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Propensity score procedures and covariate matching

Paper 2 Long-term Effects Evaluations of Governmental Industrial Policies 185

14. DISCUSSION

14.1 R EPLY TO INVITED COMMENTATORS

14.1.1 Propensity score procedures and covariate matching

Ao falarmos da escola pública brasileira, um dos principais aspectos que se

sobressai ao longo da história é justamente o seu caráter excludente, isto é, por muito tempo a educação escolar atendeu uma clientela oriunda das classes da elite e com características muito homogêneas. O acesso das camadas populares da sociedade brasileira à escola é, portanto, bastante recente na história da educação no Brasil.

Dessa forma, constatamos que a educação escolar laica, gratuita e de qualidade para todos, no Brasil, é um advento do século XX. Porém, no que concerne ao item “qualidade”, a escola pública tem sido colocada em “xeque” constantemente diante dos altos índices de fracasso escolar evidenciados por evasão, repetência ao final dos ciclos (4ª, 8ª) e do próprio analfabetismo real ou funcional constatado freqüentemente pelas equipes escolares, pelos técnicos dos sistemas de ensino e pela mídia em geral. Segundo Fusari (1997)

Apesar de todos os esforços de setores mais progressistas da sociedade neste final de século, a escola brasileira ainda é citada como uma das mais seletivas e excludentes do mundo. Os meios de comunicação divulgam, de forma quase sistemática, dados a respeito do fracasso escolar, materializados nos altos índices de repetência e evasão, além da má qualidade de ensino oferecida aos educandos. (Fusari, 1997, p. 36)

Nesse mesmo sentido, encontramos em Almeida (1999) o que segue:

A realidade nos mostrou que a extensão e a abertura da escola não foram suficientes para propiciar a igualdade escolar e a promoção social dos mais desfavorecidos. Esse é um fenômeno mundial e que no Brasil constitui-se em fator de acentuação do nível de exclusão social a que essas camadas sociais estão submetidas. (Almeida, 1999, p. 11)

Consideramos importante, diante dessas afirmações, buscar esclarecer o que entendemos como uma escola de qualidade. A questão da qualidade do ensino está presente em todos os debates que envolvem o desempenho da função social da escola e o comprometimento com a permanência e o sucesso dos alunos. Esta é uma questão bastante atual em virtude do crescente processo de democratização da educação em quase todo o mundo, defendida como um dos direitos fundamentais pelas sociedades contemporâneas e coloca-se como o grande desafio, tendo em vista que mais que o acesso à escola, todos devem ter o direito a uma educação de qualidade. Segundo Libâneo (2001),

(...) Educação de qualidade é aquela que promove para todos o domínio de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas, operativas e sociais necessários ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos, à inserção no mundo do trabalho, à constituição da cidadania, tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Em outras palavras, escola com qualidade social, significa a inter-relação entre qualidade formal e política, é aquela baseada no conhecimento e na ampliação de capacidades cognitivas, operativas e sociais, com alto grau de inclusividade. (Libâneo, 2001, p. 54)

Nesta idéia está evidente a necessidade da aprendizagem e do desenvolvimento humano a que todo indivíduo tem direito e que o fazem sujeito para decidir, optar, distinguir, resolver, raciocinar, pensar, refletir, ler, interpretar, organizar, entre outras tantas habilidades e competências. Segundo Libâneo (2001),

Uma educação escolar de qualidade social tem as seguintes características:

Assegura sólida formação de base que propicia o desenvolvimento de habilidades cognitivas, operativas e sociais, o domínio dos conteúdos escolares (conceitos, procedimentos, valores), a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional, integrando a cultura provida pela ciência, pela técnica, pela linguagem, pela estética, pela ética.

Desenvolve processos de formação para a cidadania, incorporando novas práticas de gestão, possibilitando aos alunos a preparação para a participação nas organizações e movimentos populares, de modo a contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e controle da gestão pública. Para isso, cria situações para a educação da responsabilidade, participação, iniciativa, capacidade de liderança e tomada de decisões.

Assegura a elevação do nível escolar para todas as crianças e jovens

em condições iguais de oferta dos meios de escolarização.

Promove a integração entre a cultura escolar e outras culturas, no

rumo de uma educação multicultural e comunitária.

Cuida da formação de qualidades morais, traços de caráter, atitudes,

convicções, conforme ideais humanistas.

Dispõe de condições físicas, materiais e financeiras de

funcionamento, condições de trabalho, remuneração digna e formação continuada dos professores.

Incorpora no cotidiano escolar as novas tecnologias da comunicação e informação.

Considerando as características apresentadas por Libâneo como aquelas que definem uma escola de qualidade e acrescidas à discussão de que a escola pública brasileira não tem conseguido realizar a tarefa de oferecer educação de qualidade para todos, acredito que devam essas características servir de parâmetro para o trabalho de todos os envolvidos com o cotidiano escolar.

Deparamo-nos, dessa forma, com a construção de uma escola que atenda os alunos e garanta seu sucesso, oferecendo a qualidade de ensino que permita a formação de um indivíduo capaz de decifrar todos os códigos da sociedade contemporânea, ou seja, pronto para enfrentar as exigências do acelerado processo de integração e reestruturação capitalista mundial. Apresentam-se para a escola, assim, dois grandes desafios. O primeiro, o de trabalhar com uma clientela com características muito mais diversificadas que a de anos atrás, pois com a democratização do acesso à educação, a escola tem recebido alunos oriundos de realidades muito diferentes, fato que tem provocado um certo desconforto no profissionais envolvidos com o processo de ensino-aprendizagem. O segundo, a inserção da escola nas novas exigências colocadas pela sociedade tecnológica e da informação22 através de práticas escolares que contemplem essa realidade.

22 Segundo Libâneo (2001), a escola necessária para fazer frente a essas realidades é a que provê

formação cultural e científica, que possibilita o contato dos alunos com a cultura, aquela cultura provida pela ciência, pela técnica, pela linguagem, pela estética, pela ética. Especialmente, uma escola de qualidade é aquela que inclui, uma escola contra a exclusão econômica, política, cultural, pedagógica.