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Rømt oppdrettslaks

8.1 Vurdering av de enkelte trusselfaktorene

8.1.12 Rømt oppdrettslaks

O estudo proposto objetivou, primeiro, conhecer e, segundo, analisar como se configura a relação de professores de Matemática com a Literatura e qual elo estabelecem entre essa relação, sua vida pessoal, seu desenvolvimento cultural e a suas atividades profissionais.

Tratou-se de uma pesquisa que também almejou obter conhecimento acerca do posicionamento de professores de Matemática frente à Literatura, compreender as causas desse posicionamento e verificar se a Literatura é, efetivamente, e de que forma, indispensável àquele que ensina e, particularmente, aos professores de Matemática, contrapondo para efeito de estudos a Matemática e Literatura, para muitos, dois campos de conhecimento que não possuem relações, estando diametralmente opostos e infinitamente distantes.

A priori, como relatado nos percalços da pesquisa, foi notadamente difícil encontrar um grupo de professores de Matemática que realmente estivesse disposto a conversar sobre Literatura, tendo em vista as desistências ou omissões de muitos deles quando perceberam a ênfase que o questionário construído dava a essa temática. Estranhamente, todos os professores de Matemática com os quais entrei em contato participavam de congressos, fóruns ou encontros onde a pesquisa sustentava os debates e as produções textuais desses eventos, o que não foi suficiente para sensibilizá-los, em outras palavras, o receio ou a recusa em participar de uma pesquisa num ambiente carregado delas.

Quanto aos resultados, comentaremos a seguir, o que se configura, em tese, como algumas conclusões.

Surpreende e pode-se dizer que tenha sido uma boa surpresa perceber que mais da metade dos professores entrevistados se mostraram abertos ao contato e à prática da leitura de obras literárias. Desse grupo, metade revelou serem leitores desse tipo de texto, tanto de Literatura brasileira clássica quanto estrangeira moderna.

Cabe destacar que as impressões de muitos desses professores sobre as obras da Literatura clássica brasileira, em particular, continuam imersas nos ambientes educativos sob o viés da obrigatoriedade dos objetivos disciplinares da educação básica ou da cobrança em pré- vestibulares. Tal quadro se arrasta pelo menos há duas décadas, haja vista ter o pesquisador

vivido situação semelhante em sua vida estudantil, conforme destacou no trabalho. Esse quadro, contudo, não impediu, inclusive, que um terço de nossos professores de Matemática citassem algumas das obras exigidas como leitura obrigatória dos vestibulares como obras que mais gostaram.

Sobre as relações que esses professores de Matemática observam entre Literatura e Matemática, constatamos que a maioria deles percebe algumas relações, dentre elas, a existência da possibilidade de trabalho com conteúdos de Matemática a partir do uso de obras literárias e a união de ambas para influenciar a prática da leitura entre os alunos.

Nenhum dos professores entrevistados concebeu a Matemática e a Literatura como processos criativos e assim deixaram de perceber que ambas possuem muitos elementos convergentes que vão além da sala de aula, mas que dela também fazem parte, em particular, a imaginação, a intuição, elementos estéticos como padrões, rigor e ainda, como duas linguagens.

Ainda que muitos não tivessem destacado relações entre a Matemática e a Literatura que fossem para além de suas utilidades pedagógicas, a maioria dos professores de Matemática entrevistados credita à leitura de obras literárias a potencialidade de influenciar em seus desenvolvimentos culturais e em suas atividades de ensino, ainda que as vejam atuar, com mais ênfase, direcionadas às suas práticas pedagógicas, seja no sentido de contribuir com o processo de ensino e aprendizagem da Matemática ou de possibilitar que os alunos escrevam e se expressem melhor, motivos que, também, aparecem maciçamente quando questionados sobre o fato de incentivarem seus alunos a ler.

Nota-se que não há uma variabilidade de respostas. Os professores de Matemática entrevistados atribuem à leitura de obras literárias um caráter utilitário, carregado de imediatismo, que apenas ratifica a impressão inicial do pesquisador, exposta na introdução, que destacou o uso que se faz dessas leituras, exclusivamente, como ferramenta para resolver situações-problema, na medida em que pode contribuir com suas interpretações.

Convém destacar que apesar de descrevermos as análises e alguns cruzamentos delas decorrentes, faltaram questões para esclarecer mais completamente o posicionamento dos professores.

O que está em jogo não é deixar de fazer valer essa premissa que agora se transformou em conclusão, mas também, fazer conceber a leitura de obras literárias como elemento vinculado a uma formação mais geral, humana e social que possa impactar positivamente no processo de ensino e aprendizagem da Matemática, tanto direta quanto indiretamente, na medida em que Literatura e Matemática, como vimos, possuem relacionamento íntimo do ponto de vista de seus processos criativos.

Com intuito de provocar outras pesquisas, algumas perguntas são muito necessárias: como poderíamos analisar o impacto positivo da leitura de obras literárias nas atividades de ensino de professores de Matemática para além de seu caráter utilitário e de imediatismo que foi observado? Que tipos de obras literárias poderiam “ganhar” a atenção dos professores e despertá-los para a necessidade de que a Literatura figura como um saber docente necessário à aprendizagem da docência, que vai além do conhecimento dos conteúdos, pedagógicos e didáticos?

Que esse trabalho sirva de estudo preliminar no sentido de podermos ampliar mais essa discussão, integrando campos de conhecimento / componentes curriculares na busca de uma formação pessoal e profissional que não se esvazie de conteúdos, mas que também não isole os conhecimentos como se eles não pudessem ser entendidos, à sua medida, como entidades que se relacionam, ainda que pareçam aos primeiros olhares tão diferentes, como a Literatura e a Matemática. Essa foi a proposta do trabalho. Essa é a proposta do programa de pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura e essa pode ser uma das propostas de formação destinada a todo e a qualquer professor.