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QUALITATIVE RESEARCH INSTRUMENTS

OVERVIEW OF RESEARCH METHOD AND DESIGN

5.7 QUALITATIVE RESEARCH INSTRUMENTS

Elói mostrou interesse quanto às palestras dos professores Tadeu (sobre “pesquisa docente da própria prática”) e Terezinha (sobre “projetos de investigação em aula”), ambas ocorridas no primeiro semestre de 2011. Fez perguntas e expôs opiniões publicamente durante os dois encontros. Em seu relatório escrito acerca da disciplina Estágio Supervisionado III, defendeu as seguintes ideias quando se reportou às duas palestras: (i) o professor deveria centralizar o ensino no aluno, que passaria a ser sujeito de sua própria aprendizagem, com os seus conhecimentos levados em consideração (pelo docente) nesse processo; (ii) o professor deveria efetivar diagnósticos em sala de aula para saber quais são as dificuldades e as facilidades dos estudantes; (iii) o professor teria que pesquisar a sua própria prática objetivando melhorá-la, sempre se preocupando com o conhecimento do aluno. De acordo com Paiva (2006), a Matemática escolar deve ser recriada em condições diferentes daquelas que oportunizaram a sua construção original. Nesse sentido, entendemos que, uma vez respeitados os conhecimentos prévios do discente, a parte da transposição que cabe ao professor poderá corresponder a um ensino cujos encadeamentos elevem o nível de compreensão de tal aluno.

Salientamos que, no transcurso da disciplina Estágio Supervisionado III, as aulas na escola-laboratório não foram propriamente marcadas pelo labor investigativo nos termos em que estávamos planejando trabalhar com os estagiários. Os graduandos encontravam-se ainda na fase de elaboração dos seus projetos de pesquisa, tendo em vista o segundo semestre letivo de 2011. As palestras, entre elas as dos professores Tadeu e Terezinha, trouxeram-lhes subsídios nesse sentido, afora as nossas reuniões periódicas para orientá-los quanto ao que representava a pesquisa docente da própria prática e quanto à construção de seus projetos.

Durante as aulas-investigações de Elói no segundo semestre letivo de 2011 (Estágio Supervisionado IV), poderíamos citar, no graduando, as seguintes características, que, para nós, guardaram ligação com a categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática docente”: (i) defesa e prática da exposição dialogada; (ii) aulas-investigações com fundamentação teórica em Carl Rogers (“Teoria da Aprendizagem Centrada na Pessoa / no Aluno”) e em Abraham Maslow (“Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas”); acerca das proposições de Rogers, Almeida (2000) destaca que a aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do seu processo; em se tratando de Maslow, Saldanha (2008) ressalta que, para que haja avanço da pessoa, o seu autoconhecimento em direção à sua humanidade deve vir da consciência da própria identidade, o que inclui saber o que se é como membro da espécie e da cultura, saber acerca das próprias capacidades, desejos e necessidades, bem como saber qual é o seu propósito existencial; (iii) percepção, durante as aulas-investigações, de que os alunos não se lembravam de certos conteúdos de anos letivos anteriores e, então, dedicação de parte do tempo didático para revisões de assuntos matemáticos com a turma; (iv) percepção de que o rendimento dos alunos melhorava quando se levava em conta o apelo visual (ELÓI, TCC / Relatório escrito do Estágio IV), a exemplo do trabalho que realizou com o software Geogebra; (v) manutenção de um bom relacionamento com os alunos, interessando-se em escutá-los e em entendê-los. Em suas respostas ao Questionário II (pós-investigativo) e à Entrevista II, destacamos as seguintes características nos dizeres de Elói, as quais nós entendemos relacionarem-se com a categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática docente”: (i) defesa de que pesquisar a própria prática é refletir sobre ela, buscando maneiras diferentes de ensinar; (ii) concepção de que pesquisar a própria prática permite ao professor saber se a sua maneira de ensinar agrada aos alunos; (iii) opinião de que o vínculo entre estágio e investigação traz experiência; faz com que se aprenda a pesquisar e traz suporte para a

busca de uma melhor prática de ensino; (iv) opinião de que as práticas investigativas vivenciadas repercutiram em sua formação, ressaltando que elas trazem oportunidades para se conhecerem mais os alunos e oportunidades para se saber se eles estão aprendendo; (v) desejo de ser professor pesquisador, tendo em vista aperfeiçoar a sua prática, sempre vendo o lado dos alunos; (vi) concepção de que a docência associada com pesquisa repercute no modo de o professor ver o aluno: “o professor, assim, passa a conhecê-lo, melhorando o seu relacionamento com ele, verificando por que o discente não aprende e tentando outros recursos didáticos para se tornar compreendido”. A propósito, se levarmos em conta as singularidades de cada aluno, concluiremos que se tornará necessário o desenvolvimento de atividades e de métodos diversos para alcançarmos um número maior de estudantes (PETRAGLIA, 2006).

As afirmações e os comportamentos de Elói no que se refere ao âmbito investigativo, à semelhança de aspectos também observados em Altair no transcurso de 2011, levam-nos a concordar com Ponte & Oliveira (2002) quando sustentam que é possível o desenvolvimento da identidade profissional durante o período de formação inicial, o qual abarca, naturalmente, a fase referente ao estágio supervisionado.

Altair

A série de palestras a que assistiu durante a disciplina Estágio Supervisionado III, inclusive as apresentações dos professores Terezinha e Tadeu (sobre “projetos de investigação em aula” e sobre “pesquisa docente da própria prática”, respectivamente), foi classificada por Altair como importante. Em seu relatório escrito, que nos entregou no último dia de aulas do semestre, o graduando expressou os seguintes juízos, que guardam vínculo, de nosso ponto de vista, com a classe “Investigação e aperfeiçoamento da prática docente”: (i) defesa da possibilidade, através (da elaboração e da execução) do projeto de pesquisa, de refletir sobre a profissão de educador, de conhecer, de produzir conhecimento, de aprimorar práticas didáticas; (ii) defesa do exercício profissional marcado pela excelência e pela alta qualidade a partir da prática da pesquisa docente, o que nos remete à asserção de que a formação objetivando a docência de qualidade tem que se fundamentar na investigação (BARREIRO & GEBRAN, 2006); (iii) concepção de que a pesquisa docente (da própria prática) leva o professor a desenvolver um método de ensino e a obter resultados com esse método; (iv) concepção de que a pesquisa docente (da própria prática)

faz o professor conhecer-se melhor como profissional e faz com que aprimore a sua didática.

Durante as aulas-investigações que Altair protagonizou no segundo semestre letivo de 2011 (Estágio Supervisionado IV), observamos nele as seguintes características, que, em nosso julgamento, mantêm ligação com a categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática docente”: (i) fundamentação teórica de sua pesquisa no ideário de Henri Wallon (Teoria dos Campos Funcionais); nesse sentido, é preciso lembrar que o papel da escola não se restringe à instrução, mas ao desenvolvimento de toda a personalidade, devendo-se, para tanto, considerar os campos motor, afetivo e cognitivo (MAHONEY, 2000); (ii) cultivo do hábito de rever ou de rememorar com a turma, antes de cada dinâmica didático- investigativa, os assuntos matemáticos que seriam trabalhados; (iii) durante as atividades letivas / investigativas (que tinham a ver com jogos entre equipes), desenvolvimento, pelo estagiário, no quadro branco, da questão sorteada (após “a equipe da vez” haver tentado resolvê-la), socializando-a com todos antes de divulgar a resposta; (iv) durante as aulas- investigações, manutenção de um bom relacionamento com os alunos e preocupação com eles, transmitindo-lhes segurança e prendendo-lhes a atenção mediante um temperamento calmo e descontraído; (v) consciência de que a pesquisa leva o professor a criar estratégias novas para ensinar, para aprender, para chamar a atenção e para despertar o interesse dos alunos (ALTAIR, Relato oral, dezembro/2011); (vi) consciência de que o professor deve buscar novas alternativas para ensinar (ALTAIR, Relato oral, dezembro/2011).

Nas respostas de Altair ao Questionário pós-investigativo e à Entrevista II, observamos as seguintes características, que julgamos estarem em consonância com a categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática docente”: (i) desejo de voltar a utilizar (em outras aulas e/ou quando estiver formado) jogos para motivar alunos, já que, de acordo com a sua percepção, as atividades letivas / investigativas com esse recurso metodológico obtiveram êxito; (ii) avaliação de que houve reflexo das práticas investigativas em sua formação na medida em que, “se não tivesse aberto a mente para os jogos” (fato que ocorreu durante as referidas práticas), talvez, como professor, não viesse a utilizar esse recurso didático; (iii) concepção de que a docência associada com pesquisa repercute no modo de o professor ver o aluno, pois, através dessa associação, o professor cultivaria um “olhar psicológico” – podendo entender aquilo por que os estudantes estão passando, o que eles estão vivendo e do que estão precisando – objetivando a melhoria do ensino e da aprendizagem.

Elói e Altair: pontos e contrapontos

Não percebemos uma afirmação explícita dos estagiários, quando da entrevista e do questionário (pré-investigativos) a que foram submetidos em março de 2011, que nos levasse a crer que desejavam ser professores pesquisadores com o intuito de aperfeiçoarem as suas práticas docentes.

Após as palestras a que assistiram por ocasião de alguns dos encontros da disciplina Estágio Supervisionado III, particularmente depois das apresentações dos professores Tadeu (sobre “o professor pesquisador da sua própria prática”) e Terezinha (sobre “projetos de investigação em aula”), Elói e Altair manifestaram-se favoráveis à figura do professor pesquisador, em concordância, segundo nossa interpretação, com algumas categorias que elaboramos, entre elas: “Investigação e aperfeiçoamento da prática docente”.

Em que pese sua relativa inexperiência docente e investigativa à época das palestras, Elói e Altair emitiram juízos (que consideramos) plausíveis acerca do magistério e da pesquisa da própria prática, fazendo-nos aquiescer com Polettini (1999), para quem os contextos pessoais e profissionais estão interligados, podendo a formação do professor e o seu desenvolvimento profissional transcorrerem tanto no período de graduação quanto na fase em que, possuindo um diploma de habilitação ao magistério, ele já se encontre a lecionar oficialmente. Além disso, estando a identidade ligada ao poder de reflexão (IMBERNÓN, 2009), como afirmar que as opiniões emitidas pelos dois estagiários não guardaram vínculo com sua constituição identitária?

Em seu relatório escrito que nos fora entregue no final do primeiro semestre, ao referir-se às palestras Elói defendeu o ensino centrado no aluno e a produção de diagnósticos acerca de dificuldades e facilidades dos estudantes. Apoiou a realização de pesquisas docentes sobre a própria prática tendo em vista aperfeiçoá-la, devendo o professor sempre se preocupar com o conhecimento discente. Essa postura prenunciava o caminho pelo qual iria enveredar em sua pesquisa: Elói tomou Carl Rogers como um dos autores basilares na investigação que levou a efeito durante o segundo semestre de 2011.

Ao reportar-se às palestras de Tadeu e de Terezinha em seu relatório escrito a propósito da disciplina Estágio Supervisionado III, Altair focalizou o autoconhecimento proporcionado pela pesquisa docente, o qual levaria o professor a tentar melhorar as suas

práticas. Recorreu a expressões do tipo: “aprimoramento de práticas didáticas” e “exercício profissional marcado pela excelência e pela alta qualidade”.

No segundo semestre letivo, ao desenvolverem as suas aulas-investigações, ambos os estagiários, de nosso ponto de vista, expressaram características afetas à categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática docente”. Elói, conforme já havíamos antecipado, fundamentou-se parcialmente em Carl Rogers (também recorreu ao ideário de Abraham Maslow). A propósito, em suas atividades, deu ênfase à exposição dialogada. Altair, sem desconsiderar exposições dialogadas, buscou trabalhar atentando para os campos funcionais da teoria de Henri Wallon: analisou a influência, sobre tais campos (ou melhor, sobre a afetividade, a motricidade, a inteligência e a relação “Eu-Outro”), do subsídio proporcionado por “dinâmicas letivas com jogos”.

Ambos tentaram ser amigáveis e compreensivos relativamente aos jovens que contataram na escola, fato que nos remeteu a um ponto de vista de Morin (2002b, p. 100): “(...) Se descobrirmos que somos todos seres falíveis, frágeis, insuficientes, carentes, então podemos descobrir que todos necessitamos de mútua compreensão”. Nesse sentido, inclusive, os dois estagiários, ao perceberem que determinado assunto, digamos, certo assunto convencionalmente lecionado em um dos anos do Ensino Fundamental, havia sido esquecido ou não tinha sido assimilado por um ou mais alunos (e ao perceberem que isso talvez viesse a refletir no processo de ensino e de aprendizagem ligado às aulas- investigações que estavam sob a sua responsabilidade), não se opunham a expor tal conteúdo aos interessados, repetindo a exposição tantas vezes quantas julgassem que fosse necessário.

No que diz respeito ao questionário e à entrevista a que foram submetidos após o encerramento das dinâmicas didático-investigativas (dezembro de 2011), ambos voltaram a emitir juízos que poderíamos aliar à categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática docente”. Elói defendeu a ideia de que pesquisar a própria prática é refletir sobre ela, buscando maneiras distintas de ensinar, em concordância com Bortoni-Ricardo (2008), para quem o professor pesquisador, refletindo sobre a sua ação, tenta desenvolver aspectos positivos e superar deficiências. A pesquisa, segundo esse estagiário, também permitiria ao professor saber se o seu modo de ensinar estaria agradando aos alunos, o que pensamos coadunar-se, de certa forma, com a visão de Alarcão (2003), segundo a qual o senso crítico acontece através do diálogo. A seu turno, Altair deu ênfase ao recurso metodológico que

utilizara, ou seja, deu relevo ao “jogo em aulas de Matemática” como subsídio para uma prática pedagógica em que se almejassem resultados exitosos.

Enfim, os dois estagiários, ainda em resposta à entrevista e ao questionário de dezembro de 2011, concordaram com o fato de que, sendo pesquisador da própria prática, o professor tende a conhecer (melhor) os seus alunos, podendo identificar recursos didáticos com o auxílio dos quais se torne compreendido por eles e/ou faça-os aprender (melhor). Nesse sentido, “(...) O sujeito surge para o mundo integrando-se na intersubjetividade, no seu meio de existência, sem o qual não existiria (...)” (ALMEIDA et

al., 2006, p. 17).

5.2 Investigação e auto-observação