5. Empiri
5.2 Semi-strukturerte intervju
5.2.2 Innhenting og bearbeiding av kritisk informasjon
As alterações climáticas, com origem antropogénica, contribuem para modificações nos regimes de precipitação, projetando-se, para a região da Europa mediterrânica, uma diminuição significativa da precipitação anual acumulada e um aumento de precipitação associada a eventos extremos que serão, no entanto, mais significativos noutras regiões (Hov et al., 2013).
Para a região do Algarve, projeta-se um aumento da frequência e intensidade de eventos de precipitação extrema, o que resultará na intensificação da frequência e impacto de cheias e inundações.
Esta secção apresenta uma análise relacionada com eventos extremos de precipitação, através do cálculo de períodos de retorno de 20 e 100 anos observado e em cenários de alterações climáticas.
Posteriormente, são identificadas as áreas inundáveis e os principais impactos e vulnerabilidades projetadas para zonas críticas de inundação, localizadas na ribeira de Aljezur (Aljezur), no rio Gilão (Tavira), na ribeira de Monchique (Monchique), no rio Seco (Faro), no rio Arade (Silves), na ribeira de Bensafrim (Lagos) e na ribeira de Carcavai (Loulé). Através da extrapolação dos resultados para todo o Algarve, são ainda realizadas algumas considerações relacionadas com as infraestruturas de transportes e comunicações.
Finalmente, são apresentadas as opções estratégicas com relevância para reduzir as vulnerabilidades climáticas identificadas ao longo desta secção.
4.4.1. Clima observado e projeções climáticas
A avaliação da precipitação extrema teve como principal objetivo estimar os caudais de ponta de cheia com períodos de retorno de 20 e 100 anos (T20 e T100), de forma a delimitar as zonas inundáveis e determinar os níveis de cheia associados a sete zonas críticas.
Para o efeito, realizou-se uma análise estatística da precipitação diária máxima anual observada, nas estações meteorológicas necessárias para caracterizar o regime de precipitação extrema de cada bacia estudada. Para o cálculo dos períodos de retorno das séries de cada estação, foram aplicadas diferentes leis de extremos, selecionando-se, em cada situação, aquela que apresentou melhor ajuste.
A Tabela 42 resume as estações meteorologicas utilizadas para cada bacia, os períodos considerados para a análise da precipitação diária máxima anual observada e os resultados obtidos para os periodos de retorno de 20 e 100 anos.
Estação meteorológica Período histórico (amostra) T20 (mm) T100 (mm) Aljezur 1932-1999 78,9 103,9 Marmelete 1960-1999 110,7 142,5 Monchique 1969-1998 179,2 237,0 Barragem do Arade 1959-2005 85,6 109,6 S. B. de Messines 1933-2002 104,5 136,6 Faro Aeroporto 1975-2011 106,8 142,4 Monchique 1959-2005 179,2 237,0 Barragem da Bravura 1958-2000 97,3 124,6 Faro Aeroporto 1975-2011 106,8 142,4 S. B. de Alportel 1955-2002 117,9 147,8
Tabela 42 Valores de precipitação estimados para o período de retorno de 20 e 100 anos em cada estação meteorológica
Em cenários de alterações climáticas e antes do cálculo dos períodos de retorno projetados para o futuro, foi realizada uma correção de viés aos dados de precipitação diária proveniente de cada modelo climático, uma vez que estes dados se encontram normalmente enviesados (Christensen et al., 2008; Ehret et al., 2012). Esta correção foi efetuada para as oito estações meteorológicas considerando os dados históricos observados de cada estação, sendo realizada para nove modelos climáticos e tanto para o cenário RCP4.5, como para o RCP8.548. Os resultados finais relativos aos períodos de retorno em cenários de alterações climáticas, consistiram no ensemble da mediana dos valores obtidos em cada modelo considerado.
A Tabela 42 apresenta as modificações percentuais encontradas entre a precipitação associada aos períodos de retorno atuais e os valores projetados em cada cenário e período temporal analisado.
Estação Meteorológica P. Retorno(Anos)
RCP4.5 RCP8.5 [2011-2040] [2041-2070] [2071-2100] [2011-2040] [2041-2070] [2071-2100] Aljezur 20 19,4 30,4 28,6 20,2 10,8 19,2 100 22,1 37,4 30,3 23,5 27,4 43,9 Barragem da Bravura 20 8,0 22,0 13,7 9,8 12,5 15,4 100 8,6 24,8 14,2 14,0 14,8 24,8 Barragem do Arade 20 21,7 24,4 17,9 12,9 15,8 24,9 100 24,6 25,9 21,8 14,1 20,5 30,9 Faro-Aeroporto 20 19,2 22,7 13,6 17,8 18,0 27,1 100 21,4 29,3 14,5 21,5 20,3 48,6 Marmelete 20 24,5 31,6 25,7 21,1 16,3 13,1 100 26,1 35,7 29,2 26,5 20,3 29,6 Monchique 20 26,7 12,8 7,5 4,6 -2,6 -3,8 100 32,4 12,2 6,8 4,5 4,9 6,0
São Bartolomeu de Messines 20 28,8 18,3 13,4 8,4 18,9 25,2
100 43,0 16,3 11,9 8,3 23,0 24,8
São Brás de Alportel 20 34,0 39,8 31,0 17,4 25,4 44,2
100 39,9 45,7 35,6 20,5 28,7 66,4
Tabela 43 Percentagem nas modificações projetadas pelos cenários RCP4.5 e RCP8.5 a curto, médio e longo prazo para a precipitação associada
aos períodos de retorno de 20 e 100 anos, nas estações meteorológicas consideradas. A escala de cores pretende facilitar a leitura das alterações, sendo que cores mais quentes indicam maiores modificações
Em cenário de alterações climáticas observa-se, de forma genérica, um aumento da precipitação associada aos períodos de retorno avaliados (20 e 100 anos). Mais concretamente, no cenário RCP4.5, as estações meteorológicas de Aljezur, Barragem da Bravura, Barragem do Arade, Faro-Aeroporto, Marmelete e São Brás de Alportel apresentam um comportamento idêntico ao longo do século XXI, que se traduz num aumento progressivo da precipitação diária para ambos os períodos de retorno até ao período 2041-2070. No entanto, o intervalo 2071-2100 apresenta uma menor percentagem de aumento, quando comparada com o intervalo de 2041-2070. As estações de Monchique e São Bartolomeu de Messines apresentam aumentos de precipitação extrema mais elevados a curto prazo (2011- 2040), e uma menor percentagem de aumento para meados e final do século (Tabela 43).
Para o cenário RCP 8.5, as estações meteorológicas de Aljezur, da Barragem da Bravura, da Barragem do Arade, de Faro-Aeroporto, de São Bartolomeu de Messines e de São Brás de Alportel apresentam variações percentuais de aumento da precipitação diária associada aos períodos de retorno de 20 e 100 anos que são consistentes ao longo do século. É de notar que para a estação de Monchique os eventos extremos de precipitação em 24 horas tendem a aumentar no início do século e a diminuir a médio e longo prazo, quando comparado com a situação atual (Tabela 43).
4.4.2. Impactos e vulnerabilidades das cheias e inundações
Após a correção do viés nas projeções climáticas, procedeu-se à modelação das zonas inundadas, maioritariamente associadas a cheias pluviais. No entanto, nas zonas em que os níveis de inundação são condicionados pelas marés, tem-se em conta a respetiva influência. As zonas modeladas encontram-se representadas na Figura 100.
A metodologia utilizada para a avaliação da vulnerabilidade às cheias e inundações pluviais na região algarvia, segue a mesma abordagem da Elaboração de Cartografia Específica sobre Risco de Inundação para Portugal Continental, realizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (Aqualogus e Action Modulers, 2014).
4.4.2.1. Zonas críticas de inundações
A modelação hidráulica para cheias e inundações de origem pluvial, permitiu a delimitação das zonas de inundação para as áreas de estudo selecionadas, considerando a precipitação associada aos períodos de retorno de 20 e 100 anos relativos à precipitação observada e projetada em cenários de alterações climáticas. Desta análise resultaram ainda informações da altura máxima da coluna de água e da velocidade máxima do escoamento nas áreas inundáveis associadas aos períodos de retorno estudados.