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Properties of Reservoir Fluids

2 Thermodynamic Models

2.2 PVT and Fluid Characterisation

2.2.1 Properties of Reservoir Fluids

Pulino (2009b) nos traz a idéia de que o ser humano não nasce pronto. Ao chegar ao mundo ele é recebido pelos cuidadores e dependerá deles por um bom tempo, até que conquiste sua independência, o que vai acontecendo de maneira gradativa. Segundo a autora: “Essas primeiras relações de cuidado são, ao mesmo tempo, relações voltadas para a garantia da sobrevivência e a introdução do novo ser humano na sociedade e na cultura em que vive” (p. 22). Ela nos mostra que antes mesmo de nascer, o bebê já estava sendo desenhado pelos pais, já havia para ele uma promessa, uma história possível, por estar sendo recebido em um determinado espaço e tempo, e em uma determinada sociedade, história e classe social. Isto representa, segundo Pulino, a primeira identidade da criança, o primeiro cenário, que pode vir a ser composto e recomposto a partir das histórias específicas desse novo sujeito, que é único e atua ativamente no mundo.

De acordo com Pulino (2009b):

Quando nasce, a criança não encontra um espaço vazio a ser preenchido por ela, mas começa a viver num universo povoado de imagens inspiradas na possibilidade de sua existência. Com o nascimento, inicia-se um processo de diálogo entre as imagens criadas pelos pais e a do bebê que surge efetivamente. (p. 23).

Essa família na qual chega a criança pertence a uma determinada classe social, tem determinados valores, está inserida em um determinada sociedade, cultura. A criança passará a estudar em uma determinada escola, em um determinado bairro, com uma concepção de educação, e passará a conviver com seus pares, com diferentes personalidades, de diferentes condições econômicas, sociais e com famílias que presam diferentes valores. Assim o sujeito vai se constituindo, a partir de uma gama de possibilidades, participando da construção da sociedade e da cultura e ao mesmo tempo, sendo construído por elas.

Assim, se por um lado o ser humano é determinado pela sociedade, história e cultura ele também é um ser radicalmente novo, aberto a possibilidades, participando ativamente no mundo.

O nascimento é o aparecimento da novidade radical: o inesperado que interrompe toda expectativa; o acontecimento imprevisto que não pode ser deduzido de nenhuma situação anterior (pois chega em um tempo em que não existe passado, e que o futuro é conseqüência dele). Esse aparecimento é algo novo que o mundo deve ser capaz de receber, ainda que, para recebê-lo, tenha de ser capaz de se renovar, mesmo que, para isso, tenha de se colocar em questão.

Porém, não é dessa forma que a sociedade tem concebido a infância, como aponta Larrosa (2010): “A infância é algo que nossos saberes, nossas práticas e nossas instituições já capturaram: algo que podemos explicar e nomear, algo sobre o qual podemos intervir, algo que podemos acolher” (p.184). Desse ponto de vista, não há nada mais a se descobrir, a infância já é algo fechado, delineado, com o qual podemos lidar a partir de dezenas de livros, teorias, objetos, artes voltados para as crianças.

No entanto, Larrosa nos apresenta a infância como um outro: “aquilo que, sempre além de qualquer tentativa de captura, inquieta a segurança de nossos saberes, questiona o poder de nossas práticas e abre um vazio em que se abisma o edifício bem contruído de nossas instituições de acolhimento” (p. 184). Pensada dessa forma, a infância torna-se o novo, o inesperado, o inquieto, o vazio, o desconhecido. Ela torna-se algo além de uma infância puramente cronológica, uma infância que não tem idade, de um tempo intenso, contemporâneo, presente, e que diz respeito à potência de cada um (Kohan, 2007).

Kohan (2007), falando sobre essa infância acronológica, cita uma passagem do livro Mil Platôs de Deleuze e Guattari (1997a): “Não é a criança que se torna adulto, é o devir-criança que faz uma juventude universal” (p. 94). Essa infância, segundo o autor, é a infância como experiência, que interrompe a história, que é resistência e criação. “É a infância como intensidade, um situar-se intensivo no mundo; um sair sempre do „seu‟ lugar e se situar em outros lugares, desconhecidos, inusitados, inesperados” (p. 95).

Assim sendo, o devir-criança criado por Deleuze e Guattari faz parte de uma outra temporalidade que não a da história. Não é infantilizar-se nem voltar à infância cronológica. Segundo Kohan (2007):

O devir-criança é o encontro entre um adulto e uma criança – o artigo indefinido marca ausência de determinação, mas a singularidade de um encontro não-particular nem universal - como expressão minoritária do ser humano, paralela a outros devires e em oposição ao modelo e à forma Homem dominante. O devir-criança é uma forma de encontro que marca uma linha de fuga a transitar, aberta, intensa.

(...) é, assim, uma força que extrai, da idade que se tem, do corpo que se é, os fluxos e as partículas que dão lugar a uma „involução criadora‟, a „núpcias antinatureza‟, uma força que não se espera, que irrompe, sem ser convidada ou antecipada. (pp. 95 e 96).

A partir dessas considerações surgem novas questões. Como podemos propor uma nova forma de se ver a educação, em especial no ensino superior, que leve em conta o devir-criança ou a condição de infância? Como podemos fazer do ambiente universitário um espaço de experiências, de criação, de diálogos e encontros, para as pessoas se reconhecerem como adultos não-prontos e um espaço que fuja da “inércia escolar repetidora do mesmo” (Kohan, 2007)?

A Psicologia tem olhado o processo de desenvolvimento a partir de uma perspectiva molar. Considera os processos em sua generalidade e universalidade. Dessa forma, vê a idade adulta como o momento apenas de continuidade do que já foi formado anteriormente, ou seja, vê o adulto como um ser “já pronto”. O que queremos aqui é pensar o adulto como um ser em processo de desenvolvimento e em sua singularidade, ainda que constituído e inserido em um contexto grupal, de cuja criação e modificação ele mesmo participa.

Neste trabalho, gostaríamos de enfatizar o desenvolvimento adulto a partir da perspectiva da infância, levando em consideração o poder do indivíduo inserido nessa fase do desenvolvimento de criar a todo o momento, sua condição de novidade, de forma a não reduzí-lo, não naturalizá-lo, nem esgotar suas possibilidades.

Iremos desenvolver essas questões ao longo da pesquisa, mas, antes disso, veremos as condições em que se encontra a educação superior no país atualmente.