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Presentasjon av straffebudet og straffebudets hensyn

In document Å FREMME RETT OG HINDRE URETT (sider 31-41)

A formação e estudos de Wellington incluem uma importante passagem pelo ensino francês, sendo de relevar que, além de ser um ensino na língua francesa, também o era de cariz militar. Em 1786 Wellington partiu com um tutor inglês para a Real Academia de Equitação de Angers, em Anjou, França, “que tinha tanto de escola para conclusão dos estudos como de academia militar”225. Naturalmente que aos 17 anos

esta passagem influenciou o futuro de Wellington em múltiplos aspetos, desde a aprendizagem da língua francesa, à leitura variada de muita literatura, o que lhe permitiu “dar sinais claros de ser mais brilhante do que alguma vez lho haviam reconhecido”226, incluindo a nível do seu pensamento político: “a Academia de Angers

fez de Wellington um francófilo (…) Para Wellington, Pignerolle [tutor francês] ajudou a moldar o seu preconceito a favor do legitimismo Bourbon, o antigo governo de França, que não mais abandonaria”227 ou, apresentado de outra forma: “algo semelhante a

uma ligação romântica, tanto em relação ao ancien régime em geral como em relação à monarquia dos Bourbon em particular”228

.

Como major no Regimento n.º 33, Wellington vai demonstrar uma das suas características, que se traduzirá mais tarde numa capacidade de entender e gerir assuntos muito para além dos estritamente militares, que se manterá até ao final da carreira: a competência em assuntos de administração, o enorme cuidado na gestão dos dinheiros e a atenção permanente aos pequenos detalhes229. Encontrando o regimento numa situação lamentável, com enormes dívidas, e com o seu comandante, Cornwallis, ausente na Índia como governador-geral, decidiu resolver o problema financeiro do regimento aprofundando assim os seus conhecimentos nos assuntos da gestão.

A primeira grande operação militar de Wellington vai ser na região da atual Bélgica, em 1794. A missão era a de defender os Países Baixos230 e Wellington, na época,

225 Roberts, 2002: 46. 226 Esdaile, 2009b: 80. 227 Roberts, 2002: 46. 228 Esdaile, 2009b: 81. 229 Corrigan, 2001: 22. 230

A Grã-Bretanha evoluiu na sua estratégia ao longo das guerras napoleónicas, primeiro tentando a entrada no continente através dos Países Baixos em 1793, sofrendo o exército aliado (isto é, britânicos – onde se incluía Wellington - e austríacos), comandado pelo Duque de York, uma pesada derrota e esta linha estratégica nunca obteve grandes resultados. A Grã-

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ainda apenas Wellesley, comandava uma unidade britânica: o Batalhão n.º 33 de Infantaria231. Vamos expor em pormenor parte desta missão para podermos entender a origem de uma determinada forma, abrangente, de Wellington encarar as operações em que participava. Além de cumprir as ordens que recebia, anotava, meditava e, na primeira oportunidade, comunicava a quem de direito as suas opiniões, por vezes, muito para além de considerações operacionais.

O delta do Rio Reno e os portos dos canais holandeses constituíam a porta de entrada britânica na Europa e tinham por isso de ser defendidos. A Grã-Bretanha preparou uma expedição para a Flandres e para a comandar foi nomeado o Duque de York, segundo filho do Rei Jorge IV. No final de março de 1793 a expedição parecia estar a correr bem e o desembarque britânico, em conjunto com forças austríacas, tinha garantido a segurança dos territórios holandeses. O Duque de York decidiu atacar o porto de Dunquerque, ocupado por franceses, mas estes reforçaram o seu dispositivo. Não podendo contar com o “esperado” apoio dos aliados austríacos e prussianos, o duque viu-se obrigado a retirar, perdeu mais de 3.000 homens em sucessivas confrontações e deixou para trás todo o material de cerco.

Em 1794 a situação na Flandres continuava a piorar para as forças do Duque de York, pelo que a Grã-Bretanha decidiu reforçar as suas tropas. Wellington finalmente poderia entrar em ação. O reforço britânico, comandado pelo Lorde Moira, era constituído por 12 batalhões, 3 dos quais provenientes da Irlanda, entre eles o batalhão n.º 33 comandado por Wellington.

Em junho de 1794 o 33 desembarcou em Ostende. Por Wellington ser o mais antigo dos três comandantes de batalhão irlandeses foi nomeado comandante da brigada que juntava as três formações. A primeira missão de Wellington foi a de garantir a saída (retirada) de Ostende para permitir que os reforços se juntassem ao Duque de York em Antuérpia. As forças francesas foram mantidas à distância e Wellington cumpriu bem a sua primeira missão.

Em setembro Wellington voltou a comandar uma brigada, esta a 4 batalhões, o que de alguma forma indicava que começava a merecer a confiança dos seus superiores hierárquicos. Desta vez tomou parte num contra-ataque decidido por York. O ataque correu muito mal e rapidamente a ordem recebida foi a de retirar. No meio do caos distinguiu-se o 33 de Wellington que, formando uma linha para travar o avanço francês,

Bretanha tentará de novo a entrada pelos Países Baixos em 1809 mas apenas obterão resultados a partir de 1813.

231 “Em 1794 (…) defender os países baixos (…) O 33.º de Infantaria, comandado pelo Tenente-coronel Weleslley, é designado para fazer parte desses reforços (…) desembarca em Ostende”, Chastenet, 1944: 36.

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disparou uma salva de tiros que fez parar a força. Wellington comandava a brigada e o seu batalhão era comandado pelo seu segundo comandante, Sherbrooke, mas a ação recebeu o “aplauso” das chefias superiores.

Até ao fim de 1794 sucederam-se as operações de sustentação, com os franceses a atacar e os britânicos a sentirem-se cada vez mais pressionados para retirar. Wellington, ora comandando o seu batalhão, ora no comando da brigada, foi participando em várias das operações. Tal como o restante dispositivo britânico, acabará por retirar de Bremen em abril de 1795. O 33 perdeu 226 homens e deixou 162 feridos em hospitais. O jovem Wellington entendeu então escrever o que pensava sobre a política de defesa britânica. O militar Wellington sabia que devia também participar e ajudar na decisão política do seu país. Atitude esta que irá manter até ao fim dos seus dias e que desde já gostaríamos salientar (mais uma vez): o papel que um responsável militar pode desempenhar como conselheiro do poder político de que depende para que este último possa melhorar e aproveitar as sugestões de quem está no terreno.

A expedição na Flandres não correu de facto bem à Grã-Bretanha e foi “uma horda de estropiados famélicos”232 que, em Fevereiro de 1795, alcançou a fronteira de

Hanôver. Wellington, no entanto, retirou lições importantes para o futuro e afirmou que “ali aprendi tudo o que se não se deve fazer”233.

Começou também a conhecer melhor os seus soldados que classificou então como de “ralé da terra que se alista para beber”234. Wellington não tinha boa impressão dos

seus soldados e, de uma forma geral, também o Governo britânico não tinha uma boa impressão do seu exército: “O Parlamento, com efeito, desconfia dos militares e opõe- se a toda a concentração de autoridade”235. Começa desde logo aqui uma das

questões centrais para entendermos a ação de Wellington: como conseguir que o Governo confie em si para lhe dar a autonomia necessária para a condução da guerra.

O “fracasso” da expedição à Flandres teve no Duque de York o “bode expiatório”, mas o fracasso real estava na preparação e organização base do Exército Britânico que temos vindo a descrever: “sub-orçamentado, sem organização e com uma direção confusa e ambígua”236. Wellington aprendeu com esta expedição e não só aproveitaria

232

Chastenet, 1944: 43. 233

Esdaile, 2009b: 82 e também Chastenet, 1944: 43. 234 Chastenet, 1944: 38. 235 Chastenet, 1944: 40. 236 Corrigan, 2001: 32.

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as “lições aprendidas”237 para organizar futuras expedições, como procuraria que o mesmo se não passasse com os futuros exércitos aliados, em especial, durante a Guerra Peninsular, com a organização do Exército Português.

O sistema de controlo político-militar britânico não diferia muito dos tradicionais sistemas europeus: “Teoricamente, o rei é o chefe supremo do exército, mas o seu poder é puramente nominal; é o gabinete que determina os planos de campanha e ordena os grandes movimentos de tropa”238. A figura do comandante supremo

coincidia com a de chefe de estado e a decisão efetiva residia no gabinete do “primeiro-ministro”239. Mas importa referir que existia esta forma britânica de relação

política que garantia, através de um ou outro sistema, um princípio fundamental: o da subordinação política dos militares ao seu Governo. Como veremos, nem sempre foi este o caso em outros países, nomeadamente na França, onde, na maioria das vezes, foi a visão de um ou mais homens que, talvez sem a devida consulta nacional, contribuiu para a tomada de decisões cruciais: “As ambições de Napoleão eram grandiosas, abrangendo a Europa, a Rússia e até o Oriente, enquanto as de Wellington eram as dos restantes membros da sua classe e profissão, inteiramente circunscritas pelo âmbito do regime parlamentar”240.

Esta questão da subordinação dos comandantes militares ao poder político estava bastante consolidada na Grã-Bretanha: “Wellington era diferente (de Napoleão). Nascia de uma escola em que servir a Nação e obedecer ao poder instituído constituíam o fundamento do serviço militar”241.

237

O termo Lições Aprendidas deve ser entendido dentro da prática militar da “recolha” de experiências e opiniões nos conflitos em que as forças armadas participam e que são “recolhidas” para mais tarde serem analisadas, tratadas e disponibilizadas através de bases de dados nas instituições militares – Lessons Learneds Data-bases. O exemplo mais conhecido em Portugal é o JALLC – Joint Allied Lessons Learned Centre – um centro de análise e recolha de lições aprendidas da NATO com sede em Lisboa: http://www.jallc.nato.int/ (Data de acesso em Julho de 2011).

238

Chastenet, 1944: 40; a palavra “Gabinete” deve ser entendida como representando o Governo britânico.

239 Neste caso específico a autoridade não está delegada num ministério autónomo: “Até 1794, nem sequer existe ministro da guerra, mas unicamente um Secretário da Guerra que faz parte do Ministério mas não do gabinete e que tem, sobretudo atribuições administrativas e financeiras”, Chastenet, 1944: 40.

240

Roberts, 2002: 38. 241

“Os seus despachos da Península refletem toda essa escola de pensamento e a sua cadeia de comando materializa conceitos com quase dois séculos de existência”, Santo, 2010: 21.

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