6 Automation of Calculator with HYSYS
6.1.1 Creating a Scenario
Inicialmente o presente projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa e, no dia 15 de março de 2010 recebeu o parecer de aprovação (ver ANEXO E), o que possibilitou darmos início ao processo de construção de informações.
A investigação inicial e a construção empírica de informações da pesquisa foram realizadas em um período de seis meses, sendo que, nesse período, ocorreu uma greve dos servidores (professores e técnicos) que reivindicavam contra um corte salarial de 25 por cento, e isso fez com que se estendesse o prazo inicialmente pensado de três meses. Assim, elas tiveram início em março/2010 e término em agosto/2010. A divulgação dos resultados e a devolução dos mesmos para a instituição e especialmente para os participantes da pesquisa, ocorrerão logo após a defesa da dissertação.
A pesquisa foi realizada em três etapas, como serão descritas a seguir.
5.3.1 Primeira etapa: Investigação Inicial
Procedimentos:
A) Foi realizado um levantamento documental em março de 2010 para se investigar se havia menção ao Psicólogo Escolar ou ao serviço e às atividades por ele desempenhadas. Nesse momento, interessava apenas descobrir os espaços já documentados para atuação do Psicólogo Escolar.
B) Foi realizado também um registro diário do trabalho realizado pelo Psicólogo Escolar por cerca de um mês, para se obter uma descrição dos serviços desempenhados por esse profissional em sua rotina de trabalho. Aqui houve apresentação de atividades realizadas, algumas demandas vindas dos colegas de trabalho, as dificuldades enfrentadas, entre outras. Junto a ele, foi realizado um relato a respeito da vivência da pesquisadora enquanto psicóloga escolar da UnB Gama. Esse relato abrange as impressões da pesquisadora desde a sua entrada na UnB, em julho de 2008, até o término da pesquisa.
5.3.2 Segunda etapa: construção empírica de informações – Questionários e entrevistas individuais
A) Houve a aplicação de um questionário de identificação e entrevista individual com cada participante, exceto a psicóloga escolar que, no caso, era a pesquisadora. Nesse momento, também, aproveitou-se para pedir que os participantes assinassem um termo consentindo a sua participação na pesquisa, o TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido), ver ANEXO A. O intuito era o de se conhecer mais sobre o perfil desses profissionais, as especificidades, concepções, dificuldades, avanços da atuação deles, o que pensam da psicologia escolar e em que essa área poderia auxiliar para a melhoria do trabalho desses profissionais. As entrevistas com os participantes tiveram o objetivo de construir um conhecimento da rede de relações presente na faculdade, essencial para o trabalho do Psicólogo Escolar. Tudo isso foi realizado em maio de 2010, em dias previamente agendados com os participantes e de acordo com a disponibilidade deles, e o objetivo foi o de obter informações a respeito da dinâmica de trabalho desses profissionais, das atividades por eles desenvolvidas e das possíveis concepções envolvidas nessa atuação.
5.3.3 Terceira Etapa: Construção empírica de informações – Encontro Coletivo
Foi realizado um encontro coletivo, em agosto de 2010, depois de já terem sido realizadas todas as entrevistas individuais, para discutir com eles algumas questões escolhidas das entrevistas e apontar as primeiras impressões que tivemos a partir dessas informações, sendo esse o seutema.
Thiollent (1947/2008) traz a entrevista coletiva como uma das principais técnicas utilizadas para a construção das informações em uma pesquisa-ação.
O foco do encontro era o de evidenciar as concepções construídas individualmente e, a partir disso, tentar chegar, em grupo, a uma elaboração conjunta sobre cada questão escolhida.
Embora inicialmente o grupo tivesse sido projetado para acolher todos os participantes, teve a presença de sete deles, já que uma professora estava em licença-maternidade e que uma aluna e o diretor tinham outro compromisso e não puderam estar presentes. Os sete que estiveram presentes foram: um aluno, o coordenador, dois professores, dois servidores e eu mesma, psicóloga escolar e pesquisadora.
5.4 Instrumentos
Os instrumentos utilizados serão apresentados conforme a sua utilização em cada etapa da pesquisa.
Primeira Etapa:
Foi utilizado um protocolo de registro do levantamento documental para registrar se havia previsão da existência do profissional de psicologia escolar ou serviço, e se havia alguma atribuição específica a ele(a), nos principais documentos que regem a instituição pesquisada. Segundo Gil (2009), a análise documental permite que sejam examinadas e consideradas as informações relativas aos registros e às documentações institucionais, possibilitando uma compreensão aprofundada de questões de interesse do pesquisador, que só poderiam ser acessadas por meio deste recurso.
O diário de itinerância foi utilizado neste estudo por mim, a Psicóloga Escolar, para registro diário de minhas impressões, das situações ocorridas e descobertas que foram aparecendo nos dias definidos para registro. É um documento de caráter singular e privado. De acordo com Barbier (2007):
Trata-se de um instrumento de investigação sobre si mesmo em relação ao grupo e em que se emprega a tríplice escuta/palavra – clínica, filosófica e poética – da abordagem transversal. Bloco de apontamentos no qual cada um anota o que sente, o que pensa, o que medita, o que poetiza, o que retém de uma teoria, de uma conversa, o que constrói para dar sentido à sua vida. (p. 133)
Ele é divido em três fases: um diário rascunho; um diário elaborado; e um diário comentado. Para este estudo foram adotados apenas a primeira e segunda formas:
Diário rascunho: o pesquisador escreve tudo o que ele tem vontade de anotar, empenha- se em registrar o que lhe parece importante. É a parte mais íntima do diário de itinerância. Aproveita-se esse momento para relatar os acontecimentos, as reflexões, os comentários científicos ou filosóficos, os sonhos, os desejos, as reações afetivas, etc. Diário elaborado: é construído a partir do diário rascunho. Se configura mais como uma
análise do diário rascunho.
Segunda Etapa:
Foi utilizado um questionário de identificação do coordenador, dos professores, dos estudantes e dos funcionários contendo escolaridade, tempo de serviço, instituição na qual trabalha, idade, estado civil, ano de conclusão da graduação, e pós-graduação caso houvesse. Aqui foram realizadas modificações para que o questionário ficasse adequado aos estudantes.
A entrevista semi-estruturada foi utilizada para a construção das informações junto aos participantes da pesquisa (Ver ANEXO B). Segundo González Rey (2005b): “As construções do sujeito diante de situações pouco estruturadas produzem uma informação qualitativamente diferente da produzida pelas respostas a perguntas fechadas, cujo sentido para quem as responde está influenciado pela cosmovisão do pesquisador que as constrói” (p. 4). Foi utilizado gravador para registro das entrevistas.
Terceira Etapa:
Para o encontro coletivo foi utilizada uma câmera filmadora digital.
6. Procedimentos de Análise
Neste trabalho, escolhemos a análise de conteúdo como ferramenta para uma melhor compreensão das falas dos participantes da pesquisa nas entrevistas individuais. Bardin (1977/2010) nos mostra que o recurso, no caso, a análise de entrevistas, é indispensável à análise de conteúdo para que ela possa lidar com um material qualitativo rico e complexo.
A organização da análise de conteúdo obedece a uma cronologia, em suas diferentes fases: (a) pré-análise; (b) a exploração do material; e (c) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.
A codificação segundo Bardin (1977/2010) é uma transformação das informações do texto bruto, efetuada segundo regras precisas, que permite o alcance de uma representação do conteúdo, suscetível de esclarecer o pesquisador acerca das características do texto. A autora define três possibilidades para a organização da codificação: (a) o recorte; (b) a enumeração; (c) a categorização. Neste trabalho optamos apenas pela primeira e terceira delas.
O recorte, escolha das unidades de registro e de contexto, deve ser coerente em relação às características do material e aos objetivos da análise. As unidades de registro podem ser palavras ou temas. O tema, de acordo com Bardin, é “a unidade de significação que se liberta naturalmente de um texto analisado. Fazer uma análise temática consiste em descobrir „os núcleos de sentido‟ que compõem a comunicação e cuja presença (...) podem significar alguma coisa para o objetivo analítico escolhido” (p. 131).
Segundo González Rey (2005b) os núcleos de sentido são as categorias de sentido subjetivo e de configuração subjetiva criadas pelo pesquisador a partir dos modelos que vão sendo construídos por ele ao longo do processo de pesquisa. Esses modelos são as idéias que vão se integrando em uma
dinâmica articulada pela reflexão do pesquisador, no qual diferentes aspectos da informação aparecem relacionados em uma construção teórica. O autor defende que essa construção mental realizada pelo pesquisador é uma alternativa criativa diante do sistema de dados já conhecido. A partir disso, são construídas novas zonas de sentido da realidade, diferentemente da apreensão finalista do real. O pesquisador, então, ocupa lugar central no processo de pesquisa, sendo responsável pelo “modelo” em desenvolvimento.
O tema é considerado por Bardin uma unidade de registro, e seu conteúdo é a base para que se realize a categorização.
(...) é geralmente utilizado como unidade de registro para estudar motivações de opiniões, de atitudes, de valores, de crenças, de tendências, etc. As respostas a questões abertas, as entrevistas (não diretivas ou mais estruturadas) individuais ou de grupo (...) podem ser, e são frequentemente, analisados tendo o tema por base. (p. 131).
Utilizamos a categorização como forma de identificar temas que surgiram nas falas dos entrevistados, fossem eles recorrentes ou não. Bardin nos mostra que a categorização é uma forma de classificar elementos que formam um conjunto por diferenciação, e, em seguida, reagrupar por analogia, segundo os critérios previamente definidos. As categorias reúnem um grupo de elementos, que no caso dessa pesquisa respeitará o critério semântico (temas).
Bardin (1977/2010), referindo-se ao procedimento por acervo da categorização, o escolhido para esta pesquisa, diz o seguinte: “o sistema de categorias não é fornecido, antes resulta da classificação analógica e progressiva dos elementos. O título conceitual de cada categoria só é definido ao final da operação” (p. 147).
As categorias, em nosso trabalho, só foram criadas à medida que fomos lendo as entrevistas e nos familiarizando com seu conteúdo. Antes disso, o que existiam eram alguns temas estabelecidos para a entrevista, porém nada fechado, definido. Foram criados apenas como forma de orientar a pesquisa para algumas questões que desejávamos investigar com os participantes.
Na interpretação das informações acreditamos ser fundamental o olhar do pesquisador sobre essas informações, o que dá um caráter único à pesquisa, e o que a define como qualitativa.
Em conclusão, pode-se dizer que o que caracteriza a análise qualitativa é o fato de a inferência – sempre que é realizada – ser fundada na presença do índice (tema, palavra, personagem, etc.!), e não sobre a freqüência da sua aparição, em cada comunicação individual. (Bardin, 1977/2010, p. 142).
V. RESULTADOS E DISCUSSÃO