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Prototyping with Sound

In document The Sound of Folk (sider 42-46)

2 Theory

2.3 Prototyping with Sound

Sluzki (1997) argumenta que muitas das crises que geram comportamentos caracterizados como transtornos psiquiátricos, têm como ponto de partida uma ruptura na rede social do indivíduo. Esta conclusão pode ser ampliada para o uso de drogas, pois pessoas e instituições cujas redes estão enfraquecidas podem se encontrar isoladas e muito mais expostas aos fatores de risco que corroboram para o uso de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas.

A proposta de mapeamento e de conseqüente mobilização das redes sociais é na verdade uma proposta de valorização e construção dos vínculos positivos e de confiança para contrapor aos processos de exclusão (Carvalho, Sudbrack & Silva, 2004) que podem culminar na dependência das substâncias psicoativas. Ela se coaduna com o pressuposto da complexidade que preconiza uma ampliação do foco tanto de observação quanto de atuação para uma melhor compreensão do fenômeno e elaboração de intervenções efetivas.

Sudbrack e Carreteiro (2001) identificam na mobilização das redes sociais um recurso útil para trabalhar a prevenção ao uso de drogas junto a adolescentes expostos a fatores de risco. Tal importância pode ser pelo fato de que no espaço relacional torna-se possível experimentar tanto o gozo, quanto a transformação. “Os jovens, e mais precisamente, os jovens sem espaços de continência, desconectados, em busca de referências, tentaram vivê-los através de experiências coletivas, em grupos ou em casal, sob formas de interações críticas” (Selosse,1994).

Wessels (1997, citado por Andrade, 2002) destaca que a organização de grupos mobilizados na sociedade civil é favorecida pelo grau de instrução de uma população. A renda per capita e a estabilidade democrática de determinado país, também contribuem para uma articulação das redes sociais. A partir deste contexto, foi verificado um maior

número de associações e grupos de caráter voluntário. Andrade (2002) comenta ainda que

É possível supor que, no contexto brasileiro, a dificuldade de sobrevivência, a educação deficiente e a baixa renda per capita são fatores que desfavorecem a mobilização da população em torno de interesses comuns, contribuindo para uma baixa capacidade de organização e atividade da sociedade civil (p.927).

Citando Putnam (1996), Andrade (2002) destaca que os países em desenvolvimento podem ser caracterizados por déficit de participação cívica e política. Para Putnam (1996) “a pobreza e a desconfiança mútua minariam as possibilidades para a solidariedade horizontal, gerando um sentimento de pertencimento para além do próprio grupo mais próximo”.

A história brasileira foi marcada por uma crescente desconfiança nas instituições públicas e a dificuldade do cidadão participar de forma desinteressada na resolução dos problemas que dizem respeito a todos (Santos, 1993 citado por Andrade, 2002). Santos acredita que uma mudança social poderia ocorrer mediante ações que estimulem a confiança social e a consciência cívica, criando bases para a solidariedade social.

Pereira (2003) conceituou as redes sociais como “um processo de construção individual e coletiva constante”. Para tanto, destaca que a mobilização das redes envolve a mobilização das famílias, dos pares, da escola e daqueles que fazem parte do

contexto do trabalho. A proposta de mobilização das redes começa pelo reconhecimento das redes

existentes (Sluzki, 1997) que podem ser mapeadas para uma identificação, por exemplo, das pessoas com as quais os estudantes e professores interagem. O mapa pode também ser aplicado para identificar os padrões de interação da escola em relação ao contexto social na qual está inserida. O autor sugere que a rede pode ser avaliada considerando as suas características estruturais, as funções dos vínculos e os atributos de cada vínculo.

As características estruturais da rede podem ser definidas pelo seu tamanho, que determina o número de pessoas integradas; pela sua densidade, a conexão entre os membros independentemente do informante; e pela sua composição ou distribuição, que caracteriza a proporção de distribuição em cada quadrante. Neste sentido verificando se são amplas ou mais localizadas, heterogêneas ou homogêneas. A dispersão para identificar a distância geográfica entre os membros, verificando inclusive a acessibilidade de contato para gerar comportamentos efetivos. A homogeneidade ou a heterogeneidade demográfica, sócio cultural, segundo o sexo, idade, cultura, nível

sócio-econômico e os atributos de vínculos específicos para identificar o grau de compromisso e a intensidade, durabilidade e história em comum da relação.

Já as funções da rede (Sluzki, 1997) podem ser descritas com a companhia social - para indicar a realização de atividades conjuntas; o apoio emocional que denota intercâmbios com uma atitude emocional positiva, compreensão, empatia e estimulo. Os integrantes da rede podem adotar uma função de guia cognitivo de conselhos para identificar as relações onde há um compartilhar de informações sociais e pessoais, oferecendo modelos de papéis, de regulação e controle social, para resgatar as responsabilidades e neutralizar os desvios de comportamento. Finalmente as redes podem ter a função de ajuda material e serviços, ou seja, a colaboração de trabalhadores sociais ou ajuda física, incluindo os serviços de saúde e acesso a novos contatos.

O autor argumenta que os atributos dos vínculos estão relacionados às suas funções predominantes, à multidimensionalidade ou versatilidade no desempenho das funções e à reciprocidade entre as partes. Deve-se levar em conta a intensidade, o grau de intimidade, o compromisso na relação, a freqüência dos contatos e a história da relação, ou seja, como a relação foi estabelecida.

Trabalhar com intervenções voltadas para a prevenção do uso de drogas dentro de uma perspectiva comunitária e de mobilização de redes pressupõe que todos estão implicados de alguma forma na questão e propõem um resgate tanto da cidadania quanto das competências dos indivíduos, das famílias, das comunidades e das instituições (Sudbrack, 2004). O mapeamento das redes sociais pode permitir uma visualização de quais redes precisam ser ativadas (Sluzki,1997). Estudos confirmam que uma rede pessoal mais estável, sensível, ativa e confiável funciona como um fator de proteção da saúde das pessoas, sendo possível, inclusive, estabelecer uma correlação entre a qualidade da rede social de uma pessoa e a qualidade de sua saúde. A presença ou não de uma rede social ativa pode afetar a saúde das pessoas. Em um nível primário de situações de estresse e de ameaças, verificou-se uma considerável atenuação dos sintomas, a partir da presença de pessoas familiares. Em um nível existencial as relações sociais contribuem para dar sentido à vida das pessoas. A rede também funciona como um monitor do estado de saúde dos seus integrantes e favorece atividades saudáveis que corroboram para uma sobrevida. (Sluzki,1997).

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