O CRAS 5, assim como o CRAS 2, está localizado numa zona de divisa do DF e se caracteriza por uma peculiaridade: a região foi habitada por famílias de baixa renda inscritas num Programa de Assentamento, sendo que foram priorizadas as famílias que possuíam pessoas com deficiência. Assim, a baixa renda e a existência de pessoas com deficiências nas famílias são características dos moradores do território.
O perfil dos profissionais do CRAS 5 é diferenciado pelo tempo de experiência no campo da assistência social por parte da agente social e da assistente social. A primeira possui 19 anos de experiência na área, sendo 14 anos de CRAS (considerando a antiga nomenclatura de Centro de Desenvolvimento Social – CDS), e a segunda possui 11 anos de experiência na área e 5 anos de CRAS, tendo experiência anterior de atuação no Serviço de Convivência que se localiza no mesmo território do CRAS em que trabalha hoje, ou seja, conhece bem as particularidades da região. Segundo a assistente social, a realidade da população usuária da política ainda é assistencialista, os usuários do CRAS ainda estão pouco ou nada cientes da noção de autonomia e da necessidade de ir atrás de seus direitos. Assim, trabalha motivada pela quebra dessa cultura assistencialista. Por fim, o psicólogo possui quatro anos de trabalho em CRAS, tendo apenas um ano e seis meses no CRAS do território em questão.
CRAS 5
Agente Social Assistente Social Psicólogo
Formação Ensino superior
incompleto
Serviço Social Psicologia com especialização em Terapia Psicanalítica e formação em terapia comunitária.
Tempo de AS 19 anos 11 anos 4 anos
Tempo de CRAS 14 anos 5 anos 1 ano e 6 meses
Experiência
profissional na área de
Assistência Social
anterior ao trabalho atual
Trabalho com meninos
de rua Trabalhou com serviço de convivência em uma creche conveniada da rede socioassistencial.
Atuação como psicólogo em outro CRAS do DF.
Quadro 18: Perfil dos profissionais do CRAS 5 Fonte: Elaboração própria
A caracterização do território abrange, além dos problemas de baixa renda e da incidência de pessoas com deficiência que requerem acompanhamento, os problemas de gravidez precoce e do envolvimento dos jovens com atos infracionais. Faz parte desse ciclo a existência de famílias monoparentais, chefiadas por mulheres, com filhos de diferentes pais. Dentre as características do território, o fato de ser uma região que faz divisa com outro ente da federação é uma situação problemática, visto que os benefícios e os serviços ofertados pelo PAIF se destinam aos moradores referenciados no território (BRASIL, 2009a). Ao chegarem demandas de municípios vizinhos, os profissionais do CRAS necessitam confirmar, in loco, as informações cadastrais passadas pelas famílias e pelos usuários, o que nem sempre é possível fazer por causa da quantidade de recursos humanos disponíveis para realizar visitas domiciliares.
Assim como na maioria dos CRAS, as maiores demandas são relacionadas a benefícios eventuais e de transferência de renda, como demonstra o quadro abaixo.
CRAS 5
Agente Social Assistente Social Psicóloga
Perfil de risco e vulnerabilidade do território Desemprego Baixa escolaridade Famílias monoparentais Famílias com filhos de pais diferentes Deficiências Baixa renda Baixa escolaridade Gravidez na adolescência. Território em área de divisa com outro estado
Baixa renda
Famílias monoparentais chefiadas por mulheres Gravidez na adolescência Jovens com problemas com a Justiça Demandas que chegam ao CRAS Solicitação de cesta emergencial. Pedido de remédio. Benefícios de transferência de renda e eventuais. A maior demanda do CRAS: problemas com os benefícios de transferência de renda
Benefícios eventuais e de transferência de renda. A maior demanda é em relação às pessoas com deficiência que são público do BPC.
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Quadro 19: Características do território e das demandas do CRAS 5 Fonte: Elaboração própria
Quando o usuário chega ao CRAS, ele é atendido pelo agente social. A entrevistada comentou que o trabalho do agente social é muito focado nas atividades de consulta e atualização do Cadastro Único. Outras atividades seriam as de acolhimento, orientação, realização de encaminhamentos- tanto para os especialistas, quanto para CREAS ou para outras políticas -, abertura e preenchimento de prontuários, realização de solicitações e realização de visitas domiciliares às famílias que possuem crianças fora da escola. As atividades relatadas pela agente social do CRAS 5 estão ilustradas na figura a seguir.
Acolhimento Visitas domiciliares
Consulta e atualização de dados no Cadastro Único
Abertura e preenchimento de prontuários Solicitações: 2ª via de documentação gratuita,requerimento a respeito de aposentadorias, isenção de taxa de inscrição em concursos públicos, cestas emergenciais, auxílio natalidade.
Encaminhamento da demanda para um dos especialistas em assistência social
Encaminhamento da demanda para a rede socioassistencial
Encaminhamento da demanda para outras políticas
Demandas Agente
Social CRAS 5
Figura 19: Atividades relatadas pela agente social do CRAS 5 Fonte: Elaboração própria
As atividades da assistente social do CRAS 5 são similares às dos demais assistentes: ela relatou a realização de atendimentos em grupo, atendimentos individuais, realização de visitas, dando muita ênfase às conversas que desenvolve com os usuários, individualmente, para que eles entendam qual o propósito da assistência social, visto que, segundo a entrevistada, além de alguns usuários terem dificuldade de entendimento devido a deficiências, essa população sempre recebeu benefícios do governo. Ou seja, trata-se de um público que demanda muita atenção e dedicação, pois objetiva-se que eles deixem de ver os benefícios como essenciais à sua sobrevivência e comecem a pensar em como eles podem enfrentar seus problemas e obter autonomia. Ainda que todas as assistentes sociais realizem avaliações socioeconômicas para solicitação de benefícios, ela foi a única que explicitou essa função, além de colocar a atividade de acolhimento como competência exclusiva do especialista em assistência social. De acordo com a assistente social do CRAS 5,
quem faz o acolhimento é o especialista; o agente faz uma recepção, eles recepcionam a família. E a gente acolhe porque somos nós, os especialistas, que explicamos o tipo de trabalho realizado, averiguamos a necessidade da família e orientamos os usuários sobre o que eles devem fazer (ASSISTENTE SOCIAL, CRAS 5).
A figura abaixo sintetiza as atividades da assistente social do CRAS 5:
Reuniões de acolhimento
Realização de visitas domiciliares.
Ajuda às famílias em questões mais pontuais:
“às vezes a família tá com determinado problema no INSS do Gama, a gente faz essa ponte entre eles e a instituição”.
Realização de atendimentos individuais. Realização de atendimentos em grupo. Concessão de aval para liberação de auxílio vulnerabilidade, funeral e natalidade. Assistente
Social CRAS 5 Demandas
Figura 20: Atividades relatadas pela assistente social do CRAS 5 Fonte: Elaboração própria
Já o discurso do psicólogo do CRAS 5 voltou-se quase que exclusivamente para a realização de trabalhos em grupo. Além dessa principal atividade, relatou que faz acolhimentos, realiza visitas domiciliares e atendimentos individuais, conforme apresentado na figura a seguir.
Reuniões de acolhimento
Organização dos grupos
Realização de atendimentos individuais Realização de visitas domiciliares Psicólogo
CRAS 5 Demandas
Figura 21: Atividades relatadas pelo psicólogo do CRAS 5 Fonte: Elaboração própria
Ressalta-se que das atividades relatadas pelos profissionais foram listadas apenas aquelas relacionadas diretamente ao público usuário da política, excluindo, dessa forma, participação em reuniões, elaboração de relatórios, realização de atividades administrativas, dentre outras dessa natureza.
A descrição do PAIF no CRAS 5 encerra a série de relatos de como o serviço se configura nos diferentes centros visitados, com informações acerca do perfil dos profissionais, dos territórios e das demandas que chegam até o CRAS. A seguir, serão apresentadas as ambiguidades encontradas nesses relatos.