5. Empiri
5.2 Semi-strukturerte intervju
5.2.3 Prosessen med å forstå informasjonen og hva dette innebærer for oss
O regime de fogos está altamente dependente do clima e das condições meteorológicas, podendo este regime estar já a ser modificado devido às alterações climáticas com origem antropogénica (Flannigan et al., 2005). Para alguns autores, os fatores meteorológicos e climáticos são considerados mais importantes do que as características do material combustível e o tipo de terreno (Cary et al., 2006).
Com o agravamento das alterações climáticas, é projetado o aumento da vulnerabilidade a incêndios florestais, que estará associado aos efeitos conjugados do aumento da temperatura, da diminuição da precipitação, do aumento da frequência e duração das ondas de calor e das secas. Assim, é esperado um aumento da frequência de incêndios, das áreas ardidas e da intensidade do fogo, em particular na região mediterrânica (Camia et al., 2017).
Devido à elevada importância que a ocorrência de incêndios florestais tem no território do Algarve, e por ser um dos principais riscos apontados para a floresta nos estudos sobre alterações climáticas, procedeu-se à avaliação da vulnerabilidade atual e projetada relativa aos fogos florestais, através da aplicação de um índice de incêndio florestal. Para o efeito, recorreu-se às variáveis de temperatura máxima, humidade relativa média, velocidade média do vento e a precipitação acumulada em 24 horas, de modo a se calcular o Daily Severity Rating (DSR)58. Este índice, para além de avaliar o risco de incêndio florestal, reflete também os esforços necessários à sua extinção.
Para a caracterização do risco de incêndio no período de referência, recorreu-se aos dados da reanálise climática ERA- Interim, para o período 1981-2010. Em cenários de alterações climáticas, calculou-se a anomalia relativa à média climatológica de cada mês (2011-2040, 2041-2070, 2071-2100), entre cada um dos cenários futuros (RCP4.5 ou RCP8.5) e o cenário histórico de cada modelo (1971-2000). Posteriormente, foi realizado o ensemble dos 11 modelos considerados nesta análise (Tabela 1). O mesmo processo foi efetuado para todas as análises efetuadas no âmbito dos fogos florestais.
A caracterização do risco de incêndio (atual e futuro), foi agregada para o “reforçado nível IV” e para os restantes meses. O “reforçado nível IV” é referente ao período de maior probabilidade de ocorrência de incêndios florestais, que ocorre entre 1 de julho a 30 de setembro, sendo a fase com mais meios de combate disponíveis (ANPC, 2017).
No âmbito desta análise, considerou-se fundamentalmente os dias em que o risco de incêndio é particularmente elevado. Estes são designados por dias extremos e correspondem ao número de dias em que o DSR é superior ao percentil 90 do DSR no “reforçado nível IV”, para o período de 1981-2010 (Figura 108). O percentil 90 do DSR caracteriza ainda os valores mais elevados de risco de incêndio florestal no presente.
Na Figura 108 pode verificar-se que existe uma diferença assinalável nos valores do DSR relativos ao percentil 90, entre o litoral e o interior, em especial no litoral oeste, com valores bastante mais baixos do que no resto do Algarve. Os valores aumentam gradualmente para o interior e para Leste, atingindo um máximo no Nordeste. Estas diferenças são explicadas pelas características climáticas da região. Por exemplo, a serra de Monchique consiste numa área de clima muito húmido a super-húmido59, enquanto a serra do Caldeirão protege o Sotavento Algarvio da influência atlântica presente no Barlavento. Daqui resulta que o Sotavento recebe menor precipitação, que decresce para leste, constituindo o vale do Guadiana uma das regiões mais áridas de Portugal (ICNF, 2006).
Figura 108 Percentil 90 do DSR no “reforçado nível IV”, para o período 1981-2010
Desta forma, é expectável que um dia extremo em Sagres tenha condições meteorológicas (em especial, a temperatura e a humidade) bastante diferentes do que um dia extremo na serra do Caldeirão, tornando-se relevante analisar o número de dias extremos, em especial quando se comparar o clima atual com o futuro.
Esta análise permitiu confirmar que existe um número de dias extremos, por ano, muito maior no “reforçado nível IV”, que ronda os 9 dias, do que nos outros meses onda varia entre 1 e 2 dias.
Em cenário de alterações climáticas, verifica-se que existe um aumento na média anual do número de dias extremos para o final do século, sendo este maior fora do “reforçado nível IV” (até cerca de mais 11 dias no cenário RCP4.5 e até cerca de mais 18 dias no cenário RCP8.5) do que no “reforçado nível IV” (até cerca de mais 10 dias no cenário RCP4.5 e até cerca de mais 14 dias no cenário RCP8.5).
É de notar que a distribuição espacial do aumento do número de dias extremos nos meses do “reforçado nível IV” é diferente dos restantes meses. De facto, no “reforçado nível IV”, é projetado que os maiores aumentos ocorram no interior e no Leste, sendo de assinalar o aumento na região a sudoeste da serra de Monchique, que tem atualmente poucos dias extremos registados.
Nos meses fora do “reforçado nível IV”, os maiores aumentos situam-se na região costeira, em especial no Sotavento Algarvio, com particular relevância para o Sotavento interior (Figura 109).
Figura 109 Anomalia na média anual de dias extremos no cenário RCP8.5, para o período 2071-2100,
no “reforçado nível IV” e nos restantes meses60
Estes resultados antecipam um aumento da duração da época de fogos, que se estenderá para fora do período “reforçado nível IV”, sendo esta mais intensa, devido ao aumento progressivo da média anual de dias extremos, em particular no RCP8.5.