2.4 Measures against ephemerality
2.4.3 Practices in other nations
Categoria 1: Percepção como professor pedagogo hospitalar
Quanto à primeira categoria, “Percepção como professor pedagogo hospitalar”, destacamos que no conjunto das subcategorias obtivemos respostas complementares entre si, como a identidade com a natureza e na construção do trabalho pedagógico no hospital. Emergiram atreladas à primeira categoria três subcategorias: significado de ser professor pedagogo; papel do professor pedagogo no hospital; e reconhecimento do trabalho do professor pedagogo no hospital.
Subcategoria - Significado de ser professor pedagogo no hospital
Consideramos, a partir da primeira subcategoria, o ponto de abertura ao processo de entendimento dos sentidos do fazer pedagógico no hospital por parte dos professores pedagogos. Na primeira subcategoria, deparamo-nos com falas curtas, mas contundentes, afirmando basicamente que ser professor no hospital é uma opção de vida e de realização profissional.
“É uma escolha de vida. Me sinto realizada a cada conquista diária.” (P4)
“Ser professora no hospital é minha realização profissional.” (P2, P3)
“Eu amo o que faço. O professor é aquele que se dedica por inteiro principalmente quando ama o que faz, ama o conhecimento, ama o ser humano. O ser humano é a fonte geradora de todo o conhecimento – inventamos, idealizamos e possuímos fonte de energia para toda a humanidade.” (P1)
“O trabalho com as crianças e a família no hospital é uma oportunidade para eu me conhecer melhor.” (P4)
“Ser professor no hospital significa ser a ponte entre a escola regular e a escola do hospital. Quando você diz para a criança e para os pais que o aluno não vai perder o ano, a gente encontra muitas surpresas boas como reação.” (P5)
“Trabalho há 12 anos no hospital. Era professora da rede da prefeitura. Fiquei fazendo estágio por 3 meses no hospital. Depois que tive a certeza de que era esse o trabalho que queria fazer, comuniquei à coordenadora da escola no hospital que gostaria de ficar nesta área de trabalho. A partir daí é que foi solicitada a minha transferência. Pensava que era só
brinquedoteca. Vim com desconhecimento da área. Me apaixonei pelo trabalho. Fui procurar mais. Fiz cursos de extensão e especialização na área.” (P5)
Subcategoria - Papel do professor pedagogo no hospital
Em relação à subcategoria “Papel do professor pedagogo no hospital”, as professoras elencaram vários papéis que têm a desempenhar, como: o de ser representante da educação profissionalmente falando, no hospital; o de ser contínuo pesquisador, no sentido de buscar novas literaturas, participar de congressos científicos, participar de cursos de pós- graduação, ser participante de grupos de pesquisa, entre outros; de promover a cidadania, o de ser promotor da felicidade das crianças.
“Penso que o professor pedagogo é o representante da educação profissionalmente no hospital. Ele requalifica a educação no hospital.” (P1)
“O professor que atua no hospital precisa pesquisar muito. Os oito anos de profissão em classe hospitalar me deixam tranquila, mas com a certeza de continuar pesquisando – estudando para me atualizar.” (P3)
“Sou uma professora que está em constante busca de conhecimento e crescimento pessoal, profissional e espiritual. Sou aberta a mudanças e minhas buscas são pautadas em estudos, participações em cursos, palestras, jornadas, simpósios. Eu acredito muito nessa modalidade de ensino. Estou sempre buscando informações e conhecimentos específicos na área da formação do professor no hospital e relacionados às patologias e outros temas específicos da área da saúde que acrescentem dinamismo ao meu trabalho.” (P2)
“Pensando em cidadania, o professor também tem um papel de despertar nos familiares os direitos das crianças.” (P1)
“Um dos papéis do professor é criar condições para que cada criança se sinta feliz – um ambiente saudável e tranquilo, que ela desenvolva confiança no professor. A criança aqui se sente bem e feliz. Outro dia uma criança hospitalizada há 1 ano estava andando com a mãe no corredor do hospital e me disse: Tia, eu já volto, eu vou agora na minha casa porque preciso ir no banheiro [a professora disse que a criança estava se referindo ao quarto dela
no hospital, que ela chama de casa] é onde ela se sente bem, aqui ela está
Subcategoria - Reconhecimento do trabalho do professor pedagogo no hospital
Quando as participantes discorreram sobre a questão do reconhecimento de seu trabalho enquanto professoras no hospital, declararam que se sentem reconhecidas no sentido do respeito, da autonomia, de serem vistas como profissionais da educação e de serem ouvidas pela equipe de médicos e demais profissionais da saúde do hospital e pela família.
Durante o processo de uma das entrevistas que estávamos fazendo com uma professora, tocou o telefone. A professora, depois de atender a ligação, nos disse que se tratava de um médico da pediatria solicitando a sua presença (porque as outras estavam no trabalho com as demais crianças) no quarto de uma criança que estava muito agitada e chorava bastante. Solicitou que desenvolvesse com a criança alguma atividade. Ela apenas perguntou a idade da criança. A professora disse que iria atender a criança e me pediu desculpas por interromper a entrevista. É claro que disse a ela que entendia, que a criança tinha prioridade. A professora imediatamente foi ao computador e imprimiu algumas propostas de atividades relacionadas à área de artes. Levou também outros materiais didáticos. Fiquei na sala onde estava sendo feita a entrevista e, depois de aproximadamente uma hora, a professora retornou dizendo que a criança estava calma e tranquila, a ponto de não mais necessitar ficar com ela. Esse ocorrido é revelador de algumas considerações: a primeira delas é o reconhecimento do médico em relação ao trabalho pedagógico do professor com os escolares hospitalizados. Outro ponto é a mudança de postura do médico, quando tradicionalmente teria prescrito uma intervenção medicamentosa, em vez de chamar pela professora. Esse fato evidencia a integração da equipe médica com a equipe de professoras no hospital.
“O professor aqui se sente bem porque nós somos consideradas. O professor aqui é considerado e respeitado. Respeito que considera e vê você como profissional, assim como os demais profissionais da saúde.” (P1)
“O professor aqui é respeitado e tem seu trabalho reconhecido.” (P2, P3,
P4)
“Hoje os profissionais reconhecem nosso (não só meu, mas de todas as professoras) valor como profissional. Vou dar um exemplo: em São Paulo, houve uma gestão da prefeitura em que o prefeito instituiu ponto e crachá do mesmo modo que para os professores do ensino regular dentro de um horário que aqui no hospital não dava para funcionar e também não permitiu férias escalonadas. Veja bem, aqui no hospital não fecha nem janeiro e nem julho, temos escala de professores. Por um ano, tivemos que seguir a norma da prefeitura, ou seja, deixou de haver escalonamento de
professores, e o período de férias teve de ser cumprido. Sabe qual foi o resultado? Neste ano foi observado, no hospital, na pediatria, aumento de 60% no uso de medicamentos para dor, e as crianças passaram a chorar mais. Até os médicos pediram que se voltasse ao esquema de escala de professores. Na época, o presidente do hospital pediu a mudança diretamente ao prefeito apresentando as razões, e o prefeito revogou as normas para os professores do hospital. A dor está ligada em não ter o que fazer e aí a criança pensa em voltar para casa, chora mais, lembra que está com dor.” (P5)
“As mães veem as professoras como fadas. A gente mais recebe do que dá. É uma realização esse trabalho.” (P5)
“Os profissionais da saúde, incluindo a equipe médica, desde 2008, passaram a ouvir mais o professor. Isto é sinal de reconhecimento pela equipe multiprofissional.” (P1)
O reconhecimento das professoras pedagogas enquanto profissionais pelos demais especialistas do hospital é um processo ainda não consolidado. Há sim abertura por parte da instituição e de profissionais médicos e de outras áreas a promover a inclusão do professor. No entanto, mesmo diante de situações nas quais se percebe essa inclusão, ao mesmo tempo, é possível, segundo os relatos, considerar que ainda falta maior adesão por parte de todo o corpo clínico e demais profissionais da saúde.
Categoria 2: Percepção do ambiente de trabalho
Com relação à segunda categoria, “Percepção do ambiente de trabalho”, foram observadas respostas que levaram a identificar duas subcategorias: hospital como ambiente diferenciado para o desenvolvimento do trabalho pedagógico; hospital como ambiente com desafios de oportunidades e fragilidades em relação ao desenvolvimento do trabalho pedagógico. Destaca-se haver uma dinâmica própria do hospital, a qual os professores tiveram de conhecer e com a qual precisaram aprender lidar, sobretudo em um ambiente com profissionais com diferentes visões conceituais de pessoa hospitalizada.
Subcategoria - Hospital como ambiente diferenciado para o desenvolvimento do trabalho pedagógico
Quando as professoras pedagogas relatam o ambiente do trabalho pedagógico, referem-se mais diretamente ao hospital como ambiente diferenciado, se comparado ao escolar, que tem profissionais de diversas áreas e por isso mesmo com noções diferenciadas de ‘criança hospitalizada’, da sua saúde e doença. Destacam, além disso, que, nesse ambiente
diferenciado, também são estabelecidas e mantidas diversas parcerias com as escolas de origem das crianças e com resultados expressivos.
“O Hospital é um ambiente diferente se comparado ao da escola, que também tem pessoas / profissionais com visões diferentes focando o paciente, a saúde e a doença desse paciente.” (P1)
“O professor é a ponte entre a escola regular e a escola do hospital. Posso dizer que 99,8% das parcerias entre a escola de origem e a escola do hospital têm sido muito boas. As parcerias são muito positivas. Temos alunos do Maranhão, Tocantins, Roraima e de muitos outros lugares.” (P5)
“ O hospital é um ambiente com profissionais com visões diferentes sobre o paciente. Eu penso em uma visão desenvolvimentista, porque esse corpo doente ou saudável se desenvolve bem ou não. A visão dos profissionais da saúde e médicos é achar se a criança tem dor e caracterizar uma determinada doença. Ao fazerem visitas no quarto, perguntam: você está com dor? Está sentindo algo diferente? Já a visão do pedagogo sobre saúde é saber da criança se ela está se desenvolvendo e o que é esperado para a saúde dela.” (P1)
Subcategoria - Hospital como ambiente com desafios de oportunidades e fragilidades em relação ao desenvolvimento do trabalho pedagógico
Como em todo ambiente de trabalho, há desafios a serem enfrentados. São de toda ordem. Configuram-se como oportunidades para mudança de uma cultura instalada, de uma concepção, por exemplo, de pessoa, de saúde, de doença, de aprendizagem, entre outros. Nessa mesma dinâmica, estão as fragilidades, que se apontam como questões a serem enfrentadas ou ao menos refletidas, com vistas a possíveis encaminhamentos e superações.
A atuação do professor pedagogo no hospital é um processo em construção, e, como tal, os profissionais dessa área crescentemente se deparam com desafios e questões na esfera local que reproduzem até mesmo questões de ordem global, como a reafirmação da cidadania e dos direitos do escolar hospitalizado considerando suas necessidades e de ser visto em sua inteireza. Outro desafio constante que é considerado como oportunidade no ambiente de trabalho é a possibilidade de inovar e adaptar propostas curriculares, por isso mesmo para muitas professoras a condição de ser pesquisadora é muito importante.
“Os desafios do início e de agora são praticamente os mesmos. A primeira questão é enfrentar o preconceito – o pedagogo sofre preconceito ao entrar no hospital.” (P1)
“Há um outro desafio: as questões do estado de direito – ainda é novo no Brasil a visão do sujeito de direitos. Democracia ainda falta. A democracia ainda é nova pra que as pessoas exerçam seus direitos. Não dá para deixar de ligar educação e saúde. Não há maturidade na reivindicação. Veja só, falando com uma mãe para dar orientações após a cirurgia que o filho ia fazer, eu expliquei a ela que depois de enfrentar o pós-operatório ele terá continuidade dos estudos aqui. A mãe me disse: ‘Pra mim, meu filho não voltava na escola esse ano porque ele está doente. Que bom que tem escola no hospital’, disse a mãe da criança. E aí eu enfatizo que a Educação é um direito de todos independentemente onde cada criança esteja. A Saúde segue o mesmo direito. A família não sabe reivindicar seus direitos. Porque a criança está doente, deixa de ser cidadão de direitos, de exercer a cidadania.” (P1)
“É possível identificar, como professora, as oportunidades no ambiente de trabalho através da observação; podemos detectar as necessidades da criança naquele momento e dentro das condições vamos poder oportunizar o trabalho pedagógico.” (P2)
“A atuação do pedagogo tem que estar pautada no lúdico, no que é prazeroso. Temos que ter em mente que o trabalho pedagógico tem que ir até o aluno seja na enfermaria, no leito, quando em isolamento, corredores ou até mesmo nas UTIs.” (P2)
“Os desafios iniciais enfrentados foram adaptação ao modo de desenvolver as aulas, a integração na equipe e a busca do reconhecimento do meu trabalho pelas crianças.” (P4)
“Dentre as oportunidades que o trabalho pedagógico hospitalar sinaliza é poder trabalhar com a família e poder adaptar a proposta curricular.” (P4)
“Um dos desafios deste trabalho é a busca constante de aperfeiçoamento. Esta atuação envolve continuamente pesquisa.” (P3)
“Digo que como desafio diário é aprimorar a relação das áreas da educação e da saúde.” (P4)
“Para os médicos, enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais, falta uma visão desenvolvimentista (é ver a criança em seu todo, em seu desenvolvimento, independente da doença), porque consideram a doença em si, e outras questões não consideram. Depois da entrada do Pedagogo hospitalar, esta visão foi mudando lentamente. Aos poucos o trabalho do pedagogo foi aparecendo no hospital.” (P1)
Os desafios são diários e de diversas ordens, uma vez que cada dia reserva uma nova dinâmica no que concerne ao trabalho pedagógico específico com os escolares hospitalizados; além do mais, os professores, apesar de terem vínculo com a secretaria da educação, não deixam também de ‘pertencer’ ao quadro de colaboradores do hospital. Sendo assim, também
se encontram ‘submetidos’ a uma segunda estrutura organizacional, que tradicionalmente foi pensada para os profissionais da saúde e que se rearranja para considerar o professor pedagogo.
Em relação às fragilidades apontadas no desenvolvimento do trabalho pedagógico no ambiente hospitalar, identificam-se as situações de lidar com pessoas fragilizadas, tanto crianças como a família, e os desdobramentos dessa questão, que exige do professor, entre outros quesitos, equilíbrio emocional. Atualmente a equipe de professores considera como uma questão ainda a ser resolvida o espaço físico não satisfatório, tendo em vista a demanda.
“É possível também identificar situações que se mostram com mais fragilidade: as que mais nos afetam são as de cunho emocional. O câncer é uma doença familiar e às vezes temos que primeiro trabalhar com a família, conversar muito, resgatar a esperança, tentar diminuir a ansiedade dos pais, para conseguirmos trabalhar o pedagógico com a criança.” (P2)
“Um dos pontos de fragilidade é saber lidar com a saúde fragilizada da criança. É preciso ter muita força de vontade.” (P4)
“Destaco que a condição de a criança estar hospitalizada já de pronto se constitui em fragilidade para se lidar no cotidiano.” (P3)
Categoria 3: Percepção sobre o relacionamento multiprofissional
Relacionadas à terceira categoria, “Percepção sobre o relacionamento multiprofissional”, foram observadas respostas que levaram a identificar duas subcategorias: fatores promotores ao relacionamento multiprofissional; e fatores restritivos ao relacionamento multiprofissional.
O que se evidencia nas falas das professoras ao descrever o nível de relacionamento multiprofissional é que a condição qualitativa relacional foi sendo construída gradativamente entre os profissionais da saúde e as professoras, a ponto de se estabelecer um grau de interdependência, sobretudo, quando da avaliação de cada escolar hospitalizado. O relacionamento entre essas instâncias flui de tal forma que contribui para um ambiente respeitoso. As avaliações de cada escolar hospitalizado ocorrem em reuniões semanais com o corpo clínico, demais profissionais da saúde e os professores pedagogos.
Subcategoria - Fatores promotores ao relacionamento multiprofissional
As professoras se manifestaram em relação ao nível de relacionamento multiprofissional como sendo altamente positivo, porém como resultante de um processo de conquistas gradativas. O ouvir e ser acatado, para as professoras, representa grande avanço do ponto de vista relacional. Outro ponto a considerar é a qualidade do relacionamento com a equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, entre outros), assim como a mudança na postura dos profissionais em relação ao atendimento de cada criança. A visão que a equipe multiprofissional tem do escolar hospitalizado atualmente está relacionada a outros referenciais que não só o biológico.
“Como os profissionais da saúde demonstravam desconhecer teóricos como Vygotsky, Piaget e outros e sua importância, aos poucos nós fomos apresentando esses teóricos nas reuniões quando a gente descrevia uma criança. Aos poucos os profissionais da saúde passaram a ver o trabalho do pedagogo e suas contribuições e o alcance da educação. Educação passou a ser vista de outra forma.” (P1)
“Hoje fazemos parte da equipe multiprofissional, participamos das reuniões com todos da equipe médica e demais profissionais da saúde (da pediatra, da radio, fisioterapia, e outros mais...). Normalmente, nas reuniões com a equipe médica e outros profissionais da saúde, somente se analisava os resultados dos exames de cada criança. Mas o professor descrevia e descreve o paciente, descreve a relação do paciente com os professores, a família e com outros profissionais, a motivação do paciente, descreve, por exemplo: como a criança acorda, se alimenta, o que tem falado, como tem se comportado. Nessas reuniões, a participação do professor foi se tornando mais intensa. Os profissionais da saúde desde 2008 passaram a ouvir mais o professor. Isto é sinal de reconhecimento pela equipe multiprofissional.”
(P1)
“As reuniões com a equipe multiprofissional são muito importantes, para o aprimoramento de todos.” (P4)
Subcategoria - Fatores restritivos ao relacionamento multiprofissional
Há nas falas das professoras conquistas ainda a serem atingidas. Uma delas é a aceitação plena por parte da equipe multiprofissional como um todo, tanto da presença do professor nas reuniões quanto da sua participação. Isso se deve à visão ainda distorcida que alguns profissionais têm do trabalho pedagógico do professor. A coesão do grupo de professoras e a forma como atuam se mostram como fatores de impacto a possibilitar que se ampliem os aspectos promotores ao relacionamento multiprofissional.
“Apesar dos avanços, ainda há certo preconceito por parte de alguns profissionais quanto à participação do professor nas reuniões com a equipe multiprofissional por desconhecimento da amplitude do seu trabalho.” (P1)
“Um fator não positivo é que a equipe completa de professoras nunca pode estar presente às reuniões com os demais profissionais da saúde por conta do horário de atendimento aos alunos e do horário de trabalho.” (P5)
“Em reuniões multidisciplinares, também participa o grupo de professoras. Melhoraria muito se todas pudessem comparecer a essas reuniões, mas há o impedimento da disponibilidade de horários.” (P2)
Categoria 4: Percepção sobre o cotidiano e o processo ensino-aprendizagem no hospital
Com relação à quarta categoria, “Percepção sobre o cotidiano e o processo ensino- aprendizagem no hospital”, foram observadas respostas que levaram a identificar duas subcategorias: o processo de aprendizagem do escolar hospitalizado no cotidiano; transformando o cotidiano por meio da aprendizagem significativa.
Destaca-se, mediante as falas das professoras, que o cotidiano planejado nem sempre acontece. Há muitas intercorrências que refletem diretamente no processo ensino- aprendizagem. O que se exige do professor é flexibilidade e capacidade para organizar o processo ensino-aprendizagem a partir das condições reais de cada escolar hospitalizado. A autonomia da criança fica garantida quando o trabalho pedagógico no hospital se organiza com base nas necessidades e nas condições de cada escolar hospitalizado.
Subcategoria - O processo de aprendizagem do escolar hospitalizado no cotidiano
As falas das professoras em relação ao cotidiano e ao processo de aprendizagem do escolar hospitalizado sinalizam para pontos como: o de que o trabalho do professor não pode ser rotineiro; o professor precisa ser flexível, considerando as situações do momento. Também fica claro que antes de o conteúdo programado ser cumprido, a criança é considerada, ouvida, percebida para então o professor propor algo. Nesse contexto de aproximação entre o professor e o escolar hospitalizado, os determinantes do processo ensino- aprendizagem ligam-se ao processo de escuta e de consideração ao tempo de cada um. Destacamos aqui a importância da consciência do tempo – não mais o tempo do chronos, mas o tempo do kairós, a permitir uma postura dialógica e sensível para com o escolar hospitalizado.
“No Hospital, se existe uma coisa que não acontece é a rotina, nós temos que estar sempre preparadas para as eventualidades.” (P2)
“O cotidiano é muito diversificado, não há atividades rotineiras.” (P3)