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Avslutning

In document Rasisme og diskriminering (sider 30-35)

De acordo com o questionário ABIPEME, as participantes que compõem a amostra estão entre as classes sociais B e C (Gráfico 1). O alto custo financeiro da medicação e procedimentos faz com que o serviço seja procurado também por uma classe social com maior poder aquisitivo. As participantes da pesquisa foram captadas no departamento de Reprodução Assistida do Hospital Estadual Pérola Byington, que é considerado referência em tratamento de reprodução humana e disponibiliza esse serviço sem custo algum. Na ocasião do levantamento dos cadastros das pacientes, foi realizada uma triagem baseada na ocupação, idade, e data de inscrição no serviço. O propósito desta triagem inicial foi selecionar mulheres que estivessem dentro da faixa etária do critério de inclusão, e também garantir um grupo heterogêneo com relação à ocupação profissional, pois esse critério de seleção possibilitaria uma amostra com maior representatividade quanto à classe social. Entretanto, a amostra configurou-se com participantes pertencentes às classes sociais C e B, foi esse grupo de mulheres que aceitou fazer parte do presente estudo.

Appleton (1999) discute em sua revisão bibliográfica que o tratamento por ser muito dispendioso financeiramente pode provocar fonte adicional de estresse para o casal, a questão financeira é mencionada como fator de preocupação por seis participantes.

As mulheres que compõem a amostra têm entre vinte e sete e trinta e oito anos de idade e a média obtida após análise fatorial é de 32,8 anos (Gráfico 2). Em sua maioria as participantes têm entre trinta e um a trinta e quatro anos, perfazendo 53% da amostra. De acordo com a literatura, a maior parte das mulheres que procuram tratamento de reprodução assistida estão acima dos trinta e três anos. Pelo menos dois fatores justificam a incidência dessa faixa etária. Por volta dos trinta e cinco anos ocorre uma queda vertiginosa na fertilidade feminina e isso possivelmente faz com que muitas mulheres procurem tratamento perto dessa faixa etária.

O outro fator diz respeito ao papel profissional que as mulheres vêem ocupando no mercado atual de trabalho, muitas mulheres se engajam primeiramente em

realizações profissionais e em obter estabilidade financeira, postergando assim a maternidade.

Em sua maioria as participantes da amostra quanto a naturalidade (Gráfico 3), são oriundas de cidades grandes e médias da região sudeste. São mulheres que trabalham e moram em grandes centros ou próximo deles, têm fácil acesso a informações sobre tratamentos e serviços médicos.

Das quinze participantes que compõem a amostra, 73 % são da cor branca e 27% da cor parda (Gráfico 4). Podemos estabelecer uma relação entre a cor e classe social, pois, os dados obtidos quanto à classe social apontam que a maioria das participantes pertence à classe social B, portanto, com maior poder aquisitivo. Tanto com relação à cor quanto a classe social os dados encontrados mostram que a minoria das mulheres da amostra são pardas, assim como, 33% das participantes da amostra pertencem à classe socioeconômica C. Quanto à orientação religiosa a maioria das participantes é católica perfazendo 67% da amostra e 33% das participantes são evangélicas.

Com relação a distribuição quanto ao grau de instrução a amostra apontou os seguintes dados, 53% das participantes apresentam nível universitário, 40% tem segundo grau completo e apenas 7% da população tem primeiro grau. Estes dados sobre a escolaridade da amostra evidenciam de forma expressiva a relação do nível de escolaridade e a ocupação profissional destas mulheres, pois a distribuição quanto a profissão aponta que a maioria da amostra % são profissionais liberais e com vínculo empregatício, somentes % dessa amostra se encontra no mercado informal de trabalho.

Estes dados evidenciam o quanto a mulher está ativa economicamente na atual configuração familiuar. Todas as participantes desempenham atividades profissionais. De acordo com Lipovetsky (2000), a mulher que trabalha tem direito a planejar e definir sua vida e de construir seu futuro, tornar-se dona de si mesma. Moita (1999), cita que a mulher contemporânea está disposta a aprender a lidar com suas dificuldades e a usar suas potencialidades na direção do amadurecimento. A atuação da mulher, sua conquista de espaço profissional e inserção em ocupações diretivas muda significativamente o modo como vão gerenciar e conciliar vida pessoal e profissional e esse novo cenário vai repercurtir na maternidade.

De acordo com a amostra, a distribuição quanto ao tempo de conjugalidade dos casais, aponta que 80 % têm vida vem comum a mais de 5 anos.

Com relação a distribuição quanto a etiologia da infertilidade, mais da metade, totalizando 53% da amostra apresenta causa conjunta, 40% apresenta causa de origem feminina e apenas 7% da amostra apresenta infertilidade sem causa aparente.

Quanto à questão etiológica, a infertilidade pode ser de origem masculina, feminina ou conjunta. Petracco & Badalotti apontam a importância de se considerar a infertilidade uma condição do casal, o que leva à necessidade de se proceder uma investigação completa tanto no homem como na mulher.

Brandi e col. (1996) citam que um outro aspecto que sugere a importância de se proceder a uma investigação diagnóstica abrangente no casal são as alterações mínimas de fertilidade que podem ser encontradas em ambos os parceiros, com maior freqüência que o esperado. Essas alterações não levam a infertilidade quando são encontradas em apenas um dos parceiros, tornado-se, no entanto, significativas quando presentes no casal.

A distribuição de acordo com as patologias da amostra apontou que a endometriose é a patologia com maior percentual de incidência. Em seguida aparecem as seguintes patologias:, ovários policísticos, varicocele, ciclo anovulatório, trompas aobstruídas, disfunção hormonal, oligozoospermia e apenas 4% da amostra apresenta infertilidade sem causa aparente.

De acordo com Acosta e col. (1997), nos casos de endometriose severa, a aderência pélvica e a obstrução tubária produzem uma interferência mecânica, impedindo a união do óvulo com o espermatozóide.

Drake e col (1997) referendam trabalhos que evidenciam a relação da endometriose com fatores imunológicos, sugerem que os anticorpos humorais, identificados no soro das mulheres com endometriose, podem afetar o processo de implantação.

Um outro aspecto relevante a ser destacado diz respeito ao tempo de diagnóstico e o tempo de tratamento, os resultados encontrados mostram que 27% da amostra relata oito anos de tratamento, entretanto, a distribuição quanto ao tempo de tratamento mostra que a maioria da amostra, perfazendo 20%, tem o diagnóstico de infertilidade há quatro anos. Embora algumas pacientes relatem

que se submeteram a tratamentos para conseguir engravidar a vários anos o diagnóstico de infertilidade só se torna evidente posteriormente.

Os dados obtidos na entrevista semidirigida foram categorizados de forma que pudessem traduzir a expressão emocional das participantes frente à infertilidade, e os recursos utilizados para seu enfrentamento.

Quando inqueridas sobre o momento que consideram mais difícil, a maioria da amostra 28%, referem-se ao dia em que ficam menstruadas. De acordo com Appleton (1999), um aspecto singular da infertilidade é seu caráter cíclico que mobiliza profundamente o casal, já que no início do ciclo menstrual há a vivência de esperança com a possibilidade de uma possível gravidez. Num curto período de tempo (aproximadamente 15 dias) também ocorre a vivência de fracasso, quando por fim acontece a menstruação e mina o sonho da maternidade/paternidade.

O segundo dado com maior incidência é quando as participantes referendam a pressão que sentem por parte da família e amigos.Chodorow (1990) aponta que a maternidade, para muitos, continua a ser considerada aspecto fundamental na identidade feminina, assim a infertilidade, termo oposto a fecundidade, coloca a mulher em uma condição contrária que lhe conferiu o estatuto de feminilidade através da história.

Os sentimentos relatados pelas participantes são de tonalidade depressiva, referem-se à tristeza, frustração, impotência, incapacidade, angustia, ansiedade e sensação de “vazio”. Essa tonalidade emocional evidencia o impacto que a infertilidade causa nessas mulheres.

O método de Rorschach apontou que quatro participantes apresentaram Constelação positiva para o índice de depressão (DEPI) e cinco participantes apresentaram Constelação positiva ao índice de déficit relacional (CDI). Entretando, mesmo as participantes que não apresentaram Constelação positiva para depressão, sugerem uma tonalidade disfórica em seu psiquismo e níveis de estresse expressivos.

De acordo com Holmes (2001), uma quantidade substancial de evidências liga o estresse à depressão, o estresse foi considerado um melhor previsor da depressão do que “perda”. Cabe salientar não pode se estabelecer uma relação de causa e efeito, o estresse está frequentemente relacionado à depressão, mas nem todos os que estão expostos a estresse tornan-se deprimidos.

Weiner (2000), cita que o Índice de Controle e Tolerância ao estresse, está associado aos recursos adaptativos de que as pessoas dispõem para lidar com as demandas e gerenciamento do estresse. Este conjunto de variáveis dá informação sobre os recursos psicológicos de uma pessoa, a habilidade de gerenciar estresse, e capacidade de lidar consistentemente e efetivamente com os eventos da vida. Os achados relevantes de Rorschach ajudam a identificar, a extensão da capacidade adaptativa que as pessoas podem agregar no planejamento e implementação das maneiras de lidar com suas experiências quotidianas, a quantidade e tipos de demandas estressantes atualmente presentes em suas vidas, quão bem eles podem tolerar seus níveis de estresse sem se tornar excessivamente perturbado e perder o auto-controle, e a adequação com a qual eles podem trazer um estilo de personalidade coesa para suportar gerenciar seus afazeres.

Os resultados encontrados neste estudo mostram que estas mulheres apresentam manifestação de estresse, podemos verificar estresse situacional e também manifestações mais cronificadas. O impacto que o estresse exerce sobre o psiquismo destas mulheres acaba por torná-las suscetíveis emocionalmente. Em praticamente todos os protocolos há indícios de manifestação de estresse, em alguns casos pode-se perceber que o excesso de estresse imposto por uma sobrecarga de estímulos as torna vulneráveis, e faz com que se sintam pertubadas e desorganizadas.

De acordo com Weiner (2000) o modulo de recursos afetivos, compreende o modo como as pessoas lidam com as situações emocionais e como vivem e expressam os afetos. Este conjunto de variáveis provê informações sobre a maneira e conforto com os quais as pessoas processam experiência emocional, especificamente sobre como elas lidam com sentimentos delas próprias, e como elas respondem aos sentimentos dos outros e a situações emocionalmente carregadas em geral, os índices permitem identificar se as pessoas têm capacidades adequadas para experimentar e expressar emoções suficientemente, prazerosamente e moderadamente, ou em vez disso, elas tendem a processar o afeto de maneira restrita, disfórica ou excessivamente intensa que leva a dificuldades de ajustamento.

Os distúrbios afetivos vivenciados por algumas destas pacientes provavelmente envolvam características de depressão. O enfrentamento de situações adversas

faz aflorar afetos desagradáveis aumentando assim a suscetibulidade dessas mulheres tornarem-se deprimidas, esta vivência emocional interfere substancialmente na vida psíquica delas.

De acordo com Connoly e col. (1996), a literatura descritiva apresenta a infertilidade como uma experiência devastadora, comparando-a ao diagnóstico de uma doença crônica grave. Muitos fenômenos orgânicos e psíquicos podem ser observados na vivência da infertilidade, sendo os mais relevantes, estresse, depressão, ocorrência de doenças psicossomáticas, repressão de reações emocionais, desejo freqüente de adotar rapidamente uma criança e a necessidade de caráter urgente em incorporar-se em algum programa de fertilização assistida. O método de Rorschach se mostrou um eficiente instrumento para verificar os conteúdos de estresse e depressão manifestados na infertilidade. Os resultados obtidos neste protocolo, através do método de Rorschach corroboram estudos anteriores que mencionam estresse e depressão como manifestações importantes diante da infertilidade.

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