1. Innledning – motebloggerne inntar første rad
1.4 Motejournalistikkens møte med moteblogger – en problemstilling
1.4.1 Praktiske avgrensninger og relevante perspektiver
Em 2008 foi criada pela Unesco uma série de folhetos intitulada ―Tecnologia, Informação e Inclusão‖, a qual foi destinada a jornalistas atuantes na mídia comunitária, estudantes e ao público em geral. Os folhetos das quatro primeiras séries foram os seguintes: Volume 1: Acesso às Novas Tecnologias; Volume 2: Informação para Todos; Volume 3: Computador na Escola; Volume 4: Juventude e Internet.
O folheto Indígenas recriam a própria imagem em vídeo (2008) 130 aborda questões especificamente indígenas, mostrando algumas ações no Brasil, como por exemplo, o primeiro treinamento em TICs para professores indígenas da educação básica promovido em 2006 pelo Ministério da Educação (MEC). Trata também de ―pontos de cultura‖ que começaram a funcionar em 2006 com o apoio do MinC, que disponibilizou os equipamentos multimídia. Além de falar do trabalho da ONG Vídeo nas aldeias131 iniciado em 1987, e do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), com o programa ―Corredor Digital‖, que na época capacitou indígenas de três aldeias do Brasil para serem também multiplicadores dos conhecimentos em tecnologia da informação e da comunicação. A etnia Tukano tinha representantes que participaram de reuniões desse projeto, nas quais foram criados novos termos132 na língua Tukano para definir as partes do computador, Mouse, por exemplo, virou Bi‟í, que quer dizer rato.
Do ano de 1987 até o ano de 2014 muitos foram os projetos de capacitação desenvolvidos por instituições, tais como Ministério da Educação (MEC), Ministério da Cultura (MinC), Ministério das comunicações (MC), Universidades, UNICEF, Organizações não governamentais (ONGs), em parceria com indígenas. Neste ano de 2014, indígenas de oito povos se reuniram para criar a rede de Pontos de Cultura Indígenas do Nordeste, com produção da ONG Thydêwá e com o apoio do MinC. Esse programa é chamado ―Mensagens da Terra‖ e possui o seguinte objetivo:
[...] visa capacitar 100 Agentes Indígenas de Cultura Viva no uso das tecnologias de informação e comunicação para agirem a favor do Planeta e de suas comunidades. Os indígenas participarão de uma formação continuada, presencial e a distância, no decorrer de três anos, com o objetivo de fortalecer suas culturas e melhorar a Educação, Cidadania, e Sustentabilidade em suas comunidades133.
Numa pesquisa de cunho antropológico134, o autor Nicodème de Renesse discute a atuação e organização dessas parcerias de inclusão digital no Brasil e aborda o tema com o
130. Tecnologia, Informação e Inclusão. Volume 4, N:3: Juventude e internet: Indígenas recriam a própria imagem em vídeo. Unesco. Disponível em: < http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001585/158532por.pdf> Acesso em: 20 jun. 2014
131 Ver mais informações dos trabalhos da ONG Vídeo nas aldeias no capítulo II.
132 A professora de linguística da Universidade de Brasília (UnB), Orlene Lúcia Carvalho, integrava o projeto junto com o Ibict.
133 Indígenas de oito povos se reúnem para criar a rede de Pontos de Cultura Indígenas do Nordeste. Thydêwá.24/03/2014.Disponível em:< http://www.thydewa.org/indigenas-de-oito-povos-se-reunem-para-criar-a- rede-de-pontos-de-cultura-indigenas-do-nordeste/>Acesso em: 20 jun. 2014
134RENESSE, Nicodème de. Perspectivas indígenas sobre e na internet: Ensaio regressivo sobre o uso da comunicação em grupos ameríndios no Brasil. Dissertação de Mestrado. 144 f. Universidade de São Paulo. 2011.
intuito de mostrar as reflexões e posicionamentos de alguns representantes indígenas que participam de alguns desses programas de inclusão. Uma preocupação que surgiu no 1º
Simpósio indígena sobre os usos da internet no Brasil135, realizado em 2010, na Universidade de São Paulo (USP), com a participação de representantes de 14 etnias do Brasil, referiu-se ao desafio na articulação de conhecimentos indígenas e não indígenas no uso da internet, de modo que a aquisição de novos conhecimentos não implicasse na perda dos conhecimentos já existentes. Já para os indígenas Suruí, observa o autor, que já tinham se apropriado da internet, tal tecnologia ―servia de suporte e veículo para os conhecimentos que se colocava nela e, portanto, constituía um conhecimento tipicamente agregador‖ (RENESSE, 2011, p.14). Com base no levantamento de dados feito por Renesse (2011) sobre as parcerias entre indígenas e instituições para o desenvolvimento da inclusão digital no Brasil, apresentamos um quadro comparativo (Quadro 10) acrescentando os valores correspondentes ao ano de 2014.
135 O acervo da transmissão com gravações do evento pode ser acessado na página do Simpósio. Disponível em: < http://www.usp.br/nhii/simposio/?page_id=15> Acesso em: 20 jun. 2014.
Quadro 10 - Quadro comparativo da inclusão digital no Brasil (2010 e 2014) Quadro comparativo da inclusão digital no Brasil
Coordenação Programa Data de início
do programa Total Dados de 2010 (DE RENESSE, 2011) Dados de 2014 Ministério das
Comunicações (MC) Programa Governo Eletrônico -
Serviço de
Atendimento ao Cidadão (Gesac)
2002 Total de Telecentros no Brasil 11.385
(onze mil trezentos e oitenta e cinco)
7.755
(sete mil setecentos e cinquenta e cinco) 136: Total de Telecentros em comunidades
indígenas: 80 (oitenta) 168 (cento e sessenta e oito) 137
Ministério da Cultura
(MinC) Programa Pontos de cultura 2004 Total de Pontos de Cultura mo Brasil 650 (seiscentos e cinquenta) 4.272 (quatro mil e duzentos e setenta e dois) 138
Total de pontos e pontões de Cultura indígenas 80 (oitenta)139 143 (cento e quarenta e três) 140 Ministério do Planejamento (MP) Programa Nacional de Apoio à Inclusão Digital nas Comunidades: Telecentro.BR
2010 Descrição Amplia e coordena as políticas existentes. Oferece equipamentos e capacitação para implantação ou modernização de telecentros novos e antigos
Vigente
Fonte: Dados de 2010 (RENÈSSE, 2011) e dados de 2014 (própria autora)
136 Fonte: Ministério das Comunicações. Telecentros. Disponível em: <http://www.mc.gov.br/telecentros> Acesso em: 25 jun. 2014.
137 Fonte: SECRETARIA DE INCLUSÃO DIGITAL (SID) DO MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES. Re: informação sobre telecentros. [mensagem pessoal]. Mensagem
recebida por <[email protected]> em 27 out. 2014.
138 Fonte: COORDENAÇÃO DE GESTÃO DE INFORMAÇÃO-COGIN/CGCAI/DCDC/SCDC/MinC. RES: pontos de cultura indígena. [mensagem pessoal]. Mensagem
recebida por <[email protected]> em 6 out. 2014.
139 Nota: Especificação do total de 80 Pontos e Pontões de Cultura Indígena: 30 (trinta) Pontos de cultura indígena em parceria com a FUNAI com o programa Mais Cultura: e
50 (cinquenta) Pontos de cultura em parceria direta com comunidades indígenas pelo Cultura Viva (RENESSE, 2011)
140 Nota: Especificação do total de 143 Pontos e Pontões de Cultura Indígena: 06 (seis) Pontões de Cultura Indígena; 61 (sessenta e um) conveniados diretamente pelo MinC ou por meio das redes estaduais; 30 (trinta) Pontos de Cultura Indígena na Amazônia, implantados por meio do projeto piloto executado pela OSCIP ACMA; 46 (quarenta e seis) implantados por edital específico, em 2010, para a implantação de Pontos de Cultura Indígena nas Terras Indígenas (TIs) brasileiras; destes: 33 (trinta e três) nas regiões Sul e Sudeste, por meio da OSCIP SODETEC; 08(oito) na região Nordeste, por meio da OSCIP THYDEWA e; 05 (cinco) no Mato Grosso do Sul, por meio da OSCIP CAPI. Fonte: COORDENAÇÃO DE GESTÃO DE INFORMAÇÃO-COGIN/CGCAI/DCDC/SCDC/MinC. RES: pontos de cultura indígena. [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <[email protected]> em 6 out. 2014.
Renesse (2011, p. 18) cita outros programas de inclusão digital além desses, como os coordenados pelas secretarias regionais de educação e os particulares que possuem apoio de empresas. A Fundação Bradesco coordena os Centros de Inclusão Digital, desde 2004. O Programa Inclusão Digital da Fundação Banco do Brasil é também atuante nesta área mantendo as ―Estaç es Digitais‖. O Programa Inclusão Digital do Banco do Brasil que integra as Políticas Sociais do Governo Federal141, iniciado em 2003, e a Caixa Econômica Federal também apoiam a inclusão digital. Ao mesmo tempo, estão envolvidos com a inclusão digital as Organizações não Governamentais (ONGs), tais como o Comitê da democratização da informática, a Associação de cultura e Meio Ambiente, o Instituto Socioambiental e a Thydêwá.
Além desses parceiros, universidades também buscam criar projetos de inclusão digital, como o Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN) por meio de atividades de extensão em parceria com ONGs que buscou beneficiar nove mil índios da Reserva de Dourados142.
Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe143 do Território Indígena de Caramuru Catarina Paraguassu, Pau Brasil - BA, que também esteve presente no Simpósio144 supracitado é um indígena conectado145, o qual teve acesso à internet pela primeira vez em 1996 e já vinha fazendo parte da cultura digital desde 1988, quando pôde fazer um curso de informática. Depois continuou o aprendizado lendo revistas da área, trabalhando num jornal de mídia alternativa e em algumas rádios comunitárias e comercial AM. Anápuáka foi convidado para fazer a editoração e projeto gráfico da série ―Índios na Visão dos Índios‖, que está disponível para download146 sob licença Creative Commons no site da ONG Thydêwá. Anápuáka Tupinambá foi o idealizador da Web Brasil Indígena147, um projeto de conceito em etnomídia. Membro e idealizador da Rede de Cultura Digital Indígena148, membro e
141 Cf. Inclusão Digital. gov.br. Disponível em: < http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e- projetos/inclusao-digital> Acesso em: 20 jun. 2014.
142 Inclusão Digital na Comunidade Indígena. Disponível em: <http://inclusaodigitalindigena.blogspot.com.br/> Acesso em: 20 jun. 2014.
143 Ver Bogue de Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe. Disponível em: < http://bloguedoanapuaka.wordpress.com/>. Acesso em: 20 jun. 2014.
144Ver fotos do 1º Simpósio indígena sobre os usos da internet no Brasil. Disponível em <
https://www.flickr.com/photos/56376863@N06/sets/72157625345707337/> Acesso em: 20 jun. 2014.
145Anápuáka, o índio conectado. Disponível em: <http://riojob.com.br/conteudo/entrevistas/anapuaka-muniz- tupinamba-ha-ha-hae-indio-conectado/>. Acesso em: 20 jun. 2014.
146Disponível em: <http://www.thydewa.org/downloads/hahahae.pdf>Acesso em: 20 jun. 2014. 147Web Brasil Indígena. Disponível em: < http://webradiobrasilindigena.wordpress.com> 20 jun. 2014.
148Rede de Cultura Digital Indígena. Grupo aberto da rede social Facebook. Disponível em: <
gestor da organização Raízes Históricas Indígenas (RAHIS)149 atuando na preservação cultural, políticas públicas, direitos humanos e articulações socioculturais, no estado do Rio de Janeiro e demais áreas da federação brasileira. Idealizador e gestor da Rádio Yandê150, a primeira rádio indígena de âmbito nacional. Articulador151 de políticas públicas para população indígena, Anápuáka é defensor do software livre e das licenças e códigos abertos e livres.
O índio Tupinambá Anápuáka lembrou a emoção que sentiu ao conectar-se pela primeira vez à Internet em 1996, e em 2001 quando conversou por chat com um parente de sua tribo após 17 anos sem contato com sua aldeia. O indígena, que defende a liberdade de acesso, hoje é jornalista por prática e conhecido como o índio hacker e conectado152.
Anápuáka atuou também como colaborador da rede índios online, a qual é composta por índios voluntários que mantêm ―um portal de diálogo intercultural, que valoriza a diversidade, facilitando a informação e a comunicação para vários povos indígenas e para a sociedade em forma geral‖ (ÍNDIOS ONLINE) 153. No website dos Índios Online, um canal
de encontro, diálogo e troca, há este texto ―O índio e a tecnologia‖ que mostra um ponto de vista que vai além da inclusão digital.
A tecnologia cada dia que passa avança muito mais, e os grandes técnicos vai fazendo com que o mundo se aproxime mais do ser humano através da internet. Mais tem muitos que dizem que o índio não consegue acompanhar a tecnologia, e que nos índios temos que viver como bichos na selva, fazendo e praticando tudo aquilo que ele fazia antes dos portugueses invadirem o nosso território de origem. Isso poderia sim estar acontecendo, mas se eles não tivesse invadido o Brasil, e isso não quer dizer que nos Índios não praticamos o a nossa cultura. Nós indígenas passamos por muitos massacres, tendo assim uma mistura de raças, e isso fez com que nós perdessem parte da nossa cultura, sendo até mesmo expulso das nossas terras. Mas hoje nó indígenas resgatamos a maior parte da nossa cultura, e nós Índios praticamos sim o nosso ritual, dançamos o tohé que tem nome diferenciado por cada povo. A tecnologia por sua vez, também chegou nas aldeias, e o que muita gente pensam que nós Índios não usamos telefone, computador, e quem pensa dessa forma estar totalmente enganado, pios nó Índios acompanhamos a tecnologia e não estamos perdendo nada da nossa cultura, pelo contrario, estamos ganhado muito mais. Mas desde quando sabemos usar esses meios tecnológico. O telefone, a
149Raízes Históricas Indígenas. Página aberta da rede social Facebook. Disponível em: <https://www.facebook.com/pages/Ra%C3%ADzes-Hist%C3%B3ricas-Ind%C3%ADgenas/274864949289338> Acesso em: 20 jun. 2014.
150Rádio Yandê. Disponível em: < http://radioyande.com/> Acesso em: 20 jun. 2014.
151 Para ter acesso a mais informações sobre as reflexões de Anápuáka Cf. Blogueiro Anápuáka busca inserir
povos indígenas na internet. Disponível em: <
http://www.ebc.com.br/cidadania/galeria/audios/2013/05/blogueiro-anapuaka-busca-inserir-povos-indigenas-na- internet-0>. Acesso em: 20. jun. 2014.
152O trecho foi corrigido por Anápuáka, comunicação pessoal, 30 de agosto de 2014. Marcelo Tas comanda
debate entre tribos na Campus Party 2010. Disponível em: <http://vempronovo.wordpress.com/tag/anapuaka- muniz-tupinamba-ha-ha-hae/> Acesso em: 20 jun. 2014.
153 Indios online. Quem somos. Disponível em: <http://www.indiosonline.net/quem-somos/> Acesso em: 20 jun. 2014.
internet dentro das aldeia só tem nós beneficiados, pois serve para que os povos existente no brasil, ou até mesmo no exterior se comuniquem, fazendo trocas de experiências, promovendo eventos, encontros indígenas e até mesmo reuniões online… E o que nós Índios precisamos é nos levantarmos para que possamos ver o nosso povo crescer, e através da tecnologia temos a capacidade de buscarmos o melhor para nossas aldeias, sem perder a nossa cultura, e temos que dar o respeito e sermos respeitados como cidadãos brasileiros, que lutamos pelos nossos direitos, e para que possamos conhecer a realidade de cada povo, precisando conhecer o mundo tecnológico, pois é uma forma de nós indígenas estarmos nos articulando para que possamos fazermos o nosso movimento. Deixando assim de sermos vistos como bichos do mato, e sim como um índio o verdadeiro brasileiro (ITOHÃ PATAXÓ HÃHÃHÃE (EDMAR). O índio e a tecnologia. Esta matéria foi publicada originalmente na Rede Índios on Line – www.indiosonline.net. 29/06/2007154). Portanto, muitos indígenas vêm atuando na internet. Recentemente, foi lançada uma lista colaborativa de sites de ―organizaç es indígenas‖ e ―outros sites e blogs indígenas‖ pelo site Povos Indígenas no Brasil (Iniciativas indígenas > Web indígena > Sites indígenas) do Instituto Socioambiental (ISA), com a seguinte introdução: ―O aprendizado e a incorporação, por parte dos povos indígenas, das ferramentas da informática e da Internet como meios de divulgação de suas culturas e de seus direitos têm ganho maior destaque a cada dia‖ (POVOS ÍNDÍGENAS NO BRASIL-ISA). Logo em seguida apresentam a lista que está com quatro páginas155 e convidam àqueles que queiram incluir o seu endereço eletrônico da seguinte forma: ―Você acha que seu site deveria estar listado aqui? Fale conosco‖
4.6 Método de Mapeamento da Presença de Língua e Cultura no Ciberespaço