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Kapittel 5 Case

1. Prosjekttype

O que determina o caminho seguido pelo designer no processo de construção da linguagem dos produtos? O que orienta as mudanças de percurso? Quais os condicionantes na formação das muitas linhas de força que dão consistência ao produto? O que determina e influência, a escolha do designer, durante o trajeto? Quais os filtros ou critérios utilizados para expandir ou contrair a rede da criação? Relembrando a definição proposta por Salles, processo de criação é um percurso sensível e intelectual que pode ser descrito como “[...] como um movimento falível com tendências, sustentado pela lógica da incerteza. Um percurso que engloba a intervenção do acaso [...]”(2011, p. 34), e que abre espaço para a introdução de ideias novas. A partir dessa constatação, podemos perceber um processo contínuo, sem um ponto inicial, nem final, em construção, inserido no espaço e tempo da criação, que afeta o designer.

Nesse sentido, tratamos de identificar no processo construção da linguagem dos produtos as tendências que, ao longo do percurso, aparecem na forma de restrições ou delimitações de naturezas diversas, seja sob o ponto de vista dos princípios direcionadores seja do ponto de vista do projeto poético e do ato comunicativo. Em linhas gerais, podemos afirmar, segundo Salles, que:

O percurso criador mostra-se como um itinerário não linear de tentativas [...] sob o comando de um projeto de natureza estética e ética, também inserido na cadeia da

continuidade e sempre inacabado. É a criação como movimento, em que reinam conflitos e apaziguamentos. Um jogo permanente de estabilidade e instabilidade, altamente tensivo (2011, p. 35).

Na crítica de processo, perspectiva de análise deste trabalho, buscamos identificar o percurso do criador na construção da linguagem dos produtos. No entanto, sabemos que esse trajeto não é representado por uma linha contínua, mas composta por muitos caminhos interrompidos, fragmentados, dispersos, vagos e, às vezes, formado por pontos aparentemente isolados. Para o designer Rodrigo Ciossani, do Questto|Nó, as restrições e delimitações que tornam a construção da linguagem possível são de naturezas diversas, ou seja, partem de muitas direções e se interconectam, formando uma estrutura complexa de informações que requer atenção, pois devem ser filtradas pelos criadores. Segundo o designer, “as exigências técnicas também orientam as escolhas de linguagem, mas às vezes a ideia da forma vem do material, pois a matéria-prima na qual o produto será produzido também orienta muito a linguagem, assim como o processo de produção”53. Assim, muitas dessas questões suscitam os rumos vagos que orientam a construção da linguagem dos produtos no ambiente de incertezas e imprecisão.

Qual o horizonte que me abre para a cor, para o material, para a textura [...]? Às vezes, seguir o inverso desta regra é necessário para fugir do convencional e depositar mais emoção no produto. Por exemplo, quando projetamos uma embalagem para segmento da perfumaria, primeiro desenhamos, depois partimos para a engenharia, pois demanda muita emoção. Outro exemplo é a linha de móveis projetados para a MaxHaus54, que é cem por cento arquitetônica, ou seja, são móveis vistos como “caminho” e parte da arquitetura. O móvel nasce integrado ao imóvel. Nesse caso, o problema do design exigiu que fossemos olhar as referências de linguagem da arquitetura55.

Algumas características físicas do produto provocam uma força que pode ser percebida pelo designer como limitação, ou mesmo favorável a uma decisão que conduz a um novo caminho. Por exemplo, quando o designer define o conceito de “modulação” para a construção do produto, às vezes é preciso tirar vantagem dos aspectos técnicos que esse conceito carrega. Portanto, muitas forças estão atuando em sentidos diferentes e às vezes

                                                                                                                         

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Entrevista concedida por Rodrigo Ciossani no escritório Questto|Nó em São Paulo, SP, em 12/06/2013.

54 MaxHaus é um conceito de imóvel desenvolvido para oferecer flexibilidade ao morador tanto na disposição

quanto na quantidade dos cômodos do apartamento. Disponível em: <http://www.maxhaus.com.br/conceito/>. Acesso em: 11 de julho de 2013.

opostos. Marcelo Valença, designer do Questto|Nó, demonstra esse fato através do projeto Maxkitchen56 realizado para o conceito do apartamento MaxHaus57.

Figura 28 – Painel semântico “Inspira”. Projeto Maxkitchen.

Fonte: Documento cedido pela Questto|Nó.

No entanto, quando tratamos das categorias representadas pelos produtos “próteses”, ou seja, acoplados ao corpo físico, entendemos preliminarmente que a estrutura anatômica e fisiológica atua como vetor de tendência, direcionando os caminhos criativos. Nesse tipo de produto podemos identificar que a fisionomia ou expressão do corpo físico, ou parte deste, empresta códigos visuais para compor o sistema de linguagem do produto. Assim, aspectos como expressão facial, gesto da mão ou movimento dos membros também são vetores que orientam linguagem e mensagem do produto, como demonstra o projeto de óculos de sol desenvolvido pela Domus Design.

                                                                                                                         

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Maxkitchen é o nome dado ao sistema de módulos que compõem a cozinha do apartamento da MaxHaus.

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É um conceito de “arquitetura aberta" em que a planta do apartamento é flexível, ou seja, o morador define a quantidade de cômodos e seu layout, de acordo com sua necessidade e desejo.

Figura 29 – Esquema de construção da linguagem do produto orientado pela expressão facial.

Fonte: Documento cedido pelo Domus Design.

Contudo, o designer pode adotar um percurso de construção do sistema de linguagem que produz um significado distinto da superfície do corpo físico, ou seja, distanciando-se do sentido exclusivo de acoplamento físico como estratégia de diferenciação, promovendo, por meio dos diálogos com outros produtos ou situações, a ampliação do significado da mensagem para além da superfície do corpo.

Figura 30 – Construção da linguagem do produto orientada por outras categorias de produtos.