5 Litteratur om emnet
5.4 Oppfølging og emosjonelle reaksjoner
Na teoria da sedução freudiana, há a ideia de que é apenas num segundo momento, outro instante numa sucessão cronológica, que o sujeito é capaz, devido à puberdade, devido aos hormônios – maturação biológica a que Freud não deixa de aludir179 -, em reconhecer-se participante num jogo sexual de outrora pela releitura dos signos. Reconhecimento tardio, sempre atrasado, pois deveria ter sido evitado: é porque tê-lo evitado impõe-se como dever agora, por que a sexualidade é vista através de lentes morais neste segundo tempo, que o evento devém trauma. Não se podendo alterar o passado, o passado presentificado na
179Lapla heàeàPo talisà o e ta :à O a,à o àaàteo iaàdaàseduç o,àpode-se dizer que todo o traumatismo provém simultaneamente do exterior e do interior. Do exterior, porquanto é do outro que a sexualidade chega ao sujeito, do interior, pois que jorra desse e te io ài te io izado,àdessaà e i is ia àdeà ue,àsegu doàu aà bela fórmula, sofrem os histéricos e na qual reconhecemos a fantasia. Solução sedutora, mas que corre o risco de desmoronar caso se deixe escapar o sentido de cada um dos termos: o externo na direção do evento, o i te oà aàdi eç oàdoàe d ge oàeàdoà iol gi o (LAPLANCHE and PONTALIS, 1993, p. 31).
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atualidade da consciência é expulso: o eu se defende das memórias. Recalca. Antes da sedução, uma criança assexuada que viveu algo traumático e não soube; sem sabê-lo, o trauma se constitui apenas num segundo tempo, em que ela apreende o sexual naquilo que fora.
Nesta teoria do trauma presente na teoria freudiana até 1897, cujo ganho é a formulação de uma noção de inconsciente vinculada à sexualidade (decorrente do recalque), um evento sexual foi realmente vivido. Desde 1895, os sintomas expressam nos corpos histéricos o contato do sujeito com a realidade exterior, objetiva e intersubjetiva. Já havia sido pretensão da hipnose recolocar o sujeito na cena; a talking cure, em seguida, desenvolve-se como uma terapêutica que permitia ao sujeito narrar sua história apropriando-se do dito, tirando-lhe da boca do médico (que era quem antes devolvia à histérica o pedaço de história que lhe faltava) e permitindo-lho contar ela mesma. Como orientação de ambos os tratamentos, a ideia de que algo inassimilado realmente sucedera. Os conceitos de rememoração, ab-reação e fixação à cena traumática explicavam a importância do retorno afetivo ao passado no processo de cura, perdendo a importância com relação ao amor de transferência posteriormente.
Mas à impossibilidade de rememoração do trauma por parte dos pacientes de Freud, seguiu-se, em 1897, o abandono da teoria da sedução. O trauma fora tido como um vivido real até que Freud deixou de acreditar em suas histéricas. Não tendo encontrado o fato real, os pais à espreita prestes a lhes saltarem sob quando garotinhas, deixou de acreditar-lhes: em sof i e to,àelasàfa tasia .à U àpaiàseduz uma filha, tal seria a formula resumida da fantasia da seduç o (LAPHANCHE & PONTALIS, p. 82). Se as histéricas fantasiam, não significa, contudo, que mintam. Entre a mentira e a verdade, Freud suspendeu o juízo: os conceitos de fantasia e de realidade psíquica começam a aparecer em seu texto. As cenas, para além da dicotomia verdadeiro-falso. Como sugerem Laplanche e Pontalis, citando Freud, esta noção de fantasia já estaria se desenvolvendo simultaneamenteàaoàp o le aàdoàt au a:à Des obri que os sintomas histéricos decorriam não só de fatos reais, mas de fantasias. Só mais tarde me dei conta de que estaàfa tasiaàdeàseduç oàpeloàpaiàe a,à aà ulhe ,àaàe p ess oàdoà o ple oàdeàÉdipo àà F‘EUDà apud LAPLANCHE and PONTALIS, 1993, p. 40).
A partir de A intepretação dos sonhos (1910), a realidade do mundo psíquico torna-se o objeto do analista: a interioridade expressa numa sucessão de palavras é capturada por uma escuta atenta. Se as cenas psíquicas criam uma outra paisagem, a única intervenção possível é aí, interessando a relação que se estabelece com o psicanalista quando o analisando fala. O sintoma não é mais o encaminhamento dado a um traço mnêmico ou a uma quantidade de energia que deve ser religada à ideia da qual foi separada, rememorada: fantasmas estão em cena, teatro
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privado do qual o analista descobre o enredo que se quer contar, a história a se constituir com a distribuição de papéis e o figurino com quê o analisando lhe quer travestir. A pergunta sobre a realidade ou não dos vividos perdeu seu lugar diante da peça executada.
Apesar de aberta a realidade psíquica como novo horizonte da intervenção psicanalítica, Freud não abandona, todavia, seu fascínio pelas origens. Às urzenen é desejável re-habitá-las, que se desenterrem os primeiros elementos desagradáveis, impossíveis, na vida do paciente. Não há criação imaginária pura; a história que um sujeito teima em contar deve ser referida, em sua origem, aos dados materiais que costuram a tecitura narrada. O fantasma está entre mundos, é no entre mundos: é todo realidade psíquica quando analisado, e a transferência é onde (lugar privilegiado, dentre os outros) ele atualiza-se; no entanto, existe por que tem elementos materiais e reais em sua origem. Tanto é que vinte anos depois do abandono da teoria do trauma em que o real exterior era acreditado, e o narrado totalmente tido por um vivido, ao analisar o Homem dos lobos, acontece a Freud repetir sua teoria dos dois tempos.
O homem dos lobos, momento um: visão do coito reconstruída por Freud. O pai de quatro sobre a mãe. Bebê que nada sabe da sexualidade, um ano e meio de idade, ouve do sexo o impossível. Barulhinhos rompem a continuidade da indiferente percepção. Momento dois: sonho aos quatro anos de idade. A janela do quarto do menino está aberta e seis ou sete lobos brancos atentos observam-no sentados sobre os galhos de uma nogueira. Momento dois: sonho = simbolização ansiedade – traumatismo expulsão-recalque / deslocamento do afeto fobia de devoração por lobos.
De fato, a cena do coito entre os pais nunca foi evocada, ela foi reconstruída por Freud aàpa ti àdoà elatoàdosàso hosàeàdaàasso iaç oàdoàpa ie te ,àapo taàGa ia-Roza,
Quando a cena foi presenciada pela criança na idade de um ano e meio, ela não teve valor traumático, o que se deu foi sua inscrição num inconsciente não- recalcado. Freud é bem explícito quanto a isso, [...] por ocasião do sonho o menino compreendeu o significado do processo (GARCIA-ROZA, 1988, p. 158).
Mesmo antes da publicação do caso, Freud dizia que na percepção estava a fonte ou solo de realidade da cena, ainda que o sujeito pudesse constituí-la. Mas como explicar a fixação da cena do coito, sua força traumática, se o bebê está desmunido de condições de simbolizá-la? Por que ela constitui o núcleo recalcado, o inconsciente, se as forças repressivas ligadas à simbolização da Lei ainda não foram constituídas? Por que este recalque originário das representações que constituirá um pólo de atração para o recalque? Neste texto sobre o Homem
dos lobos de 1926, Freud afirma que a criança teria um conhecimento dificilmente definível da
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pe igosa e teàp i aàdosàa u tiposàju guia os (GARCIA-ROZA, 1988, p. 161). Ainda aventa a possibilidade de haver fantasmas originários frutos de invenção e socialmente partilhados: o primeiro motor da fantasia não se determina como um ponto na história do indivíduo, mas a recepção do sexo como traumático estaria sempre inscrita num esquema anterior organizador ueàdeleàfazàe e toàse ualàeàt au ti o.àEs ue aà i ido,àaludeàF eud,à osàte posào igi iosà daàfa ília ,àdepoisàcondicionante das vivências e trocas sexuais.
7.3.3. Crítica de Deleuze à teoria freudiana da fantasia: crítica à causalidade e à