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atividade simpática, vasodilatação causada pelo aumento da concentração de NO₂ e a hiperemia.

A prática do exercício físico promove importantes respostas autonômicas e hemodinâmicas que influenciam o sistema cardiovascular. A pressão arterial sistólica aumenta diretamente na proporção do aumento do débito cardíaco. A pressão arterial diastólica reflete a eficiência do mecanismo vasodilatador local dos músculos em atividade, resultando na diminuição da resistência vascular periférica ao fluxo sanguíneo (WILMORE; COSTIL, 2003). A vasodilatação periférica, resulta da liberação de substâncias vasodilatadoras (óxido nítrico, peptídeo natriurético atrial), o que contribui para a redução da PA. Segundo diversos autores, a redução da PA, pode estar relacionada à vasodilatação provocada pelo exercício físico nos músculos ativos, resultante do acúmulo de metabólitos (potássio, lactato e adenosina) ou pela dissipação do calor produzida (FORJAZ et al., 1998). A contribuição desse estudo foi demonstrar que a prática do karatê de contato com relação ao karatê tradicional, pode resultar em um maior efeito hipotensivo protetor do sistema cardiovascular, por manter maior magnitude da HPE dos valores da pressão arterial logo após sua prática. Esta afirmativa é confirmada em um estudo populacional de Stamber (1991) onde identificou que pequenas diminuições na PA protegem o sistema cardiovascular diminuindo o risco de infarto e de doenças coronarianas, inclusive de mortes associadas.

Os resultados da PAS desse estudo, similares ao estudo de Mota et al. (2006), que observaram HPE de PAS em todos os momentos da recuperação após o exercício de esteira, se mostraram mais significativos após a prática do KC, chegando a uma redução de 13,2 mmHg da PAS no 60º da recuperação. Possivelmente essa resposta hipotensora é devido à maior massa muscular envolvida no KC, o que acarretaria em um maior recrutamento de unidades motoras quando comparado a prática do KT, comportamento similar ao estudo de Lizardo et al. (2007) envolvendo bicicleta e esteira, demonstrando que a esteira, por utilizar maior massa muscular, teve maior resposta hipotensora que na bicicleta. Essa hipótese também é verificada no estudo de Lizardo e Simões (2005) com exercícios resistidos, que mostraram maior magnitude da HPE após exercícios que envolviam grandes grupos musculares. No estudo de Ciolac et al. (2004) comparando o exercício intervalado com exercício contínuo, também evidenciou uma maior magnitude da HPE de PAS no exercício intervalado, exercício característico do karatê. Resultados contrários são apresentados no estudo de MacDonald, MacDougall e Hogben (2000), que utilizaram cicloergômetros e

ergômetros de braço e não evidenciaram diferença na HPE, o que pode indicar pouca influência da massa muscular.

A dinâmica do KC envolvendo a força máxima nos golpes aferidos como objetivo do combate, que é o nocaute, evidencia o diferencial entre o KT, dinâmica que influenciam as respostas pressóricas. Somado a maior quantidade de massa muscular envolvida na prática do KC, pelo fato da região abaixo da linha de cintura também ser um região de combate, a intensidade é elevada, o que influencia no comportamento da HPE. No exercício aeróbio MacDonald et al. (1999) e Forjaz et al. (1998) não verificaram influência da intensidade do exercício sobre a HPE. Em esteira ergométrica Hagberg et al. (1987) verificaram maior HPE de PAS no protocolo de maior intensidade, porém em hipertensos. Em normotensos Polito et al. (2003) e Simão et al. (2005), verificaram que a sessão de exercícios de força de alta intensidade (6RM) pode proporcionar uma redução mais prolongada da HPE de PAS que a sessão menos intensa (50% de 6RM). No estudo de Alderman et al. (2007) realizados com atletas normotensos em esteira ergométrica e no estudo de Dujic et al. (2006) também com atletas normotensos, porém na corrida de atletismo, ambos com intensidade semelhante a do presente estudo, houve significativamente redução da PAS e PAD, resultados que compartilham com os resultados do presente estudo.

Com relação ao comportamento da HPE de PAD nesse estudo, foi evidenciado valores diferentes entre o KT e o KC. No KT a HPE de PAD apresentou diferença significativa (p˂0,05) em todos os momentos da recuperação com relação ao repouso e com relação ao grupo controle (Tabela 2). Analisando a variação da PAD em cada momento da recuperação entre os grupos (Figura 3), o KC apresentou maior redução, resultados semelhantes aos demonstrados por Lopes, Gonçalves e Resende (2006), que observaram hipotensão diastólica após protocolos de exercício em esteira e bicicleta. Tomasi et al. (2008) evidenciaram comportamento diferenciado da HPE de PAD, suspeitando que a condição clínica da amostra possa ter influenciado, considerando-se que os valores mais expressivos da redução pressórica ocorrem em hipertensos (HALLIWILL, 2001). No estudo de Cunha et al. (2006) com exercícios de intensidade variadas também não encontraram HPE de PAD, mostrando-se contrários aos resultados obtidos nos protocolos de pesquisa com exercício intervalado como evidenciado por Ciolac et al. (2004), que encontrou HPE de PAD. Acredita-se que o fato do experimento ter utilizado lutas simuladas no karatê possa ter influenciado o comportamento da HPE de PAD, mesmo sendo orientados a participarem como em situação real de luta. O fato

que no combate do KT os lutadores estarem focados na velocidade dos golpes e não na força, pode também ter influenciado o comportamento da HPE de PAD no presente estudo. Essas controvérsias podem ser atribuídas a dois fatores: às características da amostra e ao programa de treinamento realizado.

A HPE de PAD do KC foi significativa e de elevada magnitude, o que pode estar relacionada à redução da resistência vascular periférica a partir da vasodilatação mantida pós-exercício que ocorre entre outros, pela acentuada produção de metabólitos (HARA et al., 1994), pelos fatores neurais como a redução da atividade nervosa simpática, alterações humorais, hormonais e locais (GUYTON; HALL, 2002). Um elemento que pode ter contribuído para o comportamento da HPE de PAD de ambas sessões de karatê, foi a duração do exercício, quando Forjaz et al. (1998) afirmam que a duração do exercício físico influencia de forma proporcional a magnitude e duração da hipotensão pós-exercício em normotensos.

Por ser uma luta de contato pleno e utilizando a região abaixo da linha de cintura como região de combate, o KC exige um recrutamento adicional de unidades motoras que influenciam o grande aporte de massa muscular, que segundo Lizardo e Simões (2005), esta interferência do volume de massa muscular resultam em maior número de capilares sanguíneos e conseqüente uma maior diminuição da resistência vascular periférica, resultando HPE de PAD do KC mais elevada.

Sendo a pressão arterial média (PAM) a medida de pressão que tende a empurrar o sangue através do sistema circulatório, o comportamento da HPE de PAM nesse estudo foi similar ao comportamento da HPE de PAS, ficou demonstrado HPE de todas as medidas com relação ao repouso e ao grupo controle. A HPE de PAM do KC apresentou-se com diferenças significativas (p<0,05) em todos os momentos da recuperação com relação ao grupo controle e o karatê tradicional, com maior magnitude de - 3,4 mmHg no 15º minuto da recuperação, exceto no 60º minuto, em que o KT apresentou maior redução (- 1,4 mmHg) com relação ao KC (- 0,7 mmHg) (Figura 4). Analisando a Tabela 2 o comportamento da PAM do KC foram semelhantes aos obtidos por Cunha et al. (2006), que evidenciaram HPE da PAM aos 30 minutos da recuperação em exercícios de intensidades variadas .

Considerando que uma redução de 2 mmHg (milímetro de mercúrio) após o exercício físico, pode reduzir o risco de doenças e mortes associadas a hipertensão, os resultados do presente estudo, se tornam uma potente arma contra as disfunções pressóricas. A redução dos valores pressóricos nessas variáveis, comportam-se de forma

semelhante aos valores do estudo de Hunter et al. (1998), confirmando que ao exercícios intermitentes influenciam positivamente o comportamento da PA.

O presente estudo demonstrou que os indivíduos avaliados mantiveram uma frequência cardíaca (FC) média durante a sessão de KC em torno de 191,4 ± 5,8 b.min-1, e o KT em torno de 181,5 ± 4,6 b.min-1, o que representa respectivamente 98,9 ± 4,7% da FC máxima e 93,3 ± 4,8 b.min-1 da FC máxima estimada pela idade. Ahmaidi et al. (1999), ao investigarem as respostas cardiovasculares de atletas de Judô e Kendô durante um combate, apresentaram valores levemente inferiores (89 e 86% da FCmáx para atletas de Judô e Kendô, respectivamente), o que pode ter sido determinante para a não ocorrência de redução significativa (p>0,05) da PA no estudo de Simão et al. (2007).

A FC aumenta com o estresse emocional, mas a monitorização ocorreu durante a simulação de uma luta oficial, e não em um campeonato, o que sem dúvida diminui a ansiedade dos atletas, embora a motivação de vencer esteja sempre presente em qualquer lutador. Além disso, valores de frequências cardíacas tão próximas ao máximo individual de cada atleta não poderiam ser justificados apenas pelo estresse emocional da luta. A FC pode modificar-se rapidamente graças à ação de nervos que se dirigem o coração de substâncias químicas que circulam no sangue (MCARDLE et al., 1998). Esses controles extrínsecos da função cardíaca acarretam uma aceleração do coração como um processo de antecipação antes mesmo do início do exercício, e a seguir os atletas se ajustam rapidamente à intensidade de esforço físico. A regulação extrínseca resulta em freqüências cardíacas que podem ultrapassar os 200 bpm no exercício máximo (MCARDLE et al., 1998).

Esses valores de freqüência cardíaca próximos a FC máxima indicam que a luta de karatê consiste em uma atividade física de alta intensidade, o que era esperado, pois atividades de duração de dois a três minutos apresentam um predomínio do metabolismo anaeróbio láctico (MCARDLE et al., 1998; FOSS; KETEYIAN, 2000), de modo que o treinamento físico dos atletas praticantes de karatê deva ser adequado para essa característica de alta intensidade da luta.

O karatê consiste em uma forma de exercício intermitente, pois há alternância de intensidade durante sua prática, pelas aplicações variadas de golpes e nos momentos de bloqueios e recuperação, diferenciando-se na qualidade física força, entre o karatê de contato e o karatê tradicional. Com relação ao estudo de Hunter et al. (1998), o exercício intermitente, induz o organismo a adaptações fisiológicas e metabólicas

levando benefício ao controle da Pressão Arterial. Monteiro e Sobral (2004) relatam uma maior segurança cardiovascular, na prática dos exercícios intermitentes, uma vez que o tempo de tensão aplicada é menor do que exercícios de caráter contínuo. Estes benefícios contribuem de forma consistente no comportamento da HPE na prática do karatê, diminuindo a sobrecarga do sistema cardiovascular e contribuindo para melhor qualidade de vida para os praticantes desta arte marcial.

Com relação aos resultados do presente estudo, podemos concluir que houve hipotensão pós-exercício tanto na prática do karatê tradicional, quanto na prática do karatê de contato, que apresentou maior efeito hipotensivo. O karatê de contato mostrou ser mais eficiente na resposta hipotensora com relação ao karatê tradicional. Este resultado pode estar relacionado a dinâmica do karatê de contato, que apresenta-se mais intenso, envolve maior massa muscular e utiliza a força máxima, exigindo um maior trabalho cardiovascular influenciando as respostas hipotensoras. Esta afirmação necessita de maiores investigações que possam corroborar com nossos resultados. Por fim, no intuito de promoção do efeito hipotensivo pós-exercício e maior proteção do sistema cardiovascular, podemos inferir que a prática do karatê de contato pode contribuir de forma mais positiva com relação ao karatê tradicional.