6 Legeforeningens organisasjon
6.2 Hovedforeningen
6.2.14 Prosjekter/Annet
WEYDER CRISTIANO SANTANA RESUMO
Movimentos ecológicos têm interessado a diferentes segmentos da sociedade, com diversas motivações políticas e ideológicas, havendo cada vez mais a necessidade de ações efetivas para se pensar e discutir esses problemas sócio-político-ambientais. A redução nas populações de polinizadores, especialmente as abelhas, constitui um grave problema, ocasionando signi- ficativos impactos ambientais e econômicos, uma vez que estes organismos são fundamentais para a manutenção dos principais ecossistemas/agroecossistemas. O conhecimento sobre a sua importância pode auxiliar na conservação desse grupo, além de alertar a comunidade sobre questões ambientais de uma maneira geral. Assim, objetivou-se no projeto a educação ambien- tal entre educandos do ensino fundamental de uma escola estadual de Viçosa – MG, Brasil, por meio da interação com as atividades produzidas na Universidade Federal de Viçosa, utilizando as abelhas como veículo dessa interação. A partir das concepções iniciais do público-alvo sobre o assunto, desenvolveu-se a conscientização da importância da preservação das abelhas e as consequências desta preservação para o ambiente como um todo, direcionando a construção do conhecimento dos estudantes envolvidos sob uma ótica crítica, que abranja uma visão política e social sobre a questão. Os educandos tiveram contato com as abelhas sem ferrão em oficinas que instigaram a curiosidade acerca de temas como o surgimento das abelhas e o seu histórico com a humanidade, as relações de interdependência com os seres humanos, a importância das abelhas nativas e sua relação com a biodiversidade brasileira. Em visita ao apiário, foram mos- tradas algumas espécies de abelhas nativas aos alunos, que puderam compartilhar seu conhe- cimento e experiência. A avaliação mostrou resultados positivos no processo de sensibilização quanto à importância das abelhas e em um contexto mais amplo relacionados à ecologia, ao meio ambiente e à sociedade.
Palavras-chave: Educação ambiental; abelhas sem ferrão; meliponicultura; meio ambiente INTRODUÇÃO
Movimentos ecológicos têm interessado aos mais diferentes segmentos da sociedade, apesar de nem todos partirem da mesma motivação política e ideológica (GONÇALVES, 2001). Esse interesse se dá, em grande parte, pela ocorrência de problemas ambientais e sociais devido à ex- ploração predatória do ambiente. Consequentemente, cada vez mais há a necessidade de ações efetivas para se pensar e discutir esses problemas, dialogando com a população e buscando
propostas para tais questões. Assim, “a educação ambiental surge hoje como uma necessidade quase inquestionável pelo simples fato de que não existe ambiente na educação moderna. Tudo se passa como se fôssemos educados e educássemos fora de um ambiente” (GRÜN, 2002 apud GRÜN, 2002, p. 3). Entra em foco, então, uma Educação Ambiental que se alinhe à educação transformadora, que seja crítica, que leve à emancipação dos sujeitos.
A redução nas populações de polinizadores constitui, atualmente, um grave problema ecológico que está ocasionando significativos impactos ambientais e sociais em muitas comu- nidades, assim como importantes prejuízos econômicos. As abelhas são os principais animais polinizadores, sendo fundamentais para a manutenção dos principais ecossistemas terrestres, incluindo os agroecossistemas (KEVAN, 1999). Portanto, o conhecimento sobre a importância das abelhas, pela população em geral, pode auxiliar na conservação deste grupo de insetos, além de alertar a comunidade sobre a importância da preservação ambiental de uma maneira geral.
As abelhas são os principais polinizadores da nossa flora. As primeiras abelhas surgiram há cerca de 130 milhões de anos, junto com as primeiras plantas com flores, sendo responsáveis por 38% da polinização dessas plantas (ROUBIK, 1989. Os meliponíneos brasileiros, conhe- cidos vulgarmente como abelhas indígenas sem ferrão, estão sendo dizimados devido a fatores como desmatamentos, queimadas, uso de inseticidas, falta de informações sobre sua importân- cia e de estímulos para sua criação (KERR, 1997).
Organizações nacionais e internacionais estão explicitando a necessidade de se conser- var as abelhas silvestres para a manutenção tanto da produção agrícola quanto da vegetação na- tiva. Tendo em vista que muitas abelhas são especialistas em certos tipos de flores e até mesmo as generalistas têm fortes preferências, a conservação tanto das abelhas quanto do seu habitat se torna um assunto importantíssimo (MICHENER, 2007).
Há centenas de espécies de meliponíneos descritas, as quais possuem grande diversi- dade genética, morfológica e comportamental (MICHENER, 2007). Dessas, cerca de 70 pode- riam ser criadas para uso na polinização ou para produção de mel; com a vantagem de serem sem ferrão, logo poderiam ser manuseadas por crianças e pessoas alérgicas ao veneno da abelha melífera (NETO, 1997).
Portanto, a conservação dos meliponíneos não pode ficar restrita aos limites das unidades de conservação. O conhecimento sobre a biologia e ecologia de abelhas tem sido um tema com constantes demandas por parte de escolas municipais, sindicatos organizados e produtores agrícolas à Universidade Federal de Viçosa, buscando o conhecimento e a relação das abelhas com o meio ambiente, seu manejo e preservação. Nesse processo, a troca de saberes entre a comunidade universitária e os estudantes de ensino fundamental pode contribuir de forma eficaz para esta conservação, além de colaborar para a qualificação do ensino e da pesquisa na universidade. Assim, a Educação Ambiental trabalhada como um veículo da extensão
universitária possibilita uma relação transformadora entre a universidade e a sociedade, gerando a troca dos saberes acadêmicos e populares e a democratização do conhecimento (FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS, 1998).
A partir disso, pretendeu-se, no projeto descrito a seguir, suscitar a discussão sobre a importância da preservação das abelhas e as consequências desta preservação para o ambiente como um todo. Buscou-se também direcionar a construção do conhecimento dos estudantes en- volvidos sob uma ótica crítica, que abranja uma visão política e social sobre a questão, gerando um aprendizado coletivo e possibilidade de inclusão social dos estudantes de ensino fundamen- tal que poderão atuar como agentes transformadores da comunidade onde vivem. Além disso, pode despertar o interesse pela meliponicultura (criação de abelha sem ferrão) e/ou apicultura, atividades que estão despontando como geradoras de renda para comunidades rurais.
Com esse intuito foram elaboradas e ministradas oficinas a educandos do 7° ano do Ensino Fundamental e, para atingir os objetivos propostos, foram trabalhadas com as crianças atividades que propiciassem a construção do conhecimento sobre as abelhas de forma lúdica, envolvendo a participação ativa desses estudantes no processo. Primeiramente foi levantado o conhecimento prévio do público-alvo por meio da aplicação de questionários sobre o assunto. A partir daí foram realizadas atividades teóricas e práticas com os alunos, como visitas ao Apiário da Universidade Federal de Viçosa e realização de oficinas para confecção de cartazes, redações e desenhos. Os colaboradores acompanharam essas etapas dando as orientações necessárias e estimulando a troca entre o saber acadêmico e o conhecimento tradicional e popular.
METODOLOGIA
A partir de leituras de artigos, livros e projetos com objetivos próximos, foi elaborado um Projeto de Extensão pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) utilizando as abelhas sem ferrão como instrumento de educação ambiental. O projeto adotou como público alvo os alunos do 7o ano do Ensino Fundamental de uma Escola Estadual da cidade de Viçosa-MG, com idade entre 11, 12 e 13 anos, que estavam divididos em três turmas.
Primeiramente foi elaborada uma carta de apresentação especificando os objetivos do projeto que foi enviada à escola na qual o projeto foi realizado. Posteriormente aconteceram visitas à escola e às turmas escolhidas, para contato inicial com a realidade local e contextua- lização das atividades do projeto. Depois se iniciaram as atividades teórico-práticas com os alunos, em oficinas que envolveram rodas de conversa, apresentações de vídeo, metodologias participativas, material prático. As atividades foram realizadas uma vez ao mês para cada turma de cerca de 25 alunos por vez, no período de março a novembro de 2012, totalizando 9 semanas de atividades na escola. Reuniões entre os integrantes para avaliação, críticas e possíveis alte- rações no andamento foram realizadas semanalmente.
Dentre as atividades ministradas, oito aconteceram na sala de aula da própria escola, utilizando-se recursos audiovisuais e material prático como caixas de insetos e colônias de abelhas. Uma atividade foi desenvolvida no Apiário Central da UFV, Viçosa – MG, para maior familiarização dos estudantes com as abelhas.