Fez-se essas opções teóricas no sentindo de agrupar categorias de análise para o componente presencial, para depois nos aproximarmos da análise do componente online, identificando se as categorias de análise do componente presencial servem de análise para o componente online e quais são as possibilidades de integrar esses dois componentes para uma relação pedagógica b- learning.
Além disso, buscou-se na pluralidade de teorias e teóricos, características específicas de cada um, que pudessem contemplar o universo desta pesquisa. Dois desses estudos já foram apresentados no Capítulo 3. O primeiro referencial diz rspeito a uma abordagem psicológica sobre a comunicação humana e os axiomas da comunicação, apresentados por Watzlawich, Beavin e Jackson (1967). O segundo, tencionando-se buscar um referencial mais específico sobre a comunicação interativa docente, diz respeito a classificação de (BITTI e ZANI,1997) sobre as competências comunicativas, ditas como eficazes, para o exercício da docência.
Recordando-se, assim, os cinco axiomas da comunicação humana de Watzlawich, Beavin e Jackson (1967) tem-se:
1º “A impossibilidade de não comunicar‖;
2º ―Toda comunicação tem um aspecto de conteúdo e relação‖; 3º ―Os seres humanos de comunicam de maneira analógica e digital‖;
4º ―Os parceiros relacionais pontuam as sequências de comunicação‖;
5º ―Todas as permutas comunicacionais ou são simétricas ou complementares‖.
Relembrando-se, também, que Bitti e Zani (1997) traz um conjunto de sete competências comunicativas essenciais para o exercício da docência e para a promoção de uma interação eficaz. São elas: linguística, paralinguística, cinésica, proxêmica, executiva, pragmática e sociocultural.
―a) Linguística, capacidade de produzir e interpretar signos verbais, que pode ser decomposta em competência fonológica (capacidade de produzir e reconhecer sons), sintáctica (capacidade de formar frases), semântica (capacidade de produzir e reconhecer significados e ―textual‖ (capacidade de reunir e integrar as frases no contexto linguístico);
b) Paralinguística, a capacidade de modular algumas características do significante, como por exemplo a ênfase e a cadência da pronúncia, além de intercalar risos, exclamações, etc.;
c) Cinésica, a capacidade de realizar a comunicação mediante signos gestuais (acenos, mímicas, movimentos do rosto, das mãos ou do corpo, posturas, etc.);
d) Proxémica, a capacidade de fazer variar as atitudes espaciais e as distâncias interpessoais do acto da comunicação – como tocar-se, o estar ou não em contacto –, distâncias estas que possuem significados culturalmente determinados;
e) Executiva a capacidade de actuação social, isto é, de utilizar o acto linguístico, ou não, para realizar no concreto a sua intenção comunicativa;
f) Pragmática, a capacidade de usar os signos linguísticos, ou não,
de um modo adequado à situação e às suas próprias intenções.
g) Sociocultural, a capacidade de reconhecer as situações sociais e
as relações entre os papéis desempenhados, bem como a capacidade de conceber significados e de neles reconhecer os elementos distintivos de urna determinada cultura.‖ (p.23)
E, por fim, ao se decodificar os dados, ou seja, na etapa de transformar os dados em informação (Metodologia – capítulo 4), verificou-se a necessidade de incorporar às reflexões, um estudo relacionado às características interpessoais docentes, isto é, os atributos de conduta docente promotores de aprendizagem.
Nessa busca, chega-se às reflexões de Almeida (2002), uma releitura baseada nas conferências de Ítalo Calvino (1995), no livro denominado As relações Interpessoais na Formação de Professores. Calvino em um ciclo de conferências na
Universidade de Harvard, enunciou os valores literários que devem ser preservados para o próximo milênio e que a autora reproduziu como categorias fundamentais que servem como diretriz para a formação de professores. São elas: ―Exatidão‖, ―Rapidez‖, ―Visibilidade‖, ―Multiplicidade‖, ―Leveza‖ e ―Consistência‖ (ALMEIDA, 2002).
Exatidão – diz respeito à definição clara dos conteúdos formativos que, além de dominar a escrita e o conteúdo a ser apresentado ao aluno, o docente deve planejá-los com base nos objetivos da educação na sociedade;
Rapidez – o docente necessita ter habilidade no trato com a comunicação interpessoal que estabelece com seus alunos, ou seja, a atenção ao outro, ao ouvir ativo e a um falar que seja organizador dos pensamentos dos alunos para que não provoque bloqueios na comunicação;
Visibilidade – o docente precisa favorecer o desenvolvimento da sensibilidade no aluno para as coisas que o cercam no mundo e que possa emergir nele o seu potencial criativo. Isso é possível na medida em que se crie um clima de aceitação e compreensão, levando a aluno a acreditar em si mesmo, a ter visibilidade das suas capacidades criativas;
Multiplicidade – o docente deve ter um olhar múltiplo e ser capaz de desenvolver essa habilidade nos alunos, de captar a complexidade das pessoas e dos fatos. Deve ser um analista simbólico, isto é, se ver como alguém que não tem respostas prontas para todas as situações e contextos marcados pela complexidade, mas que possa construir sentidos a partir dos elementos combinatórios de cada pessoa (experiências, informações, relações, sonhos, imaginação, desejos, etc.) selecionando-as, organizando-as e interpretando-as em função do sentido que lhes é atribuído;
Leveza – colocar-se no lugar do outro, refletir sobre a relação que o aluno estabelece com o saber, pedir e permitir que o aluno faça o que ele é capaz de fazer e que o aluno evolua em sua aprendizagem com dignidade, características que devem levar a transformar o local de estudo em um lugar de alegria e de conciliação entre o conhecimento e afeto. Leveza não significa deixar-se levar pelo acaso, mas sim um modo de se atingir os objetivos educativos com flexibilidade, empatia, otimismo e alegria;
Consistência – embora Calvino, por conta da sua morte, não tivesse tempo de elaborar essa categoria, Almeida elaborou algumas ideias tendo como referência as categorias apresentadas anteriormente e completa o seu olhar dizendo que consistência refere-se a disposição e vontade de ensinar do docente, tendo vistas a educação como a possibilidade de educar a pessoa completa: vontade, sentimento e razão.
Com Almeida (2002) intenciona-se verificar se esses preceitos, colocados como valores a serem trabalhados na formação dos professores, são identificáveis como necessários do ponto de vista dos alunos.
Assim, tem-se no gráfico 8, uma síntese do que foi encontrado quando se fez a relação dos indicadores da componente presencial com os principais aportes teóricos mencionados acima. O que traz uma visualização geral daquilo que será apresentado, posteriormente em forma de texto.
Gráfico 9: Indicadores (componente presencial) e os aportes teóricos para a discussão e análise dos dados
De acordo com o gráfico 9, percebe-se que nem todos os indicadores têm correspondência com os três aportes teóricos.