trabalho familiar investido Hr, cujo valor é sempre maior que He e menor que a disponibilidade de trabalho Ht (COSTA, 2000). Conforme Costa (2000, p. 115):
[...] o que estabelece a diferença entre Hr e He são as condições de permuta entre o trabalho despendido pelos membros da família, mediado pelas condições próprias da unidade produtiva, e o trabalho desenvolvido em outros ramos e setores produtivos, bem como em outras esferas do sistema econômico, entre os quais se destaca a esfera da circulação de mercadorias como a mais evidente.
Assim, o orçamento das UPC se posiciona em algum ponto entre o ponto de acomodação ideal He e o limite de trabalho disponível Ht. Essa posição depende de aspectos exógenos estabelecidos pelo ambiente institucional e pela sua capacidade de reagir a essas injunções elevando a eficiência h da única variável que pode controlar: o trabalho familiar.
O entendimento da lógica do investimento camponês que produz a dinâmica inovativa das UPC, na acepção de Costa (2000), exige a articulação das categorias apresentadas nos parágrafos anteriores em uma estrutura analítica. A dinâmica inovativa do UPC resulta da disposição de seus membros para despender o trabalho extraordinário que se faz necessário e da disponibilidade efetiva de trabalho para tanto tal esforço. Contudo, essa quantidade de trabalho passível de aplicação em inovações está associada às condições institucionais que determinam Hr. A considerar-se as relações entre tais condicionantes, Costa (2000) obteve uma propensão ao investimento associada à capacidade de investir i que é
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função da tensão reprodutiva δ, move-se numa trajetória parabólica e, deste modo, explica teoricamente a lógica do investimento camponês.
Os valores destes investimentos tendem a zero em situações confortáveis para a família, quando a eficiência reprodutiva h tende ao seu ponto máximo, ou em situações de crise, quando o trabalho despendido Hr só permite o atendimento das necessidades essenciais da família. Deste modo, são possíveis taxas idênticas de investimento para níveis simétricos de eficiência e, portanto, nos momentos em que essa simetria tende a zero, a propensão a investir aproxima-se do máximo. A racionalidade inerente à reprodução familiar explica a baixa disposição para investir em situações muito favoráveis, quando a família avalia não haver razões para correr os riscos dos investimentos inovativos. Do mesmo modo, em situações muito desfavoráveis, quando o trabalho familiar disponível para investimento tende a zero, mesmo percebendo a necessidade de mudanças, a família tem suas possibilidades para investir limitadas pela sua indisponibilidade de trabalho. Assim, é possível uma baixa disposição para investimentos inovativos em situações favoráveis; do mesmo modo que pode ocorrer semelhante baixa disposição em situações de crise.
Ao longo do tempo, constitui-se uma relação dinâmica entre i e h, condicionada pelas mudanças sistêmicas que tendem a “[...] reduzir h a uma taxa d e pela capacidade de i recompor h a uma proporção g de i.” (COSTA, 2009, não paginado). Este processo produz uma sequência de valores de i que dependem da posição inicial desde a qual começou a modificar-se o valor de h. Caso as mudanças tenham sido iniciadas no intervalo entre os valores de h=1 e h=2β/(1+ β) – ponto no qual i atinge seu valor máximo, então a série de valores de i será decrescente e tenderá a um ponto constante i*, que corresponde à relação entre d e g e depende: i) da intensidade da deterioração da rentabilidade e da produtividade que determinam a eficiência do trabalho familiar; e ii) da capacidade de recomposição dessa eficiência pelas inovações realizadas.
Em outra situação, quando o início do movimento ocorrer em condições baixa eficiência reprodutiva, i* torna-se uma “barreira”, tornando os valores necessários de i impossíveis de se realizar por conta do esgotamento das possibilidades de investimentos das UPC. Neste caso a sequência de valores de i tende a zero.
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A Figura 4 apresenta três padrões de comportamento possíveis, relativos a três estados em que se possa encontrar um sistema produtivo camponês: i) situações de elevada eficiência reprodutiva, onde predomina um “comportamento acomodatístico” sem motivações significativas para buscar ajustes incrementais em novos níveis de h, o qual Costa (2000, p. 123) designa como “campo de vigência de um padrão reprodutivo”; ii) situações em que os esforços para mudança são incapazes de recolocar o sistema de UPC nos níveis de eficiência do padrão reprodutivo, isto é, o investimento é incapaz de recuperar a eficiência reprodutiva em queda, produzindo um “[...] estado de crise do sistema” (COSTA, 2000, p. 123); iii) finalmente, um “estado de excitamento do sistema”, no qual são exigidos grandes esforços para mudanças radicais e/ou nas variáveis que determinam h – preços relativos, diversificação, traduzindo-se em inovações que podem levar o sistema a sair da crise e acomodar-se em um novo padrão reprodutivo através da elevação ou estabilização de h.
Conforme estejam posicionadas as UPC, varia o grau de aversão ao risco de investimentos. No momento de vigência de um dado padrão reprodutivo, a aversão ao risco é sempre menor que no momento de crise do sistema, havendo, contudo, sempre a possibilidade de um estado intermediário no qual os camponeses “[...] agiriam num estado misto de alerta e excitamento buscando consolidar novas posições de segurança em um novo padrão reprodutivo” (COSTA, 2000, p. 126). Trata-se de um movimento constante caracterizado pelos esforços das UPC através de investimentos inovativos que assegurem um padrão reprodutivo confortável – com um h elevado, num sistema socioeconômico que as tensiona em direção a um estado de crise e desagregação pela redução da sua eficiência reprodutiva e com possibilidades limitadas – especializar ou diversificar a produção – de investimentos para elevar essa eficiência.
Figura 4: Padrões de comportamento das UPC em relação a i*. Fonte: Costa (2009).
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Em função destas “formas de existência”, as UPC podem seguir algumas trajetórias de adaptação por ajustamentos nos níveis de eficiência reprodutiva. Entre essas, Costa (2009) destaca as “situações tendentes à especialização” nas quais os riscos de instabilidades são amenizados por intervenções institucionais e, em geral, consistem na adoção de sistemas produtivos caracterizados pela “homogeneidade químico-mecânica”. Por outro lado, podem ocorrer as estratégias de diversificação e recombinação dos usos de recursos e da destinação da produção, quando os mecanismos institucionais estão ausentes e/ou são ineficazes e as UPC dependem do seu nível de resiliência para contornar as adversidades impostas pela tensão reprodutiva.
AS UPC, por esta perspectiva, torna-se uma estrutura de governança na acepção de Williamson (2002), preocupada – ainda que intuitivamente – com os riscos e os custos de transação inerentes à sua inserção no sistema macro ou mesoeconômico. Assim, a família elege como objetivo a reprodução familiar através de um padrão reprodutivo composto por hábitos de consumo e um sistema produtivo constituído por diversas combinações de atividades produtivas que, grosso modo, podem ser agrupadas em atividades agropecuárias, extrativismo, pesca e caça, além de trabalhos externos à UPC. Este sistema produtivo resulta de decisões estratégicas para obter os meios para realizar um orçamento He de reprodução física (consumo) e econômica (manutenção e ampliação dos meios de produção – capital e terras), ou seja, sustentar um fluxo de matéria e energia mais o conhecimento para manter ou elevar os níveis de produtividade e rentabilidade dos investimentos.