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3. REGULERINGSFORMER OG KOSTNADSSTANDARDER

3.1 R ELEVANTE FORMER FOR REGULERING

A notícia “Estudo liga medo de altura a desequilíbrio” (MANTOVANI, 2009b) tem como foco um estudo da USP, que sugere que a acrofobia (medo de altura) não se origina apenas de uma causa emocional, mas por um fator biológico, alterações no equilíbrio corporal. A pesquisa conduzida por Catarina Boffino (única fonte ouvida no texto) analisou 70 pessoas, das quais 31 com acrofobia e, por meio de um exame de posturografia8, constatou que elas apresentam uma oscilação maior na postura e essa seria a causa do desequilíbrio e a responsável pelo portador ter a impressão de que vai cair e por isso apresentar ansiedade.

Matérias como essa exemplificam a ênfase no foco biológico, que faria da ciência o único meio indicado para encontrar causas e compreender os distúrbios. Se a origem está no organismo e estudos produzidos em laboratórios e institutos de pesquisas são capazes de desvendá-las, inicia-se então uma corrida pela primazia, pioneirismo e tentativa de estabelecer-se como a última descoberta na área. Fato bastante explorado na cobertura da

Folha de S.Paulo que veicula notícias cujo foco central está na divulgação de pesquisas ou

eventos adjetivados como “novo”, “último”, “pioneiro” ou ainda exaltados por serem iniciativas inéditas. Características que vão ao encontro das descrições adotadas por Burkett (1990) e Nelkin (1995) acerca do jornalismo científico. Ele afirma que, dentre os principais valores-notícias empregados na escolha e seleção de um fato de saúde está seu pioneirismo. Já Nelkin explica que notícias científicas costumam ser estruturadas em pequenos parágrafos,

8 Posturagrafia é um exame em que o paciente é colocado sobre uma plataforma com sensores de pressão e realiza movimentos a fim de avaliar seu equilíbrio no desenvolvimento de tarefas variadas;

que na Folha muitas vezes são apenas um, caracterizam-se pelo uso do superlativo, o maior ou o mais novo do mundo. Desse modo, a ciência é noticiada como uma grande corrida em que distintos cientistas, empresas ou universidades disputam entre si para solucionar primeiro problemas e doenças.

“Técnica pra tratar autista mais cedo traz benefícios” (BOTELHO, 2009c) enquadra-se no valor-notícia pioneirismo, o qual aparece como a primeira informação destacada no lead do texto: “estudo pioneiro da Universidade de Washington publicado hoje na ‘Pediatrics’ revela que bebês com transtornos do espectro autista podem ter ganhos de comunicação, de interação social e de QI quando submetidos a uma intervenção intensiva precoce, a partir dos 18 meses” (grifo nosso). Ainda que a pesquisa tenha sido repercutida e questionada com pesquisadores da USP, Unifesp e um membro da Associação Amigos do Autista (AMA), que avaliaram os benefícios da técnica e as dificuldades de aplicação, uma vez que seria muito caro e não é comum diagnosticar crianças tão cedo, ressalta-se sua primazia e originalidade.

A notícia “Autismo: Pesquisa investiga possíveis causas” (AUTISMO PESQUISA..., 2009) foi escrita em apenas um parágrafo e sem ouvir nenhuma fonte, conta que: “Pesquisadores de quatro instituições americanas anunciaram o início de uma das maiores pesquisas já feitas para identificar fatores de risco para o autismo”, destacando a ciência como meio para a descoberta das causas e instituições unindo-se por seu pioneirismo. A pequena matéria nacional “Novo instituto vai pesquisar doenças mentais na infância” (BOTELHO, 2009b), ainda que ouça o vice-presidente do instituto, destaca a uma iniciativa pioneira no país, que busca desvendar causas e as reais proporções e impactos dos transtornos mentais em criança no Brasil. O caráter de corrida e novidade é ressaltado em nota da coluna de Mônica Bergamo, de 31 de janeiro. Com intertítulo “Todos Ouvidos”, o texto revela que alguns dos principais cientistas do mundo na área de esquizofrenia estariam reunidos no IPq da USP, onde “vão apresentar as últimas descobertas e estudos durante o 6º simpósio ‘Search for the Causes of Schizophrenia’” (BERGAMO, 2009b).

Ainda que notícias que destacam a corrida científica falem muito sobre “descobrir as causas” do transtorno, é importante frisar que a AHCJ (2004) orienta os jornalistas a não usarem isso em seus textos. Uma vez que ao divulgar que determinado instituto trabalha com esse objetivo ou que uma pesquisa afirma ter descoberto uma possível causa, pode-se gerar esperanças e expectativas, que talvez não se concretizem no público-leitor, em especial, naqueles que convivem com os distúrbios ou com seus portadores.

5.2.4.1 As relações causais

Como já observado em grande parte das notícias analisadas neste bloco temático, há uma forte tendência de o jornal divulgar estudos que apostem em relações causa-consequência entre ter uma determinada característica ou comportamento e desenvolver ou evitar um transtorno ou ainda entre ter um distúrbio e ele desencadear complicações, como o desenvolvimento de outra doença, disfunção sexual, sofrimento, etc.

É o que ocorre, por exemplo, em “Alimento processado eleva risco de depressão” (ALIMENTO..., 2009). O estudo publicado no British Journal of Psychiatry afirma que pessoas que ingerem grandes quantidades de alimentos industrializados tem 58% mais chances de sofrer de depressão. E nas notícias “Dieta pode agir contra depressão” (SILVEIRA, 2009i) e “Plantão Médico: Uma dieta antidepressiva” (ABRAMCZK, 2009), textos veiculados em datas diferentes na editoria de Saúde sobre o mesmo estudo,uma pesquisa de universidades espanholas publicada no Archives of General Psychiatry, a qual concluiu que a dieta mediterrânea tem efeito protetor contra a depressão, de modo que adeptos a ela têm risco 30% menor.

5.2.5 O senso comum da ciência: inquestionável, incapaz de erros e fraudes e salvação da