Como já referido foram realizadas 307 espirometrias. Destas, 90,2% (277/307) cumpriram os critérios de qualidade definidos (figura 4). Note-se que, do conjunto das espirometrias validadas, foram retiradas oito que correspondiam aos idosos com mais de
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95 anos (ver critérios de seleção no capítulo "Materiais e métodos"), constituindo-se, desta forma, uma amostra de 269 idosos.
Figura 4 - Proporção de espirometrias validadas pela equipa.
Os motivos para a não validação das espirometrias assentaram numa má colaboração generalizada em 50,0% (15/30) dos casos, em 43,3% (13/30) por não terem atingido os 6 segundos de expiração ou o planalto expiratório e em 6,7% (2/30) por terem volume de extrapolação (tabela 27).
Tabela 27 - Motivos para a não validação das espirometrias (n=30) n (%)
Má colaboração generalizada 15 (50,0)
Tempo expiratório < 6s ou ausência de planalto expiratório (>1seg) 13 (43,3)
Volume de extrapolação/sopro lento 2 (6,7)
Do conjunto das espirometrias validadas foram selecionados três marcadores de boa colaboração, nomeadamente o tempo expiratório, o volume de extrapolação e a percentagem do PEF, para os quais se observaram, respetivamente, as seguintes médias: 5,2±2,1 seg, 0,03±0,01 L e 90,6±37,5%.O número médio de repetições até atingir os critérios para finalização do exame foi de 6,3±1,7 tentativas. Os resultados apresentam- se na tabela 28.
Tabela 28 - Características dos marcadores de qualidade nas espirometrias validadas
Média (dp) Mín-Máx
Mediana (P25-P75)*
Tempo expiratório (seg) 5,2 (2,1)
(3-13) 5(4-7) Volume de extrapolação (L) 0,03 (0,01) (0,01-0,07) 0,03 (0,02-0,04) %PEF (%) 90,6 (37,5) (31-167) 92 (62-114) Tentativas 6,3 (1,7) (3-10) 6 (5-7)
dp - desvio padrão; %PEF - percentagem do débito expiratório máximo em relação ao previsto; P25-percentil 25; P75 - percentil 75.
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No apêndice 2, podem ser consultados os resultados referentes aos dados sociodemográficos, aos sintomas, à exposição ambiental, aos hábitos tabágicos, ao MMSE e aos biomarcadores gerais de saúde dos 30 idosos, excluídos por não cumprirem os critérios e qualidade para a espirometria.
5.4.2. Resultados da Espirometria
Da avaliação por espirometria estudaram-se os seguintes parâmetros: a FVC, o FEV1, a relação FEV1/FVC e o FEF25%-75%.
Para a FVC obteve-se uma média de 1,93±0,71 L e a %FVC foi de 80,7±23,0%, tendo as mulheres obtido valores medidos mais baixos mas com %FVC superior em relação aos homens. Comparou-se o valor obtido da %FVC com o limiar fixo da normalidade (80%) e não se encontraram diferenças estatisticamente significativas. Os resultados correspondentes encontram-se na tabela 29.
Tabela 29 - Capacidade vital forçada (n=269) Média (dp) Mín-Máx Mediana (P25-P75)* p† FVC (L) Mulheres 1,73 (0,50) (0,71-3,06) 1,71(1,42- 2,08) Homens 2,53 (0,81) (0,80-4,33) 2,5 (1,92- 3,18) %FVC (%) Mulheres 82,2 (22,7) (30,3-148,4) 83,5 (69,0-95,4) 0,322 Homens 78,4 (24,0) (24,34-134,69) 79,9 (62,2-96,4) 0,588 %FVC - percentagem da capacidade vital forçada em relação ao valor previsto; FVC - capacidade vital forçada; dp- desvio-padrão; P25-percentil 25; P75 - percentil 75.
* Método de Tukey´s Hings
††Teste t para uma amostra (considerando o limiar da normalidade de 80%)
O FEV1 apresentou um a média de 1,38±0,54 L e a %FEV1 foi de 76,2 ± 25,3%, tendo as mulheres obtido valores medidos mais baixos mas com %FEV1 superior em relação aos homens. Se avaliarmos a média da %FEV1 e o limite fixo da normalidade de 80%, é possível observar que aquela apresenta valores inferiores, sendo que esta diferença não se revelou estatisticamente significativa. Os resultados correspondentes encontram-se na tabela 30.
Joana Belo 103 Tabela 30 - Volume expiratório máximo no primeiro segundo da capacidade vital forçada (n=269)
Média±dp Mín-Máx Mediana (P25-P75)* p† FEV1 (L) Mulheres 1,26 (0,41) (0,36-2,30) 1,23 (0,96-1,56) Homens 1,76 (0,65) (0,38-3,18) 1,78 (1,33-2,14) % FEV1 (%) Mulheres 78,2 (24,8) (19,7-158,7) 77,6 (63,4-95,6) 0,213 Homens 72,8 (26,2) (11,1-133,98) 72,9 (60,8-87,7) 0,105
dp-desvio-padrão; %FEV1- percentagem do volume expiratório máximo no primeiro segundo da capacidade vital forçada em relação ao seu valor previsto; FEV1- volume expiratório máximo no primeiro segundo da capacidade vital
forçada; P25-percentil 25; P75 - percentil 75. * Método de Tukey´s Hings
†Teste t para uma amostra (considerando o limiar da normalidade de 80%)
Os resultados referentes à relação FEV1/FVC estão ilustrados na tabela 31. A média deste parâmetro foi de 71,0±10,4%, com valores mais baixos para os homens. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre a média da relação FEV1/FVC e o limite fixo da normalidade de 70%.
Tabela 31 - Relação entre o volume expiratório máximo no primeiro segundo da capacidade vital forçada
e a capacidade vital forçada (n=269)
Média (dp) Mín-Máx Mediana (P25-P75)* p† FEV1/FVC (%) Mulheres 72,1 (9,4) (41,0-95,0) 73(67,0-78,1) 0,103 Homens 68,8 (11,6) (30,0-89,0) 70,5(63,0-75,0) 0,209
dp-desvio-padrão; FEV1/FVC – relação entre o volume expiratório máximo no primeiro segundo da capacidade vital forçada e a capacidade vital forçada; P25-percentil 25; P75 - percentil 75.
* Método de Tukey´s Hings
††Teste t para uma amostra (considerando o limiar da normalidade de 70%)
O FEF25-75% apresentou uma média de 1,05±0,61 L/s e a %FEF25-75% foi de 71,5±40,4%. As mulheres apresentaram valores medidos mais baixos, porém sem diferenças no %FEF25-75% em relação aos homens. Quando comparado o %FEF25-75% com o valor fixo para a normalidade de 65%, verifica-se que aquele é superior, com elevada significância estatística. Os resultados estão ilustrados na tabela 32.
Joana Belo 104 Tabela 32 - Débito expiratório máximo intermédio (n=243)
Média (dp) Mín-Máx Mediana (P25-P75)* p† FEF25-75% (L/s) Mulheres 0,96 (0,53) (0,14-2,92) 0,89 (0,56-1,28) Homens 1,26 (0,75) (0,18-3,42) 1,14 (0,74-1,65) %FEF25-75% (%) Mulheres 71,9 (39,3) (10,3-211,9) 63,4 (39,9-94,4) 0,043 Homens 71,0 (43,4) (6,86-225,8) 64,7 (43,1-86,9) < 0,01
%FEF25-75% - percentagem do débito expiratório máximo intermédio em relação ao seu valor previsto; FEF25-75% - débito expiratório máximo intermédio; dp-desvio-padrão; P25-percentil 25; P75 - percentil 75.
* Método de Tukey´s Hings
††Teste t para uma amostra (considerando o limiar da normalidade de 65%)
A interpretação dos resultados da espirometria encontra-se na tabela 33 e são apresentados de acordo com o LLN (LMS) e o limite fixo da normalidade. Pode-se observar que a proporção de espirometrias sem alterações é superior utilizando o LLN (LMS) em comparação com a aplicação do limite fixo. Em relação às alterações ventilatórias, a aplicação do limite fixo identifica mais espirometrias com alteração ventilatória obstrutiva, quando se compara com a proporção identificada pelo LLN (LMS).
Tabela 33 - Padrão espirométrico (n=269)
n(%) Padrão ventilatório por LLN(LMS) Normal 174 (64,7)
Obstrutivo 39 (14,5) Restritivo 56 (20,8) Padrão ventilatório por limite fixo Normal 101 (37,6)
Obstrutivo 109 (40,5) Restritivo 59 (21,9) LLN - limite inferior da normalidade; LMS - método lambda-mu-sigma.
5.4.3. Resultados do condensado brônquico do ar exalado
Do resultado do EBC, pode verificar-se que a média obtida para o pH foi de 7,05 ± 1,04 que se revelou estatisticamente inferior ao limite considerado de 7,4. Tendo em conta este limiar, 47,3% (71/150) das amostras de EBC apresentaram um resultado compatível com inflamação (maior acidez). Os resultados estão representados na tabela 34.
Joana Belo 105 Tabela 34 - Condensado brônquico do ar exalado (n=150)
n (%) Média (dp) Mín-Máx Mediana (P25-P75)* p† pH 7,05 (1,04) (4,10-8,60) 7,45 (6,27-7,90) <0,001 Resultado do pH >7,4 79 (52,7) <7,4 71 (47,3) dp-desvio-padrão; P25-percentil 25; P75 - percentil 75.
* Método de Tukey´s Hings
††Teste t para uma amostra (considerando o limiar de 7,4)