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1. Innledning

1.2. Problemstilling og målsetting

As teorias formuladas a respeito da significação podem ser agrupadas, segundo Alston (1972, p. 25-56), em três grandes grupos, quais sejam as teorias referencial, ideacional e comportamental, cada uma delas apresentando resposta distinta à pergunta “o que queremos dizer sobre uma expressão linguística quando especificamos a sua significação?”. Não se trata, aqui, de tentar determinar quais os critérios para formação do significado, ou como se relacionam intensão e extensão, mas de elucidar, exatamente e numa perspectiva geral, aplicável a todas as hipóteses, o que se “quer dizer” quando se diz que uma expressão significa algo.

Na primeira teoria, a que Alston denomina referencial, o significado de uma determinada expressão consistiria naquilo a que a expressão se refere ou, mais propriamente, na “conexão referencial”, na relação entre a expressão e seu referente173. Aqui o referente não é necessariamente entendido como algo particular, podendo ser uma relação, uma qualidade, uma espécie/gênero, uma situação fática etc, sendo imprescindível, entretanto, que este referencial sempre exista, já que ele constituiria o cerne da noção de significado. Este ponto de vista, a despeito de se revelar uma aproximação bastante intuitiva da noção de significado, é criticado por Alston por tomar como pressuposto que todas as expressões linguísticas refiram-se a alguma coisa, o que não seria verdadeiro sobretudo para os termos sincategoremáticos e para os conectores linguísticos de um modo geral, mesmo que se amplie a ideia de “referência” para algo mais genérico como “representação”. Conclui afirmando que a linguagem não se resume a rótulos, cada um dos quais vinculados a uma coisa no mundo.

                                                                                                               

173 Este deslocamento, do referente para a “conexão referencial”, é que permite salvar o componente intensional do significado, já que mantém a possibilidade de expressões distintas terem significados distintos mesmo diante da mesma referência. (ALSTON, 1972, p. 30). Alston não explicita, contudo, onde se situaria esse elemento relacional.

A segunda e a terceira teoria deslocam a noção de significado para o sujeito, relacionando-a a mudanças operadas neste, quer no plano do espírito (formação de ideias), quer no do comportamento (ação como sinonímia de significado). A teoria ideacional, conforme categorizada por Alston, teria como expoente Locke, que considera serem as ideias a “imediata e apropriada significação” das palavras. A linguagem, nessa perspectiva, constituiria um meio de transmitir ideias, e o que outorga significado a determinada expressão linguística seria o fato de ser usada como marca de determinada ideia (ALSTON, 1972, p. 44- 45). A teoria comportamental, a seu tempo, também consideraria o que está implícito ao usar- se a linguagem no processo de comunicação, mas focalizaria nos aspectos publicamente observáveis, relacionando significado ao comportamento provocado pela mensagem. Uma versão mais sofisticada desta teoria, conforme sustentada, por exemplo, por Charles Osgood e Charles Morris, substituiria o comportamento efetivo pela “disposição para responder”, ou seja, a elocução produziria no ouvinte uma “disposição”, se este tiver propensão a obedecer (ALSTON, 1972, p. 52).

Contra cada uma destas duas propostas, apresentadas acima de forma absolutamente superficial, Alston cuida de apresentar críticas pontuais. A idéia lockeana seria difícil de ser identificada na mente a fim de se verificar a identidade de sentido e nada garantiria uma correspondência entre imagem e palavra. Uma palavra como “cão” poderia suscitar distintas imagens em diferentes indivíduos, ao passo que uma diversidade de palavras pode suscitar, em um mesmo indivíduo, uma imagem unívoca (vg. “perdigueiro”, “cão de caça”, “mamífero” etc)174. Já a teoria comportamental, que de certa forma postula identificar o significado no aspecto público da conduta humana vinculada à linguagem, fugindo da aporia psicologista, tampouco lograria fazê-lo a contento, tendo em vista a variabilidade das respostas. Conforme análise de Alston, mesmo considerando unívoco o elemento disposição do ouvinte, a ação pode ser impedida por fatores externos ou poderia ter sido determinada anteriormente, por elementos estranhos à comunicação. Ademais, seria necessário reconhecer que nem todo enunciado provoca uma ação.

Decerto que a exposição feita padece do mal de ter apresentado de modo excessivamente simples cada uma das teorias, além de ter alinhavado acriticamente, em um mesmo plano, perspectivas distintas de significado, deslocando-o do plano das coisas para o

                                                                                                               

do comportamento dos agentes em determinado contexto. A exposição serve, todavia, para demonstrar o caráter problemático na noção de significado, que não parece se resolver em qualquer perspectiva que se assenhore, unilateralmente, de seu conteúdo. Como assevera o próprio Alston (1972, p. 55-56), estas teorias, tomadas isoladamente, encerram algo de correto, mas importariam uma supersimplificação do problema, já que ora as unidades linguísticas fariam referência ao mundo, ora expressariam pensamentos e ora obteriam seu significado do fato de estarem envolvidas em diversos tipos de comportamentos.

A sistematização acima e a sua crítica final, assim formuladas, parecem apontar para o caráter insolúvel do problema da significação, a medida que nenhum dos pontos de vista conseguiria se impor isoladamente, de forma não problemática, na explicação do que seja o significado. A própria crítica, todavia, já indica uma via de escape possível, qual seja a da superação do problema através da associação entre significado e uso. Com tal solução, não se formata propriamente uma nova teoria da significação, mas se dissolve o significado no uso175, encontrando-se o seu sentido em cada situação concreta.

De certa forma, esse foi o resultado a que chegou Wittgenstein ao escrever as suas Investigações Filosóficas, superando, especialmente em seus matizes essencialistas e unilaterais, a teoria do referente, a teoria ideacional e a teoria comportamental do significado. A mudança de perspectiva wittgensteiniana, entretanto, não foi gerida como solução deste problema específico, a despeito de o autor ter se manifestado ao longo do livro sobre cada um dos posicionamentos mencionados, mas como um contraponto especialmente à concepção designativa de linguagem que marcou, desde seus primórdios clássicos, o pensamento ocidental e que culminou, de certa forma, na filosofia analítica, no atomismo de Russel e na única obra de Wittgenstein publicada em vida (Tractatus Logico-Philosophicus176). É o combate a essa perspectiva, chamada alhures, quase poeticamente, de “síndrome agostiniana”177, que constitui uma das teses centrais de Wittgenstein nas Investigações

                                                                                                               

175

A expressão é de Mora (1965b, p. 663). É curioso notar que, ao utilizar o verbo “dissolver”, Mora acaba aderindo – talvez involuntariamente – ao linguajar típico dos intérpretes da filosofia terapêutica wittgensteiniana, prenunciando que também o problema filosófico da significação não seria passível de solução, mas de superação, dissolução.

176 As referências ao Tractatus serão feitas no corpo do texto, com a sigla TLP acompanhada do número do item referente.

177 A expressão é utilizada por Christiane Chauviré (1991, p. 142) em virtude de tal concepção ter sido sintetizada pelo próprio Wittgenstein, já no § 1 das Investigações, a partir da análise de uma frase de Santo Agostinho. Não obstante esta escolha, o ponto de origem desta concepção parece se situar, como visto, em momento pretérito, mais exatamente na Antiguidade Clássica.

Filosóficas e o que mais importa à presente pesquisa, por resultar em mudança de paradigma que surtirá largos efeitos na história das ideias filosóficas no Ocidente. Antes de ingressar definitivamente nas Investigações, entretanto, convém avaliar como o próprio Wittgenstein, em sua obra de juventude, levou o projeto designativo às suas últimas consequências, inclusive abandonando, em sequência, a própria filosofia, por considerar resolvidos todos os problemas.