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Q UESTIONNAIRES FOR ASSETS IDENTIFICATION

É  missão  do  diretor  de  cena  decidir  como  será  a  divisão  dos  personagens  para  cada  ator  que  compõe  o  espetáculo.  Por  isso,  o  texto  precisa  estar  muito  bem  lido  e  definido para não haver erros nas escolhas. O diretor pode tanto seguir um viés estético  na escolha, como também um perfil mais físico.  

O  personagem  é  um  elemento  vivo  de  uma  obra  narrativa  (COBRA,  2006);  um  componente visual do espetáculo (MANTOVANI, 1989). Os personagens formam o grupo  chamado elenco. O elenco é divido em: 

Protagonista: é o personagem principal de uma narrativa e quem comanda a ação.  Antagonista:  é  a  figura  que  se  opõe  ao  protagonista,  rivalizando  com  ele;  é  também chamado de vilão. 

Coadjuvantes:  são  os  figurantes  em  torno  do  protagonista.  Alguns  coadjuvantes  podem  aparecer  como  meros  figurantes,  mas  podem  vir  a  ter  importância  no  desenvolver da história.  Oponentes: são os personagens que auxiliam o antagonista.    Pode‐se perceber, assim, a versatilidade que é exigida de um ator para dar conta  desse universo variado de personagens. Para Bornheim (1983), o ator deve dispor, em  princípio, de uma técnica universal. A mistura dos gêneros, o fato de interpretar textos  das mais diversas épocas e culturas, exigirá do ator a realização de um trabalho inédito .         

 

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4. A PEÇA TEATRAL “NA FLORESTA”

 

  Apresentado o embasamento teórico deste trabalho e as orientações que guiaram  a montagem da peça, neste terceiro capítulo será exposto como se deu a realização da  peça  “Na  Floresta”,  desde  sua  a  concepção,  e  a  formação  da  equipe  de  trabalho,  até  a  evolução da montagem da peça. 

   

4.1 Concepção 

O projeto da peça “Na Floresta” foi concebido no início do ano de 2010, na cidade  de São Paulo, por ocasião de um convite para dirigir e produzir o trabalho. O trabalho foi  realizado  em  uma  comunidade  evangélica  no  bairro  de  Vila  Maria  Alta,  zona  norte  da  capital  paulista.  Nessa  época,  já  formado  em  teatro,  a  responsabilidade  de  se  criar  e  dirigir uma peça teatral de reconhecida qualidade se tornara uma obrigação. 

Quando foi iniciado o projeto da peça, em agosto de 2010, a primeira providência  foi  escolher  uma  equipe  de  produção  à  qual  seriam  delegadas  áreas  específicas,  tais  como: figurino, cenário, maquiagem, som, iluminação, stage manager2, atores e músicos.  Nesse  processo  inicial,  readaptamos  o  texto  original  e  produzimos  os  arranjos  das  músicas,  pois  havia  o  anseio  em  incrementá‐lo,  dando  uma  novas  versões  ao  musical,  incluindo personagens, retirando outros e acrescentando novos textos. 

O musical “Na Floresta” é uma adaptação da peça “A Festa na Floresta” de Allison  Silva. Originalmente, o autor havia escrito a história para seus filhos e compartilhou‐a,  posteriormente,  com  seus  amigos;  eles  publicaram‐na  em  um  livro  infantil  com  ilustrações, letras das músicas e um CD contendo, além das músicas, a narração de sua  história. Allison nasceu em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, em 1962, onde, desde  pequeno, se interessou por música. Tornou‐se pastor evangélico e trabalhou com obras  assistenciais junto ao Centro Social Betesda, que promove atendimento, educação formal  e alimentação para cerca de três mil crianças no Estado do Ceará. Ele criou os textos e as  músicas da peça “A Festa na Floresta” no ano de 1999, sendo também o ano da primeira  edição  do  livro  infantil,  publicado  pela  editora  Abba  Press.  Infelizmente,  o  compositor  faleceu no dia 9 de fevereiro de 2010, com apenas 47 anos; deixou a esposa Jacqueline e  três filhos Leonardo, Julie e Camile.           2 Stage manager é o nome original inglês para o coordenador de palco, responsável por gestão  de encenações, atores, técnicos, adereços e acessórios de cena, bem como a ligação com a frente  do palco e do diretor. Responsável por toda transição entre a frente e atrás do palco.   

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4.2.1 Escolhendo os atores 

Para  Cobra  (2006),  o  candidato  deve  ser  apto  em  três  aspectos:  ter  saúde,  ter  boa ressonância de voz e inteligência. Além disso, 

 

Não  pode  ser  inseguro,  ter  dicção  pobre,  comportamento  corporal  desleixado.  Deve  demonstrar  também desejo  de  crescimento  e   liderança;  interesse  em  desafios.  Aqueles  que,  por  falta  dessas  qualidades, não forem participar como atores, terão oportunidade para  colaborar  como  figurinistas,  músicos,  cenógrafos,  encarregados  de  levantar recursos materiais e financeiros, etc. Alguém que trabalhe com  madeira poderá ajudar com o cenário, e um eletricista colaborar com a  iluminação. Os que não se interessarem prontamente por qualquer dos  sectores técnicos, provavelmente estarão esperando uma oportunidade  como atores (COBRA, 2006).   

4.2.2 Primeira reunião 

No primeiro contato, é importante que se faça um debate bem atento ao enredo  teatral. Apontar e expor dúvidas a respeito do texto, intenções e rubricas, pois é nesse  ponto que conhece a linguagem da peça. Assim,   

O  coordenador  lerá  o  plano  da  peça  com  a  indicação  provisória  das  funções  técnicas  e  dos  personagens.  Essa  primeira  leitura  do  plano  da  peça é para o esclarecimento do texto, o entendimento dos personagens,  do estilo, da linguagem, do ritmo da narrativa e da encenação, e do seu  objetivo  educacional.  Explicará  que  o  Teatro  pedagógico  lida  com  problemas  críticos  que  afetam  a  todos:  questões  de  amor,  lealdade  e  amizade,  condição  do  adolescente  sujeito  a  exploração  e  desencaminhamento,  questões  entre  pais  e  filhos,  etc.  Deve  apontar  as  ideias  importantes  que  o  autor  deseja  revelar  através  de  sua  obra.  É interessante que haja algum tempo livre para discussão do tema  da peça e de questões a ele relacionadas. O aluno‐ator poderá, no debate,  ser  a  favor  ou  contra  a  tese  principal  apresentada  pelo  dramaturgo,  independentemente  de  qual  deva  ser  o  partido  que  tomará  o  seu  personagem.   Em  cena,  porém,  sua  personalidade  e  suas  opiniões  não  irão  prevalecer  nem  devem  influir.  Ele  pode,  mesmo,  ser  encorajado  a  treinar  os  pontos  de  vista  do  seu  antagonista,  como  se  fosse  trocar  de  papel. O que realmente terá que fazer em todas as circunstancias de sua  representação  será imaginar  e  executar  as  coisas  escritas  pelo  autor. Esforçando‐se  nesse  sentido,  poderá  progredir  muito  rapidamente,  partindo  de  uma  total  ignorância   artística  em  relação  ao  teatro,  para  uma  razoável  sensibilidade  estética  em  poucos  meses  de  ensaio e estudos. Após o melhor entendimento dos personagens a serem  representados, poderá ocorrer a necessidade de algumas realocações de  papeis (COBRA, 2006).   

 

 

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4.2.3 Leitura de mesa 

Após  a  escolha  dos  atores  e  a  primeira  reunião,  faz‐se  uma  “leitura  de  mesa”,  que é a primeira leitura, já dentro dos personagens, também chamada de “leitura branca”  sem entonação ou inflexão. Trata‐se de uma leitura normal do texto, como se estivesse  conversando. Cobra (2006) considera uma leitura em comum do texto, cada um com a  sua fala, lida como leitura  “plana”, no tom normal de uma conversa.   

4.2.4 Ensaio de palco 

Chamamos  de  ensaio  de  palco  quando  se  iniciam  as  movimentações  e  marcações das cenas, mesmo que ainda segurando o roteiro em mãos, no caso de ainda  não  ter  decorado  o  texto.  Na  maioria  das  vezes,  no  teatro  profissional,  não  há  a  disponibilidade  de  se  ensaiar  diretamente  no  palco.  Para  isso,  existem  as  salas  de  ensaios,  espaços  com  o  chão  recoberto  de  material  antiderrapante,  que  amortece  qualquer eventual queda, como linóleo, e paredes com espelhos que permitam ao ator  acompanhar sua movimentação e suas expressões.   

4.2.5 Respeito ao diretor 

A importante relação entre ator e diretor deve ser mantida sempre com respeito.  Porém, há uma hierarquia; o ator sofre influencia direta de seu diretor e, de certo modo,  presta  conta  de  seus  atos  em  cena.  O  ator  carrega  uma  responsabilidade  de  seus  atos  para cumprir as indicações e pontuações que recebe do diretor de cena. 

O  ator  pode  perder,  em  certos  momentos,  os  limites  em  cena.  Isso  acontece  quando  ele  conduz  a  cena  de  um  modo  que  não  esteja  demarcado  e  ensaiado.  Isso  se  torna  um  maneirismo  e  acaba  se  tornando  uma  indisciplina  por  ultrapassar  notoriamente as indicações do dramaturgo.