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Rasisme – fenomen og forståelsesformer

In document Rasisme og diskriminering (sider 14-20)

O modelo psicogênico dominou a década de 1980, período em que os pesquisadores afirmaram que a maioria dos estudos envolvendo mulheres inférteis era voltado mais para a abordagem dos fatores psicológicos na etiologia do problema do que para as conseqüências psicológicas da infertilidade.

Entretanto, os estudos mais recentes apontam para a idéia de que a infertilidade pode ser a origem de significativo estresse psicológico, pois, para muitas mulheres, é considerado o evento mais estressante de suas vidas. Vários

pesquisadores sugerem que o estresse pode influenciar negativamente o resultado do tratamento da infertilidade e a prática clínica confirma a presença de sintomas psicológicos determinados pelo tratamento.

Diferentes mecanismos biológicos relacionados ou desencadeados pelo estresse podem alterar a função reprodutiva a ponto de causar redução de fertilidade. É extremamente difícil estabelecer relações de causa-efeito, entretanto, pesquisas científicas desenvolvidas nesta última década privilegiam a abordagem dos aspectos psicológicos da infertilidade, isto é, consideram que o impacto da infertilidade provoca reações emocionais adversas em homens e mulheres.

Ao comentar sobre esse ponto de vista, Christie (1998) afirma que as evidências científicas sobre a influencia psicológica na infertilidade são inconclusivas. Muitas mulheres com sérios problemas psicológicos concebem e dão à luz, enquanto outras, razoavelmente normais, não engravidam.

Vale ressaltar que só se pode falar da participação de fatores psicológicos como causa da infertilidade em casos onde não foi possível detectar anomalias que pudessem constituir uma etiologia orgânica.

Os pesquisadores estão divididos na proposição de que a infertilidade pode ter causas psicológicas, hipótese psicogênica, ou ser causa de uma variedade de dificuldades psicológicas. A infertilidade e os aspectos emocionais convergem na seguinte questão: se existem determinantes psíquicos incidindo sobre a fertilidade, ou se é o problema que acarreta conseqüências psicológicas.

Para muitos a idéia mais plausível é que as duas hipóteses se completem, uma vez que os efeitos do estresse sobre o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO) não podem ser ignorados, nem tampouco podem ser negligenciadas as conseqüências psicológicas advindas do quadro de infertilidade. Enfatizam a necessidade de uma abordagem psicológica nos serviços de reprodução, objetivando trabalhar as tensões e frustrações advindas da infertilidade e do seu tratamento, de acordo com Moreira et al (2005).

Diante da perda ou da ameaça do poder de procriação, muitas vezes não se distingue o que causa maior sofrimento: a ausência do filho desejado ou os sentimentos de fracasso, de perda e de insegurança que invadem o indivíduo nessa situação. A infertilidade é sentida e vivida como um evento traumático para a maioria dos casais, sendo experienciada por eles como o evento mais estressante de suas vidas, conforme Klonoff-Cohen et al (2001).

Para Ribeiro (2004), o desejo de sermos pais como nossos pais floresce de nossa trama identificatória, e os sentidos possíveis de ser homem e de ser mulher perpassam as funções parentais. A capacidade de procriação parece ser um significativo referencial da identidade de gênero, o qual diante do diagnóstico de infertilidade exige um importante trabalho de elaboração psíquica para dar conta da possível alteração no projeto da parentalidade.

Goldstein (1996) postula que a maternidade ainda é um elemento muito importante, que define o lugar da mulher em nossa sociedade. A persona da mãe continua muito valorizada dentro da cultura ocidental. Muitas vezes a maternidade é desejada como uma tentativa das mulheres inférteis construírem sua identidade feminina, através do papel de mãe. Por esta razão, a maternidade é muito idealizada. Coloca que é uma forma de essas mulheres sentirem-se femininas. Elas experienciam um sentimento de solidão e o filho desejado acaba sendo o depositário do poder de preencher a sensação de vazio que sentem. O bebê é esperado como se fosse o messias, o grande salvador, que irá dar sentido a toda a existência.

Yin (1987) comenta que a infertilidade tende a gerar dificuldades internas de relacionamento social, isolando a mulher do contato com o outro, bem como dificuldades no relacionamento conjugal, diminuição da auto-estima e comprometimento da identidade feminina. Coloca ainda que as mulheres inférteis também tendem a vivenciar seu sofrimento de forma muito reservada, sem compartilhá-lo ou quando o fazem, com muita dificuldade.

Goldstein (1996) relata que as mulheres inférteis vivenciam fortes sentimentos de ansiedade a cada mês, na esperança de terem engravidado, bem

como intensas decepções e frustrações quando percebem que não estão grávidas. Sentem-se pressionadas por familiares e amigos para engravidarem e quando questionadas sobre a falta do filho, experienciam sentimentos de vergonha, culpa e raiva. Algumas mulheres não conseguem assumir perante o grupo social que estão com dificuldades para engravidar e preferem dizer que não estão tentando ou não querem um filho.

Para Yin (1987), o binômio casamento-maternidade ainda está profundamente enraizado em nossa sociedade. Existe um forte estereótipo social em relação à mulher infértil, que é considerada uma pessoa fracassada e incompleta.

É consenso, tanto na área de saúde, quanto na população leiga, o impacto que o diagnóstico de infertilidade tem sobre estes pacientes. Em sua maioria, os trabalhos científicos que investigam a questão da infertilidade e psiquismo corroboram a premissa de que a infertilidade está intimamente implicada nos aspectos emocionais dos indivíduos.

Desde os tempos bíblicos a infertilidade é associada a altos níveis de ansiedade e depressão. No livro de Samuel, a estória de Hannah ilustra o impacto psicológico da infertilidade. Hannah falhou em conceber ano após ano, ficou tão perturbada que ela apresentava sintomas de depressão, incluindo anorexia e sentimentos de profunda tristeza, de acordo com Schiff&Schiff (1998).

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