Paper 2 Long-term Effects Evaluations of Governmental Industrial Policies 185
8. MATCHING QUALITY AND BIAS REDUCTION
8.2 R EGIONAL V ENTURE C APITAL L OANS & I NVESTMENT G RANTS
Muitos autores concordam que as IES que oferecem os cursos de Administração necessitam superar desafios internos para centralizar as suas forças na formação de indivíduos com características empreendedoras.
Nesse sentido, acreditamos que o foco no empreendedorismo pode oferecer uma importante contribuição no processo de formação e, especialmente, na trajetória de desenvolvimento profissional de estudantes e de egressos dos cursos de Administração. Além do que, o empreendedorismo, se adequadamente estimulado e executado em sintonia com as demandas locais, poderá efetivamente se articular com o desenvolvimento de Rondônia.
A formação para o empreendedorismo ganha relevância também quando se constata que fazer um curso superior, público ou privado, não é garantia de emprego. Diante dessa questão, uma alternativa viável para as instituições de ensino, pelo menos, a médio e a longo prazo, é sem dúvida a formação de empreendedores, ou seja, ir além do ensino baseado na lógica do preparo para a obtenção de um bom emprego, tanto no setor público como no setor privado.
Na tabela 14, Hisrich e Peters (2004) apresentam a evolução histórica da teoria do empreendedorismo e do termo empreendedor relacionado ao individuo que se arrisca e dá início a algo novo.
Tabela 14 – Teoria do Empreendedor e do Termo Empreendedorismo
Período Conceituação
Idade Média Pessoa encarregada de projetos de produção em grande escala.
Século XVII Pessoa que assumia riscos de lucro (ou prejuízos) em um contrato de valor
fixo com o governo.
1725 Richard Cantillon – pessoa que assume risco é diferente da que fornece capital.
1803 Jean Baptiste Say – lucros do empreendedor separados dos lucros de capital.
1876 Francis Walker – distinguiu entre os que forneciam fundos e recebiam juros daqueles que obtinham lucro com habilidades administrativas.
1934 Joseph Schumpeter – o empreendedor é um inovador e desenvolve tecnologia que ainda não foi testada.
1961 David McClelland – o empreendedor é alguém dinâmico que corre riscos moderados.
1964 Peter Drucker – o empreendedor maximiza oportunidades.
1975 Albert Shapero – o empreendedor toma iniciativa, organiza alguns mecanismos sociais e econômicos, e aceita encarar riscos de fracasso.
1980 Karl Vésper – o empreendedor é visto de modo diferente por economistas, psicólogos, negociantes e políticos.
1983 Gifford Pinchot – o intraempreendedor é um empreendedor que atua dentro de uma organização já estabelecida.
1985
Robert Hisrich – o empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, com o empreendedor dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal.
Fonte: Hisrich e Peters (2004).
Para Hisrich e Peters (2004), o empreendedor, em sua potencialidade, pode ser atualmente uma enfermeira, uma secretária, um montador de alguma indústria, um mecânico em geral, ou comerciário, dona de casa, administrador, engenheiro, ou seja, pode desempenhar qualquer atividade. Pode ser homem ou mulher, pertencer a qualquer etnia, classe social ou ser de qualquer nacionalidade. Dornelas (2001) afirma que os empreendedores que nascem empreendedores continuam existindo e sendo referências de sucesso, mas outros podem ser capacitados para a criação de organizações duradouras.
Com relação a esse tema, dos professores do curso de Administração da UNIR questionados sobre a contribuição do curso no desenvolvimento da capacidade empreendedora dos acadêmicos, apenas um docente assinala que o
tema é trabalhado no curso de forma exaustiva: durante o curso foram mostradas inúmeras possibilidades de como montar o próprio negócio (P8).
O estímulo ao empreendedorismo pôde ser identificado no curso nas falas de seus próprios alunos:
Tenho facilidade em executar tarefas e aprendi no curso teorias que facilitaram meu dia a dia (A3);
A nossa capacidade de inovar e de ser criativo é aguçada a cada instante. É perceptível que as ideias surgem durante o curso. Algumas são colocadas em prática e outras, somente no papel (A6); Tenho muitas capacidades para ser um bom empreendedor (A7); Abriu bastante minha visão sobre negócio (A9);
O tema empreendedorismo foi bastante trabalhado desde as primeiras disciplinas no curso (A11);
Sinto-me impulsionado a empreender após conhecer todas as possibilidades que as ferramentas administrativas me oferecem (A14);
Já me considerava uma empreendedora desde criança. Entretanto, no curso, pude conhecer e aprofundar os conceitos sobre empreendedorismo (A1).
Na avaliação de Zabala e Arnau (2010), o curso de Administração deve trabalhar as competências relacionadas ao saber fazer e ao saber empreender como pressuposto básico no processo de formação do discente.
Por outro lado, o aluno A13 afirma que empreendedorismo vem com a pessoa, não se aprende em universidade. Sua colocação segue na contramão daqueles que advogam a importância e necessidade da formação empreendedora ser inserida no currículo dos cursos de ensino superior.
De acordo com McClelland (1972), uma das características mais facilmente desenvolvidas na habilidade empreendedora é o interesse pela aquisição de informações e de novos conhecimentos. A pessoa com perfil empreendedor tem facilidade e habilidade para pesquisar, coletar, reunir e agrupar informações, até mesmo aquelas consideradas, a princípio, por outros indivíduos, desencontradas ou mesmo insignificantes. As informações e os novos conhecimentos referentes aos
mercados, processos gerenciais e avanços tecnológicos, dentre outros aspectos, despertam o interesse daquele que tem o perfil empreendedor.
O aluno A20 relata que o tema do empreendedorismo foi abordado apenas de forma teórica. No entanto, reconhece que estimula o desenvolvimento, muito embora seja por vezes muito teórico. Enfrentar esse problema exige maior integração da instituição de ensino com o mundo empresarial, ou seja, a relação entre teoria e prática. Costa (1998) defende parcerias em que aqueles que não têm um modelo a seguir conseguiriam a oportunidade de desenvolvê-lo. Lembra, porém, que é preciso avaliar se as parcerias têm mecanismos de interação capazes de abarcar diferentes eventos e despertar a confiança mútua por meio de uma integração por ações conjuntas. Um bom exemplo disso são as incubadoras de empresas, que oferecem apoio gerencial e técnico e uma gama de serviços que propiciam oportunidades de negócios.
As falas dos alunos também revelam um anseio pela formação empreendedora. No entanto, apresentam as razões de ela ainda deixar a desejar:
As abordagens em sala de aula eram muito teóricas e sem muito dinamismo (A4);
Algumas disciplinas abordaram muito bem esse tópico, outras, não (A18);
Acredito que só a teoria é insuficiente. Coloquei em prática e estou tendo dificuldades (A19);
Somos poucos exigidos nesse sentido. O “espírito empreendedor” não é muito difundido aqui na academia (A17);
Até o Plano de Negócio foi retirado por causa da monografia! Que loucura! Sou empreendedor porque já era antes de entrar no curso de Administração (A21).
Nesse sentido, considerando parte das falas dos alunos pesquisados, constatou-se que a percepção destes a respeito do curso de Administração da UNIR é que este é muito “teórico”, discussão que remete à compreensão conceitual da relação teoria e prática, que deve ser desenvolvida no âmbito do curso, de forma bem articulada, entre coordenação, docentes e discentes.
De acordo com Carrão e Montebelo (2009), embora a superação da segmentação teoria e prática seja um desafio para a academia, em geral, essa visão dicotômica tende a assumir contornos mais acentuados quando se trata da formação de administradores. Os autores criticam a exposição na mídia dos feitos de organizações e de administradores de destaque no mundo dos negócios, afirmando que isso serve apenas para se ter uma percepção onde a teoria não teria espaço, sendo, portanto, equivocada.
Ainda quanto à percepção da formação empreendedora de parte dos professores, vejamos as respostas que apontam fragilidades e, de certa forma, justificativas para sua pouca presença:
Não há uma disciplina que focalize somente isso no curso (P7); Esse tema é pouco debatido no curso, por falta da empresa júnior (P6);
Não há o exercício do empreendedorismo, como, por exemplo, “empresa júnior” (P1);
É uma dificuldade da maioria dos cursos de Administração no Brasil (P4).
Aqui, chama a atenção a fala do professor P7, pois ele sinaliza para a necessidade de existir uma disciplina voltada ao empreendedorismo. De forma similar, o professor P6 defende a necessidade de exercitar a prática no curso e lamenta a falta da “empresa júnior”. Nota-se que, para ambos os docentes, o conjunto de disciplinas do currículo não é suficiente para desenvolver as competências de empreendedor. Não conseguem vislumbrar a formação empreendedora integrada no processo formativo global. E acreditam que a solução esteja em criar novas disciplinas, novas estruturas, não atentando para a possibilidade de realizar as mudanças desejadas por meio de uma nova orientação curricular. A respeito dessa questão, Gomes (2006) assinala que o exercício da prática auxilia o aluno a buscar soluções de acordo com os problemas que aparecem, ou seja, oferece aos estudantes a possibilidade de experimentar situações vividas na empresa e possibilita uma experiência verdadeira de tomada de decisão, como se fossem protagonistas das ações descritas no caso.
Pelas respostas obtidas quanto às percepções dos professores e alunos a respeito do empreendedorismo, pôde-se inferir que a grande parte deles considera a abordagem insuficiente, embora, individualmente, os alunos busquem conhecimentos sobre a temática.
Nesse sentido, considerando a importância da formação empreendedora para o desenvolvimento local e regional, faz-se necessário que o curso ofereça condições teóricas e práticas para dar oportunidade aos alunos de trabalhar nas soluções dos problemas diários das organizações, aplicando e solidificando os conhecimentos adquiridos em sala de aula. Assim, não basta que o administrador conheça e domine uma teoria ou técnica. É necessário que o seu aprendizado gere condições (competências e habilidades) para poder agir de forma eficiente diante das demandas que lhes são apresentadas.