• No results found

Designing for Multiple Interpretations

In document The Sound of Folk (sider 106-111)

6 Discussion

6.1 Research Question 1

6.1.2 Designing for Multiple Interpretations

A avaliação das redes sociais da escola como uma estratégia de prevenção do uso de drogas permanece como um desafio. Pedro Demo (2000) destacou que no processo de aprendizagem “a marca da sabedoria consiste em tomar os limites como desafios e os desafios como empreitadas limitadas” (p.54). Se por um lado, ao avaliar e mobilizar as redes sociais devemos ir aos limites- conhecer o desconhecido, ouvir quem ainda não foi ouvido, ousar práticas que ainda não foram tentadas- por outro lado, cabe- nos a humildade de reconhecer que apesar dos esforços, nossas ações detêm em si

mesmas limites que sempre as caracterizarão como incompletas e inacabadas em toda a sua extensão. O desafio na avaliação e mobilização das redes sociais da escola, realça “a nossa pequenez para a complexidade da realidade, para o contexto do erro como condição normal” (p.54) frente à realidade das escolas públicas no Brasil, muitas vezes sucateadas em sua estrutura com professores mal-remunerados e funcionários insuficientes para atender à grande demanda. Constata-se, ainda, que alguns excelentes profissionais adotam uma postura de descaso e conivência nos estabelecimentos públicos de ensino e outra postura excepcional de grande profissionalismo na rede privada.

A própria visão clínica a partir do paradigma da complexidade nos ensina que o traçado humano é em sua essência imperfeito. Em todo o tempo temos que encarar a contínua mutabilidade dos sujeitos em uma dinâmica de criar sempre novos padrões conciliando ordem e desordem, o certo com o incerto. (Morin, citado em Neubern, 2004), A dinamicidade humana é refletida nas redes sociais. O mesmo se pode dizer dos problemas que em sua complexidade requerem uma busca dinâmica por novas soluções. Para Sluzki (1997) a realidade é sempre mutante nas formas, redes e contextos sociais. O sistema de relações de um indivíduo é, portanto, marcado por todo um conjunto de vínculos interpessoais, incluindo a família, os amigos, as relações de trabalho, de estudo, de inserções comunitárias e de práticas sociais. Esta rede de relações afeta os processos psicossociais, o bem (ou mal) estar do indivíduo, os transtornos de identidade e os processos de adaptação. O paradigma das redes sociais pode ser utilizado no sentido de implementar ações educativas e comunitárias. O desafio para os psicólogos que trabalham a prevenção do uso de drogas jaz na tarefa de criar condições para que os membros de uma comunidade compreendam o cenário no qual estão submersos e o estágio no processo de aprendizagem em que se encontram para operar e trabalhar por si mesmos através de ações solidárias.

Nesta pesquisa assumimos seu caráter interventivo na medida em que ela buscou dar consciência aos participantes da realidade relacional da escola. A realidade espacial “polícia-perto” e “famílias-longe” trouxe à tona o que se sabe, mas ao mesmo tempo se ignora. Muitos pais estão vivendo para o trabalho e não trabalhando para

viver. A paternidade e a maternidade encontram-se em processo de franca terceirização.

Os pais têm entregado a educação de seus filhos às instituições como a escola e polícia. “A sociedade atual abriga muitas contradições, e os pais não conseguem dar aos filhos o que a sociedade de consumo valoriza” (Povoa & Sudbrack, 2006).

Para Pascal, a ligação e o respeito entre as pessoas são estabelecidos pelo reconhecimento de que temos necessidades que somente o outro poderá atender a contento. O conhecimento em si e das necessidades advém a partir das interações (Najmanovich, 1995) e as redes sociais configuram um espaço por excelência para as interações humanas (p.72).

Não há dúvidas de que a polícia tem se disponibilizado para a realização de atividades fora da sua alçada, mas permitir, como advertiu Bravo (2003) que trabalhos de prevenção sejam desenvolvidos por setores que tem a finalidade principal de reprimir é uma postura no mínimo inadequada.

Trabalhar em rede demanda o trabalho e o envolvimento de todos, valorizando e descobrindo, juntos, o poder da cooperação para objetivos comuns em um clima de solidariedade e parceria (Duarte, 2006). Os cursos de prevenção do uso de drogas para educadores constituem resultados concretos e podem ser percebidos como resultado das políticas públicas do governo federal que a partir da Política Nacional sobre drogas - PNAD (2005) se propõe

Promover, estimular e apoiar a formação continuada (...) com a participação de todos os atores sociais envolvidos no processo (...) com o objetivo de articular e fortalecer as redes sociais. Visando ao desenvolvimento integrado de programas de promoção geral à saúde e de prevenção.

Todavia, no curso desta pesquisa observou-se que não basta o saber (Ardoino, 2003). O repasse de informações científicas é importante, mas novos estudos devem ser desenvolvidos no sentido de propiciar um acompanhamento permanente e contínuo das práticas voltadas para a prevenção. As capacitações apoiando o ‘saber fazer’ através de ações e iniciativas originadas na escola, prevenindo o desânimo e o desfalecimento dos membros da comunidade escolar frente às dificuldades naturais do processo são de grande ajuda para auxiliar os membros da comunidade a ‘saber ser’. Nesse sentido, a prática de intervenção a partir das redes sociais é um recurso interessante, visto que “promove a integração e a complementaridade entre os diferentes segmentos envolvidos com a questão... atuando como instrumento de mobilização e de integração que confronta o processo de marginalização e de exclusão social” (Cinnanti, 2004, p.37)

A articulação entre a teoria e a prática conforme sugeriu Perrenoud (2002), constitui-se em um grande desafio tanto para educadores quanto para os educandos. Uma vez que o paradigma da complexidade enfatiza que o conhecer e o aprender se dão

a partir das relações, a interação entre o sujeito e o objeto, as relações entre os alunos e seus pares, professores e familiares são, portanto, uma condição fundamental para a construção do conhecimento (Moraes, 2004). Podemos deduzir que o processo de ensino-aprendizagem está pelo menos parcialmente, comprometido, uma vez que os vínculos positivos entre a escola e outras pessoas/instituições apresentados neste estudo, estão enfraquecidos. A escola não pode contar com a família, com serviços de saúde e de assistência e sobrevive sem o respaldo da comunidade local.

In document The Sound of Folk (sider 106-111)