A psicanálise, com sua teoria do aprés coup, emudeceria confrontada à questão: como age o primeiro instante sobre o segundo, separados que estão no tempo, se é o segundo que confere força ao primeiro? Mesmo se suposta uma amálgama imaginária dos presentes atual e antigo, o mais recente vivificando o outro, não sairíamos dos territórios de um sujeito solipsista. E ua toàF eudà ost a que uma fantasia é constituída sobre duas séries de base ao menos, uma infantil e pré-genital, outra genital e pós-pu e t ia ,àa gu e taàDeleuze,à àe ide teà ueà estas séries se sucedem no tempo, do ponto de vista de um inconsciente solipsita colocado em uest o à DELEU)E,à ,àp.à .àáà epetiç oà aà elaç oàdeàt a sfe ia,àpo àe e plo,à àdeà um presente a outro, um evento (ou certo modo de relação a outrem) semelhante ao antigo presente –A repetindo A? Se sim, o modelo aí empregado é o de uma repetição mecânica, material; tomar-se-iaàoàa tigoàp ese teà o oàte oàúlti oàeào igi alà ueàpe a e e iaàe àseuà lugar e exerceria um poder de atração: é ele que forneceria a coisa a repetir, é ele que condi io a iaà todoà oà p o essoà daà epetiç o,à asà esseà se tidoà eleà se iaà delaà i depe de te àà (DELEUZE, 2011, p. 136). O caráter deste pensamento da repetição seria materialista, o modelo implícito para se pensar a passagem do tempo fornecido pelo automatismo próprio à natureza. Sob a ideia de que tudo se passa entre dois presentes mesmo sendo atinentes ao mundo psíquico – ampliados os direitos do imaginário sobre o real –, haveria uma posição determinista, que toma o primeiro evento como a causa real da repetição, e subjetivista, pois os presentes antigo e o novo são cenas e representações inconscientes de um sujeito. Desta imagem tradicional do pensamento representativa e moral, fundada no princípio de identidade que torna equivalentes os diferentes presentes segundo regras de semelhança, decorre esta compreensão da temporalidade própria aos eventos psíquicos.
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A repetição repetiria o mesmo – um te oào igi alà o oàoà efe e teàdoàdesejo.à Todaàaà teo iaà daà epetiç o ,à deà ueà e hu à dosà a alistasà p -lacanianos teria escapado, comenta Kaza ia ,à e o t a-se, assim, subordinada às exigências da simples representação, do ponto de istaàdeàseuà ealis o,àdeàseuà ate ialis oàeàdeàseuàsu jeti is o .à“u ete-se a repetição a um princípio de identidade no antigo presente, e a u aà eg aàdeàse elha çaà oàatual à(KAZARIAN, 2009, pp. 198-199). Mas precedência de uma série sobre a outra, isto não há, opõe-se Deleuze, insistindo na coexistência. Freud teria se equivocado a respeito da etiologia sexual das neuroses: s oàasàsí tesesàdaà e iaà ueàassu e àaàfu ç oàe ti a à KE‘“LáKE,à ,àp.à , a vivência na puberdade não desdobra por semelhança a primeira série infantil. Não há causalidade, modelo-cópia a organizar esta relação, cronologia, um antes e um depois. A semelhança, a repetição como um efeito se produz num tempo, por que o produz, ao tempo. É no que se sente como acontecimento, seta dupla que constitui o para frente e para trás, que se desenha o tempo: o acontecimento de infância não forma a primeira série, a infantil. O que conecta as séries é o elemento deslocado, o objeto a, o precursor sombrio de Lógica do sentido, o objeto virtual de Diferença e Repetição. Deleuze recorre ao texto de Lacan, o seminário sobre a Carta
roubada para pensar a integração das séries.
O objeto virtual, fragmento de passado puro sempre deslocado, nunca coincide com aquilo onde aparece incompleto, operando seus efeitos no atual; é ele que possibilita a correlação coexistente das séries infantil e adulta, presidindo a constituição de fantasias e sonhos. As repetições desejantes e diferenciais devem-se a este objeto = x, condicionante tanto da fantasia como dos objetos reais , pelo que o real do fantástico não se distingue com tanta clareza: ele também é produto da atividade sintética do inconsciente, diferindo do puro devaneio ou alucinação, poisà aà s ieà deà o jetosà eaisà à ediadaà pelaà sí teseà ati aà daà e og iç o (KAZARIAN, 2009, p. 197). Centrar a terceira síntese no objeto = x, como fragmento
de puro passado elimina o problema de pensar as origens da fantasia. P o u a doàu à asoà
o igi io à o oàu à efe e teàdoàdesejo ,àate taàKaza ia ,à
Freud faz o mesmo erro com respeito ao inconsciente que Kant fez com relação ao transcendental: concebê-lo como condição – e, então, como uma duplicata do empírico com a qual ele está apto a realizar a operação de condicionamento ape asàe à i tudeàdeàu aà elaç oàdeàse elha çaà i te a ueào t àe t eàdoisà termos – e não como um elemento genético que de forma alguma se assemelha com o que determina (KAZARIAN, 2009, pp. 198-199).
Compreendendo a fantasia de maneira representativa ao fundá-la numa origem no
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Partindo da compreensão do narcisismo por Freud como desinvestimento da libido dos objetos, Deleuze a correlaciona com a experiência dessubjetivada da temporalidade. Não mais do tempo subordinado ao movimento, ao hábito, à ordem sensório-motora e às sínteses eróticas e mnemônicas; uma pura ordem do tempo, estática, necessariamente, já que o tempo não é aisàsu o di adoàaoà o i e to ,àdizàDeleuze. Forma da mudança a mais radical, mas a forma da mudança não muda. É a cesura, e o antes e o depois que ela reorganiza uma vez por todas, ueà o stutuiàaà a hadu aàdoàEu (DELEUZE, 2011, p. 120). Estático. Tempo suspenso. Suspensão
da fantasia. Porque do abandono de um mundo de objetos nos quais investia o desejo em sua correspondência a um Ego intencionalmente ativo – equivalente sintético do objeto = x que permitia o investimento do passado puro na série atual dos objetos ditos reais –, por que deste desinvestimento (do mundo como horizonte de significação) decorre a liberação de uma energia neutra. âà o elaç oà e t eà E osà eà M e si e,à su situi-se aquela de um eu narcísico sem
memória, um grande amésico, e de um instinto de morte sem amor, dessexualizado ,à dizà Deleuze.
O eu narcísico não tem senão um corpo morto, ele perdeu o corpo ao mesmo tempo que os objetos. É através do instinto de morte que ele se reflete no eu ideal, e pressente seu fim no supereu, como em dois pedaços do Eu cindido (DELEUZE, 2011, p. 127).
Estático, sem amor, deserotizado nas séries objetais, corpo morto; este tempo do acontecimento e do eterno retorno, no qual soçobra a organização do mundo para um sujeito, tnum valor ético, independente da cognição:à o oà e à otouàKaza ia ,à oàte poàdaàte eira sí tese,à aà pu aà fo aà aziaà doà te po,à à oà te poà daà e oluç o (KAZARIAN, 2009, p. 211). A revolução, o futuro, o sonho comunista de Masoch. Ou seria o de Deleuze?
Quanto ao terceiro tempo que descobre o futuro – significa que o acontecimento, a ação, tnuma coerência secreta que exclui aquela do eu, retornando contra o eu que a elas se igualou, projetando-o em mil fragmentos como se o gestante do novo mundo houvesse sido levado e dissipado pelo lampejo do que fez nascer o
múltiplo: é a isto que o eu é identificado, ao desigual em si (DELEUZE, 2011, p. 121).
Livre da atividade consciente. Um eu desmemoriado, cindido. Precedência de toda a ação pela passividade das sínteses. Nesta articulação entre (des)subjetivação e tempo, Deleuze não abre mão de certa consistência inerente ao acontecimento: todas as conexões não-causais entre os atuais exprimem em sua pluralidade o solo virtual e transcendental comum no qual são selecionadas as diferenças puras que retornam eternamente. Que só retornam sob a condição da profunda alteração do significado de um acontecimento. áàteo iaà e gso ia aàdoàpassadoàeà a teoria nietzschiana do eterno retorno, ambas expressam em suas diferentes maneiras (e, em
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última instância, Deleuze argumenta, complementares), as implicações dos níveis psicológico e ético neste pensamento: se as experiências estão perdidas em nosso presente, o passado não est àpe dido ,à o e taàKe slake.à
Se o maior peso que Nietzsche encontrou no pensamento do eterno retorno é o pensamento que todo o passado está preservado, então o projeto de Deleuze parece ser mostrar como os argumentos de Bergson sobre o passado também ajudam a aumentar o peso – até o ponto da liberação da carga do passado através de que a afirmação do eterno retorno se torne uma necessidade (KERSLAKE, 2007, p. 17).
Com o eterno retorno, é posto o problema da repetição do passado no futuro, do corte entre a representação dos eventos passados e o futuro que a eles não se assemelha, da difereça como condição para a criação: as formas de vida que não tem a potência de retornar jazem no passado para sempre.
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Theàfieldàis 'tàsu eàifàit'sàtooàself-obsessed, but it's been feeling better about itself si eàitàsta tedà li gàtoà o k .
Theàfieldàis 'tàsu eàifàit'sàtooàself-obsessed, but it's been feeling better about itself si eàitàsta tedàgoi gàtoà oga .
Theàfieldàhasà ee àfeeli gà ette àa outàitselfàsi eàitàsta tedàgoi gàtoà ioli à lassesà once a week; it has dropped out of the Spanish course, which took up a lot of time a dàthe àdid 'tàlea àe ough à.
Disse o dinamarquês Martin Glaz Serup180, ou disse a poesia, ou o campo, em momento cronologicamente posterior a Deleuze. O campo como sujeito gramatical. Serup fez do campo impessoal o sujeito da proposição. Ou o campo fez isso com ele. Ou o campo fez Isso e ele, um produto de ação de princípios. Mas inseguro de estar obcecado por Si, not sure of being too self-
obsessed, o campo é ainda sujeito? Contraindo hábitos, o trabalho quotidiano, as aulas de yoga,
o violino semanal, o Espanhol que lhe toma tempo ou que o constitui no tempo... – contraindo hábitos, o campo virou sujeito? Theàfieldà a tsàtoà ha geàit'sàlife .àQue à uda àvida disso. Isso.