5. Empiri
5.2 Semi-strukturerte intervju
5.2.1 En operasjonsleders viktigste oppgave?
Face às projeções de subida do NMM, da variação da linha de costa, do aumento da erosão nos litorais arenosos e dos galgamentos oceânicos na região do Algarve, torna-se essencial delinear um plano de ação focado nas áreas mais críticas.
Com este intuito, aplicou-se a metodologia de caminhos de adaptação, realizando-se para o efeito, uma avaliação multicritério das medidas de adaptação propostas para implementação, seguida da avaliação por expert judgement dos seus benefícios para a salvaguarda de pessoas e bens e, finalmente, a criação dos caminhos de adaptação propriamente ditos. Estes foram desenvolvidos para dois casos de estudo na região do Algarve, onde se projetam impactos importantes, nomeadamente ilha barreira da Ria Formosa e 2 km de praia em Quarteira, densamente urbanizada junto à linha de costa (Figura 92).
Os caminhos de adaptação foram apresentados no âmbito do workshop#3, aos técnicos municipais e outras entidades com poder de decisão. Uma vez que a análise dos benefícios das medidas teve como base o expert judgement (ao invés dos caminhos de adaptação sobre a disponibilidade hídrica que tinha base de modelação), estes foram discutidos e trabalhados com os técnicos municipais e outras entidades com poder de decisão, de forma a tornar mais robusta a avaliação realizada. Este processo permitiu uma escolha mais informada do caminho de adaptação, que foi executada considerando as projeções para o cenário RCP8.5.
Figura 92 Vista aérea sobre os dois casos de estudo. Praia de Faro (à esquerda) e Quarteira (à direita).
Fonte: CM de Faro e CM de Loulé, respetivamente
No caso de estudo de Quarteira, projeta-se que ocorra um recuo progressivo da linha de costa, que poderá chegar à primeira linha de habitações no final do século (Figura 93). Relativamente à extensão máxima do galgamento oceânico, projeta-se que no final do século, esta atinja pelo menos a segunda linha de habitações (Figura 93).
Figura 93 Evolução de linha de costa em Quarteira ao longo do século XXI e alcance máximo de galgamento em cenário de subida do NMM
associado ao RCP8.5
No caso de estudo de Praia de Faro, observa-se igualmente um recuo progressivo da linha de costa ao longo do século, como consequência da subida do NMM, sendo que no final do século a linha de costa poderá alcançar as primeiras habitações. Relativamente ao alcance máximo de galgamento, é possível observar-se que esta ultrapassa toda a península, afetando todas as habitações existentes (Figura 94).
Figura 94 Evolução de linha de costa na Praia de Faro ao longo do século XXI e extensão máxima da inundação marinha
Para cada um dos casos de estudo foram elaboradas medidas que se enquadram em 3 opções estratégicas relativas à subida do NMM: Recuo, Proteção e Acomodação45.
Por terem contextos diferentes, as medidas de adaptação diferem entre os dois locais. Assim, as medidas de adaptação propostas para o caso de estudo de Quarteira incluem: i) Alimentação artificial da praia; ii) Construção de um paredão e a sua manutenção, bem como alimentação artificial das praias; iii) Construção e alimentação artificial de dunas e construção e/ou manutenção de paliçadas e passadiços, com sobrelevação de edificações (apoios de praia); iv) Remodelação dos esporões; v) Retirada e relocalização da ocupação (primeira linha de habitações); e vi) Retirada e relocalização da ocupação (segunda linha de habitações).
Relativamente ao caso de estudo da Praia de Faro, as medidas propostas e discutidas com os participantes foram a: i) Alimentação artificial da praia; ii) Alimentação artificial da praia com a construção e/ou manutenção de paliçadas e passadiços; iii) Sobrelevação de edificações (e.g. estruturas de apoio); e iv) Retirada e relocalização da ocupação (todas as habitações), com sucessiva renaturalização das zonas desocupadas.
É de salientar que, em ambos os casos, apenas as medidas que pressupõem a alimentação artificial de areia de forma continuada ou que obrigam a uma relocalização da ocupação humana (i.e., de habitações) são eficazes na proteção das pessoas e bens e manutenção do usufruto da praia no final do século. Contudo, as medidas onde se recorre à alimentação artificial de praias e/ou dunas tornam-se potencialmente inviáveis devido ao desequilíbrio entre a relação custo-benefício (maior necessidade de areia) antes do final do século (Figura 95).
Caminhos de adaptação possíveis para Quarteira (RCP8.5) Caminhos de adaptação possíveis para a Praia de Faro (RCP8.5)
Figura 95 Representação dos caminhos de adaptação possíveis, considerando as medidas de adaptação propostas
e as projeções do cenário climático RCP8.5. Cada medida está representada por uma cor distinta
O caminho de adaptação selecionado para o caso de estudo de Quarteira resulta de preocupações ambientais e assume que a relação custo-benefício das medidas que requerem alimentação artificial de areia (com os custos a aumentarem graças às necessidades crescentes de areia), poderá ser uma barreira à implementação destas medidas a médio e longo prazo. O cenário atual dever-se-á manter durante os próximos 5 a 10 anos (i.e. alimentação artificial das praias), seguindo-se a construção de uma duna e consequente alimentação artificial da praia (e.g. Figura 96 e Figura 97). A escolha desta medida em detrimento da construção de um paredão incidiu sobre a importância do turismo e comércio em Quarteira e no receio do impacto visual que a sua construção possa originar.
Figura 96 Exemplo de construção de dike-in-dune em Noordwijk, Holanda. Um dique foi construído e coberto com areia,
criando novas dunas e ampliado em cerca de 40 metros a linha de costa em direção ao mar46
Ao mesmo tempo que ambas as medidas são aplicadas, estudos sobre a relocalização e medidas legislativas a aplicar, aliadas a campanhas eficazes de sensibilização da população afetada, devem ser promovidas e desenvolvidas. Após 2040, a escolha tomada recaí sobre a necessidade de retirar e relocalizar a primeira linha de habitações em Quarteira de uma forma progressiva. Também a segunda linha de habitações deve ser alvo de retirada e relocalização dos seus habitantes assim que necessário (Figura 98). É importante realçar a necessidade de monitorização contínua, por forma a permitir a tomada de decisão nos momentos certos (e.g. alimentação artificial da praia durante a primeira fase).
Neste contexto é de salientar que os caminhos de adaptação consistem numa ferramenta de apoio à decisão, pelo que as medidas identificadas como prioritárias numa perspetiva ambiental, podem ser alteradas no decorrer da implementação do Plano. No entanto, considera-se fundamental executar a alimentação artificial da praia durante a próxima década.
Figura 97 Outro exemplo de construção de duna com recurso a alimentação artificial de areias, desta vez usando
a técnica Zandmotor na costa do Mar do Norte, em Ter Heijde, na Holanda47.
46 Fonte: Pijnappels, M., e Dielt, P. (Eds), 2013
47 O conceito de Zandmotor consiste no deposição de uma grande quantidade de areia numa localização estratégica no fundo do mar, de forma a que a ação do vento, ondas, correntes e marés transportem a areia gradualmente ao longo da costa (Pijnappels et al., 2013). Imagem de: Rijkswaterstaat, Joop van Houd.
Figura 98 Representação dos caminhos de adaptação para Quarteira. Cada medida está representada com uma cor distinta.
Os caminhos a tracejado indicam potenciais desequilíbrios na relação custo-benefício da medida. A linha ondulada a castanho indica o caminho de adaptação escolhido
Relativamente ao caso de estudo da Praia de Faro, o caminho de adaptação selecionado consiste numa escolha sustentada no ambiente, incluindo apenas a retirada e relocalização da ocupação, com a renaturalização das zonas desocupadas (Figura 99). Aliado a esta medida, propôs-se ainda o condicionamento dos acessos e estacionamento por veículos automóveis particulares à praia.
Figura 99 Representação dos caminhos de adaptação para a Praia de Faro. Cada medida está representada com uma cor distinta.
Os caminhos a tracejado indicam potenciais desequilíbrios na relação custo-benefício da medida. A linha ondulada a castanho indica o caminho de adaptação escolhido
Para além das medidas relacionadas diretamente com a subida do NMM utilizadas no âmbito da criação dos caminhos de adaptação e atendendo às projeções das alterações climáticas neste domínio, foram delineadas outras medidas de adaptação complementares, nos diferentes setores abordados no âmbito do PIAAC-AMAL. Essas medidas encontram- -se integradas nas opções estratégicas identificadas na Tabela 41. As medidas de cada opção estratégica encontram- -se elencadas no capítulo 6 do presente documento, sendo descritas em detalhe no Anexo I do PIAAC-AMAL.
Setor Código Denominação
Economia ECON2 Manter a atratividade e reputação das atividades económicas no contexto do potencial aumento da erosão costeira e respetivas consequências
Segurança de Pessoas e Bens
SPB1 Minimizar a vulnerabilidade a cheias e inundações
SPB2 Ajustar o planeamento de emergência às alterações climáticas
SPB3 Aumentar o conhecimento face às alterações climáticas e sensibilizar a população
Transportes e Comunicações
TRANS1 Adequar as práticas de projeto de obra, renovação e manutenção da infraestrutura adaptando-a aos padrões climáticos
futuros
TRANS2 Melhorar as condições de qualidade e segurança de utilização dos transportes
Zonas Costeiras e Mar
ZC1 Proceder ao recuo da ocupação em zonas costeiras vulneráveis
ZC2 Proteger zonas costeiras vulneráveis
ZC3 Promover a acomodação em zonas costeiras vulneráveis