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Conclusão
O consumo e utilização de dispositivos eletrónicos continua a aumentar exponencialmente desde a infância. Revisões sistemáticas recentes na literatura divulgam uma associação adversa entre o consumo de dispositivos baseado em ecrã e a saúde do sono na população infantil.
A utilização dos videojogos e a sua relação no comportamento do sono tem sido frequentemente considerada como tendo um impacto negativo sobre o sono de crianças em idade escolar, contudo, não há avaliações abrangentes de pesquisas incluindo a qualidade do sono nessa faixa etária.
A elaboração do presente estudo empírico teve como objetivo inicial verificar a influência da utilização dos videojogos na qualidade do sono nas crianças em idade escolar. Num plano mais específico, pretendeu-se estudar a influência da utilização dos videojogos na qualidade do sono das crianças, nomeadamente nas variáveis sociodemográficas: género, faixa etária e habilitações literárias dos pais.
Podemos concluir que foi dada resposta à questão inicialmente colocada: haverá implicações decorrentes da relação significativa observada entre a utilização de videojogos e o sono das crianças em idade escolar? Os resultados apurados neste estudo não mostraram a existência de diferenças estatisticamente significativas na frequência de utilização de videojogos e a qualidade do sono das crianças quanto ao género feminino e masculino e a idade das crianças, porém obtivemos resultados significativos para a correlação entre a variável sociodemográfica habilitações literárias dos pais, suportando que um nível inferior de escolaridade se encontra associado a uma menor qualidade do sono das crianças que jogam videojogos em alguma plataforma antes de dormir. Para além do acima referido, inferimos ainda que na nossa amostra existe uma relação negativa entre a utilização dos videojogos antes do período de sono e a qualidade do sono das crianças, associando-se às dificuldades com o adormecer e a sonolência diurna.
Visto o sono ser uma das necessidades básicas de regulação do ser humano, parece-nos de grande importância e até bastante urgente, que se estude mais aprofundadamente o impacto que as tecnologias têm na qualidade deste, quer ao nível da infância, adolescência, adultos e de uma perspetiva sistémica. Parece-nos haver pouco investimento no estudo e prevenção deste aspeto, tendo a bibliografia encontrada sobre o assunto, ser, na nossa opinião, insuficiente para a dimensão que a desregulação de necessidade fisiológica pode tomar na vida e saúde física e emocional do ser humano.
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Com o avanço tecnológico a progredir a uma velocidade grande, temos nós também técnicos de saúde mental, que devem de encontrar estratégias inovadoras que promovam o uso equilibrado e saudável destas tecnologias. Dada a importância do sono infantil, propomos a criação de ações de sensibilização e psicoeducação para pais, crianças e professores, junto à comunidade, abordando os temas fulcrais neste trabalho.
Os controlos parentais na utilização dos dispositivos eletrónicos, a limitação da disponibilidade de plataformas no ambiente de sono, a supervisão atenta em relação ao conteúdo e a imposição de limites na quantidade de tempo despendido com os mesmos, são estratégias eficazes para a promoção do sono saudável. Como referido anteriormente, estudos demonstram que o conhecimento parental reduzido acerca desta temática está correlacionado com a adoção de práticas de sono não saudáveis, torna-se então relevante para os pais a capacitação de compreensões e estratégias adequadas de higiene e hábitos saudáveis do sono no âmbito infantil e familiar. Bons hábitos de sono tornam-se fulcrais para a promoção, saúde e qualidade do sono infantil e tendo em conta a sua relevância na saúde comportamental, as crianças devem ser orientadas a limitar ou reduzir a exposição do tempo que despendem nestes dispositivos, especialmente antes ou durante o período de sono para minimizar os efeitos prejudiciais no sono e no seu bem-estar. Para os pais, é importante que estes estabeleçam limites e ajudem os seus filhos a alcançar uma utilização equilibrada.
Após identificarmos os maiores contributos deste estudo, podemos nomear como uma das principais limitações o número reduzido de elementos da amostra que pode não ser representativa da população infantil de 7 e aos 10 anos, estando circunscrita a uma determinada região do país o que limita a interpretação dos dados e dificulta a sua generalização. Assim, tendo em conta a heterogeneidade da população portuguesa, seria relevante sugerir estudos que abarquem uma maior amostra à que foi utilizada, bem como a recolha de amostra em outras áreas geográficas do país para uma avaliação mais avizinhada à realidade. É interessante, e considerável lembrar que os dados obtidos no nosso estudo, tendo em conta o supracitado, devem ser considerados apenas como indicadores para futuros estudos. Outra das limitações relaciona-se com as medidas dos instrumentos, considerando que seria relevante outros indicadores para uma compreensão mais alargada sobre o tema abordado. Também, as informações recolhidas foram fornecidas apenas pelas descrições e perceções parentais, podendo as respostas não serem tão concisas e serem enviesadas pela desejabilidade, ou pela dificuldade e compreensão das questões inclusas no nosso estudo, ou ainda por os mesmos reconhecerem as
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recomendações de especialistas em relação a mediação do uso das tecnologias, que vão de encontro às necessidades importantes para as crianças. Além do mais, há que ter em mente que os dados dos questionários não contemplam as variabilidades diárias sobre a utilização dos dispositivos eletrónicos, perdendo-se neste decurso alguma riqueza das respostas.
Apesar das limitações encontradas, confirmou-se o impacto negativo na qualidade do sono das crianças face a prática das mesmas em jogar videojogos antes do período do sono. Os resultados obtidos nesta investigação fornecem um contributo significativo para a compreensão das reais implicações na relação que a utilização de videojogos tem na qualidade do sono infantil. O acesso a dispositivos eletrónicos à hora de dormir esteve significativamente associado ao atraso no início do sono e a sonolência diurna. Assim, os nossos resultados são indicadores que podem ser integrados em investigações futuras e reforçam a necessidade em adotar estratégias parentais preventivas quanto a frequência de tempo que as crianças estão expostas aos dispositivos eletrónicos com excessiva luminosidade, particularmente os videojogos.
Por fim, termino esta conclusão com a esperança que possa este meu trabalho servir de “porta de entrada” para despertar interesse para se aprofundar estas questões tão relevantes e atuais. Do nosso ponto de vista, mesmo que com uma reduzida proporção no número de participantes, destacamos a importância deste trabalho no que toca a qualidade do sono das crianças, tendo em conta a sua importância para o desenvolvimento e bem- estar infantil.
O sono pode sonhar á noite, Que pouco compreender! E como ser criança maravilhosa no mundo cheio de fantasia onde a lua brilha todas as noites no mesmo lugar, á noite e um segredo! Que se transforma no amanhecer, sonhos reais.
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