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Data integrity and organisation

Quando da época da fundação do hospital, em 1953, as crianças em tratamento oncológico no hospital permaneciam longos períodos internadas, longe de sua cidade e de sua família. Somente em 1986 as crianças ganharam o direito do alojamento conjunto com as mães. Nesse período, o diagnóstico de câncer era considerado uma sentença de morte, e muitos pais quando iniciavam o tratamento já tinham como premissa que seus filhos não voltariam a estudar.

Considerando o percentual cada vez mais elevado de crianças provenientes de outras cidades e estados do Brasil; a impossibilidade de frequentarem a escola com regularidade por estarem distantes de sua escola de origem; e o fato de que a média de tempo do tratamento oncológico é de dois anos, a esposa do fundador do hospital, juntamente com uma colaboradora, que mais tarde se tornou diretora desse espaço educativo, investiram no resgate mínimo da rotina dessas crianças, devolvendo-as a possibilidade de estudar, fundando o que chamaram ‘Escola da Pediatria’.

Essas pioneiras acreditavam na cura e no desenvolvimento das crianças em tratamento no hospital e não admitiam a ideia de as crianças conseguirem vencer o câncer e não terem recursos para vencer na vida. Desse modo, essa ‘escola’, assim denominada, vem garantindo o

acesso e a permanência das crianças com problemas de saúde à escolarização, mesmo antes das reformas legislativas advindas da reformulação da LDBN n. 9394/96.

Essa ‘Escola da Pediatria’ está localizada dentro do próprio hospital, com sede na cidade de São Paulo, no bairro da Liberdade. São atendidos na Pediatria, crianças e adolescentes de 0 a 21 anos; isso porque o câncer incide em todas as faixas etárias e seu tratamento é longo e de controle extenso. Isso quer dizer que o tratamento e o controle da doença de um adolescente que tenha seu diagnóstico com 14 nos de idade, pode se estender até completar 19 anos. O hospital atende pessoas advindas de cidades próximas, como do interior do estado de São Paulo, e também de outros estados do Brasil. 75% dos pacientes são vinculados ao SUS, com baixos recursos financeiros. Há de se destacar a diversidade cultural dos escolares hospitalizados, sobretudo em função das regiões de origem. 50% das crianças apresentam matrícula anterior na rede de ensino, e a outra metade cabe à ‘escola do hospital’ vincular à rede oficial de ensino.

A ‘Escola da Pediatria’, quando fundada, em 1987, iniciou suas atividades mediante convênio firmado com a Prefeitura de São Paulo – SME e, posteriormente, em 1992, com a Secretaria de Estado de Educação que permitiu o remanejamento de duas professoras da rede para atuarem no hospital. Atualmente conta com 10 (dez) professoras da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME) e 6 (seis) professoras da Secretaria de Estado de Educação – Governo do Estado de São Paulo.

Em 2004, com o crescimento da ‘Escola da Pediatria’, a equipe de professores iniciou o processo de construção de um projeto político pedagógico que considerasse a realidade hospitalar. Em função das características da demanda, que se configura numa ampla faixa etária, e pelo fato de ser proveniente de diversos estados do Brasil, a equipe de professoras optou por desenvolver um projeto de atuação que abarcasse o desenvolvimento infantil em todos os seus aspectos.

A construção desse projeto se fez a partir da busca de referenciais teóricos que pudessem subsidiar a atuação das professoras, considerando o processo de ensino- aprendizagem e o desenvolvimento no âmbito hospitalar. Sendo assim, o projeto fundamenta- se nas produções de Jean Piaget, Lev S. Vygotsky, Henri Wallon e Paulo Freire.

A proposta desse projeto, no que diz respeito à atuação pedagógica, configura-se da seguinte forma:

Atividade lúdica (jogos, brinquedos, CD-ROM, video game, desenhos);

Atividade artística (desenhos, pinturas, colagem, modelagem, construção de modelos e maquetes);

Atividade escolar (vinculada à escola de origem ou com base no currículo da escola de origem);

Atividade pedagógica (atividade organizada e vinculada ao programa);

Apoio pedagógico (atendimento aos pacientes com dificuldades de aprendizagem); Orientação aos pais;

Orientação à escola de origem;

Encaminhamento e organização de recursos de apoio ao aluno.

Eixos de atuação:

Triagem do desenvolvimento: acompanhamento do desenvolvimento motor, cognitivo, de linguagem, dos processos de aprendizagem e de escolaridade;

Estimulação essencial: estimulação globalizada e preventiva envolvendo os diferentes aspectos do desenvolvimento;

Atendimento educacional / psicopedagógico;

Atendimento pedagógico visando à escolarização tendo como base os Parâmetros Curriculares Nacionais e atuação psicopedagógica quando houver problemas de aprendizagem;

Orientação educacional: orientação aos pais, escolas e encaminhamentos para recursos educacionais especializados;

Formação de professores: contrato com a SME-PMSP para organização de 2 cursos anuais e assessoria para a construção de uma política de atendimento pedagógico hospitalar (classes hospitalares);

Curso de Extensão em Pedagogia Hospitalar.

A ‘Escola da Pediatria’ não só garante a continuidade do processo de escolarização, mas atua também como parceira no tratamento dos pacientes, de modo a possibilitar o resgate da condição saudável da criança sobre a doença. Tem sido referência no desenvolvimento do trabalho de classes hospitalares e tem oferecido apoio, orientação e estágio a professores e gestores que organizaram seus serviços de classe hospitalar em outros hospitais públicos da cidade de São Paulo. A ‘Escola da Pediatria’ acredita na importância constante do aprimoramento e dos encontros sobre pedagogia hospitalar, pontos fundamentais para o fortalecimento da identidade dessa modalidade de ensino e aperfeiçoamento das ações pedagógicas.

O desenvolvimento do trabalho pedagógico do professor no hospital se efetiva nessa instituição em vários espaços:

- na área da internação: com escolares hospitalizados em estado agudo de adoecimento que estão em procedimentos pré e pós-operatórios, em processo de quimioterapia / radioterapia, transplantados de medula óssea, entre outros;

- na área ambulatorial: com escolares em situações de emergência, em fase de curativos, em fase de controle da patologia, entre outros;

- na área da radioterapia: com escolares hospitalizados submetidos a braquiterapia, raio x, entre outros;

- em ações pedagógicas no leito: acontecem quando o escolar hospitalizado não pode ou não consegue se deslocar até os espaços educativos;

- em ações na UTI: acontecem no pós-operatório, em situações de transplantes de medula óssea e hepática, em situações de insuficiência respiratória, em casos de broncopneumonia, em situações de hemodinâmica e de instabilidades clínicas.

As ações desenvolvidas pelos professores pedagogos no hospital são individualizadas ou em grupo. O professor também faz a mediação junto ao escolar hospitalizado entre os momentos de procedimentos médicos e os momentos voltados às ações pedagógicas específicas.

O trabalho pedagógico dos professores pedagogos com escolares hospitalizados contribui decisivamente em duas vertentes:

1. Amplia o conhecimento e a compreensão: a. Amplia a aceitação ao tratamento; b. Amplia a participação no tratamento;

c. Amplia a troca de informação entre os que estão hospitalizados; d. Amplia a humanização.

2. Transforma o escolar hospitalizado em protagonista: a. Eleva a autoestima;

b. Diminui a ansiedade;

c. Proporciona momentos de alegria; d. Aumenta a felicidade;

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ANÁLISE DOS RESULTADOS

O presente tópico, destinado à análise dos resultados, considera em seu desenvolvimento duas etapas: na primeira, são apresentados os resultados obtidos por meio do conteúdo das entrevistas / narrativas, assim como a sua análise, com base na construção e agrupamento em categorias e subcategorias; e, na segunda etapa, são destacados os resultados provenientes da análise documental.

Na presente pesquisa, cada entrevista realizada gravada foi ouvida e transcrita em sua íntegra. A releitura completa do material levantado foi realizada para possibilitar, no dizer de Gil (2009), “a familiarização com as respostas e a obtenção de uma visão geral dos dados coletados”. O conteúdo das entrevistas / narrativas teve como base de análise categorias e subcategorias. Por categoria, Minayo (2009) afirma “se referir em geral a um conceito que abrange elementos ou aspectos com características comuns ou que se relacionam entre si”.

A análise de categorias temáticas tenta encontrar uma série de significações que o codificador detecta por meio de indicadores que lhe são ligados; codificar ou caracterizar um segmento é colocá-lo em uma das categorias, a partir das significações [...]. (GADET; HAK, 1993, p. 65).

Ao cruzarmos as narrativas e os percursos dos professores pedagogos mediante um processo analítico-interpretativo, estimamos compreender como esses professores foram se constituindo pessoal, coletiva e profissionalmente. Optamos pelo agrupamento das falas, de acordo com os temas versados. Na construção das categorias, os discursos uma vez classificados foram geradores de subcategorias.