A tabela 22 demonstra o cruzamento entre as variáveis sexo, idades agrupadas e formação dos alunos em frequências e percentagens.
Tabela 22: Cruzamento das categorias: sexo, idades agrupadas e formação dos alunos
Quando se faz o cruzamento entre as variáveis apresentadas na tabela 22, tem-se a representação geral dessas variáveis. Voltando-se à variável sexo, como já foi apresentado, verifica-se que as mulheres (66,6%) concentram-se em maior número em relação aos homens (33,4%) no total dos alunos investigados, confirmando os estudos sobre o crescente aumento do número de mulheres em todos os níveis de educação, nomeadamente no decorrer do século XX.
Baudelot e Establet (1992) demonstram, por meio de um estudo comparativo na França, que as mulheres têm atingido níveis escolares mais altos, quando comparados aos homens. Constatam que no século XX houve uma verdadeira revolução na educação das mulheres, marcada pelo ingresso da mulher no mercado de trabalho por volta da metade do século XX.
Educação e gênero são temáticas complexas abordadas na literatura e há um esforço internacional na busca de igualdade de acesso das mulheres à educação e ao fim da discriminalização.
O último Censo da Educação Superior (2009)59, divulgado no Brasil em Janeiro de 2011, aponta que, na modalidade presencial de educação, entre os estudantes universitários as mulheres representam 55,1% do total de matrículas e na modalidade educação online constata-se que 69,2% das matrículas são também de mulheres.
Pelo relatório ―Estado da Educação 2010‖60, o Ensino Superior em Portugal caracteriza-se por ter mais mulheres inscritas e diplomadas, de acordo com o gráfico 4 a seguir, confirmando essa tendência
Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia do Ensino Superior (2010)
Gráfico 4 – Número de diplomados do Ensino Superior, por sexo, em Portugal (1995/96 a 2008/09)
Quanto às áreas que registram maior múmero de alunos diplomados em Portugal, tem-se as Ciências Sociais, Comércio e Direito, de acordo com gráfico 5.
59 Fonte disponível em http://www.inep.gov.br/download/superior/censo/2009/resumo_tecnico2009.pdf. Acesso em 02 de fevereiro de 2011.
60Fonte disponível em http://www.cnedu.pt/index.php?option=com_wrapper&view=wrapper&Itemid=1116&lang=pt. Acesso em 02 de fevereiro de 2011.
Gráfico 5 – Número de diplomados do Ensino Superior, por área de educação e formação, em Portugal (1995/96 a 2008/09) Percebe-se, ainda, pelo o gráfico 5, que somando-se todas as áreas de formação há um crescente aumento de alunos diplomados no Ensino Superior em Portugal. Quando se aponta, nomeadamente, o nível de pós-graduações, especificamente para o mestrado (foco deste estudo), verifica-se que também há um aumento substancial de alunos matriculados. A tabela 23 confirma esses dados.
Tabela 23: Número de diplomados no Ensino Superior, por nível de formação, em Portugal (1995 – 2008)
Verifica-se, portanto, na tabela 23, que o número de alunos diplomados nos cursos de mestrados duplicou. Tem-se em 1995 um número de 1.407 alunos para 3.578 alunos em 2008. Isso demonstra que os alunos têm buscado níveis de formação mais elevados. O que pode ser traduzido pela crescente busca dos alunos pelo curso aqui em estudo: Mestrado em Ciências da Educação (Tecnologia Educativa) na Universidade do Minho61.
Voltando a tabela 22, que demonstra o agrupamento das variáveis em estudo, quando se observa a variável idade dos alunos verifica-se que a maioria situa-se no grupo etário de 31 a 41 anos (61,1%), seguidos do grupo etário de 42 a 52 anos (22,2%) e de menos que 30 anos com apenas 16,5%. O maior grupo de alunos (83,3%), de 31 a 41anos e 42 a 52 anos, são aqueles nascidos no momento do surgimento da Internet62. Prensky (2001) refere-se a este grupo como sendo a geração pré-digital, caracterizados por serem resistentes à mudança e por muitas vezes considerarem a navegabilidade no mundo digital confusa e complicada. Esse mesmo autor conceitua-os como sendo ―imigrantes digitais‖ e os diferencia daqueles que são considerados como ―nativos digitais‖.
Os nativos digitais são aqueles que nasceram mergulhados nesta cultura tecnológica do século XXI, não têm dificuldades em navegar pela rede www, e aprendem rapidamente a utilizar as ferramentas da Internet, sendo chamados, portanto, de geração digital.
Quando se acrescenta a este contexto cibercultural a variável formação, lembrando que todos os alunos desta pesquisa são licenciados e docentes, verifica- se que estes ―imigrantes digitais‖ passaram por uma formação tradicional, totalmente diferente dos ―nativos digitais‖, que produzem e consomem conhecimento de outra maneira. Estes docentes vivem as inquietudes e os desafios de um período de transição. Foram formados na cultura tipográfica, livresca, oralista e presencial, acostumados a olhar o outro e interagir no mesmo meio físico de forma síncrona.
61
Abordou-se no Capítulo 2 no item 2.3, intitulado Apontamentos sobre o Curso de Mestrado em Tecnologia na
Universidade do Minho em Regime B-Learning, o crescimento aumento pela busca do referido curso desde a sua
implantação (252, na 1ª edição em 1991-92, para 16 vagas; e 77 XIV edição (2ª em regime b-learning), em 2010-2011, para 25 vagas).
62 A Internet, situando a sua criação no projeto ARPANET é de 1969, terá 42 anos, número médio do intervalo entre os 31 e os 52 anos dos alunos em estudo. A WEB, sistema que marcou o verdadeiro “boom” da Internet, a par da criação do browser de navegação Mosaic, datam de 1991 (Web) e 1993 (Mosaic), logo a Web tem apenas 21 anos. Apenas o grupo de alunos com menos de 30 anos (16,5%) é que se aproxima, cronologicamente, dos chamados “nativos digitais”.
Deste modo, há naturais dificuldades de adaptação e atuação destes docentes em seus modos de ensinar e aprender na sociedade da informação, o que justifica a crescente busca, nestes últimos anos, de cursos de formação e atualização em tecnologias educativas da era digital.
Pode-se, ainda, fazer outra inferência no que se refere à idade dos docentes e os diferentes sentimentos que motivam a busca de formação e atualização os chamados ciclos da carreira docente.
Estrela (2010, p. 27) apresenta uma classificação, relacionando os anos de experiência com os principais traços de sentimentos dominantes em cada etapa. De 1 a 4 anos, os docentes encontram-se no início da carreira e os sentimentos comuns são: choque do real/descoberta. De 5 a 7 anos de docência, verifica-se uma fase de estabilidade, na qual sentimentos como segurança, entusiasmo e maturidade são predominantes. De 8 a 15 anos, podem ocorrer duas etapas antagônicas: uma em oposição, quando há divergência negativas de sentimentos, como descrença e rotina, e outra mais positiva quando há empenhamento e entusiasmo. De 15 a 20/25 anos de carreira, experimenta-se a serenidade e os sentimentos dessa etapa são a reflexão e a satisfação pessoal. A última etapa, compreendida entre 25 a 40 anos, manifesta-se também duas fases opostas entre si: ou há renovação do interesse ou o desencanto.
Lembramos que os alunos encontram-se em sua maioria no grupo etário de 31 a 41 anos (61,1%), seguidos do grupo etário de 42 a 52 anos (22,2%) e que apenas 16,5% encontra-se no grupo etário com menos de 30 anos de idade. Assim, verifica-se que o maior grupo de 31 a 41 anos, tem cerca de 15 anos de carreira docente encontrando-se na etapa em que tanto pode haver divergência positiva ou negativa de sentimentos em relação ao empenho profissional. Portanto, pode-se encontrar nesse grupo alunos que, como docentes, tanto podem ter entusiasmo e empenho em se atualizar, como aqueles que já estão descrentes e buscam atualização, somente por força do mercado de trabalho. Tal fato também pode ser, de maneira geral, bem positivo, pensando-se que no decorrer do curso (mestrado) os profissionais com divergência negativa consigam passar para o polo de divergências positivas, pois, afinal, o sentido original da formação tem por função transformar e construir novos olhares.
Quanto ao grupo que compreende alunos de 42 a 52 anos (22,2%), de acordo com a classificação apresentada, situam-se na etapa de serenidade, uma
fase reflexiva em que se busca satisfação pessoal. E o menor grupo, com idade inferior aos 30 anos (16,5%) estão no início da carreira e buscando formação e atualização para despertarem para uma realidade que estão vivendo como profissionais da educação, lidando com ―nativos digitais‖ (os seus os jovens alunos) e assim buscando respostas às suas inquietações, atuarem de forma mais autônoma no desenho e realização do ato de ensino, e, até mesmo, de se afirmarem de forma mais satisfatória no mercado de trabalho, buscando mesmo alternativas a alguma precariedade que atravessa a profissão de docente.
Tem-se, portanto, no grupo de alunos estudados, uma diversificação de interesses e motivações o que parece indicar um território bastante interessante e frutífero para os nossos estudos.
5.2 Caracterização dos alunos: nível de fluência em TIC para a