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Høgtorget eller Engene 17 – 19 Drammen kommune

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Reação semelhante foi gerada, em outro contexto, pela atividade do jovem Rene Silva, cuja trajetória fará parte dos três estudos de caso desta dissertação. Aos 11 anos, ele criou o jornal Voz da Comunidade, dentro do Morro do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro - um projeto valorizado localmente, mas sem repercussão fora da própria comunidade.

Algo inesperado, porém, aconteceu na manhã do dia 28 de novembro de 2010. Nessa data, a polícia do Rio de Janeiro e o Exército invadiram o Complexo do Alemão, dominado por uma facção do crime organizado baseado no tráfico de drogas. A população local, vivendo sob forte pressão, sofreu dias de tensão antes, durante e após a ocupação.

Esse jovem, na época com 17 anos, cumpriu um papel diferente, ocupando-se da tarefa de narrar, em tempo real, o que acontecia naquele mundo apartado do “mundo do asfalto”. Usando o Twitter, Rene Silva afirma que apenas contava para seus amigos o que se passava na comunidde, mas o relato, com origem em dados locais, ganhou dimensão inesperada. Por meio de retuítes (reencaminhamentos de mensagens), grupos diferentes interessaram-se por suas informações em tempo real. Jornais, revistas e emissoras de televisão, nacionais e estrangeiras, repercutiram suas palavras e descrição dos fatos.

De um dia para o outro, seus seguidores no Twitter multiplicaram-se. De 700 pessoas para 7 mil em uma hora e, poucos dias depois, para quase 23 mil.

“No final de 2010 aconteceu a Invasão da Polícia no Complexo do Alemão e o VOZ DA COMUNIDADE voltou a tona na mídia, mas não foi porque eu quis...foi por causa das pessoas que me seguiam. Eu estava falando sobre o que estava acontecendo aqui no Complexo, a operação e várias pessoas começaram a enviar mensagens para pessoas famosas dizendo "Ah, segue esse menino ai, é da favela lá onde tá tendo tiroteio, ele ta falando como ta a situação" e em questão de minutos, a autora de novelas da tv globo, Glória Perez viu essa mensagem e começou a divulgar também para as pessoas seguirem. Foi quando eu vi que meus seguidores pipocaram muito rápido e de 700 pessoas, passou pra mais de 7 mil. Fiquei muito assustado na hora e até com medo de falar alguma coisa. Várias pessoas disseram pra eu parar de falar o que estava acontecendo aqui do meu twitter pessoal e voltar a usar o do @vozdacomunidade que tinha apenas 180 seguidores. Pois bem, comecei a usar e várias pessoas começaram a seguir, várias pessoas falando daquilo que a gente publicava, foi uma coisa muito rápida e novamente eu fiquei chocado com o número de seguidores que foi chegando no decorrer dos minutos... Mas continuei publicando o que acontecia, cada vez mais intensa porque o tiroteio começou a rolar, e eu falava toda a verdade do que estava rolando né. Daqui a pouco eu ligo a tv e vejo na globonews falando do twitter @vozdacomunidade e me assustei: "Gente, como assim? acabei de falar aqui no twitter e já está na tv? muito rápido essa parada" - fiquei preocupado por conta da segurança mas correu tudo bem. Atualmente tenho 23.900 seguidores no meu @rene_silva_rj e 66.300 pessoas acompanham o @vozdacomunidade pra saber o que anda acontecendo ainda no Complexo do Alemão.”

In: http://renesilvasantos.blogspot.com.br/2011/11/linha-do-tempo-o-crescimento-do-voz- da.html . Acesso realizado em 15/04/2014

Fig. 4: Imagem capturada do blog de Rene Silva, localizado no blogspot.com.br.

Daí para a frente, sua rede chamada “Voz da Comunidade” ganhou página no Facebook, ao lado de um perfil pessoal. A partir das mensagens trocadas com a autora de novelas globais Glória Perez, Rene passou a ser procurado por diversas celebridades e programas televisivos, até ser recentemente contratado pela Rede Globo de Televisão. Um exemplo muito claro de como os relatos do “local” interessam ao “global”.

Com a estreia da telenovela “Salve Jorge”, que ocupou a faixa horária das 21 horas de outubro de 2012 a maio de 2013, Rene tornou-se consultor sobre o Complexo do Alemão, que possuía um núcleo retratado na ficção, e fez pequenas inserções como ator. Sua história pessoal passou, inclusive, a fazer parte da narrativa de Glória Perez. Antes, notabilizou-se entre seus pares ao conseguir uma série de melhorias práticas para a comunidade, da solução de um buraco na rua a problemas na escola pública do bairro.

Ganhou notoriedade por suas habilidades como comunicador, mensageiro e bom negociador. Passou a ser admirado na comunidade em que vivia e a receber atenção extra no espelho virtual em que suas ações se refletiam. Preencheu, de certa forma, o arquétipo do herói juvenil, que sai de sua comunidade e enfrenta o mundo lá fora, tornando-se apto a romper as distâncias e a traduzir realidades aparentemente distintas ou antagônicas.

Um dos momentos emblemáticos em sua história foi o movimento do gigante midiático, a Rede Globo de Televisão, indo ao seu encontro em busca de acesso a um universo que não dominava conceitualmente e, portanto, não sabia como atingir. Mais do que trazê-lo para perto de si, o que de certa forma já fez, procurou penetrar nesse mundo arredio, representado pela juventude conectada às redes sociais e pelos moradores das comunidades mais carentes das metrópoles brasileiras.

Encerrada a etapa da teledramaturgia, Rene continuou atuando como agitador cultural no Complexo do Alemão, além de ser contratado pela emissora, participando de programas de auditório (Esquenta, com Regina Casé). Organiza grandes eventos, divulga pequenos comerciantes e permanece conectado 24 horas por dia, com celular ligado até mesmo enquanto dorme. Não há separação entre a vida online desse jovem e sua comunidade circundante. Tudo cabe dentro de seu espaço narrativo e das redes que se prolongam num fluxo contínuo e inseparável entre a comunidade física em que mora, onde cada barraco conversa com seu vizinho, numa lógica territorial e arquitetônica assimétrica, dinâmica e horizontal, e a comunidade que se expressa no espaço digital, que se espalha em conexões transversais sem fronteiras.

A iniciativa da emissora líder de audiência no país de buscar incorporar ao seu grupo de colaboradores um ator social advindo de outra territorialidade midiática, utilizando-o não apenas como consultor a respeito do universo de sua comunidade original, mas como divulgador de um produto plenamente estabelecido na história televisiva brasileira (a novela), diz algo sobre o momento comunicacional presente. Esse episódio demonstra que novos desafios estão sendo propostos para as grandes emissoras e, nesse caso específico, a Globo tentou agenciar a incorporação de discursos das redes para a realização de uma situação midiática massiva.

Além de conquistar capital social, esse jovem membro de uma das comunidades mais violentas do Brasil, criou visibilidade nas redes sociais digitais e soube acioná-las para aumentar o alcance de seu discurso. As redes sociais demonstram, em contrapartida, o potencial que acumulam, gerando reação dos grandes meios de comunicação, forçando-os, pelo menos, a repensar sua estrutura.

No segundo caso que iremos analisar, a trajetória da pequena Isadora Faber, estudante da rede pública de ensino da cidade de Florianópolis (SC), também demonstra

até onde pode chegar a repercussão de uma página sediada no Facebook. Aberta como uma fanpage, ou seja, uma página que os seguidores devem apenas “curtir” e seguir as publicações do administrador, comentando dentro de seus “posts”, o Diário de Classe foi criado pela adolescente de 13 anos no dia 11 de julho de 2012. Até o início de agosto daquele ano, possuía cerca de 400 fãs ou seguidores. No final do mesmo mês, chegava a mais de 6 mil e, um ano depois, alcançou 500 mil acessos.

Quando abriu sua página, Isadora afirma que pensava conseguir cerca de 100 seguidores, entre amigos e familiares. Moradora da região de Santinho, bairro marcado pela presença de um enorme empreendimento turístico, o Costão Santinho Resort e Spa, que ocupa uma área de 1 milhão de metros quadrados, 750 mil deles localizados em área de reserva da Mata Atlântica, ela faz parte de uma família de classe média e sempre foi a pé para a Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho.

Fig. 5: Em agosto de 2013, a página do Diário de Classe no Facebook já chegava a 626 mil seguidores.

As primeiras publicações no Facebook são, basicamente, de fotos que mostravam as más condições de sua escola, com instalações inadequadas, além de equipamentos que colocavam em perigo a segurança dos alunos e registros da merenda que era servida para as crianças diariamente. Para fazer tais registros, ela levava seus celular todos os dias para a escola. A inspiração veio da blogueira escocesa Martha Payne que, aos 9 anos, criou a página Never Seconds,16 em novembro de 2009, em que diariamente publicava fotos da merenda servida na escola. O chef Jamie Oliver, que já promovia uma campanha para melhorar a qualidade das refeições servidas nas escolas da Grã-Bretanha, apoiou a menina nas redes sociais e ela recebeu mais de um milhão de visitas. Isadora leu a história e pensou que poderia fazer algo parecido.

De lá para cá, passou por situações improváveis para alguém de sua idade, recebendo inúmeros prêmios e reconhecimentos, como ao ser incluída na lista dos “25 brasileiros que devem ser observados”, elaborada pelo jornal inglês Financial Times no início de 2013, ou ao enfrentar as duras reações de professores, funcionários e até mesmo de seus colegas de escola. Chegou a receber ameaças de morte e teve a casa atacada, deixando ferimentos leves em sua avó, que acabou hospitalizada.17

Fig. 6: Notícia capturada da página de cache do Google. Ela é um instantâneo da aparência que possuía

em 15/04/2014 e pode ter sido alterada após a data.

Em meio ao ódio e ao amor suscitados pela atuação constante, praticamente diária, no Facebook, Isadora seguiu em frente, apoiada pelos pais, apesar de enfrentar reações de intimidação sérias, agravadas pelo fato de se tratar de uma adolescente. Sua figura frágil, tímida e os longos cabelos contribuem para relembrar o arquétipo do puer aeternus. A disposição de expor-se a perigos em defesa da educação, um tema tão fundamental para o Brasil, colocou-a entre o grupo de pessoas capazes de gerar transformação não apenas em âmbito local, criando mais um modelo possível de “herói juvenil” dentro das redes. A pouca idade e o ar angelical também compõem uma imagem que a afasta do que se convencionou ser a dos homens da “política”, do “mercado” e do “sistema”.

17 Notícia disponível em:

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/1 1/06/casa-de-aluna-que-criou-diario-de-classe-e-apedrejada-em-florianopolis-avo-fica-ferida.htm Acesso realizado em 15/04/2014.

Aqueles que a rejeitam, muitos deles pessoas próximas, vizinhos, colegas de escola, funcionários e professores, julgam ser prejudicados por suas ações, sentem-se intimidados e expostos. Mas tudo isso vem acompanhado pelo reconhecimento público alcançado. Isadora dá palestras em todo o Brasil, conversa com autoridades, recebe prêmios. Com toda a atenção voltada para seus enunciados, conseguiu vitórias aparentemente impossíveis, com melhoras visíveis na infraestrutura de sua escola e a discussão em âmbito municipal de problemas relacionados ao dia a dia da educação pública em Florianópolis.

Parece que a aprovação automática esta com os dias contados aqui em Santa Catarina. A partir deste semestre os alunos devem ter frequência mínima de 75% e medias finais acima de 7, somente o 1º, 2º e 4º ano não poderá reprovar. É um grande avanço na minha opinião, parabéns pela iniciativa, acho que é um passo importante para exigir mais dos alunos e professores. Outra novidade é uma nutricionista nova na escola. Os lanches melhoraram nesta semana, tem 4 cardápios definidos, um para cada semana. Hoje o lanche foi torta salgada de frango e suco natural. Tava muito bom. In:

https://www.facebook.com/DiariodeClasseSC?fref=ts, publicado no dia 2 de agosto de 2013.

Na publicação acima, é possível perceber como Isadora passa a emitir opiniões sobre assuntos complexos relacionados à Educação, como a aprovação automática, e conquista o direito de ser ouvida. São 279 comentários referindo-se a esse “post”, mais de 4.200 pessoas “curtiram” o que disse e 306 compartilharam a mensagem. No enunciado, pode-se perceber, ainda, uma de suas vitórias, com a chegada da nutricionista à escola e a melhora no cardápio de merendas. Isso demonstra não apenas o capital social que adquiriu, como também a potência comunicacional, capaz de materializar transformações importantes no cotidiano de seu grupo.

Por outro lado, deixa no ar a dúvida, que aparece, inclusive, em vários comentários deixados em sua página: o que, exatamente, deu a ela esse poder de interferir no andamento de assuntos relacionados à Educação, muitos deles que admite não conhecer profundamente? A notoriedade conquistada com enunciados simples e específicos sobre os problemas que encontrava em sua escola justificam essa ampliação do círculo de atuação da adolescente, hoje com 14 anos?

Um episódio que denota essa conquista de poder e o desejo de autoridades constituídas de arrebatarem para si esse quinhão aconteceu na metade de 2013. Um senador da República, Paulo Bauer (PSDB-SC) enviou para o Diário de Classe um vídeo respondendo diretamente a uma indagação da estudante. “Eu estava publicando, olhei para o lado e vi o vídeo que ele publicou. Eu não sabia o que fazer, falando meu

nome, pedindo para compartilhar. Isso mostra o tamanho do Diário de Classe, não é qualquer perfil que recebe uma resposta em vídeo de um senador da República”, relembra Isadora. Também gerou grande polêmica no Facebook a foto que publicou ao lado do então Ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

O tripé de histórias em que basearemos este estudo se completa com Enderson Araújo, de Salvador, Bahia. Aos 22 anos, Enderson não atingiu notoriedade tão significativa quanto Rene e Isadora, pelo menos por enquanto. Um dos criadores da página Mídia Periférica, presente no Facebook, com mais de 3.500 seguidores, de um blog com mais de 10 mil views, e Twitter com cerca de 350 seguidores em agosto de 2013, sua atuação vem ganhando destaque por meio de prêmios e reconhecimentos.

O discurso de Enderson está diretamente ligado às questões culturais e raciais das periferias da cidade de Salvador. Seus enunciados transitam entre exaltações à capacidade empreendedora da juventude negra, frases motivadoras para os jovens habitantes da periferia, discursos de autoafirmação e opiniões políticas sobre questões locais e nacionais, geralmente ligadas à juventude.

Sua participação é resultado de oficinas de formação de comunicadores realizadas na periferia de Salvador, como descrito no item “Sobre”, da página do Mídia Periférica no Facebook.

Sobre

Grupo de jovens comunicadores / Group of young communicators - Clique e Saiba Mais / Click and Learn More

Descrição

Se Liga Bocão, Na Mira, Se Liga no Pida, Estes são os programas de maior audiência da Mídia Convencional, programas sensacionalistas e que excluem a cultura das periferias e muitas vezes usam as comunidades como cenário para suas matérias sensacionalistas, utilizando imagens de miséria e desgraças. Foi com essa inquietação que três (3) jovens se reuniram durante o curso de Direito à comunicação e produção de vídeo ministrado pelo Instituto de Mídia Étnica (IME) e realizado pelo Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) na comunidade de Sussuarana em Salvador-BA, e fundaram o Grupo de Comunicadores Jovens Mídia Periférica. Enderson Araujo, Ana Paula Almeida e a Liege Viegas se reuniam após as oficinas e discutiam bastante sobre os esclarecimentos que o IME passara nas tardes de oficinas, Vídeos, Debates, e Conversas que adentravam as noites inquietavam aqueles jovens. Tiveram a idéia de fazer fotografias pela comunidade e surgiu mais uma inquietação em suas mentes, pois eles começaram a observar que a periferia não só tem misérias, tem as senhoras que se reúnem para tricotar, fazer crochê, tem as crianças que batem uma pelada no final de linha ou empinam pipa enquanto os senhores de meia idade jogam dominó na praça ao fim de tarde. Com essas imagens os jovens do Mídia Periférica faziam vídeo slides e divulgavam na internet em forma de repudio ao que a mídia convencional pregava sobre as comunidades periféricas, mas sentiam que aqueles vídeos ficavam soltos na internet sem nenhuma referencia daí surgiu a idéia de criar-se um nome que desse referencia as fotos e que o trabalho dos jovens fosse reconhecido, então nasceu o Mídia Periférica. Daí então muita coisa foi acontecendo o projeto terminou, mas a vontade dos jovens levou com que continuassem a se reunir e produzir. Conseguiram um espaço na radio comunitária de Sussuarana aonde transmitem o programa Radiação Favela, um programa de hip-hop que há poucos dias passou a ter transmissão Online, alem disso @s Menin@s conseguiram um apoio da Rede Servidor para produzirem sua Web TV onde eles produzem quatro tipos de programas: Conversa de Quilombo, Multicultural, Love Periferia e Informe Periférico; e não para por ai, os jovens multiplicam seus

conhecimentos em oficinas que são convidados a fazer em outras comunidades, eles passam um pouco do que aprendem para outros jovens, em seus quadros eles escrevem uma vez por mês para a revista Viração! Feita por jovens de todo o Brasil e postam conteúdo na Agencia Jovem de Noticias da Revista Eletrônica da Viração.

In: https://www.facebook.com/midia.periferica/info

Enderson foi um dos 10 premiados na edição 2012 do Prêmio Laureate Brasil, cujo objetivo é reconhecer jovens empreendedores sociais que promovam mudanças significativas nas comunidades em que atuam. Trata-se de um prêmio concedido pelo Laureate International Universities, grupo internacional que se define como líder global em ensino superior, formado por mais de 75 instituições em todo o mundo, presente no Brasil por meio da aquisição de universidades nacionais, como Anhembi-Morumbi e FMU.

Além dessas duas universidades, é responsável pelo BSP – Business School São Paulo, Cedepe Business School, Centro Universitário do Norte (UniNorte), Centro Universitário IBMR, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (FADERGS), Faculdade dos Guararapes (FG), Faculdade Unida da Paraíba (UNPB), Universidade Potiguar (UnP) e Universidade de Salvador (UNIFACS). O ex-presidente norte-americano Bill Clinton é chanceler honorário do grupo global e aconselha a rede em temas de responsabilidade social, liderança jovem e acesso ao ensino superior. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, em março de 2014, figurava nas fotos do site oficial do grupo.18 No total, a instituição atua na educação de 800 mil estudantes espalhados por todo o mundo. Que sua presença no Brasil seja assim tão expressiva é um dado que poderia ser estudado em pesquisa específica sobre o interesse de grandes conglomerados educacionais no mercado brasileiro, suas práticas mercadológicas e pedagógicas. Por enquanto, refletiremos sobre as razões que levam o grupo a escolher um jovem como Enderson para a premiação e o tipo de discurso que produz a partir dessa escolha.

O objetivo inicial do Mídia Periférica era se contrapor aos informativos sensacionalistas que falavam da periferia apenas como palco de crimes e local de moradia de marginais. Com a família residente em Sussuarana, após uma oficina de comunicação, Enderson e os amigos resolveram criar o blog, alimentando o conteúdo em horas vagas nas lan houses da região, uma vez que não possuíam computador.

Os amigos foram se revezando, mas Enderson permaneceu no Mídia Periférica e mantém o próprio perfil no Facebook, com 2.300 “amigos”. Entre fotos com outros jovens, recados pessoais, mensagens convocatórias para protestos contra o aumento dos ônibus em Salvador em 2010, o jovem registra, por exemplo, a morte que presenciou a poucos metros de distância, em 11 de dezembro de 2010: “Mais um jovem é exterminado em minha comunidade..dessa vez foi marcante, foi em minha frente a centimetros de distancia..meu Deus eu não pude fazer nada.. Revolta”19

Com enunciados contundentes e muitas referências à cultura afro, Enderson talvez possua o discurso mais radical entre os três, no sentido de defender claramente a criação de alternativas comunicacionais capazes de dar conta da multiplicidade de