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 EIENDOMSUTVIKLING
OG
TIDLIGFASEN

2.3 
 R ISIKO

O presente subitem aborda como as relações de gênero entre estudante e cliente repercutem em representações no âmbito do ensino de enfermagem. Esse eixo temático apresenta as representações de gênero permeadas tanto pela postura do(a) professor(a) perante o(a) cliente e o(a) estudante, quanto pela postura do(a) estudante ao prestar cuidado ao gênero que não é o seu, e a dificuldade dos estudantes no campo de estágio na área Saúde da Mulher.

O eixo temático “A falta de preparo: a lacuna no ensino” revela tanto uma falta de preparo por parte dos docentes em lidar com o tema corpo/gênero/sexualidade quanto por parte dos(as) estudantes. Essa falta de preparo é representada por uma lacuna no ensino, pois não há um ambiente que proporcione ao(à) estudante de enfermagem expressar suas dificuldades e sentimentos. Essa representação pode ser visualizada nas seguintes narrativas:

Eu acho que foi por ter sido meu primeiro contato com homem, além do mais do jeito que a professora falava de estar constrangida, então você vai com a maior delicadeza, daí a enfermeira da unidade falava “Não! Tem que segurar com força! Tem que segurar com força!”. Você já está constrangida, o paciente consciente e enfermeira do lado falando que tem que segurar com força, eu acabei ficando mais constrangida ainda. Mas, daí no final foi tudo certo. (E1, F, 3ª série) II

Muitas vezes você acaba fazendo, você está constrangida, o paciente está constrangido e você acaba fazendo porque a professora tá lá no seu pé “não, faz, faz!”. Mas, se eu tivesse opção eu não faria. (E1, F, 3ª série) II É horrível! Porque você acaba ficando mais constrangida ainda, você acaba sendo pressionada, porque tem nota, tem avaliação, você sabe que não pode bater de frente com a professora, têm muitas professoras que não entendem o fato do paciente estar constrangido, tem professoras que falam “É mais vocês tem que aprender a lidar com isso porque vai acontecer no seu dia a dia.”. Daí acaba piorando. (E1, F, 3ª série) II

Só que a professora também, falou “Não, fica!”, a professora também impôs “Você tem que ficar pra você aprender”. E o problema também é que a gente trabalha com hospital público, porque se fosse particular com certeza eu não ia passar na consulta. Eu acho que se fosse um aluno de enfermagem numa escola particular, ou estivesse fazendo estágio em um hospital particular eu acho que não ia ter. (E12, M, 2ª série)

A professora é representada como autoridade de poder e incisiva nos procedimentos que causam constrangimento e dificuldade por parte dos(as) estudantes. Ao mesmo tempo em que fala à estudante que ela tem que lidar com a situação, a professora, em questão na representação, não fornece subsídios de como é esse “lidar”. Além disso, não há um momento para que a estudante possa expor suas dificuldades.

Na narrativa a seguir, percebe-se o trauma que a estudante vivenciou ao realizar o procedimento contra sua vontade:

Então, eu fiquei super pensativa depois “Ai, não deveria ter sido dessa forma”, mas eu não vejo solução pra esse problema, não vejo como eu resolveria esse problema, talvez acalmar ele, deixar ele menos confuso, mas tinha precisão daquilo naquele momento. E aí passei, tudo bem e depois eu fiquei pensando “Ai meu Deus, não era pra ter sido assim”, porque não é assim que a gente aprende. Agora na prática eu estou vendo que nem tudo o que a gente aprende acontece, infelizmente. Mas, eu me senti muito mal e aí o paciente morreu. Ele morreu, mas não foi por causa da sonda. Eu nunca vou me esquecer desse momento, que ele ficava cobrindo, cobrindo, cobrindo, que ele não queria, eu abria a fralda e ele fechava, falava não, super confuso no tempo e no espaço. Foi uma experiência não muito boa. (E6, F, 4ª série, II)

A partir dessa narrativa, percebe-se a necessidade de repensar o modelo de ensino em pauta, caso se tenha o objetivo de formar estudantes que tenham uma visão de cuidado integral, não fragmentado e que possam fornecer uma

assistência de enfermagem livre de danos, com respeito à ética profissional e ao ser humano que está sendo cuidado.

Pelas narrativas dos(as) estudantes de enfermagem, observa-se o uso de palavras de forte denotação:

A dificuldade maior que eu senti foi no início do estágio, porque a gente não recebeu um preparo antes pra estar abordando essas questões. E no segundo ano, no estágio que a gente faz de introdução no hospital, foi extremamente difícil, porque você nunca teve um contato assim muito íntimo com o cliente e quando você entra no hospital você é forçado a ter esse contato. (E10, M, 4ª série)

Os estudantes de enfermagem ao realizarem o exame de Papanicolaou representam a atuação do(a) professor(a) como um obstáculo que impede as práticas do estágio, ou mesmo sua ausência como fator negativo, correspondendo a um preconceito de gênero:

“E o que eu senti falta foi da presença da professora nesse sentido. Ela tinha um certo preconceito já com o homem em relação a essa questão e ela tentou de todas as formas impedir a nossa participação nas coletas, não deu nenhum apoio em nenhum momento. A gente conversou com ela, a gente quer aprender, a gente quer fazer, a gente quer estar lá junto, ela falava não e que as mulheres ficavam inibidas”.(E10, M, 4ª série)

“Foi difícil, porque deu pra perceber, não era só eu, era eu e mais um colega e eu sentei com ele, conversamos “O que a gente vai fazer pra estar conversando com ela?”. A gente tentou conversar com ela e ela a princípio não aceitou e depois a gente estava meio que invadindo, entre aspas, sem permissão delas, elas viravam as costas e a gente entrava na sala”.(E10, M, 4ª série)

Corroborando com esta representação, encontra-se respaldo na tese de Nascimento (71), a qual disserta sobre a “consciência de gênero” e ensino de

enfermagem das mulheres-enfermeiras-professoras, um estudo da reprodução de relações (desiguais) de gênero. Embora Nascimento faça uso da expressão “consciência de gênero”, prefiro substituí-la para a expressão “desconsideração das relações de gênero”, pois “consciência” envolve percepção, idéia, compreensão ou conhecimento daquilo que se passa e a capacidade crítica de avaliar um dado. Assim, acredito que os(as) professores(as) não estão preparados(as) para trabalhar com essas questões devido ao desconhecimento da utilização da categoria gênero nos discursos e nas práticas de cuidado em saúde.

Desta forma, a desconsideração das relações de gênero pelos(as) professores(as) apresenta-se de um modo tal que não lhes permite o desenvolvimento da crítica à dominação de gênero. Em conseqüência, os(as) professores(as) reproduzem relações desiguais de gênero no exercício de sua prática docente capazes de manter a subordinação/submissão das enfermeiras quando no exercício profissional. No estudo de Nascimento, foi possível depreender dos relatos das professoras a idéia difundida na enfermagem de que, no exercício profissional, tanto o pessoal que trabalha na área da saúde quanto os pacientes expressam sua sexualidade (71).

A conservação ao longo do tempo da imagem da enfermeira trazida de sua origem deve-se ao fato da própria formação da enfermeira e decorre essencialmente de características da consciência de gênero das próprias professoras de modo a reproduzir tal ideologia na prática docente (71). Desta forma, observa-se na prática que ainda coexistem formas de discriminação relativas à participação do gênero masculino na profissão.

No tocante dessa discussão, o ensino de enfermagem deve ser problematizado, pois a educação transmite e reforça padrões de comportamento estereotipados, reproduzindo as desigualdades de condições e oportunidades que existem entre homens e mulheres na nossa sociedade (77).

A falta de pesquisas sobre o papel do homem na enfermagem tem deixado de trazer a experiência vivenciada por estudantes e profissionais sobre como se dá a compreensão e a incorporação desse papel durante a formação e a vida

profissional (54). Assim, o estudante de enfermagem se sente despreparado em certas disciplinas da grade curricular, conforme pode ser observado na narrativa a seguir:

Eu acho que tem uma inexperiência, a gente não teve aula de como abordar essas intercorrências, alguma técnica pra ficar despreocupado, pra onde olhar durante o exame. Podia dar dicas porque nós somos inexperientes, “não faça esse tipo de pergunta”. Por exemplo, eu não sabia, na primeira paciente, se “tira a roupa”, “tira a vestimenta” ou “por favor, eu vou te examinar”. Eu tentava falar delicadamente “Olha, por favor, senhora, poderia tirar a vestimenta?”, aí na outra “Você poderia tirar a saia?”. Você não sabe qual a melhor pergunta na hora. Eu acho que faltou também um pouco de psicologia. (E12, M, 2ª série)

Diante da dificuldade expressa pelos estudantes de enfermagem, torna-se importante expor a discussão do uso do artigo gramatical masculino em alguns textos e o uso do artigo gramatical feminino em outros. Assim, como a enfermagem era anteriormente só feminina, justificava o uso do feminino. No entanto, quando entraram os homens, principalmente nas forças armadas, começou a usar, também, o artigo masculino. Essas percepções e dificuldades em romper com tal esquema opressivo fizeram com que até bem pouco tempo atrás, e ainda em muitos estudos atuais, ao traçar alguma referência ao profissional de enfermagem por escrito ou verbalmente, fosse utilizado o termo enfermeiro, como uma forma de reforçar uma identidade pública superior masculina(82).

Uma das formas da grande confusão de identidade na enfermagem entre o binômio (enfermeiro-enfermeira) mostra que identidades sexuais, e não basicamente de gênero, formam um agir e falar como enfermeiro, para legitimar a prática como poder. Porém, como a prática é essencialmente feminina, mantém- se o papel submisso, apesar da utilização do termo no masculino (82).

A partir desses relatos, pode-se apreender uma postura da professora na aprendizagem de gênero como forma de violência simbólica de gênero, pela ótica

da inculcação cultural e simbólica das relações desiguais entre os gêneros, pois é por meio do trabalho de educação que essas construções sociais são incorporadas e inscritas nos corpos (135).

Diante das representações desveladas neste eixo temático, percebe-se que é necessário que se ofereça subsídios aos(às) estudantes e professores(as) para a formação de uma consideração da categoria gênero que as mobilize para a luta pela eliminação de discriminações hoje sofridas pela profissão, a partir do entendimento de que as diferenças entre mulheres e homens são construídas socialmente, e por isso, passíveis de mudanças (71).

Assim, ao sofrer influência da dimensão de gênero como igualdade e desigualdade ente os sexos, o cuidado deixa de ser praticado integralmente pelo (a) estudante. Este fato é corroborado pela representação da estudante em não abordar questões de sexualidade em unidades gerais, além de refletir sua dificuldade com tal assunto:

Mas, se eu estou numa Cardio, onde fiz uma anamnese, vejo que, isso não quer dizer que na Cardio eu não possa encontrar problemas específicos, relacionados a sexualidade do indivíduo. Mas, durante a minha anamnese eu vou procurar levantar questões que me levem a esse exame, caso contrário eu não vou fazer, porque, voltando, eu me coloco no lugar daquele que está sendo examinado, que de repente não tem nada que me indique necessidade de estar examinando as partes íntimas desnecessariamente, porque isso vai complicar o relacionamento mesmo de paciente/cliente e profissional para que tenha um bom desenvolvimento no atendimento. (E15, F, 4ª série)

Você está na unidade Pneumo, quando você vai fazer exame físico, geralmente a gente nunca faz o exame dos genitais, essas coisas. Agora quando já é unidade mais específica, você acaba tendo que fazer. É a mesma coisa que eu falei no caso do banho, porque.... pro paciente é constrangedor, porque tem paciente que não se incomoda de você fazer o exame pulmonar, o exame cardíaco, mas na hora do exame do genital ele vai ficar constrangido e o fato do paciente estar constrangido acaba

fazendo com que eu me sinta com se estivesse invadindo. (E1, F, 3ª série, II)

Além dessa dificuldade em abordar questões de sexualidade em unidades gerais, há uma relutância pelas estudantes na coleta de dados devido ao seu constrangimento ao perguntar sobre a sexualidade do cliente:

Quando eu presto cuidados, o que eu sinto mais dificuldade, quando tem a coleta de dados é perguntar questionada a sexualidade do cliente, porque você tem o primeiro contato com pessoa e já perguntar “Você tem relação sexual? Quantas pessoas?”. Aí é um pouco difícil de estar perguntando no primeiro... E também eu acho que seria um pouco difícil até nas outras vezes, só se você ficar muito tempo com o cliente, cuidando dele, aí você cria uma intimidade. Mas aí, eu tenho medo de perguntar, se a pessoa é casada, separada, porque é complicado de perguntar assim... (E5, F, 4ª série)

Geralmente tem a folha impressa, aí tem várias questões que pergunta da doença, aí tem a parte de antecedentes ginecológicos da mulher. Aí você tem que perguntar se ela é casada ou não, se tem relação sexual ou não. Então, você não se sente a vontade, a pessoa acabou de internar, chegar ao hospital, às vezes está com o acompanhante do lado, e você está fazendo a pergunta, não tem como você perguntar. E aí fica em branco geralmente. (E5, F, 4ª série)

Observa-se nas representações das estudantes de enfermagem que elas delegam alguns cuidados diretos ao cliente, como por exemplo, o banho no leito, a outros membros da equipe e não co-participa deste cuidado, pois nesse momento você pode observar elementos essenciais pertinentes ao exame físico sem expor o corpo do cliente:

No início eu tinha um pouco de vergonha, de fazer principalmente o exame físico das genitálias, eu tinha vergonha de pedir até hoje na enfermaria. Às vezes eu só pergunto, se o cara não tiver nenhuma queixa, se a pessoa

não tiver nenhuma queixa, porque eu evito, mas eu sempre dou uma observada na hora do banho, eu sempre vou na hora do banho, agora que eu estou no estágio de administração então, não é a gente que dá o banho. (E6, F, 4ª série, I)

Conforme exposto, percebe-se uma relação de desigualdade de atendimento quando a estudante presta cuidados ao gênero masculino e quando o estudante presta cuidados ao gênero feminino. Essa desigualdade representa uma preocupação para que não ocorra algum tipo de desejo sexual ou erotismo do(a) cliente ou, ainda, que este(a) não pense que o(a) estudante manifesta tais sentimentos por ele(a).

A partir dessa discussão, o elemento periférico “medo de assédio sexual” desvela as representações ao que tange tanto por um receio por parte dos(as) estudantes de enfermagem em sofrerem assédio sexual provenientes dos(as) clientes, quanto por um receio de cometerem assédio sexual na prática do cuidado de enfermagem, no que tange aos cuidados nos genitais e procedimentos que envolvem a invasão da privacidade e intimidade do(a) cliente.

Segundo o dicionário Houaiss (136), assédio sexual significa uma abordagem com intenções sexuais, insistência importuna de alguém em posição privilegiada, que usa dessa vantagem para obter favores sexuais de um(a) subalterno(a). Assédio sexual diferencia-se de abuso sexual, que significa qualquer ato contra o pudor, caracterizando-se em sedução, desonra, defloramento ou estupro.

O medo de cometer assédio sexual é representado pelas seguintes narrativas:

Eu tenho medo da pessoa interpretar o toque da forma que não é para interpretar, porque eu estou trabalhando, estou fazendo alguma coisa que de alguma forma é terapêutica para esse paciente. E muitas vezes, não sei... Já ouvi relatos de umas colegas que nunca aconteceu, mas muitas vezes, a pessoa te chama pra sair, depois... Porque acha que aquele toque significou alguma coisa. Comigo, nunca aconteceu. Espero que

nunca aconteça porque acho extremamente constrangedor, extremamente desrespeitoso... Você está trabalhando. (E11, F, 4ª série, I)

Eu me preocupo muito com o bem-estar das outras pessoas, eu me sinto o monstro em cima dela, mas eu falo que eu me sinto um monstro segundo a visão dela, porque às vezes a pessoa por mais liberal que ela seja ela acaba né, ela é mulher, você é homem, ela acaba esquecendo um pouco de que ela está ali pra receber o cuidado e que a gente é profissional, mas eu tento pensar de uma maneira só, eu estou indo pra realizar o meu trabalho independente dela ser mulher ou não. (E15, M, 3ª série)

Eu posso estar atendendo um rapaz, na própria Urologia, por exemplo, que tenha feito alguma cirurgia por conta de um testículo que não esteja na bolsa, etc, e ao estar examinando ele pode ter... Interpretar como se eu estivesse tentando abusar dele e não é intenção, na verdade há uma necessidade. Da mesma forma como a menininha e o senhor, ou o rapaz falar “Ihh, eu acho que ela não está bem com o marido e está tentando resolver o problema comigo”, não é nada contra. (E15, F, 4ª série)

Em uma pessoa da nossa idade, eu penso que aquela pessoa podia ter um relacionamento com você, sei lá... você poderia encontrar ele numa festa até, e ele é seu paciente, é estranho você cuidar de uma pessoa da sua idade, você invadir também. E a pessoa da mesma idade, ela pode sentir alguma atração por você, pelo fato de que... não sei, você está mexendo, por exemplo, num órgão genital masculino e você está lá, é da mesma idade da pessoa, eu acho que é até meio natural se a pessoa tiver uma ereção ou tiver alguma reação é até natural. Mas, nunca aconteceu isso comigo do paciente ter uma ereção ou alguma manifestação física, mas eu acho que eu ia ficar... não sei o que eu ia fazer se acontecesse, eu ia ficar com muita vergonha. (E9, F, 4ª série)

Eu acho que... é o que eu falei, depende do paciente, se for um paciente idoso eu vou me sentir melhor, não fico constrangida geralmente, mas se é um paciente da minha idade, geralmente eu sinto isso até no meu grupo de estágio, às vezes a gente mobiliza mais meninas pra dar um banho nele, no paciente da nossa idade, no leito, como se fosse uma barreira que se acontecer alguma coisa uma defende a outra, acho meio inconsciente isso,

eu me sinto constrangida quando vou dar banho num paciente da minha idade, mas ao mesmo tempo eu me sinto bem de estar ajudando. (E9, F, 4ª série)

Então, quando eu me vejo numa situação que eu não consigo, vamos supor que eu fique envergonhada, quando é um menino muito bonito que eu vejo que ele está olhando pra mim com uma intimidade que eu não gostaria aí dificulta o meu trabalho, mas eu procuro ser o mais profissional possível nessas horas. Eu... eu não vou dizer que eu não sinto vergonha, em alguns momentos eu sinto, de limpar, de pegar pra examinar principalmente na Urologia que tem fazer curativo no pênis do paciente. Eles olham pra você, uma menina toda bonitinha, então é mais difícil. Mas, com o passar do tempo eu aprendi a ter menos vergonha com isso, a ficar um pouco mais fácil. A gente vai aprendendo olhando as outras pessoas. E às vezes quando a gente chega sem preconceito também, sem esse medo, eles encaram de uma maneira diferente. (E2, F, 3ª série)

Isso está embutido numa enfermeira que é um símbolo sexual, que está indo cuidar de um homem, então ele já é embutido na cultura dele que a enfermeira, além do mais bonitinha, jovenzinha, toda magrinha, endurecidinha ainda, todo mundo que está na nossa turma hoje que atende tem esse perfil pode ser um pouco mais gordinha, mas é jovem, é bonitinha, se cuida bem, têm os dentes bonitos, sorri bem, tenta ser simpática, então eu acho que isso influi. Mas, não é com todos, eu acho que em alguns. (E2, F, 3ª série)

O medo de sofrer assédio sexual é representado pelas seguintes narrativas:

Quando a pessoa faz comentários sobre mim, sobre meu corpo, antes de eu cuidar dele. Então fala “Ai, como você é bonita, ai como seu cabelo é bonito, ai como você é jovem, ai como você é gatinha. Você que vai cuidar de mim?”. Aí eu vejo que ele está me vendo como uma menina, como uma mocinha e não como uma profissional, aí eu fico com vergonha de cuidar dele. (E2, F, 3ª série)

E já aconteceu assim comigo de paciente, tipo, eu estava cuidando dele e o paciente do lado, que era muito próximo, e o paciente começou a fazer gracinha, a chamar de tchutchuca, uns nomes assim... começar mesmo a partir pro modo sexual da coisa, de enfermeira, aquela imagem da enfermeira erótica. E aí eu chamei minha professora, eu estava no segundo ano, chamei a professora e conversou com o paciente, falou que