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Procedimientos consensuales

CAPÍTULO VII. DIMENSIÓN PRIVADA Y PROCESAL DE LAS RELACIONES PERSONALES

2. DIMENSIÓN PROCESAL

2.1. Procedimientos consensuales

O conceito de aprendizado constante é central para o manejo adaptativo e é baseado no princípio de que a aprendizagem deriva da ação, fornecendo informações para as ações subsequentes (POKORNY et al., 2003). Os extrativistas da RESEX Verde para Sempre tiveram uma maior consciência para implementação do manejo florestal, como um processo de médio a longo prazo, que pode ser amadurecido e constantemente adaptado.

Na proposta idealizada pelas próprias comunidades, a interação homem e meio ambiente e a capacidade de adaptação às mudanças foram os pontos iniciais de observação. O modo de vida e práticas culturais são importantes para conhecimento

da intenção de uso dos recursos e avaliar se o manejo planejado atende aos fins econômicos, sociais e ambientais. A ocorrência e o grau de intensidade das variáveis da pesquisa, são os fatores que juntos estabelecem os parâmetros para uma análise do manejo adaptativo (Gráfico 3).

A floresta é um bem comum, onde a complexidade é intrínseca aos fenômenos que acontecem de maneira natural e/ou antrópica (MORAN, 1990). Apesar da forte interação com a floresta demonstrada pela ecologia humana, a complexidade advinda dessa relação não é percebida por 95 comunitários, que pode ser explicado pelo nível de conhecimento sobre o ambiente, característico dessas populações tradicionais.

Uma grande parte de pessoas entrevistadas (105 comunitários) não se sentem vulneráveis por viverem na zona rural, longe da cidade de Porto de Moz e dos grandes centros urbanos. Essa segurança pode ser atribuída à floresta, por ser um ambiente natural do bem viver, que possibilita condições básicas para moradia, compatíveis ao modo de vida das famílias.

Na verdade, a floresta oferece múltiplos recursos naturais, ter limites no uso da terra para agricultura familiar e ser eficaz no manejo florestal é essencial para esses

Gráfico 3 - Ocorrência e grau de intensidade das variáveis do manejo adaptativo

grupos sociais, porque define o uso alternativo do solo e realiza de forma adequada a extração dos recursos florestais em reservas legais (PORRO et al., 2015).

Os comunitários apresentaram um alto grau de aptidão para a utilização dos recursos madeireiros da floresta (110 pessoas). A vocação é evidenciada na história das comunidades que no passado trabalhavam com a atividade madeireira. A mesma constatação foi obtida por Menezes et al. (2015) ao estudarem o uso tradicional da floresta para extração de madeira na RESEX Verde para Sempre.

A demanda de uso dos recursos madeireiros partiu das próprias famílias, de acordo com suas condições e necessidades, que configurou uma autentica proposta de manejo adaptativo. Os produtores foram avançando de forma coletiva em seus planejamentos, seguindo os conhecimentos de uso da floresta e cientes das regras da UC para uma extração adequada aos princípios de conservação da natureza.

Quando perguntados sobre às incertezas ligadas ao processo de manejo, mais da metade dos entrevistados (80 pessoas) tiveram clareza por meio da representação de lideranças, porém a outra parte (40 pessoas) demonstraram dúvidas sobre a adaptação do manejo, em função dos saberes locais para a extração de madeira.

Na condução das atividades de gestão, as lideranças comunitárias tiveram um papel fundamental, orquestrando equipes para divisão de tarefas, fazendo articulação com atores externos, a fim de estabelecer parcerias institucionais para fomento e apoio ao manejo comunitário. As capacitações sobre organização social e técnicas de exploração florestal foram as mais trabalhadas com os produtores familiares.

Um discurso recorrente nas entrevistas foi direcionado à flexibilidade sobre as atividades de manejo, cujo planejamento seria adaptado conforme os erros e acertos ao longo do tempo. A resiliência exposta pelos 120 entrevistados foi constatada na prática pela decisão das comunidades em reformular os planos de manejo, de acordo com as diretrizes técnicas impostas pela legislação, mesmo sabendo dos desafios a serem enfrentados.

O sucesso do manejo florestal não depende somente de executar o planejado, mas também de fatores externos, tais como as políticas e os objetivos dos agentes do mercado (SABOGAL et al., 2008). No entendimento das comunidades, o manejo é planejado com recursos e conhecimento da floresta, aprendendo durante a execução se os objetivos são apropriados, mantendo no decurso do processo, os princípios da sustentabilidade, sobretudo, os aspectos socioambientais.

4.6.1 Arranjo de manejo adaptativo

Em 2010, as comunidades involuntariamente iniciaram um arranjo adaptativo que estimula, quando necessárias, mudanças periódicas nos objetivos e protocolos do manejo florestal, em resposta aos dados de monitoramento e novas informações que vão surgindo com o tempo. Segundo PEDRONI y de CAMINO (2001) os usuários dos recursos adaptam as atividades pré-estabelecidas, sem que haja um modelo único a ser seguido, ocasionando melhorias gradativas na medida em que os fatos acontecem. Ou seja, trata-se de aprender com os próprios erros (De CAMINO, 2002). As famílias, de modo geral, reavaliaram o planejamento inicialmente proposto para se adequar às regras da RESEX, bem como superar os problemas sofridos pelo setor florestal. Adicionalmente, a nova avaliação reforçou a discussão para um melhor entendimento sobre florestas culturais, que evidencia a importância dos costumes e tradições no momento de pensar a floresta e seus produtos como uma fonte de bens e serviços, voltados unicamente para a economia campesina (FURLAN, 2006).

Uma característica importante para uso comum da floresta, é que a atividade precisa ser entendida como estágios a serem alcançados, que possuem etapas sucessivas com crescentes níveis de exigências. Há de se considerar a realidade local e o trabalho dos atores em funções específicas na área de manejo (PEDRONI y de CAMINO, 2001).

Na etapa de gestão do projeto todas as comunidades trabalharam integradas em rede, pressionando as autoridades competentes para as análises locais dos planos de manejo, com a justificativa de estarem próximas aos acontecimentos e das comunidades, para que elas possam cumprir mais facilmente as pendências ou serem advertidas, caso não obedeçam às regras estabelecidas pelos órgãos licenciadores.

Partindo da constatação que o manejo florestal comunitário está contido em sistemas sócio-ecológicos, só por essa afirmação, podemos considerar que se trata de uma atividade complexa. Adicionando o homem como agente de desenvolvimento, obtemos as bases da ecologia humana, que suscita a interação entre esses elementos com capacidade de adaptar-se mutuamente (MORAN e OSTROM, 2009).

As identidades culturais daqueles que usam os recursos naturais em função da tradicionalidade e além dos produtos madeireiros, buscam priorizar a obtenção de bens e serviços florestais para fins sociais, aspecto que precisa ser melhor entendido para subsidiar políticas públicas (RAMOS et al., 2017). A relação entre elementos que

compõem o manejo adaptativo, configura um arranjo interativo do sistema sócio- ecológico em direção ao desenvolvimento socioambiental local (Esquema 7).

Para exemplificar os efeitos do arranjo adaptativo no manejo florestal, a comunidade Por ti meu Deus, na etapa de planejamento para arraste das toras de madeira, utilizou um caminhão catraca para fazer o baldeio, que dispensou o uso de maquinário pesado, como geralmente preconiza o manejo empresarial. A prática realizada, além de ser tradicional, o custo é baixo e gera menor impacto no solo e na estrutura da floresta.

Outro exemplo de aplicação da adaptabilidade, observado desta vez na comunidade Espírito Santo do Curuminim, ocorreu no desdobro da tora em pranchas no próprio local de abate das árvores, não havendo necessidade da etapa de arraste de toras, e sim apenas o transporte da madeira beneficiada em jirico (trator agrícola de porte pequeno).

Esquema 7 - Arranjo de manejo adaptativo em função do desenvolvimento local.