2 Thermodynamic Models
2.1 Equations of State
A atuação em Psicologia Escolar ainda é motivo de muitas reflexões e impasses no que se refere aos textos que tratam dessa temática. Esse é o reflexo da complexidade de uma área que vem aos poucos conquistando espaço para atuar em diversos contextos educacionais, sejam eles formais ou informais, com todos os atores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, e de variadas formas (orientação, escuta, desenvolvimento de atividades, diagnóstico, etc).
Essa é uma questão que muitas vezes pode confundir o profissional da área, devido à grande quantidade de informações encontradas e pouco unificadas. Apesar disso, existe um ponto comum aos últimos trabalhos da área e que acreditamos que deva ser o norte para toda e qualquer atividade que venha a ser desenvolvida pelo psicólogo escolar: uma atuação colaborativa, multirreferencial, contextualizada, interdisciplinar e socialmente comprometida.
Sobre isso, Maluf (2002) nos diz:
Para nós, é fundamental que o psicólogo escolar se constitua como um profissional que leva em consideração os contextos mais amplos nos quais os fenômenos educacionais ocorrem. É preciso que seu interesse teórico seja conciliável com a relevância social de sua ação; é preciso que ele aprenda a contextualizar os fenômenos com os quais deve trabalhar. Cabe a ele promover a melhor qualidade das práticas pedagógicas através do conhecimento do ser humano que ele pode produzir, numa perspectiva de interdisciplinaridade, aprofundando a compreensão do desenvolvimento, da aprendizagem e do ensino, vistos em suas relações recíprocas, e por isso mesmo em parceria com o professor, principal agente da educação na escola. É preciso que suas análises se direcionem mais para os processos educacionais e não se cristalizem nas questões centradas em alunos considerados problemáticos. É mais do que urgente que os psicólogos escolares redefinam o que consideram como instrumento ou processo de avaliação e de diagnóstico. (p. 1, 31º parágrafo).
Carvalho (2008) nos mostra que as transfromações sociais nos últimos anos exigem ajustamentos e novas dinâmicas de ação nos sistemas educativos. O autor defende a importância da inserção do psicólogo nesses contextos. Defende, também, que esse trabalho seja feito em conjunto
com os demais colaboradores da instituição de maneira que eles possam contribuir e colaborar para o bom desempenho das atividades do psicólogo e para o alcance da missão, numa postura colaborativa e preventiva. Diz da necessidade de se esclarecer o papel do psicólogo na escola junto aos órgãos de gestão, professores, pais, alunos e demais funcionários não docentes.
Novaes (2008) acredita numa continuidade da Psicologia Escolar em relação a um enfoque interdisciplinar e baseado numa análise constante das implicações socioculturais do processo educativo. A autora explica que cada vez mais a Psicologia Escolar será cobrada em relação ao seu papel na construção da realidade social e no desenvolvimento das potencialidades humanas, para o que esta área de atuação deverá se preparar, inclusive adotando modelos que suportem esta exigência social. Ela ressalta o abismo existente entre as conquistas científicas e as realidades social e educativa.
A autora afirma, ainda, que já se prevê para o futuro que o ser humano desenvolverá novas capacidades, como a de suportar a desordem e a contradição, dominar códigos e linguagens mais complexos, assumir riscos frente às mutações da organização do saber e à complexidade de conhecimentos, refinar sua sensibilidade pela percepção das diferenças. A partir disso, o trabalho defende que “o PE deve ser um profissional, além de competente e versátil, habituado a fazer uma revisão sistemática organizacional das mudanças que ocorrem, compreendendo que a participação de todos que trabalham em educação é imprescindível ao processo de transformação social” (p. 62).
O profissional de Psicologia Escolar deve saber buscar o equilíbrio entre o diálogo com outras ciências e a especialização do saber, mostrando que nenhum dos extremos ajuda na atuação e desenvolver seu trabalho para além da prevenção, em busca da promoção do desenvolvimento integral dos alunos.
Novaes (2008) cita a pesquisa realizada por T.Oakland e A. Stemberg (1992) em 54 países onde foram apontadas deficiências na atuação do Psicólogo Escolar, como o profissionalismo meramente autopromotor e intervenções que legitimam os efeitos sociais alienantes. A falta de profissionalismo foi apontada como maior risco, além da incompetência na sua preparação, falta de pesquisas, de liderança no corpo dos profissionais, indefinição de normas e regulamentações da profissão. Com isso, os autores recomendaram a ênfase no preparo ético, prático e profissional. Novaes completa: “Convém lembrar que a psicologia pode ser útil aos homens e às sociedades, mas, pode também, ao se limitar a uma visão redutiva científico-tecnicista ou deixar-se levar por um cinismo onipotente, se tornar um entrave e obstáculo ao bem estar social e ao desenvolvimento humano” (p. 62).
Muitas dificuldades são encontradas no desenvolvimento do trabalho do psicólogo escolar, por isso voltamos a enfatizar a importância da continuidade de pesquisas na área como forma de irmos
construindo novas perspectivas de atuação e ir reduzindo a ansiedade dos profissionais frente às demandas que surgem a cada dia.
Na presente pesquisa iremos pensar a formação/atuação desse profissional segundo a perspectiva da infância, de forma a reinventar essa formação/atuação, abrir novas possibilidades, sem o intuito de se fechar uma identidade para esse profissional, pois acreditamos que isso é limitá-lo. Abrir espaços para a criação, a imaginação, a construção do saber é o que acreditamos ser útil para o avanço dessa formação/atuação e é o que pretendemos realizar por meio desta pesquisa com o auxílio da prática filosófica.
O psicólogo escolar, em sua atuação, deve estar preparado para lidar com o novo, o imprevisível, o inesperado. A todo o momento ele é colocado em condições que exigem dele uma resposta, e é nessas situações que ele precisa refletir e analisar os possíveis caminhos a serem percorridos, não se esquecendo de analisar o problema de maneira global, de forma a identificar as questões institucionais, sociais, individuais, políticas, éticas, de classe e de gênero, envolvidas, e, assim, poder mediar esse conhecimento a todos os envolvidos.
O psicólogo, nesta proposta, seria aquele educador aberto à escuta dos educadores, não só em suas questões técnicas, mas em suas colocações pessoais, que exprimam seus desejos, seus temores, seus sonhos e perspectivas. Cada pessoa seria considerada como membro de uma comunidade escolar, de uma cultura, mas também como um ser singular, inventivo, que surpreende pela sua novidade, como a criança que nasce (Pulino, 2010).
Trata-se, enfim, de se pensar e praticar a Psicologia Escolar como uma atuação reflexiva e transformadora que, para além de atender a demandas colocadas para ela, cria novas demandas que possam apontar para novos horizontes da educação.
No próximo tópico, falaremos de um setor ainda pouco explorado pela prática e literatura em Psicologia Escolar: a Educação Superior.